terça-feira, 7 de julho de 2026

Breno Altman: “Flávio Bolsonaro é o inimigo da Pátria”

O jornalista Breno Altman afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro deve ser compreendida como parte de uma estratégia da extrema direita internacional e não apenas como uma disputa doméstica pelo poder. Em participação no Bom Dia 247, Altman disse que o senador bolsonarista atua como representante dos interesses da Casa Branca no Brasil e defendeu que o campo progressista trate a eleição de 2026 como um confronto entre soberania nacional e subordinação ao imperialismo norte-americano.

“Na verdade, as eleições de outubro são Lula contra Marco Rubio ou Lula contra Donald Trump”, afirmou Altman. Para ele, Flávio Bolsonaro, assim como outras lideranças da direita radical na América Latina, integra um movimento regional alinhado à nova estratégia dos Estados Unidos para retomar influência política sobre o continente. “Eles não são candidaturas nacionais legítimas, são braços, são tentáculos da Casa Branca”, declarou.

A avaliação foi feita no contexto das recentes movimentações de Flávio Bolsonaro em direção ao governo norte-americano e de sua defesa de alinhamento político com Israel e com experiências ultraliberais, como a do presidente argentino Javier Milei. Segundo Altman, esses gestos fazem parte de uma tentativa de recompor a base bolsonarista após uma sequência de desgastes políticos, incluindo disputas internas no clã Bolsonaro e o escândalo envolvendo o Banco Master.

Para o jornalista, o bolsonarismo busca reafirmar símbolos que consolidaram sua base social nos últimos dez anos: aproximação com os Estados Unidos, defesa de Israel, agenda de segurança pública e neoliberalismo radical. “Aquilo que para nós parece escandaloso, para eles é vitamina”, disse. Altman afirmou que esses sinais podem afastar eleitores independentes, mas são usados para manter coesa a base mais ideológica da extrema direita.

Altman também criticou a tentativa de Flávio Bolsonaro de se apresentar como interlocutor privilegiado dos Estados Unidos em meio à possibilidade de tarifas contra o Brasil. Segundo ele, o senador buscou aparecer como alguém capaz de impedir sanções ou medidas comerciais prejudiciais ao país, mas acabou recebendo de Marco Rubio apenas uma carta de apoio político. “A Casa Branca pensa primeiro nos seus interesses e na sua estratégia, depois na dos seus vassalos”, afirmou.

O jornalista sustentou que a direita brasileira tem longa tradição de alinhamento aos interesses norte-americanos. Ele comparou a postura de Flávio Bolsonaro à de Carlos Lacerda durante o governo João Goulart, quando setores conservadores buscaram apoio externo contra projetos nacionalistas. “Isso que Flávio Bolsonaro faz de demandar pressões, tarifas, sanções e agressões ao Brasil, Lacerda já fez no passado”, disse.

Para Altman, a campanha de Lula deveria deslocar o eixo do debate público. Em vez de insistir apenas na oposição entre democracia e fascismo, que ele considera abstrata para grande parte da população, o jornalista defende uma disputa mais direta entre “nação e imperialismo”. “O discurso entre os defensores da pátria e os inimigos da nação é compreensível”, afirmou.

Altman avaliou ainda que Lula chega ao momento atual em condição eleitoral melhor do que em abril e maio, mas advertiu que a disputa tende a ser extremamente apertada. Segundo ele, o desgaste de Flávio Bolsonaro com o caso Vorcaro e com a exposição de seus vínculos externos melhorou o ambiente para o presidente, mas não rompeu a polarização. “Vai ser uma eleição dificílima, talvez mais acirrada do que a de 2022”, afirmou.

O jornalista também alertou contra campanhas baseadas na expectativa de vitória no primeiro turno. Para Altman, esse tipo de discurso pode gerar frustração na militância e dificultar a mobilização em um eventual segundo turno. “A questão é vencer as eleições, não fazer previsão de que vai vencer no primeiro turno”, disse.

Na avaliação de Altman, a eleição será decidida por uma pequena parcela de eleitores independentes, estimada por ele entre 2% e 5% do eleitorado. Esse grupo, segundo o jornalista, tende a reagir mais diretamente ao noticiário, aos escândalos e aos movimentos das campanhas. O desafio, para Lula e para Flávio Bolsonaro, será equilibrar a mobilização de suas bases com a disputa por esse segmento pendular.

