quarta-feira, 8 de julho de 2026

Yu Peng: Declaração e compromisso de um partido centenário com a China e o mundo

Em 1º de julho, a reunião em  comemoração ao 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCCh) foi realizada com solenidade em Beijing. Xi Jinping, Secretário-Geral do Comitê Central do PCCh e Presidente da República Popular da China, proferiu um importante discurso, no qual reviu e resumiu de forma abrangente o glorioso percurso e as grandes sucessos alcançados pelo PCCh ao unir e liderar o povo chinês, revelou profundamente as excelentes características que permitiram ao Partido acumular sucessos contínuos, e fez um grande apelo aos comunistas chineses para fortalecer a confiança e prosseguir a luta na nova jornada. Trata-se de um discurso importante que brilha com sabedoria histórica e destaque da época: não apenas demonstra a firme confiança e determinação do Partido em unir e guiar o povo chinês para construir plenamente um grande país socialista moderno e alcançar a revitalização nacional, mas também representa um solene compromisso com o mundo de avançar continuamente na construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, oferecendo uma referência para que a comunidade internacional compreenda melhor o PCCh e a China.

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<><> Criar grandes êxitos por meio de esforços incansáveis

Há 105 anos, no grande despertar do povo chinês e da nação chinesa, e com a estreita combinação do marxismo-leninismo com o movimento operário chinês, o PCCh surgiu na história. Ao longo de 105 anos, o Partido Comunista Chinês tem se mantido fiel à sua missão primordial de lutar pela felicidade do povo chinês, pelo rejuvenescimento da nação chinesa, pelo progresso da humanidade e pela harmonia global. Ao unir e liderar o povo chinês em uma luta incansável, o Partido não apenas transformou radicalmente o destino do povo chinês, abriu o caminho correto para o rejuvenescimento da nação e forjou um poderoso Partido Comunista Chinês, como também demonstrou a vigorosa vitalidade do marxismo e influenciou profundamente o curso da história mundial.

Hoje, o PCCh tornou-se o maior partido político do mundo, com mais de 100 milhões de membros; a China transformou-se na segunda maior economia do planeta, eliminou historicamente a pobreza absoluta e construiu plenamente uma sociedade moderadamente próspera, concretizando os dois grandes milagres de rápido desenvolvimento econômico e estabilidade social duradoura. Sob a liderança do Partido, o povo chinês avança na modernização ao estilo chinês, criando uma nova forma de civilização humana e ampliando os caminhos de acesso à modernização para os países em desenvolvimento. Ao promover a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, a China contribui com a sabedoria, as propostas e a força do país para a solução dos grandes desafios da humanidade.

<><> Qualidades excelentes desvendem o segredo do sucesso

O fato de o povo chinês e a nação chinesa terem conseguido reverter o destino histórico após os tempos modernos e alcançar as grandes sucessos de hoje reside, acima de tudo, na firme liderança do PCCh. Por que o Partido permanece vibrante e cheio de vitalidade após um século? Em seu discurso, o Secretário-Geral Xi Jinping revelou profundamente as seis excelentes qualidades do Partido: buscar a verdade com determinação, estar profundamente enraizado no povo, assumir corajosamente a missão histórica, acompanhar a maré do desenvolvimento, ter a coragem e a capacidade de lutar, e zelar continuamente pelo próprio fortalecimento. Essas características são a chave para compreender “por que o PCCh consegue” e a base sólida sobre a qual continuará a construir novos sucessos no futuro.

Ao embarcar na nova jornada, o Partido enfrenta tarefas ainda mais pesadas em matéria de reforma, desenvolvimento e estabilidade, além de um número maior de contradições, riscos e desafios. Contudo, ao cultivar essas excelentes características, ele certamente manterá a direção correta, contará com um alicerce sólido, manterá a iniciativa estratégica, permanecerá na vanguarda da época, conservará a confiança na vitória e estará sempre cheio de vitalidade — correspondendo às novas expectativas da história e do povo , e guiando o povo chinês para nova vitória.

