terça-feira, 7 de julho de 2026

André Vieira: A derrota do improviso brasileiro

O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de forma precoce por várias razões. Houve erros de campo da seleção, escolhas discutíveis do técnico Carlo Ancelotti, uma atuação decisiva do craque Haaland e uma Noruega organizada, eficiente o bastante para transformar poucas chances em vantagem. Mas o vexame nas oitavas não começou no apito inicial. Ele fechou uma conta aberta desde o fim do último ciclo. O hexa veio, mas só no número de Copas perdidas desde 2002.

Por que o Brasil não aprendeu a lição no último ciclo? Depois da saída de Tite, a seleção seguiu uma sequência de soluções provisórias. Vieram interinos, experiências, apostas de transição e mudanças de comando. Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Ancelotti ocuparam, cada um a seu modo, um cargo que deveria expressar continuidade, mas acabou revelando instabilidade.

A CBF atravessou o período em crise recorrente, entre disputas de poder e trocas de dirigentes. A seleção teve mais donos do que um projeto de longo prazo. O time que já foi a expressão mais sofisticada do talento brasileiro passou a ser também um retrato de sua governança: pouco capital institucional para organizar o talento do jogador brasileiro.

Esse é o ponto central. O Brasil não perdeu porque deixou de produzir jogadores. Talvez não produza mais Pelés, mas ainda assim produz um bom número de atletas que jogam nas principais ligas internacionais. Mas o fato é que o Brasil perdeu porque continua tratando talento como substituto da construção de um projeto coletivo de longo prazo.

Durante décadas, essa aposta funcionou. A seleção viveu de uma vantagem comparativa quase natural. O país produzia jogadores talentosíssimos em safras excepcionais. Todo brasileiro sabe de cor quem foram os expoentes de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Foi isso que construiu a lenda da amarelinha.

Mas o futebol global mudou. Jogo tático coletivo, preparação física, treinamento de fundamentos e jogadas, análise de dados, gestão de elenco e disciplina encurtaram distâncias. Países menores podem não ter a mitologia da camisa brasileira, mas já conseguem produzir times mais consistentes.

A Noruega ofereceu o contraste. Não venceu por jogar como o Brasil. Venceu por não precisar jogar como o Brasil. Tinha um plano, entendeu suas limitações e maximizou sua principal virtude. Haaland tocou pouco na bola, mas fez o que se espera de um craque dentro de um sistema eficiente: decidiu quando foi acionado.

No Brasil, o craque continua sendo muitas vezes chamado para compensar a ausência de um projeto coordenado. Durante anos, esse papel pertenceu a Neymar. Seu talento é indiscutível. Mas os últimos anos já haviam mostrado que Neymar não conseguia mais oferecer, com regularidade, condição física e protagonismo compatíveis com a centralidade emocional e técnica que o Brasil insistia em lhe reservar. Trazê-lo de volta como eixo simbólico foi um erro. A responsabilidade é dele, pelo que não entregou.

Mas é também da CBF, que preservou a cultura do nome acima do projeto, e de Ancelotti, que aceitou operar dentro dela. Ancelotti foi contratado para romper essa lógica. Ou deveria ter sido. O técnico italiano representava, em tese, a importação de método europeu: autoridade, hierarquia, experiência e distância das pressões locais. Mas chegou tarde, quando boa parte do ciclo já havia sido consumida, e teve pouco mais de um ano para organizar uma seleção administrada por urgências. Essa é sua atenuante. Não sua absolvição. Não rompeu com isso nesta primeira prova.

Esse paradoxo vai além do futebol. O Brasil conhece bem a lógica da promessa não convertida. Tem recursos naturais, mercado consumidor, empresas sofisticadas, empreendedores criativos, diplomacia reconhecida, cultura influente e capacidade rara de reinvenção. Mas desperdiça ciclos favoráveis por falta de coordenação, continuidade, educação básica consistente e execução de longo prazo.

Nenhum país tem direito adquirido à grandeza. Nem no futebol, nem na economia, nem na política. Vantagens precisam ser renovadas. Marcas precisam ser geridas. Talento precisa ser treinado, protegido, coordenado e colocado a serviço de uma ideia comum. Essa é a lição que dói. Ancelotti fica para 2030. Isso dá à CBF a chance de provar que sua aposta é séria. Mas o próximo ciclo só fará sentido se partir de uma premissa simples: é preciso criar condições para que ele organize, escolha, contrarie interesses e construa continuidade. Improviso pode ser virtude quando complementa um projeto. Quando o substitui, vira um vício, daqueles difíceis de largar.

¨      Craque Neto desabafa sobre Seleção: “Geração de jogadores medíocres”

O ex-jogador e atualmente comentarista do programa “Os Donos da Bola”, no canal Bandeirantes, Craque Neto disparou críticas contra a Seleção Brasileira após a derrota para a Noruega e a eliminação da Copa do Mundo de 2026.

Para Neto, Neymar deveria ser campeão da “Copa do Choro”:

“Neymar é um cara que só chora. Se fosse a Copa do Mundo do Choro, o Neymar era campeão. Esse cara só chora: ele chora em casa, ele chora no Santos. Ele só chora.”

Em outro momento, Neto defende a demissão de todo o departamento médico da CBF por, segundo ele, ter mentido sobre a condição física de Neymar:

“Todos vocês mentiram em relação ao Neymar. Vocês mentiram em relação ao Neymar em não estar machucado e depois mentiram que ele tinha condições de jogar. É tudo uma mentira. É tudo sem-vergonhice.”

Posteriormente, Neto afirma que a atual seleção representa uma geração de jogadores “medíocres e fracassados”:

“Vocês são uma vergonha. Pipoqueiros […] uma geração perdedora. Geração fracassada. Geração de jogadores medíocres. Geração de jogadores bilionários.”

<><> Neymar indica aposentadoria da Seleção após eliminação na Copa

Após a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo neste domingo (5) em uma partida contra a Noruega, o atacante Neymar Jr. indicou aposentadoria após disputar quatro copas sem nenhum título. 

Ainda no gramado, Neymar chorou com o placar final da partida, que adiou mais uma vez o sonho do Hexa. O atacante declarou que após as tentativas frustradas na Seleção Brasileira, seu ciclo “acabou”. 

“Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, disse, em referência ao MetLife Stadium, onde o atacante estreou na seleção em uma partida de amistoso contra os Estados Unidos, em 2010. 

Com a partida deste domingo, o Brasil sofreu sua primeira derrota nas oitavas de final em 36 anos. O placar terminou em 2 x 1 para a Noruega. O único gol da seleção foi de pênalti marcado por Neymar Jr. nos acréscimos do 2° tempo. Minutos antes, o atacante protagonizou uma briga com seus adversários. 

Agora, a Seleção Brasileira volta para casa e aguarda a próxima Copa do Mundo para voltar a sonhar com a sexta estrela, provavelmente sem Neymar no time. 

<><> Confira o histórico de Neymar nas Copas

  • 2014: Estreia de Neymar Jr. na Seleção Brasileira com 22 anos. Logo na primeira partida, contra a Croácia, marcou dois gols e foi eleito o melhor jogador em campo. No entanto, também naquele ano, o atacante sofreu uma fratura na vértebra após receber uma joelhada do jogador colombiano Camilo Zúñiga. A lesão o deixou de fora da reta final da Copa.
  • 2018: Neymar marcou um gol pela seleção na Copa do Mundo de 2018, realizada na Rússia, em uma partida contra a Costa Rica. Naquele ano, o Brasil foi eliminado pela Bélgica por 2 x 1. 
  • 2022: Na disputa das oitavas de final, Neymar fez um dos gols da vitória do Brasil contra a Coreia do Sul. Já na prorrogação das quartas de final, o atacante fez um gol contra a Croácia, mas a seleção foi eliminada nas penalidades. 
  • 2026: Em disputa contra a Noruega nas oitavas de final, Neymar fez um gol de pênalti nos acréscimos do 2° tempo.

<><> Neymar na Seleção Brasileira

Com 80 gols pela seleção, Neymar bateu o recorde de Pelé em 130 jogos disputados pelo atacante. 

Já em Copas do Mundo, Neymar possui um saldo de 9 gols e 3 assistências. 

¨      Fraco, soberbo e mau perdedor: Neymar representou bem o bolsonarismo. Por Tadeu Porto

É uma pena que o Brasil tenha perdido a Copa, e cada quadriênio demonstra um futebol cada vez mais fraco e menos empolgante.

A crise do país no setor que o faz ser referência mundial, conhecido e admirado no mundo todo, pode não ser uma crise única do esporte, mas sim uma crise de toda a nação.

No afã de aproveitar o nacionalismo brasileiro como força política, a direita e, principalmente, a extrema direita usurparam a camisa da seleção e buscaram colocar os símbolos nacionais a serviço só dessa fatia da população.

Mas é óbvio que essa estratégia não ia dar conta, afinal o Brasil é de todos os brasileiros e, sobretudo, as lideranças de extrema direita do Brasil querem uma política para poucos privilegiados, e não para toda uma nação.

Como o tempo é o senhor da razão, cada dia mais fica escancarado que as lideranças de direita não aguentam a responsabilidade de liderar de fato uma nação colossal.

Uma prova de que o tempo está engolindo as fragilidades da direita é que eles agora provam do próprio veneno. Existe um ditado muito poderoso e popular que preserva a ética da disputa entre seres humanos: não sabe brincar, não desce para o play. Aqueles que cresceram na provocação não aceitam ser provocados.

Jair Bolsonaro mostrou bem que é um mau perdedor, uma das piores posições que um ser humano pode assumir, ao não passar a faixa presidencial ao seu sucessor assim como recebeu do seu antecessor.

E essa posição de mau perdedor perdura em toda a família e herdeiros políticos dele. O exemplo mais claro vem justamente do filho mais velho do ex-presidente, que não aceita a derrota eleitoral e puxa o saco dos Estados Unidos para esvaziar os poderes da República, que de fato representa o país através da nossa democracia.

E agora esta Copa do Mundo termina com mais esse símbolo de como a extrema direita é má perdedora. Neymar foi escolhido como símbolo da campanha de Bolsonaro, com direito a vídeo-propaganda com o candidato bolsonarista.

Não jogou nada na Copa, entrou no último jogo e causou mais confusão do que foi decisivo, envergonhou o país ao caçoar do adversário mesmo numa derrota vergonhosa.

A história é implacável e não deixa os valores sórdidos prosperarem. Nesse sentido, não aguentando a responsabilidade de representar o país, Neymar mostra que é de fato um bolsonarista raiz: mau perdedor, provocador que não aceita ser provocado, irresponsável que gosta de cobrar responsabilidade, liderança que não gosta de trabalhar.

Um grande símbolo de como a extrema direita corrói o Brasil por dentro.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

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