Ao final, Altman afirmou que o bolsonarismo enfrenta uma contradição: precisa reafirmar sua identidade ideológica para manter a base mobilizada, mas esses mesmos gestos podem dificultar a aproximação com eleitores moderados. No caso de Lula, a tensão seria inversa: atender às demandas de maior enfrentamento ao imperialismo e ao neoliberalismo sem afastar setores independentes. “Não é a mesma gramática”, resumiu.

•        Genoino: “A traição chegou ao fundo do poço com Flávio Bolsonaro”

O ex-presidente nacional do PT José Genoino afirmou que a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de pedir ao governo dos Estados Unidos a suspensão da proposta de sobretaxa de produtos brasileiros representa um marco de ruptura com os interesses nacionais. Em entrevista ao Bom Dia 247, Genoino sustentou que a atuação do parlamentar evidencia uma estratégia em que a disputa eleitoral e os interesses da família Bolsonaro prevalecem sobre a defesa da economia e da soberania do Brasil.

Segundo Genoino, a decisão de recorrer ao governo norte-americano para influenciar uma medida comercial contra o Brasil demonstra que o bolsonarismo ultrapassou os limites da disputa política convencional. Para ele, a prioridade do grupo não é proteger os interesses nacionais, mas criar condições para enfraquecer o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A traição chegou ao fundo do poço com Flávio Bolsonaro.”

Na avaliação do dirigente histórico petista, o episódio sintetiza uma trajetória de crescente alinhamento da família Bolsonaro com interesses externos. Ele afirmou que o clã passou a atuar como um projeto político próprio, desvinculado de qualquer compromisso institucional e disposto a recorrer a agentes estrangeiros para atingir objetivos eleitorais internos.

Genoino argumentou que o comportamento da família Bolsonaro revela uma lógica em que “os fins justificam os meios”. Segundo ele, a tentativa de convencer os Estados Unidos a manter ou ampliar barreiras comerciais contra produtos brasileiros demonstra que o prejuízo ao país é considerado aceitável caso contribua para desgastar politicamente o governo federal.

“O problema não são os interesses do Brasil. O problema são os interesses da família, que quer de qualquer jeito derrotar o Lula”, afirmou.

Para o ex-presidente do PT, esse movimento não pode ser analisado como um episódio isolado. Ele relacionou a iniciativa de Flávio Bolsonaro à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e às articulações internacionais da extrema direita, que, segundo sua avaliação, procuram fortalecer uma agenda alinhada à política externa do governo Donald Trump.

Genoino afirmou que o bolsonarismo passou a funcionar como uma estrutura política independente dos partidos. Segundo ele, o PL tornou-se apenas a legenda utilizada pelo grupo familiar, enquanto o verdadeiro centro de decisões permanece concentrado no núcleo dos Bolsonaro.

“O PL é apenas a legenda do clã. O clã apronta qualquer coisa.”

Na entrevista, Genoino também manifestou preocupação com o apoio que, segundo ele, setores da elite econômica continuam oferecendo ao bolsonarismo. Para o ex-deputado, parcelas do agronegócio, do sistema financeiro e de grupos ligados às privatizações seguem respaldando uma força política que classificou como incompatível com os princípios democráticos.

Ele avaliou que essa sustentação política amplia os riscos para o processo eleitoral de 2026. Na sua visão, a combinação entre interesses internos e apoio internacional pode produzir novas tentativas de interferência na política brasileira.

O dirigente petista defendeu que as forças democráticas adotem uma estratégia de enfrentamento baseada na defesa da soberania nacional. Para ele, o debate eleitoral deverá ser marcado pela disputa entre um projeto de autonomia do Brasil e outro alinhado aos interesses dos Estados Unidos.

Genoino afirmou que a atuação do governo norte-americano na América Latina demonstra uma estratégia de fortalecimento de governos e lideranças identificados com sua agenda geopolítica. Segundo ele, o Brasil precisa responder a esse cenário fortalecendo sua política externa independente e aprofundando relações com parceiros como os países do Brics, a China e outras nações que permitam maior autonomia internacional.

Ao concluir sua análise, o ex-presidente do PT alertou que a disputa política brasileira não pode ser dissociada do contexto internacional. Para ele, o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro representa um sinal de que a soberania nacional estará no centro dos debates dos próximos meses.

“Nós temos que chamar o país para enfrentar essa crise. A questão da soberania nacional será determinante na disputa política.”

•        Flávio Bolsonaro não vai conseguir destruir o Brasil soberano representado por Lula

Há momentos em que as diferenças políticas deixam de ser apenas divergências sobre programas de governo e passam a dizer respeito ao próprio destino da Nação. O Brasil vive um desses momentos.

A mensagem enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, pedindo que as sanções comerciais anunciadas contra o Brasil sejam adiadas por seis meses — justamente para que produzam seus efeitos somente depois da eleição presidencial — representa um dos episódios mais graves da vida política brasileira desde a redemocratização.

Não se trata de um parlamentar defendendo os interesses do país perante um governo estrangeiro. Trata-se do oposto. Flávio pede que uma potência que disputa espaço econômico, tecnológico e geopolítico com o Brasil administre suas medidas de pressão de acordo com a conveniência de sua candidatura presidencial. Em outras palavras, pede que interesses estrangeiros sejam sincronizados com o calendário eleitoral brasileiro.

É difícil imaginar demonstração mais explícita de subordinação política.

A existência do Brasil como nação soberana e o modo de vida tão precioso que os brasileiros construíram ao longo de gerações — com trabalho, sacrifício e, em muitos momentos da história, com sangue — jamais poderão ficar subordinados aos cálculos eleitorais de quem se dispõe a recorrer a uma potência estrangeira para alcançar o poder.

A atitude das autoridades estadunidenses, ao, de seu modo, admitir discutir o calendário dessas sanções em função da disputa política brasileira apenas reforça a gravidade do episódio. Ultrapassa a esfera diplomática e toca diretamente a independência do processo eleitoral nacional. Nenhuma democracia digna desse nome pode considerar normal que um governo estrangeiro seja chamado a influenciar, ainda que indiretamente, as injunções de uma eleição presidencial.

Esse comportamento ajuda a explicar por que a candidatura de Flávio Bolsonaro encontra crescente resistência entre os brasileiros. Um candidato que oferece seu eventual governo aos interesses de outra potência dificilmente pode apresentar-se como representante da soberania nacional.

Do outro lado está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pode-se concordar ou discordar de suas políticas, mas sua posição diante das pressões externas tem sido inequívoca: o Brasil decide seu destino em Brasília, não em Washington nem em qualquer outro lugar. A defesa da autonomia nacional, da integração sul-americana, do fortalecimento dos BRICS e de uma política externa independente tornou-se uma das marcas de seu governo.

É justamente essa soberania que está em disputa.

As eleições de outubro definirão muito mais do que a ocupação do Palácio do Planalto. Definirão se o Brasil continuará sendo uma República que toma suas decisões conforme a vontade de seu povo ou se aceitará que interesses estrangeiros passem a influenciar seu futuro por intermédio de candidatos vestindo casaca alheia, dispostos a abrir mão da independência nacional.

Flávio Bolsonaro pode contar com apoios externos. Lula conta com algo infinitamente mais poderoso: a tradição de um povo que, desde a Independência, passando pela Abolição, pela República e pela redemocratização, aprendeu que a soberania nacional não se negocia.

É por isso que Flávio Bolsonaro não conseguirá destruir o Brasil soberano e pujante, no rumo de atingir seu grande destino, representado por Lula.

•        Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos para debater tarifas contra o Brasil que ele próprio estimulou

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, desembarcou nos Estados Unidos neste domingo (5). Na próxima terça-feira (7), ele deverá participar de uma audiência pública que discutirá a possível imposição de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Antes da viagem, Flávio Bolsonaro encaminhou uma manifestação ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, na qual pede que a Casa Branca adie qualquer decisão sobre a adoção do tarifaço até depois das eleições brasileiras de outubro.

No documento, o senador apresenta uma série de compromissos, entre eles a não integração do Pix a sistemas internacionais de pagamentos instantâneos fora do eixo ocidental, a desoneração do setor de cartões de crédito — medida que, segundo o texto, beneficiaria grandes empresas norte-americanas — e a busca por acordos comerciais bilaterais com os Estados Unidos, reduzindo a dependência brasileira do que chamou de “amarras” do Mercosul.

A viagem ocorre no momento em que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) recomendou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, após uma visita do senador à Casa Branca. Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém negociações com o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, na tentativa de evitar a adoção da medida.

 

Fonte: Brasil 247

 

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