País
do futebol? Só no 'campo imaginário': jejum da Seleção desafia prestígio global
do Brasil
Pesquisadores
avaliam que o legado histórico ainda sustenta o prestígio da Seleção no
exterior, mas alertam que derrotas sucessivas podem enfraquecer um dos
principais símbolos da imagem do Brasil no mundo e defendem mudanças
estruturais na formação de atletas e na gestão da CBF.
Durante
décadas, vestir a camisa amarela foi suficiente para conquistar torcedores
muito além das fronteiras brasileiras. Atraídos pelo legado de Pelé e Ronaldo
Fenômeno, pelo futebol ofensivo e pela imagem do Brasil como referência do
esporte, países sem tradição em Copas do Mundo fazem da Seleção Brasileira a
sua própria.
É o
caso de Bangladesh, país de 170 milhões de habitantes, dos quais o embaixador
brasileiro em Daca calcula que até 100 milhões de pessoas torçam pelo Brasil,
um contingente que rivaliza com países inteiros.
No
Líbano, que tem mais descendentes no Brasil (cerca de oito milhões) do que a
própria população nativa, cidades como Trípoli viraram festa após cada vitória
brasileira na Copa de 2026. Na Jamaica, torcedores dizem se identificar mais
com o estilo brasileiro do que com a antiga potência colonial, a Inglaterra.
O
fenômeno se repete, com intensidade variada em países como Índia, Paquistão e
até Vanuatu, sugerindo que, na ausência de uma equipe competitiva, o Brasil se
torna um espelho cultural para países do Sul Global no futebol.
Como
explica Adriano de Freixo, professor de relações internacionais da Universidade
Federal Fluminense (UFF) e autor do livro "O outro lado do jogo: futebol,
poder e relações internacionais", essa identificação se torna orgânica ao
colocar países periféricos superando países centrais, os "países
desenvolvidos".
"A
Seleção Brasileira, com jogadores de todos os tons de pele e, em sua maioria,
oriundos das classes populares, era a que mais personificava esse
sentimento", explica, mencionando como isso já tinha começado na Copa da
França em 1938, mesmo com a Seleção tendo terminado em terceiro lugar. "As
conquistas das Copas de 1958, 1962 e 1970 e toda a mística que se construiu em
torno de Pelé consolidariam isso."
Freixo
ressalta como essa imagem é destacada pela mídia digital, com novas gerações de
torcedores vendo imagens de grandes jogadas e gols de craques, como os dribles
de Ronaldinho Gaúcho ou gols de Romário nas redes sociais.
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'Seleção do Mundo' só no 'campo do imaginário'
Esse
destaque de "seleção do mundo", porém, sofre o risco de se perder,
segundo Chico Brinati, professor de jornalismo da Universidade Federal de São
João del-Rei (UFSJ) e pesquisador da Seleção Brasileira de Futebol.
Apesar
de ter um capital simbólico consolidado com grandes atletas como Pelé,
Garrincha, Ronaldo Fenômeno, entre outros, a imagem da seleção passa por
desgaste pela eliminação nas oitavas de final da competição, a pior campanha
desde a edição de 1990. "Ao mesmo tempo, vemos França, Argentina, Espanha
se destacando", afirma.
Como
lembra Leda Maria da Costa, pesquisadora do Laboratório de Estudos em Mídia e
Esporte (LEME), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o prestígio
internacional da Seleção também se sustenta pelo fato de o Brasil ser o único
pentacampeão mundial, uma marca que dificilmente será igualada no curto prazo.
Nesta
Copa, por exemplo, duas das seleções mais vitoriosas da história — Alemanha e
Itália, ambas tetracampeãs — sequer ameaçaram esse posto: a Alemanha foi
eliminada, enquanto a Itália nem conseguiu se classificar para o torneio.
Outras campeãs mundiais ainda em disputa podem chegar no máximo ao
tetracampeonato, como a Argentina.
