terça-feira, 7 de julho de 2026

A polêmica decisão da Fifa de anular suspensão de artilheiro americano após cartão vermelho, a pedido de Trump

Folarin Balogun está disponível para defender os Estados Unidos no confronto das oitavas de final da Copa do Mundo, contra a Bélgica, após a suspensão automática que ele havia recebido em um jogo ter sido revogada pela Fifa.

O jogador de 25 anos, artilheiro da equipe americana, recebeu cartão vermelho por uma falta no zagueiro da Bósnia e Herzegovina, Tarik Muharemovic, durante a vitória por 2 a 0 que garantiu a classificação de sua seleção, uma das anfitriãs do torneio, na fase anterior.

A Fifa informou que a suspensão automática de uma partida ficaria cassada por um ano. Nenhuma justificativa específica foi apresentada para a medida, além da menção a uma regra que permite a suspensão de punições.

A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) declarou estar "surpresa" com a decisão da Fifa e afirmou estar "analisando todas as opções possíveis" em resposta.

"Em conformidade com o artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, a aplicação da suspensão da partida fica suspensa por um período probatório de um ano", informou a entidade máxima do futebol mundial em comunicado.

"Caso Folarin Balogun cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada e a sanção será aplicada, sem prejuízo de qualquer penalidade adicional imposta pela nova infração."

O presidente dos EUA, Donald Trump, agradeceu à Fifa por "reverter uma grande injustiça" em uma publicação na rede social Truth Social.

Trump, amigo de Gianni Infantino, escreveu: "Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça! Presidente DONALD J. TRUMP."

As agências AFP e Reuters noticiaram que Trump ligou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, no início desta semana, para pedir a revisão do cartão vermelho. A BBC ainda não confirmou essas informações.

O atacante dos EUA, Christian Pulisic, disse que a equipe soube que a suspensão de um jogo havia sido revogada enquanto estava no ônibus a caminho do treino, no domingo, e afirmou que Balogun estava "muito feliz".

Pulisic acrescentou: "Um sorriso enorme no rosto dele e nos nossos também. A falta não justificava aquilo; foi uma punição rigorosa demais."

A RBFA ressaltou que todos os cartões vermelhos aplicados anteriormente nesta Copa do Mundo resultaram automaticamente em suspensão e que a decisão da Fifa está em "direta contradição" com o regulamento da competição, o qual foi "explicitamente reafirmado" pela entidade máxima do futebol a todas as seleções participantes em maio.

A entidade acrescentou: "Para salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do jogo honesto em nosso esporte — tanto nesta Copa do Mundo da Fifa quanto em futuras edições do torneio —, a RBFA está analisando todas as opções possíveis."

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, estava entre aqueles que exigiram a revisão da decisão.

Questionado sobre o desempenho dos EUA na Copa durante uma coletiva de imprensa, Rubio disse: "Foi ótimo. Eles foram prejudicados com aquele cartão vermelho. Precisa haver um processo de recurso para isso. Provavelmente já é tarde demais."

De modo geral, nos EUA, houve muita insatisfação entre os torcedores em relação ao cartão vermelho aplicado a um de seus principais jogadores. Muitos veículos de comunicação questionaram a decisão e a forma como o futebol aplica suas regras — especificamente a obrigatoriedade de deixar o campo após receber o cartão vermelho e a consequente suspensão para uma partida futura.

Balogun tem sido uma peça-chave para os EUA na Copa, marcando dois gols pela equipe comandada por Mauricio Pochettino na estreia, uma vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai.

O ex-atacante do Arsenal também abriu o placar contra a Bósnia antes de ser expulso aos 64 minutos, após uma disputa de bola pelo alto com Muharemovic.

Enquanto Balogun tentava proteger a bola, Muharemovic conseguiu se posicionar à sua frente; ao descer o pé de volta ao gramado, o atacante acabou pisando na parte de trás do tornozelo do bósnio, provocando uma torção.

O árbitro brasileiro Raphael Claus exibiu o cartão vermelho após ser chamado ao monitor à beira do campo para rever o lance em supercâmera lenta, com a assistência do VAR, o árbitro de vídeo.