<><> Esforçar-se para escrever um novo capítulo na história

As perspectivas são brilhantes, mas o caminho não será plano e sem obstáculos. O glorioso percurso dos últimos 105 anos nos enche de orgulho, mas jamais devemos cair na presunção ou parar de avançar. À medida que as mudanças mundiais sem precedentes em um século se aceleram, o mundo entra em um período de turbulência e transformação; o desenvolvimento da China, por sua vez, encontra-se em uma fase em que oportunidades estratégicas coexistem com riscos e desafios, com um aumento de fatores incertos e imprevisíveis — o que impõe requisitos ainda mais elevados para a construção interna e a capacidade de governança do Partido. A China está firmemente determinada a concluir a construção de um país socialista moderno e forte em todos os aspectos até meados do século XXI. Para que esse objetivo grandioso se converta em uma realidade concreta e próspera, no fim das contas, tudo se resume à luta perseverante e ao trabalho árduo.

O Presidente Xi Jinping salientou que, para cumprir a missão do Partido na nova etapa da nova era, todos os comunistas chineses devem fortalecer a confiança e prosseguir a luta. Ele apresentou requisitos claros em cinco pontos — devemos aderir à teoria básica, à linha básica e às diretrizes fundamentais do Partido; devemos contar firmemente com o povo para criar grandes feitos históricos; devemos responder proativamente aos riscos e desafios no caminho a percorrer; devemos promover continuamente a construção de uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade; e devemos avançar persistentemente na governança rigorosa e abrangente do Partido — fornecendo a orientação fundamental sobre como os comunistas devem agir na nova jornada.

Ao longo dos dias, líderes partidários e governamentais, bem como personalidades de diversos setores em vários países, prestaram homenagens de diversas formas ao 105º aniversário da fundação do PCCh, elogiando altamente as grandes sucessos econômicos e sociais alcançadas pelo povo chinês sob a liderança do Partido e a importante contribuição da China para a paz e o desenvolvimento mundiais. A China socialista sob a liderança do PCCh é amplamente reconhecida como construtora da paz mundial, contribuinte para o desenvolvimento global e defensora da ordem internacional. Olhando para o futuro, sob a firme liderança do Partido, a China continuará a erguer a bandeira da paz, do desenvolvimento, da cooperação e do benefício mútuo, a promover os valores comuns da humanidade, a impulsionar a formação de um novo tipo de relações internacionais, a implementar os quatro grandes iniciativas globais e a trabalhar com todos os países para construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, rumo a um futuro ainda mais brilhante para toda a humanidade.

¨      Alguém duvida que o futuro fala mandarim? Por Washington Araújo

Existe uma diferença silenciosa separando a China de boa parte do mundo contemporâneo. Enquanto inúmeras democracias passam anos debatendo aeroportos, ferrovias, portos ou linhas de metrô, os chineses simplesmente os constroem. Não se trata apenas de eficiência administrativa. Trata-se de uma visão histórica de poder.

A China compreendeu algo que muitos governos ocidentais ainda resistem em admitir: infraestrutura também é linguagem política. Cada ponte gigantesca, cada trem ultrarrápido, cada porto automatizado envia ao planeta uma mensagem objetiva de capacidade nacional.

O impacto psicológico disso é imenso.

Durante décadas, turistas estrangeiros viajavam aos países ricos para enxergar o futuro. Hoje, parte crescente desse espanto ocorre em Xangai, Shenzhen, Chongqing ou Hangzhou. O visitante desembarca esperando encontrar uma potência industrial clássica e encontra cidades hiperconectadas, onde o celular substituiu carteira, banco, bilhete de metrô e até documentos cotidianos.

A surpresa não nasce apenas da tecnologia. Nasce da escala.

O Ocidente construiu a imagem da China como oficina disciplinada do capitalismo global. Mas Pequim aproveitou esse período para fazer algo mais sofisticado: estudar o funcionamento das grandes potências enquanto acumulava recursos, conhecimento e paciência estratégica.

A paciência talvez seja o elemento menos compreendido da política chinesa.

Os Estados Unidos pensam em eleições presidenciais. A China pensa em décadas. Em alguns setores, pensa em meio século. Essa diferença altera profundamente a natureza das decisões econômicas e industriais.

Não é coincidência que os chineses tenham avançado justamente nas áreas que definirão poder no século XXI: baterias, inteligência artificial, energia limpa, minerais estratégicos, telecomunicações e logística global.

Há outro detalhe raramente discutido no Ocidente: a China não tenta vender ao mundo um modelo ideológico universal. Ela oferece resultados concretos. Estradas. Investimentos. Ferrovias. Crédito. Portos. Redes digitais.

Isso produz influência diplomática crescente em países cansados de discursos abstratos sobre democracia, acompanhados de pouca cooperação econômica efetiva.

A ascensão chinesa também desmontou um velho preconceito europeu e americano: a ideia de que inovação sofisticada seria monopólio cultural do Ocidente. Durante muito tempo, produtos chineses foram associados a cópias baratas. Hoje, empresas chinesas lideram setores inteiros da transição energética e desafiam gigantes tradicionais da indústria mundial.

Mas talvez o aspecto mais impressionante seja outro.

A China não está apenas crescendo. Está alterando a imaginação do planeta sobre o que significa modernidade. Durante mais de cem anos, modernizar-se significava aproximar-se do modelo ocidental. Pela primeira vez desde a Revolução Industrial, surge uma potência capaz de oferecer outro caminho de desenvolvimento em escala global.

Isso ajuda a explicar a tensão crescente entre Pequim e Washington.

Os Estados Unidos percebem que perder fábricas é grave. Perder tecnologia preocupa ainda mais. Mas perder centralidade simbólica talvez seja o golpe mais profundo. Impérios também sobrevivem de narrativas.

E a narrativa chinesa já começou a disputar o século.

¨      Carros inteligentes da China podem dominar 20% do mercado europeu e causa temor nas montadoras ocidentais

A indústria automobilística europeia entrou em uma nova fase de pressão. A China deixou de ser apenas fornecedora de peças e virou concorrente direta no coração do mercado ocidental.

Um relatório do JPMorgan projeta que as montadoras chinesas poderão controlar 20% do mercado de carros novos da Europa Ocidental até 2028. A previsão representa uma revisão forte: antes, o banco estimava que os carros chineses poderiam chegar a 15% das entregas apenas em 2030.

O dado mostra a velocidade da mudança. Em 2025, os carros chineses, incluindo veículos exportados da China e modelos produzidos localmente, já representavam 10% das vendas de carros novos na Europa Ocidental, segundo o South China Morning Post, com base na análise do JPMorgan.

A ofensiva chinesa combina preço, tecnologia embarcada, eletrificação e escala industrial. Não se trata apenas de vender carros elétricos mais baratos. As empresas chinesas chegam com veículos conectados, sistemas inteligentes de assistência ao motorista, baterias competitivas e ciclos de lançamento mais rápidos que os das montadoras tradicionais.

O avanço ocorre em um momento delicado para a Europa. A transição para o carro elétrico exige investimentos bilionários, adaptação de fábricas, redes de recarga, produção de baterias e mudança no comportamento do consumidor. Enquanto isso, a China já construiu uma cadeia industrial altamente integrada, com domínio relevante em baterias, software, componentes e produção em massa.

A Agência Internacional de Energia informou que quase metade das vendas de carros na China em 2024 já era de veículos elétricos. O país também respondeu por quase dois terços dos elétricos vendidos no mundo naquele ano. Esse volume dá às montadoras chinesas uma vantagem difícil de replicar: mercado interno gigantesco, aprendizado acelerado e produção em escala.

Na Europa, a pressão já aparece nos números. A ACEA, associação das montadoras europeias, informou que os carros elétricos a bateria alcançaram 19,4% do mercado da União Europeia no primeiro trimestre de 2026, com 546.937 unidades registradas. Itália, França e Alemanha registraram fortes altas nesse segmento.

