Diabetes
e ciclo menstrual: como a alimentação pode ajudar a lidar com as variações
hormonais do mês
Para
mulheres com diabetes tipo 1 ou tipo 2, o controle glicêmico não depende apenas
da alimentação e da medicação. O próprio ciclo menstrual influencia a forma
como o corpo responde à insulina.
Isso
acontece porque os hormônios femininos, estrogênio e progesterona, variam ao
longo de cada fase do ciclo. Ao fazer isso, alteram diretamente o metabolismo
da glicose.
Nesse
contexto, o Portal Um Diabético ouviu a endocrinologista Denise Franco. A
especialista explica o que acontece no organismo em cada etapa do ciclo e
mostra como a alimentação pode ser uma ferramenta de apoio, sem substituir o
ajuste médico da insulina ou de outros medicamentos.
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Por que o ciclo menstrual interfere na glicemia
O
mecanismo central é a chamada resistência cíclica à insulina. Ela se
intensifica principalmente na fase lútea, período entre a ovulação e o início
da menstruação de quem tem diabetes.
Nessa
fase, a progesterona sobe de forma expressiva. Segundo a especialista, esse
aumento reduz parcialmente a eficiência da insulina no organismo.
“A
progesterona, que predomina na segunda metade do ciclo, tem efeito contrário ao
da insulina em determinados tecidos. Isso explica por que muitas mulheres com
diabetes relatam glicemias mais altas e necessidade de ajustar a dose de
insulina nos dias que antecedem a menstruação”, explica a endocrinologista
Denise Franco.
Já na
fase folicular, que vai do fim da menstruação até a ovulação, o estrogênio
predomina e tende a favorecer maior sensibilidade à insulina. Portanto, é comum
que o controle glicêmico fique relativamente mais previsível nessa primeira
metade do ciclo, em comparação à segunda.
<><>O
que muda em cada fase do ciclo
Conhecer
o padrão hormonal de cada fase ajuda a antecipar variações na glicemia e a
ajustar o prato com mais estratégia. Veja o resumo de cada etapa.
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Fases do ciclo e efeito esperado na glicemia
• Fase menstrual: queda de estrogênio e
progesterona, com tendência a maior estabilidade glicêmica para a maioria das
mulheres com diabetes.
• Fase folicular: estrogênio em ascensão,
maior sensibilidade à insulina e controle glicêmico geralmente mais previsível.
• Ovulação: pico de estrogênio, com
sensibilidade à insulina ainda favorável na maior parte dos casos.
• Fase lútea: progesterona em ascensão,
maior resistência à insulina, aumento do risco de hiperglicemia e do desejo por
doces.
Vale
destacar que essa resposta varia de mulher para mulher e também conforme o tipo
de diabetes. Por isso, observar a glicemia ao longo do ciclo e registrar essas
informações ajuda a identificar o padrão individual.
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O que priorizar no prato em cada fase
Não
existe um alimento isolado capaz de equilibrar os hormônios femininos. No
entanto, segundo a endocrinologista, um padrão alimentar rico em fibras,
proteínas, gorduras boas e carboidratos de qualidade ajuda a suavizar esse
impacto. Esse efeito é especialmente relevante na fase lútea, quando a
resistência à insulina é maior.
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Estratégias por fase do ciclo
# Fase
menstrual: priorize alimentos fonte de ferro, como carnes magras, leguminosas e
folhas verde-escuras, associados a uma fonte de vitamina C para melhorar a
absorção.
# Fase
folicular: esse costuma ser um período de maior sensibilidade à insulina.
Mantenha refeições equilibradas, com proteína magra, vegetais e carboidratos
integrais.
#
Ovulação: mantenha fibras e gorduras boas no prato, como azeite, abacate e
peixes, que ajudam a sustentar uma resposta glicêmica mais estável.
# Fase
lútea: redobre a atenção às porções de carboidratos, priorize fontes ricas em
fibras e inclua proteínas em todas as refeições para reduzir picos de fome e de
glicemia.
“Na
fase lútea, recomendo reforçar a fibra e a proteína em todas as refeições,
exatamente para compensar a resistência à insulina que já é esperada nesse
momento do ciclo. Pequenos ajustes na composição do prato fazem diferença real
na glicemia”, explica Denise Franco.
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Fitoestrógenos: sem evidência robusta para indicação
Soja,
linhaça e grão-de-bico contêm fitoestrógenos, compostos vegetais que interagem
de forma mais discreta com os receptores de estrogênio do corpo. No entanto, a
endocrinologista alerta que não há evidências científicas robustas para indicar
esses compostos como estratégia de controle hormonal ou glicêmico para mulheres
com diabetes.
Nesse
sentido, é preciso entender que esses alimentos podem compor uma dieta
equilibrada por outros motivos, como o teor de fibras. Mas isso é diferente de
recomendar fitoestrógenos como ferramenta terapêutica.
O
contexto da dieta como um todo é o que determina o impacto real sobre a
glicemia. Qualquer suplementação deve ser discutida com o médico responsável
pelo tratamento.
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Atenção ao jejum prolongado e aos ultraprocessados
Para
quem tem diabetes, ficar longos períodos sem comer pode ter o efeito contrário
ao desejado. Isso vale especialmente na tentativa de compensar o desejo por
doces, comum na fase lútea.
Jejuns
prolongados favorecem maiores oscilações da glicemia. Além disso, aumentam o
risco de hipoglicemia, especialmente em quem utiliza insulina.
Outro
ponto de atenção é o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, assim
como de bebidas alcoólicas e refeições muito salgadas. Esses hábitos podem
favorecer a retenção de líquidos e aumentar a instabilidade da glicemia, efeito
que costuma ser mais perceptível justamente nos dias em que o organismo já está
mais sensível às variações hormonais. Isso não significa eliminar totalmente
esses alimentos, mas ajustar a frequência e a quantidade consumidas.
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O que você pode fazer agora
A
orientação é conversar com seu endocrinologista sobre possíveis ajustes na dose
de insulina conforme a fase do ciclo. Considere também o acompanhamento de um
nutricionista para adequar o plano alimentar ao seu perfil hormonal.
Por
fim, a Dra. Denise Franco destaca que entender o próprio padrão hormonal é uma
ferramenta de autonomia e não uma fonte adicional de culpa. As variações da
glicemia relacionadas ao ciclo menstrual são esperadas e, com ajustes pontuais
na alimentação e no tratamento, podem ser administradas com mais segurança.
Fonte:
Um Diabético

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