<><> Regras e precedentes

De acordo com o regulamento da FIFA, um cartão vermelho "acarreta automaticamente a suspensão da partida seguinte", mas a entidade "pode impor suspensões adicionais e outras medidas disciplinares".

Durante a fase de grupos do torneio, a suspensão de uma partida do meio-campista catariano Assim Madibo foi aumentada para cinco jogos devido à falta cometida contra o canadense Ismael Kone, que sofreu uma fratura na perna.

No entanto, existe um precedente recente de suspensão, pela FIFA, de uma punição aplicada em jogos da Copa do Mundo.

O capitão de Portugal, Cristiano Ronaldo, foi liberado para jogar a partida de estreia de sua seleção no torneio, apesar de ter recebido um cartão vermelho contra a República da Irlanda durante as eliminatórias da Copa.

O jogador, então com 41 anos, foi expulso após atingir as costas de Dara O'Shea com uma cotovelada durante a derrota de Portugal por 2 a 0 nas eliminatórias, em novembro, recebendo inicialmente uma suspensão de três jogos.

Contudo, após cumprir a suspensão em uma partida contra a Armênia, a FIFA suspendeu o restante da punição por um ano em 25 de novembro, permitindo que Ronaldo participasse dos dois primeiros jogos de Portugal na Copa.

<><> Análise | A questão é como a decisão foi tomada

Na quinta-feira, Balogun tornou-se o 12º jogador a receber um cartão vermelho nesta Copa do Mundo. Ele será o primeiro a não cumprir suspensão.

É notável a decisão da Fifa de, na prática, anular o cartão vermelho que ele recebeu contra a Bósnia-Herzegovina.

Ao contrário da Premier League, não existe processo de recurso contra cartão vermelho na Copa, para proteger a integridade do árbitro.

Muitos apontarão o caso de Cristiano Ronaldo, que cumpriu apenas uma partida de uma suspensão de três jogos após ser expulso por conduta violenta nas eliminatórias.

Essa comparação é válida, mas há muitos exemplos de a Fifa demonstrar clemência antes do início de um torneio.

Este caso é diferente. Trata-se de um cartão vermelho durante a Copa.

De repente, o principal jogador do país-sede está disponível para um jogo decisivo de mata-mata. Houve uma grande pressão da mídia nos EUA para que a decisão fosse revertida.

Isso significa que a verdadeira questão agora é: como a decisão foi tomada? A Fifa não está fornecendo detalhes.

Trump agradeceu à Fifa nas redes sociais, afirmando que uma "grande injustiça" foi corrigida.

Dada a relação próxima e bem estabelecida entre a Casa Branca e a Fifa, surgirão questionamentos sobre essa decisão altamente incomum em favor dos coanfitriões.

Veja o caso de Madibo, do Catar, expulso por uma entrada que quebrou a perna do meio-campista canadense Kone.

Pareceu um acidente infeliz, mas Madibo recebeu uma suspensão de cinco jogos.

Isso deixa a impressão de que a Fifa está definindo as regras conforme a situação avança.

•        Trump pediu à Fifa revisão de punição a Balogun, diz jornalista

O presidente dos EUA, Donald Trump fez uma ligação ao Gianni Infantino, presidente da FIFA, na quarta-feira (01/07), pedindo que a Federação de Futebol anulasse o cartão vermelho de Folarin Balogun, da seleção norte-americana. Neste domingo (05/07), a entidade anunciou que o jogador não estava mais suspenso, dessa forma, ele irá jogar nas oitavas de final contra a Bélgica, nesta segunda-feira (06/07) às 21 horas (horário de Brasília).

“Agradeço à FIFA por fazer a coisa certa e reverter uma grande injustiça”, escreveu o presidente em sua plataforma Truth Social. Os EUA é um dos países sede, junto com México e Canadá, das competições da Copa do Mundo de 2026.

O atacante foi expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, quando Balogun deu um pisão no calcanhar do zagueiro bósnio Tarik Muharemovic em uma disputa de bola no segundo tempo do jogo. O juiz foi chamado pelo VAR para rever o lance e aplicou a punição máxima.