Costa
também destaca o papel do jornalismo esportivo na construção do imaginário em
torno da Seleção Brasileira. Segundo a pesquisadora, a cobertura da imprensa
contribui para ampliar a importância do futebol, de equipes e de atletas,
chegando a "mitificar" determinados personagens. No entanto, ela
pondera que esse processo tem limites. "Por mais que a cobertura midiática
tenha o esforço de amplificar esses resultados, de manter essa história viva,
por si só ela não consegue sustentar algo que é construído pelos resultados em
campo", afirma.
A
pesquisadora observa ainda que patrocinadores e agentes do mercado esportivo
desempenham um papel importante ao transformar a Seleção em uma marca global.
Mesmo assim, ela avalia que o peso histórico da equipe continua a ser um
diferencial. "Ainda temos a seleção mais vitoriosa, então não é difícil
manter essa equipe forte no campo imaginário", conclui.
"Esse
prestígio ainda se mantém e se manterá por algum tempo, mas essa sucessão de
derrotas e como serão essas derrotas vão desgastar a imagem da Seleção
Brasileira. Para sustentar isso, tem que ter uma equipe competitiva."
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Falta de identificação
Além do
jejum de títulos, Adriano de Freixo comenta que a ausência de jogadores
emblemáticos também diminui o prestígio internacional do Brasil no futebol,
argumentando que falta uma "cara" para o futebol brasileiro.
"Neymar, no período mais recente, foi o que mais se aproximou disso, mas
as controvérsias dentro e fora de campo, somadas ao fato de não ter tido
grandes performances nas Copas que participou, e de não ter ganho nenhuma,
impediram que ele se tornasse, de fato, esse jogador efetivamente emblemático."
Brinati
soma dizendo que a eliminação do Brasil em edições sucessivas também dá espaço
para que seleções vencedoras "construam" novos ídolos do esporte.
“A Copa
de 2026 tem sido o Mundial dos protagonistas: Messi, Mbappé, Haaland, Kane…
Estão liderando estatísticas, se afirmando na prateleira dos ídolos. Ninguém
quer se identificar com um derrotado."
Mesmo
seleções europeias, recheadas de descendentes de imigrantes do Sul Global,
começam a ampliar o seu apoio fora da Europa, com Freixo indicando o francês
Kylian Mbappé e o espanhol Lamine Yamal. "Além do enorme talento, têm
assumido posturas firmes em apoio a causas caras aos países do Sul –
antirracismo, críticas à extrema-direita e suas posições xenófobas, apoio à
causa palestina – ajudam a ampliar esse capital de simpatia", conclui.
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Mudanças no futebol brasileiro
Para os
especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil, a recuperação do protagonismo da
Seleção depende de mudanças estruturais que vão muito além da troca de
treinadores ou da renovação de uma geração de jogadores. Na avaliação de
Brinati, o futebol brasileiro precisa rever o seu modelo de formação de
atletas, sua organização institucional e os critérios de gestão da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF).
Um dos
exemplos citados por Brinati é o da França, que, após resultados abaixo das
expectativas nas décadas de 1980 e 1990, estruturou um sistema nacional de
desenvolvimento de talentos. O modelo combina investimentos na base de clubes
nacionais e em subúrbios em cidades como Paris – os "banlieues", em
francês – áreas populares marcadas pela presença de famílias de origem africana
e árabe, além fomentar estilos de "um contra um" em partidas
improvisadas.
Kylian
Mbappé, atualmente um dos artilheiros da Copa, foi revelado pelo AS Bondy,
clube de seu bairro, onde cresceu em uma comunidade com altos índices de
desemprego e desigualdade social. Outros exemplos dessa fórmula são Rayan
Cherki e Michael Olise, ambos jogadores principais da seleção francesa.
Assim,
Brinati afirma que o Brasil deveria ampliar a captação de jovens talentos para
além da influência de empresários, investir em acompanhamento multidisciplinar
e criar uma identidade de jogo contínua entre as categorias de base e a seleção
principal.
O
especialista também critica o foco crescente na exportação de atletas, que,
segundo ele, prioriza posições mais valorizadas no mercado europeu, em
detrimento da formação equilibrada das equipes. O reflexo desse processo pode
ser visto na própria Seleção: dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026,
apenas sete atuavam no futebol brasileiro – Weverton (Grêmio), Alex Sandro,
Danilo, Léo Pereira e Lucas Paquetá (Flamengo), Danilo Santos (Botafogo) e
Neymar (Santos).
