O
Partido Missão é uma mistura de “fascistoide sapatênis com bolsonarismo la
crème”
Há
pouco mais de 3 meses para a eleição, o presidenciável Renan Santos, do partido
Missão, debuta, em outubro, sua primeira candidatura.
Buscando
sair do paradoxo do lulismo ou bolsonarismo, como uma terceira via, Santos
aparece nas pesquisas como alternativa para sair da polarização. Com uma fala
forte contra o bolsonarismo, busca aumentar o seu eleitorado na direita, em
especial aqueles que não acreditam mais no clã bolsonarista, que, a cada dia,
vê a candidatura de Flávio Bolsonaro “derreter” nas pesquisas, com escândalos
envolvendo Vorcaro.
Quem,
de fato, é o Missão?
O
Partido Missão surgiu do MBL (Movimento Brasil Livre), o partido que mais
angaria votos com a juventude. Pelo menos, busca não se associar com a extrema
direita, soando como uma pseudodemocracia, que usa, como modus operandi, um
discurso populista.
Traz,
como pano de fundo, um conteúdo manipulador que descontextualiza direitos
sociais, Constituição, políticas públicas, algo palatável que busca transmitir,
de forma maniqueísta, uma disputa entre trabalhadores e o Estado, com um teor
meritocrático em prol do empreendedorismo.
O
expansionismo de diversos modelos de contrato de trabalho, negócios, o MEI
(Microempreendedor Individual), aliado à total precarização dos trabalhos
formais. O discurso ganha força, cresce com um projeto alinhado à direita
empresarial, de cunho ultraliberal, com pautas reformistas que vão desde a
mudança de leis trabalhistas, o famoso “rasgar a Constituição”, até a
precarização total da CLT, conquistas sociais e políticas públicas citadas
anteriormente.
MÍDIAS
SOCIAIS, MODUS OPERANDI, MANIPULAÇÃO
Com o
capitalismo global em total corrosão, guerras, conflitos, disputas por
territórios, petróleo e terras raras, o fator migratório, em especial, e a
guerra cultural estão totalmente ligados com projetos de extrema direita:
oligopólios, imperialismo, aumento da pobreza e, fundamentalmente, concentração
de riqueza.
“Vocês
estão apoiando terroristas”, “Vão roubar o seu emprego”, “O antissemitismo
cresceu com essa retórica”. Quem nunca ouviu as famigeradas frases? Há um
projeto em curso: alienar a classe trabalhadora, enfraquecer os sindicatos,
atacar minorias e aumentar o colonialismo global.
O medo
do inimigo invisível, o comunismo! Se a China é a representação desse sistema,
certas mentiras se tornam verdades absolutas. Se enfrentar o capitalismo do tio
Sam, impor barreiras, não ser subserviente a esse sistema, se torna o místico
comunismo.
O
socialismo de outrora da China, o crescimento do BRICS, a queda do império
estadunidense. Temas que passam longe do conhecimento popular, mas que tratam
da materialização e institucionalização da extrema direita como órgão político,
que pode determinar as mudanças sobre o ecossistema econômico do planeta.
É
dentro desse oceano ideológico que Renan, a família Bolsonaro e o PL (Partido
Liberal) navegam. Governar para a classe dominante e usar de uma democracia
burguesa, as redes sociais como sistematização cultural de pensamento
hegemônico.
Recentemente,
Santos anunciou como seu vice na chapa um militar da reserva, Aroldo Medina, ou
seja, o puro suco do bolsonarismo. Se a narrativa para a grande imprensa,
despistar o público com uma fala anti-Bolsonaro, ganha likes dos desiludidos da
extrema direita, o jogo político está cada vez mais forte contra um suposto
combalido adversário.
Adotam
um discurso de “bonzinhos”, “não somos radicais”, “almoço com os meus avós”,
“não cuspo no chão”, mas, na prática: armas, morte, perseguição a minorias, a
favor de bets, não criminalizam o financiamento do crime, mas quem está na
linha de frente, majoritariamente pessoas negras, recebe “fogo e morte”, sem se
ater a questões fundamentais do funcionamento do crime organizado.
Usam
sapatênis para se conectarem com o público jovem, mas defendem medidas
reacionárias, ultraconservadoras. O partido Missão e Renan Santos representam a
caricatura do bolsonarismo: é o jovem de hoje preso a valores e ideias dos
nossos avós, tudo alinhado em prol de um sistema econômico empresarial de
alienação estrutural.
E assim
caminha a humanidade, a política brasileira: não importa o conteúdo, e sim o
recorte social, midiático, que vai às redes de total “imbecilização social”.
Fonte:
Por Artur Figueiredo, em Brasil 247

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