terça-feira, 7 de julho de 2026

Glicose alta não significa mais energia para treinar; especialistas explicam o que acontece a quem tem diabetes

O exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes, mas praticá-lo com segurança exige mais do que escolher uma modalidade. O controle da glicose, a hidratação, o uso adequado da insulina e o planejamento da atividade influenciam diretamente o desempenho e ajudam a reduzir o risco de complicações.

O tema foi esclarescido no DiabetesCast pelo professor de Educação Física e fisiologista do exercício William Komatsu, que estuda diabetes há mais de 20 anos, e pela endocrinologista e pesquisadora Denise Franco. Durante a conversa, ambos reforçaram que o exercício físico faz parte do tratamento do diabetes e deve receber a mesma atenção dada aos medicamentos.

<><> Exercício físico é parte do tratamento do diabetes

Para Denise Franco, o exercício físico é um dos pilares do tratamento do diabetes. Além do controle glicêmico, ele contribui para a saúde cardiovascular, preservação da massa muscular e melhora da qualidade de vida.

A endocrinologista lembra que existe uma diferença entre atividade física e exercício físico. Qualquer movimento corporal que aumente o gasto energético é considerado atividade física. Caminhar até o trabalho, subir escadas, passear com o cachorro ou lavar a louça são alguns exemplos.

Já o exercício físico é planejado, estruturado e realizado com um objetivo específico. Segundo William Komatsu, essa diferença é importante porque o exercício deve ser encarado como uma prescrição.

“Ele tem indicação, contraindicação, efeitos esperados e precisa ser individualizado. É como um medicamento”, explica o fisiologista.

Por isso, os especialistas defendem que a recomendação do exercício esteja registrada na própria receita médica. Mais do que orientar o paciente a “fazer caminhada”, é importante definir frequência, intensidade, duração e modalidade mais adequada para cada pessoa.

<><> Diagnóstico não deve afastar a prática de exercícios

Muitas pessoas reduzem ou até interrompem a prática de exercícios após receberem o diagnóstico de diabetes por medo de episódios de hipoglicemia ou por não saberem como agir diante das alterações da glicose.

Segundo Denise Franco, esse comportamento é comum, mas o caminho não deve ser evitar o exercício. O ideal é receber orientação adequada para praticá-lo com segurança.

William Komatsu reforça que o exercício deve ser incorporado desde o início do tratamento. Para ele, da mesma forma que uma pessoa inicia o uso de medicamentos após o diagnóstico, também deveria iniciar um programa de exercícios físicos individualizado.

Os especialistas destacam que o movimento não deve ser encarado apenas como estratégia para emagrecimento ou estética. O exercício faz parte do tratamento e precisa ser valorizado por profissionais de saúde e pacientes.

<><> Crianças e adolescentes também precisam se movimentar

O receio de uma hipoglicemia faz muitos pais limitarem as brincadeiras das crianças com diabetes. No entanto, William Komatsu afirma que essa proteção excessiva pode trazer consequências.

Durante seu mestrado, ele avaliou adolescentes com e sem diabetes e observou que aqueles com diabetes apresentavam menor condicionamento físico. Segundo o pesquisador, isso acontecia porque eram menos ativos no dia a dia.

Enquanto muitas crianças sem diabetes brincavam constantemente, as que conviviam com a condição permaneciam mais tempo paradas devido ao receio dos familiares.

Para o especialista, crianças precisam brincar, correr e participar das atividades próprias da idade. A orientação é que os cuidados estejam voltados para o monitoramento da glicemia e não para impedir o movimento.

Já entre adolescentes, a recomendação é incentivar modalidades com as quais eles tenham maior afinidade. A musculação, por exemplo, pode ser realizada desde que haja orientação adequada de um profissional de Educação Física.

William também lembra que não existem evidências científicas que sustentem a ideia de que a musculação prejudica o crescimento quando realizada de forma correta e supervisionada.

<><> 5 cuidados para melhorar o desempenho no exercício quando se convive com diabetes

•        Monitore a glicose antes de iniciar o exercício: oresultado ajuda a decidir se é necessário ajustar a alimentação, a insulina ou até adiar a atividade.

•        Pratique um exercício planejado e orientado: além da atividade física do dia a dia, um programa individualizado faz parte do tratamento do diabetes.

•        Mantenha uma boa hidratação: água e eletrólitos também influenciam o desempenho durante o exercício, não apenas a glicose.

•        Evite pensar que glicose alta significa mais energia: a hiperglicemia pode prejudicar a resposta do organismo durante a atividade física, principalmente quando há falta de insulina ou desidratação.

•        Durma bem e mantenha uma rotina regular de treinos: a qualidade do sono e a frequência do exercício ajudam no desempenho físico e favorecem o controle da glicose.

#### Carboidratos: entenda como eles podem ajudar ou atrapalhar o controle da glicose de quem tem diabetes

Quem convive com diabetes costuma ouvir que precisa evitar carboidratos. No entanto, essa orientação não está correta quando analisada de forma ampla. Segundo informações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os carboidratos são a principal fonte de energia do organismo e também fornecem o combustível necessário para o funcionamento do cérebro. O que faz diferença para o controle da glicose é o tipo de carboidrato consumido, o grau de processamento dos alimentos e a quantidade ingerida.

<><> O que são carboidratos e por que eles são importantes

Os carboidratos estão presentes principalmente em alimentos de origem vegetal. Depois de consumidos, eles são rapidamente transformados em glicose pelo organismo, com exceção das fibras.

A glicose é utilizada como fonte de energia para manter as funções do corpo e do cérebro. Por isso, os carboidratos fazem parte de uma alimentação equilibrada, inclusive para pessoas com diabetes.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a classificação mais adequada divide os carboidratos em três grupos: açúcares, amidos e fibras. Essa forma de classificação substitui os termos “carboidratos simples” e “carboidratos complexos”.

<><> Açúcares incluem alimentos naturais e produtos industrializados

Entre os açúcares, os principais são sacarose, frutose e lactose. A sacarose corresponde ao açúcar obtido da cana-de-açúcar, tanto na versão branca quanto na mascava. A frutose está presente naturalmente nas frutas e no mel.

Já a lactose é encontrada no leite de vaca e de outros mamíferos. Embora seja um derivado do leite, o queijo contém pouca ou nenhuma lactose.

Nos alimentos industrializados, o açúcar pode aparecer com diferentes nomes no rótulo. Entre eles estão açúcar invertido, frutose, xarope de glicose e xarope de milho.

Segundo a SBD, esses xaropes podem ser mais prejudiciais à saúde porque apresentam concentrações maiores de glicose e frutose do que fontes tradicionais, como o açúcar da cana e o mel.

Outro produto encontrado no mercado é o xarope de agave. Ele é extraído de uma planta cultivada principalmente no México e tem a frutose como principal componente.

<><> Amidos estão presentes em alimentos consumidos diariamente

Os amidos são formados por amilose e amilopectina. Durante a digestão, essas substâncias são quebradas por enzimas e transformadas em glicose.

Eles estão presentes em diversos alimentos consumidos no dia a dia, como arroz, milho, trigo, aveia, centeio, cevada e farinhas de trigo, mandioca e milho.

Também fazem parte desse grupo tubérculos e raízes, como batata, batata-doce, mandioca, mandioquinha, inhame e cará.

Além disso, os amidos estão presentes nas leguminosas, incluindo feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico e soja.

<><> Amido resistente pode elevar menos a glicemia

Existe um tipo de amido conhecido como amido resistente. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, ele é menos digerido pelas enzimas do organismo e, por isso, tende a ser menos absorvido. Como consequência, seu consumo costuma provocar menor elevação da glicemia.

Esse tipo de amido está presente principalmente nas leguminosas e na banana verde.

<><> Fibras ajudam no controle da glicose e da saúde intestinal

As fibras também pertencem ao grupo dos carboidratos. No entanto, elas não são digeridas pelo organismo e são eliminadas nas fezes.

Essa característica contribui para o funcionamento do intestino e também traz benefícios para o controle da glicemia e dos lipídios sanguíneos, como colesterol e triglicerídeos.

As fibras são encontradas apenas em alimentos de origem vegetal, incluindo frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões, sementes e castanhas.

Entre os exemplos estão arroz integral, pão integral, aveia, milho em grão e diferentes tipos de feijão.

Além das fibras, esses alimentos fornecem vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para a manutenção da saúde.

<><> Qual é a recomendação diária de fibras

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda a ingestão de 20 a 50 gramas de fibras por dia. Essa recomendação é a mesma indicada para a população em geral.

No entanto, a entidade destaca que o consumo habitual de fibras pelos brasileiros permanece abaixo desse valor. Por isso, aumentar a ingestão diária de alimentos ricos em fibras deve ser uma prioridade para toda a população.

<>< Quem tem diabetes pode consumir alimentos com carboidratos?

Sim. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, os alimentos que contêm carboidratos devem fazer parte da alimentação das pessoas com diabetes.

A orientação é priorizar alimentos integrais, menos processados e menos refinados. Esses alimentos oferecem mais nutrientes e podem contribuir para uma alimentação mais equilibrada.

<><> O excesso de carboidratos pode prejudicar o controle da glicose

O problema não está apenas na presença dos carboidratos na alimentação, mas também na qualidade dos alimentos consumidos.

De acordo com a SBD, o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e gorduras, com baixo teor de fibras, pode favorecer a piora da glicemia.

Esse grupo inclui doces, bebidas açucaradas, fast food e outros produtos com alto grau de processamento.

Além da elevação da glicose, esse padrão alimentar pode aumentar os níveis de triglicerídeos e favorecer o ganho de peso.

 

Fonte:Um Diabético

 

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