No
entanto, ele avalia que essas mudanças esbarram na estrutura da CBF. "O
resultado esportivo é reflexo de um trabalho ruim da CBF que vem sendo
realizado não só de agora, mas desde os anos 2000." Costa acrescenta
dizendo que a falta de um fair play financeiro entre clubes acaba também
prejudicando o estado do futebol brasileiro, indicando o cenário de hegemonia
no esporte com Flamengo e Palmeiras.
Na
avaliação de Freixo, a recuperação do futebol brasileiro passa por uma
reformulação ampla da modalidade. Entre as medidas defendidas por ele estão uma
regulamentação mais efetiva da participação das casas de apostas no
financiamento do esporte, maior autonomia para as comissões técnicas em relação
às pressões da mídia e de patrocinadores, políticas de fortalecimento dos
clubes historicamente formadores e uma "faxina" nas federações
estaduais, reduzindo a influência de interesses políticos e privados sobre a
gestão do futebol.
"Ou
seja, não dá para ficar enxugando gelo e achando que um pretenso 'talento
inato' do brasileiro para o futebol vai fazer com que o jejum de títulos
acabe."
• Imprensa europeia destaca processo de
decadência da Seleção
A
eliminação do Brasil para a Noruega por 2 a 1 neste domingo (05/07), nas
oitavas de final da Copa do Mundo, foi recebida pela imprensa europeia não
apenas como uma surpresa esportiva, mas como indício de uma transformação no
equilíbrio de forças do futebol mundial.
O
resultado, conforme as análises, pode ter marcado a consolidação da Noruega
como nova potência competitiva e o enfraquecimento de uma Seleção Brasileira
que não conquista uma Copa desde 2002.
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Espanha: Haaland destrói o projeto de Ancelotti
O
jornal espanhol El País, que estampou a manchete: "O martelo viking de
Haaland destrói o Brasil de Ancelotti". Mais do que exaltar o atacante
norueguês, o artigo sustenta que a seleção brasileira foi derrotada por uma
equipe que executou melhor justamente as virtudes que Ancelotti pretendia
implementar na Canarinho: pragmatismo, eficiência e capacidade de decidir nos
momentos-chave.
A
análise argumenta que o Brasil abriu mão de sua tradicional vocação ofensiva
para apostar em um modelo mais cauteloso e reativo. Segundo o diário, a
estratégia não produziu uma equipe sólida o suficiente para competir com a
eficiência norueguesa. O pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, ainda com o
jogo empatado, é tratado como o momento simbólico em que o plano brasileiro
começou a ruir.
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Noruega: feito histórico
Nos
jornais noruegueses, a cobertura misturou euforia e surpresa. O tabloide VG, um
dos principais jornais noruegueses resumiu a noite com uma manchete direta:
"Brasil esmagado". O veículo descreveu a vitória como um
acontecimento capaz de redefinir o lugar da Noruega no futebol internacional.
O
Adresseavisen foi ainda além e classificou a classificação para as quartas de
final como "o maior acontecimento da história do esporte norueguês"”.
A avaliação reflete a dimensão histórica do resultado para um país que retornou
recentemente ao cenário mundial após décadas de ausência em grandes torneios.
Já o
Dagbladet preferiu destacar o goleiro Orjan Nyland. Para o jornal, a defesa do
pênalti de Bruno Guimarães foi tão decisiva quanto os gols de Haaland. A
narrativa predominante foi a de uma vitória coletiva, construída pela
organização defensiva e pela disciplina tática escandinava.
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França: o "pesadelo europeu” continua
O
francês L'Équipe tratou a eliminação como mais um capítulo do que chamou de
persistente dificuldade brasileira contra seleções europeias em Copas do Mundo.
A ideia
recorrente foi que o Brasil voltou a falhar justamente diante do tipo de
adversário que o elimina sistematicamente há mais de duas décadas. A vitória
norueguesa foi apresentada não como acidente, mas como parte de uma tendência
histórica que se repete desde o pentacampeonato de 2002.
