André
Vieira: A derrota do improviso brasileiro
O
Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de forma precoce por várias razões. Houve
erros de campo da seleção, escolhas discutíveis do técnico Carlo Ancelotti, uma
atuação decisiva do craque Haaland e uma Noruega organizada, eficiente o
bastante para transformar poucas chances em vantagem. Mas o vexame nas oitavas
não começou no apito inicial. Ele fechou uma conta aberta desde o fim do último
ciclo. O hexa veio, mas só no número de Copas perdidas desde 2002.
Por que
o Brasil não aprendeu a lição no último ciclo? Depois da saída de Tite, a
seleção seguiu uma sequência de soluções provisórias. Vieram interinos,
experiências, apostas de transição e mudanças de comando. Ramon Menezes,
Fernando Diniz, Dorival Júnior e Ancelotti ocuparam, cada um a seu modo, um
cargo que deveria expressar continuidade, mas acabou revelando instabilidade.
A CBF
atravessou o período em crise recorrente, entre disputas de poder e trocas de
dirigentes. A seleção teve mais donos do que um projeto de longo prazo. O time
que já foi a expressão mais sofisticada do talento brasileiro passou a ser
também um retrato de sua governança: pouco capital institucional para organizar
o talento do jogador brasileiro.
Esse é
o ponto central. O Brasil não perdeu porque deixou de produzir jogadores.
Talvez não produza mais Pelés, mas ainda assim produz um bom número de atletas
que jogam nas principais ligas internacionais. Mas o fato é que o Brasil perdeu
porque continua tratando talento como substituto da construção de um projeto
coletivo de longo prazo.
Durante
décadas, essa aposta funcionou. A seleção viveu de uma vantagem comparativa
quase natural. O país produzia jogadores talentosíssimos em safras
excepcionais. Todo brasileiro sabe de cor quem foram os expoentes de 1958,
1962, 1970, 1994 e 2002. Foi isso que construiu a lenda da amarelinha.
Mas o
futebol global mudou. Jogo tático coletivo, preparação física, treinamento de
fundamentos e jogadas, análise de dados, gestão de elenco e disciplina
encurtaram distâncias. Países menores podem não ter a mitologia da camisa
brasileira, mas já conseguem produzir times mais consistentes.
A
Noruega ofereceu o contraste. Não venceu por jogar como o Brasil. Venceu por
não precisar jogar como o Brasil. Tinha um plano, entendeu suas limitações e
maximizou sua principal virtude. Haaland tocou pouco na bola, mas fez o que se
espera de um craque dentro de um sistema eficiente: decidiu quando foi
acionado.
No
Brasil, o craque continua sendo muitas vezes chamado para compensar a ausência
de um projeto coordenado. Durante anos, esse papel pertenceu a Neymar. Seu
talento é indiscutível. Mas os últimos anos já haviam mostrado que Neymar não
conseguia mais oferecer, com regularidade, condição física e protagonismo
compatíveis com a centralidade emocional e técnica que o Brasil insistia em lhe
reservar. Trazê-lo de volta como eixo simbólico foi um erro. A responsabilidade
é dele, pelo que não entregou.
Mas é
também da CBF, que preservou a cultura do nome acima do projeto, e de
Ancelotti, que aceitou operar dentro dela. Ancelotti foi contratado para romper
essa lógica. Ou deveria ter sido. O técnico italiano representava, em tese, a
importação de método europeu: autoridade, hierarquia, experiência e distância
das pressões locais. Mas chegou tarde, quando boa parte do ciclo já havia sido
consumida, e teve pouco mais de um ano para organizar uma seleção administrada
por urgências. Essa é sua atenuante. Não sua absolvição. Não rompeu com isso
nesta primeira prova.
Esse
paradoxo vai além do futebol. O Brasil conhece bem a lógica da promessa não
convertida. Tem recursos naturais, mercado consumidor, empresas sofisticadas,
empreendedores criativos, diplomacia reconhecida, cultura influente e
capacidade rara de reinvenção. Mas desperdiça ciclos favoráveis por falta de
coordenação, continuidade, educação básica consistente e execução de longo
prazo.
Nenhum
país tem direito adquirido à grandeza. Nem no futebol, nem na economia, nem na
política. Vantagens precisam ser renovadas. Marcas precisam ser geridas.
Talento precisa ser treinado, protegido, coordenado e colocado a serviço de uma
ideia comum. Essa é a lição que dói. Ancelotti fica para 2030. Isso dá à CBF a
chance de provar que sua aposta é séria. Mas o próximo ciclo só fará sentido se
partir de uma premissa simples: é preciso criar condições para que ele
organize, escolha, contrarie interesses e construa continuidade. Improviso pode
ser virtude quando complementa um projeto. Quando o substitui, vira um vício,
daqueles difíceis de largar.
¨
Craque Neto desabafa sobre Seleção: “Geração de jogadores
medíocres”
O ex-jogador
e atualmente comentarista do programa “Os Donos da Bola”, no canal
Bandeirantes, Craque Neto disparou críticas contra a Seleção Brasileira após a
derrota para a Noruega e a eliminação da Copa do Mundo de 2026.
Para
Neto, Neymar deveria ser campeão da “Copa do Choro”:
“Neymar
é um cara que só chora. Se fosse a Copa do Mundo do Choro, o Neymar era campeão.
Esse cara só chora: ele chora em casa, ele chora no Santos. Ele só chora.”
Em
outro momento, Neto defende a demissão de todo o departamento médico da CBF
por, segundo ele, ter mentido sobre a condição física de Neymar:
“Todos
vocês mentiram em relação ao Neymar. Vocês mentiram em relação ao Neymar em não
estar machucado e depois mentiram que ele tinha condições de jogar. É tudo uma
mentira. É tudo sem-vergonhice.”
