Denise
Assis: Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar com um verdadeiro arsenal de
guerra
Jair
Bolsonaro vai permanecer em casa. Em “prisão domiciliar humanitária”. A
notícia, apesar de ter constado das primeiras páginas dos jornalões, mereceu
espaço pequeno. Do tamanho do personagem. Bolsonaro, hoje, é apenas um novelão,
que tem como pano de fundo, suas desavenças. Como diz o sambinha: “essa família
muito unida/e também muito ouriçada/brigam por qualquer razão” …
(O que
o juiz não especificou, mas fica subentendido, é que o ato humanitário, na
verdade, é para com a gente, que se livra dessa ave agourenta frequentando as
páginas políticas a cada “visita” que recebia na Papudinha, como anteriormente
à domiciliar).
Para
justificar – e nem precisava, melhor assim -, a continuidade da domiciliar, o
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o condenou
a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, alegou as tais “comorbidades”.
Pesou, também, o fato de (conforme o combinado com a defesa do custodiado, na
véspera da decisão), o episódio da arma encontrada em seu nome, numa blitz em
Taguatinga, não ter sido considerada “falta grave”.
Aí,
vamos verificar com mais vagar… Quero crer que nesse particular, o
ministro/juiz não quis descer a detalhes para encobrir uma “falta grave” sua.
(Dele, Moraes). Senão vejamos.
Ao
decidir que Bolsonaro iria cumprir a sua pena em casa, referente a um crime
gravíssimo, o de atentar contra o Estado de Direito e contra a democracia, era
de se esperar que dentre as medidas cautelares houvesse a determinação de que o
“custodiado” – adoro usar essa palavra para definir Jair -, não poderia estar
de posse de uma arma. Certo? E, elementar, meu caro Watson, mandar fazer na
residência/prisão, uma varredura.
Sim, se
assim tivesse procedido teria evitado mais essa “travessura” de Jair. E, não
só. Alexandre de Moraes teria descoberto que Bolsonaro detinha em casa um
arsenal – eu disse um arsenal -, maior ou igual ao que o ex-deputado federal
Roberto Jeferson usou para atentar contra os policiais federais que foram
buscá-lo em casa. Só faltou a granada.
Em
tempos de “normalidade” para o que não é normal, constatei que não houve
espanto para com a quantidade de armas descritas na decisão de Alexandre de
Moraes, todas de posse de Bolsonaro, e que devem ser entregues à Polícia
Federal, no prazo de 48 horas, a fim de que ele, Jair, fique em casa cumprindo
a sua pena sem mais fuzarca.
Para
tomar tais providências, Moraes fez um contorcionismo, delegando á PGR – como
se não fosse de seu dever se não jurídico, pelo menos político -, proceder a
varredura no cenário que serviria para a “domiciliar humanitária”.
Ao que
o procurador respondeu: “A efetiva consumação da “falta grave”, prevista no
art. 50, III da Lei de Execução Penal, entretanto, não foi comprovada, como
destacado pelo Procurador Geral da República: “A conclusão da autoridade
policial, no que se refere a Jair Bolsonaro, tem, efetivamente, bom suporte nas
circunstâncias apuradas do episódio. Não há imputar ao sentenciado falta
disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena”.
Pronto. Nem Jair cometeu falta grave, tampouco Alexandre de Moraes foi relapso
ao não inspecionar a casa antes de mandar para lá um preso com um armário
lotado de armas, sendo ele um CAC…
Bastava
uma breve consulta na listagem de matrículas de CACs, tão badalados no período
em que este ser ocupou a Presidência, para tomar pé do arsenal que agora lhe
cabe mandar, sejam apresentados à Polícia Federal. E, claro, anular o
certificado de CAC que Bolsonaro indevidamente ostentou até esta sexta-feira
(03/07). Resultado: agora, com tudo
devidamente pacificado, as armas serão entregues e Jair pode ter para brincar
apenas um baralho, a televisão, ou um tabuleiro de damas. Mas para que os
senhores que chegaram até aqui, não pensem que estou exagerando, confiram a
relação completa do armamento. Tem para todos os gostos. De pistola 9mm a
carabina, passando por fuzil e outras modalidades. Vamos à determinação de
Moraes e a elas:
“DETERMINO,
ainda, a REVOGAÇÃO do:
1)
Porte de arma do custodiado e a apreensão da pistola, marca/modelo Glock,
calibre 9mm;
2)
Certificado de Registro (CR) de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador
(CAC) do custodiado, bem como a imediata apreensão de todas as armas de fogo a
ele vinculadas, relacionadas a seguir:
1 –
Pistola Forjas Taurus, número de série KVJ78119, calibre .380 Automatic
(permitido), registro SIGMA nº 77886.
2 –
Pistola Forjas Taurus, número de série SGW80868, calibre .40 Smith & Wesson
(restrito), registro SIGMA nº 754078.
3 –
Pistola Glock, número de série BDFW477, calibre 9×19 COLOmm Parabellum
(restrito), registro SIGMA nº 881733.
4 –
Carabina/Fuzil Caracal, número de série 16C167687, calibre 5,56×45 mm
(restrito), registro SIGMA nº 1097009.
5 –
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001.
6 –
Pistola Caracal, número de série 11C150018, calibre 9×19 mm Parabellum
(restrito), registro SIGMA nº 1097029.
7 –
Carabina/Fuzil Springfield Armory, número de série 1198953, calibre 7,62×51 mm
(restrito), registro SIGMA nº 1070836.
8 –
Espingarda Typhoon, número de série JMB0001, calibre 12 GA (restrito), registro
SIGMA nº 1386851.
9 –
Pistola Arex, número de série 0038, calibre 9×19 mm
10 –
Parabellum (restrito), registro SIGMA nº 1632503.
11 –
Pistola SIG-Sauer, número de série M17091397, calibre 9×19 mm Parabellum
(restrito), registro SIGMA nº 1784434.
12 –
Espingarda Maestro Arms Company, número de série 481-H21YD-1017, calibre 12 GA
(permitido), registro SIGMA nº 1816471.
A
Defesa deverá entregar à Superintendência da Polícia Federal do Distrito
Federal as armas acima indicadas no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.
Uma
dúzia, senhoras e senhores, dos brinquedos mais perigosos para se ter em casa.
E estavam no interior da residência situada em um condomínio de luxo de
Brasília, alugada à família Bolsonaro.
• Pra que tanta arma, Jair? Por Moisés
Mendes
Todo o
esforço para dar complexidade à guerra da família Bolsonaro sempre tropeça em
coisas simplórias. Agora, enquanto um comentarista pernóstico da GloboNews foi
ao Império Otomano e citou o sultão Mehmed II para falar de Bolsonaro, dos
filhos e de Michelle, ficamos sabendo que a família guardava 10 armas em casa.
Todas
em nome do chefe da organização criminosa. Uma organização armada que iria
matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, mas não sabia usar armas. Não tinha
nem mesmo lugar de fala e histórico para defender o porte de armas nas ruas.
Bolsonaro
é um armamentista que teve uma pistola roubada por assaltantes, no Rio, quando
era tenente, nos anos 70. Perdeu a arma que deveria defendê-lo. Já como
presidente, passou vexame ao tentar praticar tiro ao alvo com uma arma que, por
alerta de Carluxo, ele não sabia engatilhar.
Por que
então ter 10 armas em casa, se uma das pistolas, apreendida com um segurança da
casa, estava sem o dispositivo que aciona a espoleta, exatamente para que não
fosse usada por Bolsonaro? Inutilizaram a pistola para que seu dono não pudesse
dispará-la.
Descobrimos
a existência do arsenal porque, ao renovar o direito à prisão domiciliar,
Moraes nos informou que Bolsonaro tem seis pistolas, duas carabinas e duas
espingardas. Deve entregá-las à Justiça.
É parte
do acervo a pistola Glock de calibre 9 mm apreendida ao acaso com o segurança,
que estava sem o percussor da espoleta. Havia também uma pistola Taurus,
calibre .380. Esse tipo de arma dessa marca já rendeu notícias por falhar com
frequência.
Bolsonaro
tinha em casa uma pistola que não poderia usar, por receio de manuseio
inadequado – em consequência de distúrbios atribuídos pela defesa ao uso de
remédios – e outra pistola que poderia falhar.
Das
carabinas e espingardas, nada se sabe. O que é certo é que Bolsonaro foi
condenado como líder do golpe e que o plano dependeria de ação armada. Foi
enquadrado pelo Supremo como chefe de organização criminosa armada.
Condenado
a 27 anos de cadeia, estava em casa desfrutando do direito de ser cuidado pela
família por ter problemas de saúde. Esse sujeito, incapaz de manusear uma arma
e mesmo assim chefe de uma organização armada, estava preso em casa com um
arsenal de 10 armas.
Especialistas,
sempre requisitados pelos jornalões para explicar o inexplicável, disseram que
nada impede um condenado em prisão domiciliar de ter armas em casa. Um preso
poderia ter a posse de armas porque a legislação não trata dessa questão.
Todo
esse tempo, Bolsonaro estava armado na condição de ‘colecionador’, sem que
ninguém, além da família, soubesse de nada. E os especialistas dizendo que é
assim mesmo.
O que o
caso denuncia, para muito além das controvérsias, é que a era Bolsonaro
esperneia e sobrevive ao se manifestar das mais variadas formas: pela
candidatura brancaleone do filho ungido, pela vitalidade da madrasta do filho,
pelas sabotagens articuladas nos Estados Unidos pelo outro filho e pelo esforço
da grande imprensa em apresentar a família como protagonista de normalidades.
O
fascismo vivo, a tentativa de equivalência entre Lula e Flávio, a madrasta
vingativa que implode a direita, o filho Eduardo conspirando com Trump contra o
Brasil, a incapacidade do sistema de Justiça de conter essa gente – tudo isso
ainda tem cara de normalidade.
É dado
como normal que se debata, porque tudo deve ser debatido, se Bolsonaro pode ter
armas em casa, mesmo que tenha sido condenado como golpista chefe de uma
organização armada. Armas são parte da vida deles, mesmo que não só o pai saiba
usar armas. Há indícios de que nenhum Bolsonaro sabe dar um tiro.
No
Brasil de Tim Maia é assim. Uma família armamentista tem armas, faz arminhas
com os dedos, simula tiros, mas não sabe pegar uma arma. Assim como os kids
pretos que planejaram os assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes não fizeram
nenhum disparo, por covardia e incompetência.
As
armas encontradas com Bolsonaro talvez não servissem para nada, nem para
municiar golpistas. Mas eram parte da ostentação cenográfica do extremismo
bolsonarista, que nem dar um tiro sabe.
Fonte:
Brasil 247

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