<><>Itália:
questionamentos sobre o trabalho de Ancelotti
Na
Itália, a atenção se dividiu entre Haaland e Carlo Ancelotti. A Gazzetta dello
Sport destacou a dimensão do feito do atacante norueguês e sugeriu que sua
influência na partida foi maior do que a de toda a equipe brasileira reunida,
afirmando "Haaland é maior que o Brasil".
O fato
de Ancelotti ser um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol europeu
acrescentou peso às análises. Embora a crítica não tenha sido dirigida
exclusivamente ao treinador, diversos comentários apontaram que a chegada do
italiano ainda não foi capaz de resolver os problemas de identidade da Seleção.
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Alemanha: "Apenas um mito do passado"
Comentário
publicado pela revista esportiva alemã Kicker sob o título O Brasil é um mito –
mas apenas um mito do passado, afirma que a derrota para a Noruega não
representa um acidente de percurso, mas a confirmação de um processo de
decadência do futebol brasileiro que já vinha sendo anunciado há anos.
O texto
ressalta que, em vez do tão sonhado sexto título mundial que encerraria um
jejum que já dura desde 2002, a Seleção saiu de cena nas oitavas de final, algo
que não acontecia desde a Copa de 1990. O resultado constitui um novo ponto
baixo na trajetória recente da Amarelinha.
A
análise rejeita a ideia de que a eliminação tenha sido surpreendente. A derrota
para uma Noruega forte – e a dificuldade enfrentada anteriormente contra o
Japão – seriam evidências de uma realidade que muitos torcedores brasileiros
ainda resistem a admitir: o Brasil já não se diferencia das chamadas potências
médias do futebol mundial. Para a publicação alemã, a aura construída pelas
gerações de Pelé, Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho continua viva na
memória coletiva, mas deixou de encontrar correspondência dentro de campo.
O
comentário também revisita a campanha das eliminatórias sul-americanas,
descrita como a mais problemática da história brasileira. A Kicker recorda
derrotas inéditas para Colômbia e Argentina, empates contra a Venezuela e a
sucessão de treinadores que antecedeu a chegada de Carlo Ancelotti. Na
avaliação do periódico, o quinto lugar obtido nas eliminatórias foi um sinal
claro de enfraquecimento, ainda que o formato ampliado da Copa tenha suavizado
as consequências esportivas.
Embora
reconheça o impacto das lesões de jogadores importantes, como Militão, Rodrygo
e Raphinha, o veículo argumenta que o problema é mais profundo. Segundo ele, o
Brasil continua produzindo atletas de alto nível, mas já não gera com a mesma
frequência jogadores capazes de dominar o futebol mundial durante anos, como
ocorreu em gerações anteriores. O texto cita Alisson, Marquinhos, Vinicius
Junior e Raphinha como expoentes da atual safra, mas questiona a existência de
craques capazes de redefinir o esporte, como fizeram os ídolos do passado.
Nesse
contexto, Carlo Ancelotti aparece mais como um gestor do que como um
transformador. A Kicker avalia que nem mesmo um dos técnicos mais vitoriosos da
história recente poderia realizar milagres diante das limitações do elenco. A
volta de Neymar à Seleção é interpretada como um símbolo dessa realidade: a
necessidade de recorrer a uma estrela de outra geração revela, segundo o
argumento do texto, a dificuldade de renovação do futebol brasileiro.
A
conclusão da revista alemã é particularmente severa. Para o periódico, a
eliminação para a Noruega representou o momento em que o maior vencedor da
história das Copas foi finalmente alcançado pela "realidade sombria"
de seu próprio declínio. O Brasil permanece como uma referência histórica
incontornável do futebol mundial, mas, na leitura da Kicker, vive cada vez mais
da força de seu passado do que da capacidade de moldar o presente e o futuro do
jogo.
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Despedida de Neymar e o fim de uma geração
Se a
revista esportiva alemã Kicker interpretou a derrota como a confirmação do
declínio esportivo do Brasil, a agência alemã especializada em esportes SID
concentrou sua atenção no drama humano vivido pela Seleção após o apito final.
