terça-feira, 7 de julho de 2026

O Partido Missão é uma mistura de “fascistoide sapatênis com bolsonarismo la crème”

Há pouco mais de 3 meses para a eleição, o presidenciável Renan Santos, do partido Missão, debuta, em outubro, sua primeira candidatura.

Buscando sair do paradoxo do lulismo ou bolsonarismo, como uma terceira via, Santos aparece nas pesquisas como alternativa para sair da polarização. Com uma fala forte contra o bolsonarismo, busca aumentar o seu eleitorado na direita, em especial aqueles que não acreditam mais no clã bolsonarista, que, a cada dia, vê a candidatura de Flávio Bolsonaro “derreter” nas pesquisas, com escândalos envolvendo Vorcaro.

Quem, de fato, é o Missão?

O Partido Missão surgiu do MBL (Movimento Brasil Livre), o partido que mais angaria votos com a juventude. Pelo menos, busca não se associar com a extrema direita, soando como uma pseudodemocracia, que usa, como modus operandi, um discurso populista.

Traz, como pano de fundo, um conteúdo manipulador que descontextualiza direitos sociais, Constituição, políticas públicas, algo palatável que busca transmitir, de forma maniqueísta, uma disputa entre trabalhadores e o Estado, com um teor meritocrático em prol do empreendedorismo.

O expansionismo de diversos modelos de contrato de trabalho, negócios, o MEI (Microempreendedor Individual), aliado à total precarização dos trabalhos formais. O discurso ganha força, cresce com um projeto alinhado à direita empresarial, de cunho ultraliberal, com pautas reformistas que vão desde a mudança de leis trabalhistas, o famoso “rasgar a Constituição”, até a precarização total da CLT, conquistas sociais e políticas públicas citadas anteriormente.

MÍDIAS SOCIAIS, MODUS OPERANDI, MANIPULAÇÃO

Com o capitalismo global em total corrosão, guerras, conflitos, disputas por territórios, petróleo e terras raras, o fator migratório, em especial, e a guerra cultural estão totalmente ligados com projetos de extrema direita: oligopólios, imperialismo, aumento da pobreza e, fundamentalmente, concentração de riqueza.

“Vocês estão apoiando terroristas”, “Vão roubar o seu emprego”, “O antissemitismo cresceu com essa retórica”. Quem nunca ouviu as famigeradas frases? Há um projeto em curso: alienar a classe trabalhadora, enfraquecer os sindicatos, atacar minorias e aumentar o colonialismo global.

O medo do inimigo invisível, o comunismo! Se a China é a representação desse sistema, certas mentiras se tornam verdades absolutas. Se enfrentar o capitalismo do tio Sam, impor barreiras, não ser subserviente a esse sistema, se torna o místico comunismo.

O socialismo de outrora da China, o crescimento do BRICS, a queda do império estadunidense. Temas que passam longe do conhecimento popular, mas que tratam da materialização e institucionalização da extrema direita como órgão político, que pode determinar as mudanças sobre o ecossistema econômico do planeta.

É dentro desse oceano ideológico que Renan, a família Bolsonaro e o PL (Partido Liberal) navegam. Governar para a classe dominante e usar de uma democracia burguesa, as redes sociais como sistematização cultural de pensamento hegemônico.

Recentemente, Santos anunciou como seu vice na chapa um militar da reserva, Aroldo Medina, ou seja, o puro suco do bolsonarismo. Se a narrativa para a grande imprensa, despistar o público com uma fala anti-Bolsonaro, ganha likes dos desiludidos da extrema direita, o jogo político está cada vez mais forte contra um suposto combalido adversário.

Adotam um discurso de “bonzinhos”, “não somos radicais”, “almoço com os meus avós”, “não cuspo no chão”, mas, na prática: armas, morte, perseguição a minorias, a favor de bets, não criminalizam o financiamento do crime, mas quem está na linha de frente, majoritariamente pessoas negras, recebe “fogo e morte”, sem se ater a questões fundamentais do funcionamento do crime organizado.

Usam sapatênis para se conectarem com o público jovem, mas defendem medidas reacionárias, ultraconservadoras. O partido Missão e Renan Santos representam a caricatura do bolsonarismo: é o jovem de hoje preso a valores e ideias dos nossos avós, tudo alinhado em prol de um sistema econômico empresarial de alienação estrutural.

E assim caminha a humanidade, a política brasileira: não importa o conteúdo, e sim o recorte social, midiático, que vai às redes de total “imbecilização social”.

 

Fonte: Por Artur Figueiredo, em Brasil 247

 

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