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em cada 10 mulheres relatam dor intensa na inserção do DIU, diz estudo
A dor
na inserção do DIU atinge 81,4% das mulheres e pode ser muito mais intensa do
que as diretrizes brasileiras reconhecem. É o que revela um estudo conduzido
por pesquisadores da Unicamp, que analisou 7.259 procedimentos realizados entre
2022 e 2024 em um hospital público de Campinas (SP).
Os
resultados mostram que a maioria das inserções provocaram dor moderada ou
intensa, enquanto mais da metade das pacientes classificou a experiência como
severa — um cenário que contrasta diretamente com o manual do Ministério da
Saúde, segundo o qual menos de 5% das mulheres enfrentariam esse nível de
desconforto.
Publicado
no International Journal of Gynecology & Obstetrics, o trabalho avaliou
prontuários de 6.974 mulheres com idade entre 18 e 45 anos atendidas no
Ambulatório de Planejamento Familiar da Unicamp. Como algumas pacientes
passaram pelo procedimento mais de uma vez no período analisado, o número de
inserções foi superior ao total de participantes.
A
pesquisa teve como primeira autora Ana Luiza Savi e contou com a participação
dos pesquisadores Luis Bahamondes e Cássia Juliato. O estudo surgiu da
dissertação de mestrado de Savi e buscou medir, na prática clínica, a
intensidade da dor durante a colocação do dispositivo intrauterino.
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Avaliação de dor
Para
avaliar a experiência das pacientes, os pesquisadores utilizaram uma escala
visual de dor de zero a dez imediatamente após a inserção do DIU. A média
registrada foi de sete pontos, indicando um nível elevado de desconforto. Entre
todas as inserções analisadas, 53,8% receberam pontuação igual ou superior a
sete, classificadas como dor severa, enquanto outros 27,6% foram enquadrados
como dor moderada. Apenas 15,4% relataram dor leve e somente 3,1% disseram não
ter sentido dor.
Outro
dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o baixo uso de estratégias para
aliviar o desconforto antes do procedimento. Apenas 6,1% das inserções
ocorreram após a administração de algum medicamento. Os antiespasmódicos foram
utilizados em 3,2% dos casos, os anti-inflamatórios em 2,8%, analgésicos comuns
em 1,1% e opioides praticamente não foram empregados.
Além
disso, o estudo observou que o uso de antiespasmódicos antes da inserção esteve
associado a uma maior probabilidade de dor moderada ou intensa. Os autores
ressaltam, porém, que essa associação não significa que o medicamento provoque
mais dor. Uma das explicações consideradas é que esses fármacos tendem a ser
prescritos justamente para pacientes com maior expectativa de desconforto ou em
procedimentos considerados mais complexos.
A
análise também identificou fatores relacionados ao aumento da dor. Mulheres
mais jovens apresentaram maior probabilidade de relatar níveis elevados de
desconforto. O mesmo ocorreu entre aquelas que nunca haviam engravidado ou não
tinham histórico de parto vaginal ou cesariana. Já pacientes com experiência
prévia de parto, especialmente vaginal, relataram menor intensidade de dor
durante a colocação do DIU.
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Procedimento
Características
do próprio procedimento também parecem influenciar a experiência das pacientes.
Um dos dispositivos hormonais avaliados utiliza um tubo inseridor de maior
diâmetro do que outros modelos disponíveis, característica apontada como um
possível fator associado a escores mais altos de dor.
Embora
fatores psicológicos não tenham sido medidos diretamente nesta pesquisa, os
autores lembram que ansiedade e expectativa em relação ao procedimento são
reconhecidos pela literatura científica como elementos que podem interferir na
percepção da dor.
Outro
achado chamou a atenção da equipe. Em diversas situações, os profissionais
classificaram a inserção como tecnicamente simples, enquanto as pacientes
descreveram o procedimento como muito doloroso. Para os pesquisadores, essa
diferença evidencia que a facilidade técnica da colocação do DIU não
necessariamente corresponde à experiência vivida pela mulher.
É
justamente essa distância entre a prática clínica e as recomendações nacionais
que motivou uma das principais conclusões do estudo. Enquanto o manual
brasileiro descreve a inserção do DIU como um procedimento descomplicado e
estima que menos de 5% das mulheres apresentem dor moderada ou intensa, os
dados obtidos no serviço da Unicamp mostram uma realidade bastante diferente.
Os
autores afirmam que essa subestimação pode comprometer o aconselhamento
oferecido às pacientes e até se tornar uma barreira para a aceitação do método
contraceptivo. Segundo eles, reconhecer que a dor é frequente e, muitas vezes,
intensa é fundamental para tornar o atendimento mais transparente e centrado na
experiência das mulheres.
O
estudo também destaca que organismos internacionais, como a Organização Mundial
da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG),
atualizaram recentemente suas recomendações para incluir estratégias rotineiras
de manejo da dor durante a inserção do DIU. Diante dos resultados encontrados,
os pesquisadores defendem que as diretrizes brasileiras também sejam revisadas
para refletir melhor a realidade observada nos atendimentos e oferecer
informações mais precisas às pacientes.
Fonte:
Correio Braziliense

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