Posteriormente,
Neto afirma que a atual seleção representa uma geração de jogadores “medíocres
e fracassados”:
“Vocês
são uma vergonha. Pipoqueiros […] uma geração perdedora. Geração fracassada.
Geração de jogadores medíocres. Geração de jogadores bilionários.”
<><>
Neymar indica aposentadoria da Seleção após eliminação na Copa
Após a
eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo neste domingo (5) em uma
partida contra a Noruega, o atacante Neymar Jr. indicou aposentadoria após disputar quatro copas
sem nenhum título.
Ainda
no gramado, Neymar chorou com o placar final da partida, que adiou mais uma vez
o sonho do Hexa. O atacante declarou que após as tentativas frustradas na
Seleção Brasileira, seu ciclo “acabou”.
“Tentei,
tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, disse, em referência
ao MetLife Stadium, onde o atacante estreou na seleção em uma partida de
amistoso contra os Estados Unidos, em 2010.
Com a
partida deste domingo, o Brasil sofreu sua primeira derrota nas oitavas de
final em 36 anos. O placar terminou em 2 x 1 para a Noruega. O único gol da
seleção foi de pênalti marcado por Neymar Jr. nos acréscimos do 2° tempo.
Minutos antes, o atacante protagonizou uma briga com seus adversários.
Agora,
a Seleção Brasileira volta para casa e aguarda a próxima Copa do Mundo para
voltar a sonhar com a sexta estrela, provavelmente sem Neymar no time.
<><>
Confira o histórico de Neymar nas Copas
- 2014: Estreia de
Neymar Jr. na Seleção Brasileira com 22 anos. Logo na primeira partida,
contra a Croácia, marcou dois gols e foi eleito o melhor
jogador em campo. No entanto, também naquele ano, o atacante sofreu
uma fratura na vértebra após receber uma joelhada do jogador colombiano
Camilo Zúñiga. A lesão o deixou de fora da reta final da Copa.
- 2018: Neymar
marcou um gol pela seleção na Copa do Mundo de 2018, realizada
na Rússia, em uma partida contra a Costa Rica. Naquele ano, o Brasil foi
eliminado pela Bélgica por 2 x 1.
- 2022: Na disputa
das oitavas de final, Neymar fez um dos gols da vitória do Brasil contra a
Coreia do Sul. Já na prorrogação das quartas de final, o atacante fez um
gol contra a Croácia, mas a seleção foi eliminada nas penalidades.
- 2026: Em disputa
contra a Noruega nas oitavas de final, Neymar fez um gol de pênalti nos
acréscimos do 2° tempo.
<><>
Neymar na Seleção Brasileira
Com 80
gols pela seleção, Neymar bateu o recorde de Pelé em 130 jogos disputados pelo
atacante.
Já em
Copas do Mundo, Neymar possui um saldo de 9 gols e 3 assistências.
¨
Fraco, soberbo e mau perdedor: Neymar representou bem o
bolsonarismo. Por Tadeu Porto
É uma
pena que o Brasil tenha perdido a Copa, e cada quadriênio demonstra um futebol
cada vez mais fraco e menos empolgante.
A crise
do país no setor que o faz ser referência mundial, conhecido e admirado no
mundo todo, pode não ser uma crise única do esporte, mas sim uma crise de toda
a nação.
No afã
de aproveitar o nacionalismo brasileiro como força política, a direita e,
principalmente, a extrema direita usurparam a camisa da seleção e buscaram
colocar os símbolos nacionais a serviço só dessa fatia da população.
Mas é
óbvio que essa estratégia não ia dar conta, afinal o Brasil é de todos os
brasileiros e, sobretudo, as lideranças de extrema direita do Brasil querem uma
política para poucos privilegiados, e não para toda uma nação.
Como o
tempo é o senhor da razão, cada dia mais fica escancarado que as lideranças de
direita não aguentam a responsabilidade de liderar de fato uma nação colossal.
Uma
prova de que o tempo está engolindo as fragilidades da direita é que eles agora
provam do próprio veneno. Existe um ditado muito poderoso e popular que
preserva a ética da disputa entre seres humanos: não sabe brincar, não desce
para o play. Aqueles que cresceram na provocação não aceitam ser provocados.
Jair
Bolsonaro mostrou bem que é um mau perdedor, uma das piores posições que um ser
humano pode assumir, ao não passar a faixa presidencial ao seu sucessor assim
como recebeu do seu antecessor.
E essa
posição de mau perdedor perdura em toda a família e herdeiros políticos dele. O
exemplo mais claro vem justamente do filho mais velho do ex-presidente, que não
aceita a derrota eleitoral e puxa o saco dos Estados Unidos para esvaziar os
poderes da República, que de fato representa o país através da nossa
democracia.
E agora
esta Copa do Mundo termina com mais esse símbolo de como a extrema direita é má
perdedora. Neymar foi escolhido como símbolo da campanha de Bolsonaro, com
direito a vídeo-propaganda com o candidato bolsonarista.
Não
jogou nada na Copa, entrou no último jogo e causou mais confusão do que foi
decisivo, envergonhou o país ao caçoar do adversário mesmo numa derrota
vergonhosa.
A
história é implacável e não deixa os valores sórdidos prosperarem. Nesse
sentido, não aguentando a responsabilidade de representar o país, Neymar mostra
que é de fato um bolsonarista raiz: mau perdedor, provocador que não aceita ser
provocado, irresponsável que gosta de cobrar responsabilidade, liderança que
não gosta de trabalhar.
Um
grande símbolo de como a extrema direita corrói o Brasil por dentro.
Fonte:
Brasil 247/Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário