‘Hipótese
de incursão armada dos EUA às vésperas das eleições brasileiras é preocupante’,
diz a jurista Luciana Bauer
A
jurista Luciana Bauer afirmou que a movimentação de Flávio Bolsonaro junto ao
governo dos Estados Unidos representa um risco à soberania brasileira e expõe
uma articulação política de setores da extrema direita contra interesses
nacionais. “Estou muito preocupada com a possibilidade de os Estados Unidos
fazerem incursões armadas próximas da votação para presidente da República,
para todo o Congresso”, afirmou a estudiosa nesta semana, em entrevista ao
programa Giro das Onze, da TV 247.
Em sua
análise, a jurista mencionou a hipótese de uma intervenção dos EUA no Brasil em
caso de uma possível prisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato
à Presidência da República. A analista também citou incursões em presídios de
segurança máxima e a captura de lideranças criminosas como hipóteses que
poderiam criar forte impacto político midiático e, por consequência, serem
apoiadas por forças estadunidenses para justificar uma eventual interferência
do governo Donald Trump em solo brasileiro.
“A
minha perspectiva é que, se prenderem o Flávio justamente pelos crimes em tese
que ele está cometendo, ele é um candidato e isso incendeia essas
intervenções”, afirmou a jurista.
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Possível ofensiva contra o governo Lula
Em
outra parte da entrevista, Luciana alertou para a construção de narrativas que
buscam associar o governo Lula a crimes financeiros, ao narcoterrorismo e às
facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV),
que nasceram nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, respectivamente. “Na
extrema direita, tudo é uma narrativa”.
Segundo
Luciana Bauer, o avanço de medidas unilaterais dos EUA no cenário internacional
sinaliza uma crise do direito internacional. Bauer afirmou que esse ambiente
aumenta o risco de ações de força contra países latino-americanos. “Estamos
vivendo à margem, a gente está vivendo na barbárie, é a barbárie do direito
internacional”.
No
Brasil, lideranças do campo progressista denunciam que a classificação do PCC e
do CV como grupos terroristas tem como objetivo estimular sanções contra o país
sul-americano por causa da condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo
Tribunal Federal no inquérito da trama golpista. O ex-mandatário recebeu a pena
mais alta entre os 29 condenados: 27 anos de cadeia.
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Raio X da atuação dos EUA e da extrema direita brasileira
Na
entrevista ao 247, Luciana Bauer afirmou que os EUA passaram décadas ampliando
sua influência sobre a América Latina e, em especial, sobre o Brasil. A
analista mencionou escolas, igrejas, ONGs, instituições financeiras, redes de
propaganda e organismos vinculados à segurança e à inteligência norte-americana
como instrumentos de projeção política e cultural.
A
jurista associou esse processo à formação de uma elite brasileira alinhada aos
interesses de Washington. “A gente vê que os Estados Unidos plantam uma grande
influência em toda a América Latina, não só na Nicarágua, não só no Chile, mas
principalmente no Brasil”, disse.
No país
governado atualmente pelo presidente Lula, a extrema direita brasileira combina
duas dimensões: uma vertente “americanizada” e outra de base religiosa, pontuou
Luciana. “Nós temos dois grandes players, como você mesmo falou, Flávio
Bolsonaro e agora a Michelle Bolsonaro”, afirmou.
A
jurista fez críticas ao que chamou de cultura política subordinada a interesses
estrangeiros. Ela citou como exemplo setores da elite brasileira formados em
instituições dos EUA e ligados a organismos financeiros internacionais.
“Essa
elite que se vê americana, eu moro nos Estados Unidos e eu vejo que brasileiros
se acham americanos, se acham norte-americanos, se acham estadunidenses, quando
os próprios estadunidenses não reconhecem eles”, afirmou.
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Cerco a Flávio Bolsonaro
Ao
comentar o documento enviado por Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, Bauer
disse que o senador tenta orientar o governo norte-americano sobre como atuar
contra o Brasil. Na avaliação dela, a iniciativa mostra uma elite política
disposta a prejudicar o próprio país para obter ganho eleitoral.
“É
verdade. Sim. E é uma elite brasileira muito triste, porque ela vai contra até
seus próprios interesses”, declarou.
O
senador Flávio Bolsonaro enviou um documento ao Escritório do Representante
Comercial dos Estados Unidos (USTR). O parlamentar defendeu mais espaço para
empresas estrangeiras, especialmente dos EUA, no mercado de cartões de crédito.
O
parlamentar da extrema direita manifestou posição favorável à implementação de
acordos comerciais fora do Mercosul e sugeriu que o Pix não seja integrado aos
sistemas de pagamento dos BRICS, bloco sediado na China e visto como uma das
principais articulações internacionais de contestação à hegemonia dos EUA.
A
estudiosa defendeu respostas institucionais mais firmes diante da atuação de
Flávio Bolsonaro. A condição de pré-candidato amplia a gravidade do caso,
observou a jurista. “Flávio Bolsonaro é um candidato e um candidato a
presidente da República não pode cometer o tipo penal de traição, que é o que a
gente vê”, disse.
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Alerta sobre o Judiciário
A
analista Luciana Bauer apontou ainda fragilidades dentro das instituições
brasileiras, com ênfase no Judiciário e na Polícia Federal. Conforme a jurista,
estruturas influenciadas pelo lavajatismo permanecem ativas e podem produzir
instabilidade política por meio de vazamentos e dossiês.
“O
lavajatismo desde o Moro, desde o Dallagnol, ele usou muito a Polícia Federal,
usou muito a Justiça Federal para aliciar pessoas que depois vão ser
recompensadas com altos cargos”, afirmou na TV 247.
Na
entrevista, Bauer disse acreditar que ministros do Supremo Tribunal Federal
sejam alvo de levantamentos internos usados como instrumentos de pressão
política. “Eu tenho certeza que os 11 ministros do STF têm dossiê”, declarou.
A
jurista também criticou o acúmulo de funções do Supremo. Para Luciana, o STF se
tornou uma corte exposta demais, ao reunir atribuições que poderiam estar
distribuídas em outras instâncias. Bauer defendeu um modelo mais concentrado na
função constitucional, semelhante ao de cortes de outros países. “O STF foi
acumulando. Além de ser uma Corte Constitucional, é uma corte de tudo”, disse.
• O Brasil precisa se armar com urgência,
diz Paulo Nogueira Batista Júnior
O economista Paulo Nogueira Batista Júnior
defendeu, em entrevista à TV 247, que o Brasil precisa se armar com urgência
para enfrentar um cenário internacional cada vez mais perigoso, marcado pela
decadência dos Estados Unidos, pelo avanço da extrema direita na América Latina
e pela disputa geopolítica em torno dos recursos naturais estratégicos da
região.
“O
Brasil é um país para se armar”, afirmou Paulo Nogueira Batista Júnior. Segundo
ele, embora o país tenha graves deficiências sociais em áreas como saúde,
educação, moradia e qualidade de vida nas grandes cidades, a realidade
internacional impõe ao Estado brasileiro a necessidade de investir de forma
permanente em defesa nacional.
“É uma
pena porque nós temos deficiências sociais gravíssimas, saúde, educação,
moradia, qualidade de vida nas grandes cidades. Seria muito melhor se a gente
pudesse usar o dinheiro para isso. Mas vamos ter que usar uma parte do
orçamento importante”, disse.
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Estados Unidos em decadência, mas ainda perigosos
Na
avaliação do economista, os Estados Unidos vivem uma fase de decadência, e não
apenas de declínio. Ele afirmou que Donald Trump, atual presidente dos Estados
Unidos, expressa esse processo de deterioração política, moral e institucional
da maior potência militar do planeta.
“Essa
decadência se expressa, entre outras coisas, na escolha de um presidente como
Trump. É um presidente aloprado, um presidente de nível baixíssimo, tanto do
ponto de vista intelectual quanto do ponto de vista moral e político”, afirmou.
Paulo
Nogueira Batista Júnior alertou, no entanto, que a perda relativa de poder dos
Estados Unidos não torna o país menos perigoso. Ao contrário: uma superpotência
em decadência, partindo de um patamar muito elevado de poder militar,
financeiro e tecnológico, ainda conserva enorme capacidade de destruição.
“Mesmo
em declínio acentuado, acelerado agora com Trump, ela conserva uma capacidade
de fazer um estrago tremendo”, disse.
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Ameaça externa real vem dos Estados Unidos
Para
Paulo Nogueira Batista Júnior, a principal ameaça externa ao Brasil não está em
países vizinhos nem em potências emergentes, mas nos próprios Estados Unidos,
especialmente na fase atual de agressividade imperial.
“A
única ameaça real que nós temos externa são os Estados Unidos, especialmente os
Estados Unidos na fase em que se encontram”, afirmou.
Por
isso, ele defendeu uma revisão completa da doutrina militar brasileira,
incluindo as escolas de formação das Forças Armadas. O economista criticou o
que chamou de “americanização da visão de mundo dos militares brasileiros”,
fenômeno que, segundo ele, enfraquece a capacidade do país de pensar sua
própria defesa a partir dos interesses nacionais.
“Houve
uma americanização da visão de mundo dos militares brasileiros, que é a pior
coisa que pode acontecer”, disse.
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Defesa nacional não pode depender de equipamento americano
O
economista também advertiu que o Brasil não pode depender de equipamentos
militares fabricados pelos Estados Unidos, pois eles podem ficar sujeitos a
bloqueios, sanções ou mecanismos de controle externo.
“Nós
não podemos ter nem a doutrina militar importada dos Estados Unidos, nem os
preconceitos que ela carrega e nem podemos depender do equipamento americano
que pode ser desligado à distância ao bel prazer do governo americano”,
afirmou.
Segundo
Paulo Nogueira Batista Júnior, uma política de defesa soberana deve formar
militares capazes de compreender o Brasil “a partir da ótica brasileira”, e não
de uma visão subordinada a interesses estrangeiros.
“Nós
temos escolas militares que formem militares, comandantes capazes de entender o
Brasil a partir da ótica brasileira”, disse.
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América Latina sob cobiça
Na
entrevista, Paulo Nogueira Batista Júnior afirmou que a América Latina vive um
“cabo de guerra” entre China e Estados Unidos. De um lado, Pequim oferece
cooperação econômica, investimentos, comércio e infraestrutura. De outro,
Washington tenta recuperar espaço pela força política, militar e diplomática.
“A
tendência na América do Sul é um cabo de guerra entre a China e os Estados
Unidos”, afirmou.
Ele
destacou que os Estados Unidos estão de olho nos recursos naturais da América
Latina, especialmente os do Brasil. Entre os ativos estratégicos citados estão
terras raras, minerais críticos, petróleo, minério de ferro e biodiversidade.
“Os
americanos estão de olho nos recursos naturais abundantes da América Latina,
especialmente do Brasil, entre eles, terras raras, minerais críticos, petróleo,
minério de ferro, biodiversidade”, disse.
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China não será aliada militar do Brasil
Apesar
de reconhecer a importância econômica da China para o Sul Global, Paulo
Nogueira Batista Júnior advertiu que o Brasil não deve alimentar ilusões sobre
uma eventual proteção militar chinesa na América Latina. Segundo ele, Pequim
não disputará militarmente a região com Washington.
“A
China é uma potência econômica, mas não tem com nenhum país da nossa região uma
aliança militar”, afirmou.
Ele
lembrou que os Brics nunca foram uma aliança militar, embora muitas vezes sejam
apresentados assim pela imprensa. Para o economista, isso reforça a necessidade
de o Brasil construir sua própria capacidade de defesa.
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Interesse nacional como estrela-guia
Paulo
Nogueira Batista Júnior também rejeitou a ideia de que o Brasil deva substituir
os Estados Unidos pela China como “estrela-guia”. Para ele, nenhuma potência
estrangeira deve ocupar esse papel.
“A
China também não vai ser estrela guia para nós. Ela é muito diferente, tem seus
próprios interesses. A estrela guia pro Brasil tem que ser o próprio interesse
nacional”, afirmou.
Na
visão do economista, a soberania brasileira dependerá da capacidade do país de
recuperar um projeto nacional, fortalecer sua indústria, proteger seus recursos
estratégicos e construir uma defesa compatível com o tamanho e a importância do
Brasil.
Fonte:
Brasil 247

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