Esse crescimento abriu espaço para marcas como BYD, SAIC, Geely, Chery, MG, Omoda, Jaecoo e Leapmotor. Algumas avançam por exportação direta. Outras buscam produção local, parcerias industriais e redes próprias de distribuição para reduzir barreiras políticas e logísticas.

A BYD se tornou o símbolo mais visível dessa mudança. Segundo a Reuters, a empresa planeja ampliar sua rede comercial na Europa e já trabalha para produzir veículos no continente. A companhia constrói fábricas na Hungria e na Turquia, com capacidade combinada estimada em cerca de 500 mil veículos por ano.

A estratégia é clara: vender como marca chinesa, mas produzir cada vez mais perto do consumidor europeu. Isso ajuda a reduzir custos, contornar tarifas, criar empregos locais e diminuir a resistência política contra a entrada de veículos fabricados na China.

A União Europeia já reagiu. Em 2024, a Comissão Europeia impôs tarifas compensatórias sobre veículos elétricos chineses, alegando subsídios considerados injustos à cadeia de produção chinesa. As alíquotas definitivas foram de 17% para a BYD, 18,8% para a Geely e 35,3% para a SAIC, além de outras taxas conforme o fabricante.

Mas as tarifas não resolveram o problema central. Elas podem desacelerar parte das importações, mas não eliminam a vantagem tecnológica, industrial e de custo acumulada pela China. Também empurram as empresas chinesas para uma resposta mais sofisticada: fabricar dentro da própria Europa.

O impacto já mexe com gigantes ocidentais. A Stellantis, dona de marcas como Fiat, Peugeot, Citroën, Jeep e Opel, firmou parceria com a chinesa Leapmotor para vender e produzir modelos fora da China. A lógica é defensiva e pragmática: se as montadoras europeias não conseguem competir sozinhas em preço e velocidade, parte delas passa a buscar tecnologia chinesa para sobreviver.

Esse movimento revela uma inversão histórica. Durante décadas, empresas ocidentais entraram na China para acessar mão de obra, mercado consumidor e escala. Agora, marcas chinesas entram na Europa com tecnologia, capital, baterias e carros prontos para disputar consumidores no território das montadoras tradicionais.

A disputa não é apenas comercial. É geopolítica. O automóvel sempre foi uma das bases da indústria europeia, especialmente na Alemanha, França, Itália e Espanha. Se a China conquistar 20% do mercado da Europa Ocidental até 2028, não será apenas uma vitória de vendas. Será uma mudança estrutural na cadeia global de valor.

Para os consumidores europeus, a chegada dos chineses pode significar carros mais baratos, mais tecnologia embarcada e maior competição. Para as montadoras locais, significa pressão sobre margens, fábricas, empregos e capacidade de inovação.

Para o Brasil, o sinal é ainda mais importante. A mesma disputa que se desenrola na Europa também chegará com força ao mercado brasileiro. A BYD já cresce no país, marcas chinesas ampliam presença e a eletrificação começa a redesenhar a indústria automotiva nacional.

A questão brasileira não deve ser apenas importar modelos prontos. O país precisa decidir se será mercado consumidor de uma nova onda tecnológica ou se usará essa transição para atrair fábricas, produzir baterias, desenvolver fornecedores locais e proteger sua capacidade industrial.

A projeção do JPMorgan mostra que a China não está apenas participando da transição energética. Está tentando comandá-la. E, no setor automotivo, esse comando passa por baterias, software, conectividade, escala e preço.

A Europa percebeu tarde que o carro do futuro não é apenas um motor elétrico no lugar de um motor a combustão. É uma plataforma digital sobre rodas. Nesse campo, a China avançou com velocidade, apoio estatal, planejamento industrial e empresas capazes de transformar escala em poder global.

Se a previsão se confirmar, em 2028 um em cada cinco carros novos vendidos na Europa Ocidental poderá ter origem chinesa. Esse número resume a nova realidade da indústria: o centro da inovação automotiva já não pertence sozinho ao Ocidente. E quem não entender isso corre o risco de virar passageiro em uma corrida comandada por Pequim.

 

Fonte: Brasil 247/O Cafezinho

 

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