quinta-feira, 9 de julho de 2026

Guerra volta a esquentar no Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques "poderosos" contra o Irã após três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou nesta terça-feira (7/7) que atingiu mais de 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) no estreito.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou os ataques americanos como uma violação do memorando firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado e alertou que Teerã iria "tomar medidas decisivas" em resposta.

A imprensa estatal iraniana informou que os bombardeios atingiram a ilha de Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, onde pessoas ficaram feridas por estilhaços. Nenhuma morte foi registrada.

Segundo o Centcom, além das 60 pequenas embarcações, os EUA também atingiram instalações de lançamento de mísseis iranianos e bases militares. O órgão não informou a localização dos alvos.

Os Estados Unidos haviam dito que haveria consequências para o que classificaram como ataques "totalmente inaceitáveis" contra três navios-tanque.

Os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda e terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.

Em comunicado publicado na rede social X na noite desta terça-feira, o Centcom afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques iranianos".

"A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o Centcom.

Em uma cúpula da Otan que está sendo realizada em Ancara, na Turquia, o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, disse que as ações americanas foram "absolutamente necessárias", acusando o Irã de violar o acordo de cessar-fogo.

"Considero fundamental que os EUA reajam com firmeza", disse Rutte nesta quarta-feira (08/07).

Também nesta quarta, há relatos de alarmes soando no Bahrein, depois que o Irã disse ter atacado 85 instalações militares americanas estratégicas no Porto de Salman, área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em uma operação conjunta com mísseis e drones.

As forças armadas iranianas também afirmam ter atacado a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait.

Segundo o comunicado, a ação ocorre em resposta a ataques militares dos EUA lançados contra "várias bases costeiras e instalações civis ao longo da costa da província de Hormozgan e de Mahshahr".

Os preços do petróleo registraram leve alta após os ataques americanos. O barril de petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3%, chegando a US$ 76. Os preços haviam recuado para os níveis anteriores ao conflito após o acordo de trégua entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado.

<><> Volta de sanções

Antes dos ataques, o Departamento do Tesouro dos EUA havia revogado, ainda na terça-feira, uma autorização temporária que suspendia sanções contra o petróleo iraniano.

A licença, que permitia ao Irã vender petróleo e derivados, fazia parte do memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã no mês passado.

Um comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro nesta terça informou que seria concedido um período de transição até 17 de julho para as transações que haviam sido permitidas pela isenção.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a decisão viola o memorando e demonstra a "má-fé, inconsistência e falta de confiabilidade" do governo dos Estados Unidos.

A pasta acrescentou que Teerã "tomará todas as medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses nacionais e sua segurança nacional".

Antes do anúncio da nova ofensiva pelo Centcom, um integrante do governo americano, sob condição de anonimato, afirmou que os negociadores do país continuariam trabalhando "de boa-fé" para alcançar um acordo definitivo com o Irã.

Catar e Arábia Saudita também condenaram os incidentes. Os dois países disseram que petroleiros de suas bandeiras foram atingidos enquanto navegavam pelo Estreito de Ormuz ou em suas proximidades e responsabilizaram o Irã.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou que o país considera o Irã "totalmente responsável" pelo aparente ataque direcionado ao navio Al-Rekayyat, que transitava próximo ao estreito.

Em publicação na rede social X, Al Ansari pediu que o Irã "cesse imediatamente todas as práticas que comprometem a segurança regional" e "deixe de colocar em risco o abastecimento global de energia e os recursos dos países da região em busca de interesses restritos".

Em outra publicação na rede social, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita afirmou que o petroleiro saudita Wadyan também foi atingido enquanto cruzava o Estreito de Ormuz. Segundo a pasta, os ataques representam "uma ameaça à segurança da navegação internacional e ao abastecimento mundial de energia".

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as acusações do Catar como "contrárias ao princípio da boa vizinhança".

Em comunicado publicado no Telegram, Baghaei afirmou que embarcações comerciais que utilizam rotas não coordenadas com o Irã ou manipulam seus sistemas de rastreamento correm risco de colisão e dificultam os esforços do país para "garantir uma travessia segura" pelo Estreito de Ormuz.

Segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um petroleiro que navegava pelo estreito reportou um incêndio após um projétil de origem desconhecida atingir a casa de máquinas na segunda-feira.

Em outros dois episódios registrados na terça-feira, um petroleiro foi atingido ao deixar o estreito, mas conseguiu seguir viagem até o porto de destino. Outro sofreu danos estruturais leves após ser atingido, informou a organização.

O memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado prorrogou o cessar-fogo entre os dois países.

O acordo, composto por 14 pontos, prevê o fim das hostilidades "em todas as frentes", estabelece que o Irã nunca desenvolverá uma arma nuclear e cria um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do país, embora os EUA não sejam obrigados a financiá-lo.

Como parte do entendimento, Irã e Omã, que dividem a costa do Estreito de Ormuz, deverão negociar com outros países do Golfo a futura administração e os serviços marítimos na região.

Teerã fechou, na prática, o Estreito de Ormuz — rota por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo — após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.

Durante o conflito, o Irã buscou reforçar sua soberania sobre a passagem marítima, criando a chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, responsável, segundo o governo iraniano, por administrar autorizações para uma "passagem segura".

A agência estatal iraniana Fars informou que, pelo novo acordo com os EUA, o estreito passaria a ser administrado pelo Irã em coordenação com Omã, incluindo a possibilidade de cobrança de taxas de serviço das embarcações que utilizarem a hidrovia.

¨      Trump diz que cessar-fogo 'acabou'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (08/07) que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã "acabou", após uma troca de ataques entre os dois países.

Quando perguntado por um jornalista em uma cúpula da aliança militar Otan na Turquia se o cessar-fogo acabou, Trump respondeu: "É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou."

"Não quero mais lidar com eles. Eles são escória", disse o presidente dos EUA.

"São pessoas doentes, lideradas por pessoas doentes. São pessoas cruéis e violentas. Se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam. Para mim, acabou."

"É pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos."

No mês passado, Teerã e Washington haviam assinado um memorando de entendimento de 14 páginas com o objetivo de prorrogar o cessar-fogo e negociar o fim do conflito em todas as frentes.

Trump afirmou nesta quarta que os negociadores poderão continuar conversando, mas "acho que estão perdendo tempo".

Os operadores do mercado de petróleo reagiram rapidamente às falas de Trump.

Pouco antes de suas declarações, o barril de petróleo estava cotado a pouco menos de US$ 76. Às 5h45 (horário de Brasília), o preço ultrapassava US$ 78 e parecia estar subindo.

No final da terça-feira, o Comando Central dos EUA informou ter atacado mais de 80 alvos iranianos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica.

Em resposta, o Irã afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait.

Os ataques dos EUA ocorreram após investidas, no início da semana, contra três petroleiros no Estreito de Ormuz. O Irã não assumiu responsabilidade direta por essas ações.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse nesta quarta-feira que os ataques dos EUA foram "absolutamente necessários", acusando o Irã de "basicamente violar o cessar-fogo".

Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirma que foram os EUA que romperam a trégua.

<><> Novos ataques

Na terça-feira, os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra o Irã após três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que atingiu mais de 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã no estreito.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou os ataques americanos como uma violação do memorando firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado e alertou que Teerã iria "tomar medidas decisivas" em resposta.

A imprensa estatal iraniana informou que os bombardeios atingiram a ilha de Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, onde pessoas ficaram feridas por estilhaços. Nenhuma morte foi registrada.

Segundo o Centcom, além das 60 pequenas embarcações, os EUA também atingiram instalações de lançamento de mísseis iranianos e bases militares. O órgão não informou a localização dos alvos.

Os EUA haviam dito que haveria consequências para o que classificaram como ataques "totalmente inaceitáveis" contra três navios-tanque.

Os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda e terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Não houve registro de vítimas.

Em comunicado publicado na rede social X na noite de terça-feira, o Centcom afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques iranianos".

"A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", afirmou o Centcom.

