quarta-feira, 8 de julho de 2026

Denise Assis: Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar com um verdadeiro arsenal de guerra

Jair Bolsonaro vai permanecer em casa. Em “prisão domiciliar humanitária”. A notícia, apesar de ter constado das primeiras páginas dos jornalões, mereceu espaço pequeno. Do tamanho do personagem. Bolsonaro, hoje, é apenas um novelão, que tem como pano de fundo, suas desavenças. Como diz o sambinha: “essa família muito unida/e também muito ouriçada/brigam por qualquer razão” …

(O que o juiz não especificou, mas fica subentendido, é que o ato humanitário, na verdade, é para com a gente, que se livra dessa ave agourenta frequentando as páginas políticas a cada “visita” que recebia na Papudinha, como anteriormente à domiciliar). 

Para justificar – e nem precisava, melhor assim -, a continuidade da domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o condenou a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, alegou as tais “comorbidades”. Pesou, também, o fato de (conforme o combinado com a defesa do custodiado, na véspera da decisão), o episódio da arma encontrada em seu nome, numa blitz em Taguatinga, não ter sido considerada “falta grave”.

Aí, vamos verificar com mais vagar… Quero crer que nesse particular, o ministro/juiz não quis descer a detalhes para encobrir uma “falta grave” sua. (Dele, Moraes). Senão vejamos.

Ao decidir que Bolsonaro iria cumprir a sua pena em casa, referente a um crime gravíssimo, o de atentar contra o Estado de Direito e contra a democracia, era de se esperar que dentre as medidas cautelares houvesse a determinação de que o “custodiado” – adoro usar essa palavra para definir Jair -, não poderia estar de posse de uma arma. Certo? E, elementar, meu caro Watson, mandar fazer na residência/prisão, uma varredura.

Sim, se assim tivesse procedido teria evitado mais essa “travessura” de Jair. E, não só. Alexandre de Moraes teria descoberto que Bolsonaro detinha em casa um arsenal – eu disse um arsenal -, maior ou igual ao que o ex-deputado federal Roberto Jeferson usou para atentar contra os policiais federais que foram buscá-lo em casa. Só faltou a granada.

Em tempos de “normalidade” para o que não é normal, constatei que não houve espanto para com a quantidade de armas descritas na decisão de Alexandre de Moraes, todas de posse de Bolsonaro, e que devem ser entregues à Polícia Federal, no prazo de 48 horas, a fim de que ele, Jair, fique em casa cumprindo a sua pena sem mais fuzarca.

Para tomar tais providências, Moraes fez um contorcionismo, delegando á PGR – como se não fosse de seu dever se não jurídico, pelo menos político -, proceder a varredura no cenário que serviria para a “domiciliar humanitária”.

Ao que o procurador respondeu: “A efetiva consumação da “falta grave”, prevista no art. 50, III da Lei de Execução Penal, entretanto, não foi comprovada, como destacado pelo Procurador Geral da República: “A conclusão da autoridade policial, no que se refere a Jair Bolsonaro, tem, efetivamente, bom suporte nas circunstâncias apuradas do episódio. Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena”. Pronto. Nem Jair cometeu falta grave, tampouco Alexandre de Moraes foi relapso ao não inspecionar a casa antes de mandar para lá um preso com um armário lotado de armas, sendo ele um CAC…

Bastava uma breve consulta na listagem de matrículas de CACs, tão badalados no período em que este ser ocupou a Presidência, para tomar pé do arsenal que agora lhe cabe mandar, sejam apresentados à Polícia Federal. E, claro, anular o certificado de CAC que Bolsonaro indevidamente ostentou até esta sexta-feira (03/07).  Resultado: agora, com tudo devidamente pacificado, as armas serão entregues e Jair pode ter para brincar apenas um baralho, a televisão, ou um tabuleiro de damas. Mas para que os senhores que chegaram até aqui, não pensem que estou exagerando, confiram a relação completa do armamento. Tem para todos os gostos. De pistola 9mm a carabina, passando por fuzil e outras modalidades. Vamos à determinação de Moraes e a elas:

“DETERMINO, ainda, a REVOGAÇÃO do:

1) Porte de arma do custodiado e a apreensão da pistola, marca/modelo Glock, calibre 9mm;

2) Certificado de Registro (CR) de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do custodiado, bem como a imediata apreensão de todas as armas de fogo a ele vinculadas, relacionadas a seguir:

1 – Pistola Forjas Taurus, número de série KVJ78119, calibre .380 Automatic (permitido), registro SIGMA nº 77886.

2 – Pistola Forjas Taurus, número de série SGW80868, calibre .40 Smith & Wesson (restrito), registro SIGMA nº 754078.

3 – Pistola Glock, número de série BDFW477, calibre 9×19 COLOmm Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 881733.

4 – Carabina/Fuzil Caracal, número de série 16C167687, calibre 5,56×45 mm (restrito), registro SIGMA nº 1097009.

5 – Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001.

6 – Pistola Caracal, número de série 11C150018, calibre 9×19 mm Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 1097029.

7 – Carabina/Fuzil Springfield Armory, número de série 1198953, calibre 7,62×51 mm (restrito), registro SIGMA nº 1070836.

8 – Espingarda Typhoon, número de série JMB0001, calibre 12 GA (restrito), registro SIGMA nº 1386851.

9 – Pistola Arex, número de série 0038, calibre 9×19 mm

10 – Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 1632503.

11 – Pistola SIG-Sauer, número de série M17091397, calibre 9×19 mm Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 1784434.

12 – Espingarda Maestro Arms Company, número de série 481-H21YD-1017, calibre 12 GA (permitido), registro SIGMA nº 1816471.

A Defesa deverá entregar à Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal as armas acima indicadas no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.

Uma dúzia, senhoras e senhores, dos brinquedos mais perigosos para se ter em casa. E estavam no interior da residência situada em um condomínio de luxo de Brasília, alugada à família Bolsonaro.

•        Pra que tanta arma, Jair? Por Moisés Mendes

Todo o esforço para dar complexidade à guerra da família Bolsonaro sempre tropeça em coisas simplórias. Agora, enquanto um comentarista pernóstico da GloboNews foi ao Império Otomano e citou o sultão Mehmed II para falar de Bolsonaro, dos filhos e de Michelle, ficamos sabendo que a família guardava 10 armas em casa.

Todas em nome do chefe da organização criminosa. Uma organização armada que iria matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, mas não sabia usar armas. Não tinha nem mesmo lugar de fala e histórico para defender o porte de armas nas ruas.

Bolsonaro é um armamentista que teve uma pistola roubada por assaltantes, no Rio, quando era tenente, nos anos 70. Perdeu a arma que deveria defendê-lo. Já como presidente, passou vexame ao tentar praticar tiro ao alvo com uma arma que, por alerta de Carluxo, ele não sabia engatilhar.

Por que então ter 10 armas em casa, se uma das pistolas, apreendida com um segurança da casa, estava sem o dispositivo que aciona a espoleta, exatamente para que não fosse usada por Bolsonaro? Inutilizaram a pistola para que seu dono não pudesse dispará-la.

Descobrimos a existência do arsenal porque, ao renovar o direito à prisão domiciliar, Moraes nos informou que Bolsonaro tem seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Deve entregá-las à Justiça.

É parte do acervo a pistola Glock de calibre 9 mm apreendida ao acaso com o segurança, que estava sem o percussor da espoleta. Havia também uma pistola Taurus, calibre .380. Esse tipo de arma dessa marca já rendeu notícias por falhar com frequência.

Bolsonaro tinha em casa uma pistola que não poderia usar, por receio de manuseio inadequado – em consequência de distúrbios atribuídos pela defesa ao uso de remédios – e outra pistola que poderia falhar.

Das carabinas e espingardas, nada se sabe. O que é certo é que Bolsonaro foi condenado como líder do golpe e que o plano dependeria de ação armada. Foi enquadrado pelo Supremo como chefe de organização criminosa armada.

Condenado a 27 anos de cadeia, estava em casa desfrutando do direito de ser cuidado pela família por ter problemas de saúde. Esse sujeito, incapaz de manusear uma arma e mesmo assim chefe de uma organização armada, estava preso em casa com um arsenal de 10 armas.

Especialistas, sempre requisitados pelos jornalões para explicar o inexplicável, disseram que nada impede um condenado em prisão domiciliar de ter armas em casa. Um preso poderia ter a posse de armas porque a legislação não trata dessa questão.

Todo esse tempo, Bolsonaro estava armado na condição de ‘colecionador’, sem que ninguém, além da família, soubesse de nada. E os especialistas dizendo que é assim mesmo.

O que o caso denuncia, para muito além das controvérsias, é que a era Bolsonaro esperneia e sobrevive ao se manifestar das mais variadas formas: pela candidatura brancaleone do filho ungido, pela vitalidade da madrasta do filho, pelas sabotagens articuladas nos Estados Unidos pelo outro filho e pelo esforço da grande imprensa em apresentar a família como protagonista de normalidades.

O fascismo vivo, a tentativa de equivalência entre Lula e Flávio, a madrasta vingativa que implode a direita, o filho Eduardo conspirando com Trump contra o Brasil, a incapacidade do sistema de Justiça de conter essa gente – tudo isso ainda tem cara de normalidade.

É dado como normal que se debata, porque tudo deve ser debatido, se Bolsonaro pode ter armas em casa, mesmo que tenha sido condenado como golpista chefe de uma organização armada. Armas são parte da vida deles, mesmo que não só o pai saiba usar armas. Há indícios de que nenhum Bolsonaro sabe dar um tiro.

No Brasil de Tim Maia é assim. Uma família armamentista tem armas, faz arminhas com os dedos, simula tiros, mas não sabe pegar uma arma. Assim como os kids pretos que planejaram os assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes não fizeram nenhum disparo, por covardia e incompetência.

As armas encontradas com Bolsonaro talvez não servissem para nada, nem para municiar golpistas. Mas eram parte da ostentação cenográfica do extremismo bolsonarista, que nem dar um tiro sabe.

 

Fonte: Brasil 247

 

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