A agência descreveu um país mergulhado em "luto e tristeza" após a
eliminação para a Noruega e transformou Neymar no símbolo máximo de mais uma
frustração no Mundial.
A
reportagem abre com uma imagem poderosa: Neymar sentado no gramado do MetLife
Stadium, chorando inconsolavelmente após a derrota por 2 a 1. Para a SID, o
craque representava a esperança de encerrar uma espera que já dura desde 2002 e
conduzir o Brasil ao sonhado hexacampeonato. Em vez disso, viu o sonho terminar
pela sexta Copa consecutiva.
A
agência apresenta a derrota como o encerramento definitivo de uma era. Aos 34
anos, Neymar teria vestido pela última vez a histórica camisa 10 da Seleção
Brasileira.
O
relato também chama atenção para a atuação decepcionante da equipe. Segundo a
agência, Brasil, Neymar e Vinicius Junior "mostraram pouco samba e pouco
espetáculo".
A
interpretação da SID é particularmente severa ao avaliar a geração atual. Para
a agência, a equipe liderada por Neymar chegou ao fim de seu ciclo após mais um
capítulo traumático na história recente da Seleção, na sequência das decepções
vividas em 2014, 2018, 2022 e agora 2026. O texto sugere que jogadores
identificados com essa era já não conseguem responder às exigências do mais
alto nível competitivo.
Ainda
assim, a reportagem termina com uma nota de esperança. Ancelotti deixa claro
que pretende continuar no cargo e transformar a derrota em combustível para uma
reconstrução.
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"Sofrimentos continuam"
Para a
agência alemã de notícias DPA, a derrota para a Noruega representa mais um
capítulo de uma sequência de frustrações que se estende desde o pentacampeonato
de 2002. "Os sofrimentos da Seleção continuam", resume a agência.
Um dos
pontos centrais da análise da DPA é a avaliação do elenco atual. Segundo a
agência, a Seleção já não dispõe da abundância de talentos extraordinários que
caracterizava gerações anteriores. Nesse contexto, Vinicius Junior surge como a
principal exceção.
A
reportagem afirma que o atacante do Real Madrid foi o único jogador ofensivo
brasileiro a convencer plenamente durante o torneio. Matheus Cunha também
recebeu elogios, mas em um patamar inferior. Já Neymar e Raphinha tiveram a
participação prejudicada por problemas físicos, enquanto outros nomes esperados
como protagonistas não conseguiram assumir o controle da equipe.
A DPA
observa que Carlo Ancelotti chegou à Seleção com a missão de encerrar um jejum
de 24 anos sem títulos mundiais. Primeiro técnico estrangeiro da história da
equipe brasileira, o italiano carregava um currículo quase incomparável, com
títulos nacionais nas principais ligas europeias e cinco conquistas da Liga dos
Campeões.
Ainda
assim, segundo a análise, nem mesmo sua experiência foi capaz de transformar o
Brasil em um verdadeiro candidato ao título. A agência lembra que a equipe já
havia sido criticada após o empate na estreia contra Marrocos e, embora tenha
evoluído ao longo do torneio, nunca transmitiu a sensação de superioridade
associada historicamente à camisa amarela.
Para a
agência, o grande desafio da Seleção não é apenas reconstruir o elenco para
2030. A DPA sugere que o Brasil já não possui a concentração de craques que
durante décadas o transformou em favorito automático em qualquer Mundial.
A
conclusão dialoga diretamente com as análises da Kicker e da SID: a eliminação
para a Noruega foi interpretada pela imprensa alemã não como um acidente
isolado, mas como um marco de transição. O adeus de Neymar simboliza o
encerramento de uma geração, enquanto a reconstrução imaginada por Ancelotti
ainda carece de protagonistas capazes de devolver ao Brasil o protagonismo
perdido no cenário internacional.
Apesar
das diferenças de tom, a maior parte dos artigos europeus compartilha uma mesma
conclusão. O Brasil continua produzindo talentos individuais de elite, como
Vinicius Junior, Neymar e Endrick, mas deixou de representar o adversário
inevitável e dominante que marcou outras gerações.
Fonte:
Sputnik Brasil/DW Brasil

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