De acordo com o New York Times, após o cartão vermelho, altos funcionários do governo Trump, incluindo Howard Lutnick, secretário de Comércio, e Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, contrataram advogados para ajudar a Federação de Futebol dos EUA a tentar recorrer, apesar das regras da FIFA contra tais recursos, de acordo com duas pessoas familiarizadas.

Scott Goodwin, gestor de fundos de investimento e grande doador da Federação de Futebol dos EUA (US Soccer), declarou que o árbitro estaria envolvido em manipulação de resultados no Brasil, distribuindo cartões vermelhos irregularmente. No entanto, autoridades brasileiras e a FIFA não encontraram provas de irregularidades por parte de Claus, mas, segundo NYT, Trump mencionou essas alegações em sua ligação com Infantino.

O cartão foi suspenso pela FIFA por “período probatório de um ano”, em conformidade com o artigo 27 do Código Disciplinar. Segundo a nota, caso haja reincidência do jogador, a sanção será “reativada e cumprida, sem prejuízo de qualquer sanção adicional que venha a ser aplicada pela nova infração”.

Em comunicado, a Casa Branca confirmou que a conversa entre Trump e Infantino sobre o cartão vermelho e acrescentou que “o resultado correto e apropriado foi alcançado” após o que descreveu como uma revisão independente. A Casa Branca também afirmou que o governo dos EUA forneceu informações para esse processo e não forneceu detalhes sobre a conversa.

A reviravolta é extremamente incomum e representa a primeira vez desde 1962 que a FIFA permite que um jogador participe de uma partida quando estaria suspenso após ter sido expulso na Copa do Mundo.

Após a anulação, a federação belga declarou estar “surpresa com a decisão da FIFA de declarar o jogador americano Folarin Balogun, que estava suspenso, apto a jogar na partida entre Estados Unidos e Bélgica”. Acrescentando que está “investigando todas as opções possíveis”.

Já Maxime Prévot, ministro das Relações Exteriores da Bélgica e ex-árbitro de futebol, afirmou que a decisão minou o compromisso declarado da FIFA com o jogo limpo.

“Esta decisão levanta claramente muitas questões”, disse Prévot em comunicado nesta segunda-feira. “Se uma chamada telefónica for realmente a explicação para esta decisão incompreensível, isso equivaleria a minar as regras mais básicas do futebol e do desporto”.

Porém, o embaixador dos EUA na Bélgica, Bill White, defendeu a decisão da FIFA em uma publicação no X na segunda-feira e disse: “O presidente Trump jamais interferiria no funcionamento interno da FIFA”.

Por sua vez, a UEFA, entidade do futebol europeu, afirmou em comunicado que a reversão da decisão da FIFA “cruzou uma linha vermelha”, classificando-a como “uma decisão sem precedentes, incompreensível e injustificável”.

<><> FIFA fez uma homenagem à Independência dos EUA

Antes dos confrontos das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 disputados no sábado (04/07), a federação anunciou que teria uma programação especial para as partidas em comemoração ao Dia da Independência dos Estados Unidos e ao 250º aniversário da independência do país.

No pré-jogo entre Canadá e Marrocos, aconteceu apresentações nas cores vermelho, branco e azul, além do desenrolar de uma grande faixa sobre o gramado inspirada em fogos de artifício. O hino nacional dos Estados Unidos será interpretado por Maia Rodriguez, musicista-chefe da banda da Marinha norte-americana. Já na partida entre Paraguai e França contou com uma referência ao papel histórico da cidade, onde a Declaração de Independência foi adotada em 4 de julho de 1776.

Enquanto isso, o uniforme da seleção do Haiti sofreu censura pela FIFA, por incluir na camiseta uma ilustração sutil que retrata a Batalha de Vertières (1803), marco histórico fundamental em que os revolucionários haitianos derrotaram as tropas de Napoleão Bonaparte, consolidando a independência do Haiti em relação à França.

“A exibição de mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais de qualquer natureza, em qualquer idioma ou formato, por jogadores e membros da comissão técnica em seus uniformes de jogo, uniformes de equipe ou outras vestimentas”, diz a FIFA.

 

Fonte: BBC Sport/Opera Mundi

 

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