Nesta quarta-feira, há relatos de alarmes soando no Bahrein, depois que o Irã disse ter atacado 85 instalações militares americanas estratégicas no Porto de Salman, área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em uma operação conjunta com mísseis e drones.

As forças armadas iranianas também afirmam ter atacado a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait.

Segundo o comunicado, a ação ocorre em resposta a ataques militares dos EUA lançados contra "várias bases costeiras e instalações civis ao longo da costa da província de Hormozgan e de Mahshahr".

Os preços do petróleo registraram leve alta após os ataques americanos. O barril de petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3%, chegando a US$ 76.

Os preços haviam recuado para os níveis anteriores ao conflito após o acordo de trégua entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado.

¨      Forças Armadas do Irã prometem resposta decisiva a ataques dos Estados Unidos no sul do país

O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã prometeu dar uma resposta decisiva aos ataques dos Estados Unidos no sul do Irã, informou a imprensa estatal iraniana nesta quarta-feira (8).

O comando afirmou que os EUA realizaram o ataque, ignorando seus compromissos, e enquanto o Irã estava de luto. As Forças Armadas do Irã alertaram que darão uma resposta decisiva à agressão americana.

A declaração enfatizou que Teerã não permitirá que os EUA interfiram nos assuntos do estreito de Ormuz ou em sua gestão. Reafirmou também que a única passagem segura para navios comerciais e petroleiros através do estreito é a rota designada pela República Islâmica do Irã.

<><> EUA concluíram nova rodada de ataques ao Irã

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) declarou que as tropas norte-americanas concluíram a nova rodada de ataques contra o Irã, com cerca de 80 alvos atingidos.

"As forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) concluíram uma nova rodada de ataques ofensivos contra o Irã em 7 de julho, atingindo mais de 80 alvos com munições de precisão como resposta imediata aos ataques mais recentes do Irã a navios comerciais que transitavam pelo estreito de Ormuz."

As forças dos EUA teriam atingido sistemas de defesa aérea iranianos, instalações de comando e controle, estações de radar costeiras, sistemas de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, dentro e nas proximidades do estreito de Ormuz, visando enfraquecer a capacidade do Irã de atacar navios mercantes na região.

"O Irã atacou recentemente três navios comerciais que transitavam pelo estreito, incluindo o M/T Al Rekayyat (com bandeira das Ilhas Marshall), o M/T Wedyan (com bandeira da Arábia Saudita) e o M/T Cyprus Prosperity (com bandeira da Libéria)."

Autoridades americanas afirmaram haver indícios de envolvimento iraniano nos ataques às embarcações, mas Teerã ainda não comentou as acusações. A medida representa um novo revés nas negociações entre Washington e Teerã, e ameaça comprometer o acordo firmado entre os dois países há pouco mais de duas semanas.

<><> Bahrein e Kuwait mobilizam defesas aéreas

Sirenes de ataque aéreo foram acionadas no Bahrein, e os moradores foram orientados a se proteger em locais seguros, informou o Ministério do Interior do país.

"A sirene foi acionada. Cidadãos e residentes devem manter a calma e dirigir-se ao local seguro mais próximo."

O exército do Kuwait informou que a defesa aérea do país estava interceptando mísseis e drones hostis.

"As defesas aéreas do Kuwait estão respondendo a ameaças de mísseis e drones hostis. O Estado-Maior das Forças Armadas do Kuwait confirma que quaisquer explosões que possam ser ouvidas são resultado da interceptação de alvos hostis pelos sistemas de defesa aérea."

Horas depois, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que Teerã atacou bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait em retaliação a ataques americanos contra o Irã.

"Em uma resposta inicial à agressão, as forças navais e aeroespaciais do IRGC realizaram uma operação conjunta e atacaram 85 instalações militares importantes da 5ª Frota da Marinha dos EUA no porto de Salman, no Bahrein, bem como a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, utilizando drones e mísseis."

Relatos indicam também que os militares iranianos derrubaram um drone americano MQ-9.

 

Fonte: BBC News/Sputnik Brasil

 

Nenhum comentário: