Guerra
volta a esquentar no Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos lançaram uma
série de ataques "poderosos" contra o Irã após três embarcações comerciais
serem atingidas no Estreito de Ormuz.
O
Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou nesta terça-feira (7/7)
que atingiu mais de 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da
Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) no estreito.
O
vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou os
ataques americanos como uma violação do memorando firmado entre Estados
Unidos e Irã no mês passado e alertou que Teerã iria "tomar medidas
decisivas" em resposta.
A
imprensa estatal iraniana informou que os bombardeios atingiram a ilha de
Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, onde pessoas ficaram feridas por estilhaços.
Nenhuma morte foi registrada.
Segundo
o Centcom, além das 60 pequenas embarcações, os EUA também atingiram
instalações de lançamento de mísseis iranianos e bases militares. O órgão não
informou a localização dos alvos.
Os
Estados Unidos haviam dito que haveria consequências para o que classificaram
como ataques "totalmente inaceitáveis" contra três navios-tanque.
Os três
petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda e
terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO).
Não houve registro de vítimas.
Em
comunicado publicado na rede social X na noite desta terça-feira, o Centcom
afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques
iranianos".
"A
agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do
cessar-fogo", afirmou o Centcom.
Em uma
cúpula da Otan que está sendo realizada em Ancara, na Turquia, o
secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, disse que as ações americanas
foram "absolutamente necessárias", acusando o Irã de violar o acordo
de cessar-fogo.
"Considero
fundamental que os EUA reajam com firmeza", disse Rutte nesta quarta-feira
(08/07).
Também
nesta quarta, há relatos de alarmes soando no Bahrein, depois que o Irã disse
ter atacado 85 instalações militares americanas estratégicas no Porto de
Salman, área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em uma operação conjunta com
mísseis e drones.
As
forças armadas iranianas também afirmam ter atacado a Base Aérea Ali Al Salem,
no Kuwait.
Segundo
o comunicado, a ação ocorre em resposta a ataques militares dos EUA lançados
contra "várias bases costeiras e instalações civis ao longo da costa da
província de Hormozgan e de Mahshahr".
Os
preços do petróleo registraram leve alta após os ataques americanos. O barril
de petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3%, chegando a US$
76. Os preços haviam recuado para os níveis anteriores ao conflito após o
acordo de trégua entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado.
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Volta de sanções
Antes
dos ataques, o Departamento do Tesouro dos EUA havia revogado, ainda na
terça-feira, uma autorização temporária que suspendia sanções contra o petróleo
iraniano.
A
licença, que permitia ao Irã vender petróleo e derivados, fazia parte do
memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã no mês passado.
Um
comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro nesta terça informou
que seria concedido um período de transição até 17 de julho para as transações
que haviam sido permitidas pela isenção.
O
Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a decisão viola o
memorando e demonstra a "má-fé, inconsistência e falta de
confiabilidade" do governo dos Estados Unidos.
A pasta
acrescentou que Teerã "tomará todas as medidas que considerar necessárias
para proteger seus interesses nacionais e sua segurança nacional".
Antes
do anúncio da nova ofensiva pelo Centcom, um integrante do governo americano,
sob condição de anonimato, afirmou que os negociadores do país continuariam
trabalhando "de boa-fé" para alcançar um acordo definitivo com o Irã.
Catar e
Arábia Saudita também condenaram os incidentes. Os dois países disseram que
petroleiros de suas bandeiras foram atingidos enquanto navegavam pelo Estreito
de Ormuz ou em suas proximidades e responsabilizaram o Irã.
O
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari,
afirmou que o país considera o Irã "totalmente responsável" pelo
aparente ataque direcionado ao navio Al-Rekayyat, que transitava próximo ao
estreito.
Em
publicação na rede social X, Al Ansari pediu que o Irã "cesse
imediatamente todas as práticas que comprometem a segurança regional" e
"deixe de colocar em risco o abastecimento global de energia e os recursos
dos países da região em busca de interesses restritos".
Em
outra publicação na rede social, o Ministério das Relações Exteriores da Arábia
Saudita afirmou que o petroleiro saudita Wadyan também foi atingido enquanto
cruzava o Estreito de Ormuz. Segundo a pasta, os ataques representam "uma
ameaça à segurança da navegação internacional e ao abastecimento mundial de
energia".
Já o
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei,
classificou as acusações do Catar como "contrárias ao princípio da boa
vizinhança".
Em
comunicado publicado no Telegram, Baghaei afirmou que embarcações comerciais
que utilizam rotas não coordenadas com o Irã ou manipulam seus sistemas de
rastreamento correm risco de colisão e dificultam os esforços do país para
"garantir uma travessia segura" pelo Estreito de Ormuz.
Segundo
a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO), um petroleiro que
navegava pelo estreito reportou um incêndio após um projétil de origem
desconhecida atingir a casa de máquinas na segunda-feira.
Em
outros dois episódios registrados na terça-feira, um petroleiro foi atingido ao
deixar o estreito, mas conseguiu seguir viagem até o porto de destino. Outro
sofreu danos estruturais leves após ser atingido, informou a organização.
O
memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã no mês passado
prorrogou o cessar-fogo entre os dois países.
O
acordo, composto por 14 pontos, prevê o fim das hostilidades "em todas as
frentes", estabelece que o Irã nunca desenvolverá uma arma nuclear e cria
um fundo de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução e o
desenvolvimento econômico do país, embora os EUA não sejam obrigados a
financiá-lo.
Como
parte do entendimento, Irã e Omã, que dividem a costa do Estreito de Ormuz,
deverão negociar com outros países do Golfo a futura administração e os
serviços marítimos na região.
Teerã
fechou, na prática, o Estreito de Ormuz — rota por onde normalmente passa cerca
de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo — após os ataques
dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.
Durante
o conflito, o Irã buscou reforçar sua soberania sobre a passagem marítima,
criando a chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, responsável, segundo
o governo iraniano, por administrar autorizações para uma "passagem
segura".
A
agência estatal iraniana Fars informou que, pelo novo acordo com os EUA, o
estreito passaria a ser administrado pelo Irã em coordenação com Omã, incluindo
a possibilidade de cobrança de taxas de serviço das embarcações que utilizarem
a hidrovia.
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Trump diz que cessar-fogo 'acabou'
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse
nesta quarta-feira (08/07) que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã "acabou",
após uma troca de ataques entre os dois países.
Quando
perguntado por um jornalista em uma cúpula da aliança militar Otan na Turquia
se o cessar-fogo acabou, Trump respondeu: "É uma pergunta muito
interessante. Para mim, acho que acabou."
"Não
quero mais lidar com eles. Eles são escória", disse o presidente dos EUA.
"São
pessoas doentes, lideradas por pessoas doentes. São pessoas cruéis e violentas.
Se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam. Para mim, acabou."
"É
pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos."
No mês
passado, Teerã e Washington haviam assinado um
memorando de entendimento de 14 páginas com o objetivo de prorrogar o
cessar-fogo e negociar o fim do conflito em todas as frentes.
Trump
afirmou nesta quarta que os negociadores poderão continuar conversando, mas
"acho que estão perdendo tempo".
Os
operadores do mercado de petróleo reagiram rapidamente às falas de Trump.
Pouco
antes de suas declarações, o barril de petróleo estava cotado a pouco menos de
US$ 76. Às 5h45 (horário de Brasília), o preço ultrapassava US$ 78 e parecia
estar subindo.
No
final da terça-feira, o Comando Central dos EUA informou ter atacado mais de 80
alvos iranianos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda
Revolucionária Islâmica.
Em
resposta, o Irã afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e
no Kuwait.
Os
ataques dos EUA ocorreram após investidas, no início da semana, contra três
petroleiros no Estreito de Ormuz. O Irã não assumiu responsabilidade direta por
essas ações.
O
secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse nesta quarta-feira que os ataques
dos EUA foram "absolutamente necessários", acusando o Irã de
"basicamente violar o cessar-fogo".
Já o
presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirma que foram
os EUA que romperam a trégua.
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Novos ataques
Na
terça-feira, os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra o Irã após
três embarcações comerciais serem atingidas no Estreito de Ormuz.
O
Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que atingiu mais de 80
alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária
Islâmica do Irã no estreito.
O
vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou os
ataques americanos como uma violação do memorando firmado entre Estados Unidos
e Irã no mês passado e alertou que Teerã iria "tomar medidas
decisivas" em resposta.
A
imprensa estatal iraniana informou que os bombardeios atingiram a ilha de
Qeshm, Bandar Abbas e Sirik, onde pessoas ficaram feridas por estilhaços.
Nenhuma morte foi registrada.
Segundo
o Centcom, além das 60 pequenas embarcações, os EUA também atingiram
instalações de lançamento de mísseis iranianos e bases militares. O órgão não
informou a localização dos alvos.
Os EUA
haviam dito que haveria consequências para o que classificaram como ataques
"totalmente inaceitáveis" contra três navios-tanque.
Os três
petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda e
terça-feira, segundo a agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO).
Não houve registro de vítimas.
Em
comunicado publicado na rede social X na noite de terça-feira, o Centcom
afirmou que os bombardeios foram realizados "em resposta aos ataques
iranianos".
"A
agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do
cessar-fogo", afirmou o Centcom.
Nesta
quarta-feira, há relatos de alarmes soando no Bahrein, depois que o Irã disse
ter atacado 85 instalações militares americanas estratégicas no Porto de
Salman, área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em uma operação conjunta com
mísseis e drones.
As
forças armadas iranianas também afirmam ter atacado a Base Aérea Ali Al Salem,
no Kuwait.
Segundo
o comunicado, a ação ocorre em resposta a ataques militares dos EUA lançados
contra "várias bases costeiras e instalações civis ao longo da costa da
província de Hormozgan e de Mahshahr".
Os
preços do petróleo registraram leve alta após os ataques americanos. O barril
de petróleo Brent, referência internacional, subiu mais de 3%, chegando a US$
76.
Os
preços haviam recuado para os níveis anteriores ao conflito após o acordo de
trégua entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado.
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Forças Armadas do Irã prometem resposta decisiva a
ataques dos Estados Unidos no sul do país
O
Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã prometeu dar uma resposta
decisiva aos ataques dos Estados Unidos no sul do Irã, informou a imprensa
estatal iraniana nesta quarta-feira (8).
O
comando afirmou que os EUA realizaram o
ataque, ignorando
seus compromissos, e enquanto o Irã estava de luto. As Forças Armadas do Irã
alertaram que darão uma resposta decisiva à agressão americana.
A
declaração enfatizou que Teerã não permitirá que os EUA interfiram nos
assuntos do estreito de Ormuz ou em sua
gestão. Reafirmou também que a única passagem segura para navios comerciais e
petroleiros através do estreito é a rota designada pela República Islâmica
do Irã.
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EUA concluíram nova rodada de ataques ao Irã
O
Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) declarou que as tropas
norte-americanas concluíram a nova rodada de ataques contra o Irã,
com cerca de 80 alvos atingidos.
"As
forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) concluíram uma nova rodada de
ataques ofensivos contra o Irã em 7 de julho, atingindo mais de 80 alvos com
munições de precisão como resposta imediata aos ataques mais recentes do Irã a
navios comerciais que transitavam pelo estreito de Ormuz."
As
forças dos EUA teriam atingido sistemas de defesa aérea
iranianos, instalações de comando e controle, estações de radar
costeiras, sistemas de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas
embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, dentro e nas
proximidades do estreito de Ormuz, visando enfraquecer a capacidade do Irã
de atacar navios
mercantes na região.
"O
Irã atacou recentemente três navios comerciais que transitavam pelo estreito,
incluindo o M/T Al Rekayyat (com bandeira das Ilhas Marshall), o M/T Wedyan
(com bandeira da Arábia Saudita) e o M/T Cyprus Prosperity (com bandeira da
Libéria)."
Autoridades
americanas afirmaram haver indícios de envolvimento iraniano nos ataques às
embarcações, mas Teerã ainda não comentou as acusações. A medida representa um
novo revés nas negociações entre Washington e Teerã, e ameaça comprometer
o acordo firmado entre os dois países há pouco mais de duas semanas.
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Bahrein e Kuwait mobilizam defesas aéreas
Sirenes
de ataque aéreo foram acionadas no Bahrein, e os moradores foram
orientados a se proteger em locais seguros, informou o Ministério do Interior
do país.
"A
sirene foi acionada. Cidadãos e residentes devem manter a calma e dirigir-se ao
local seguro mais próximo."
O
exército do Kuwait informou que a defesa aérea do país estava
interceptando mísseis e drones hostis.
"As
defesas aéreas do Kuwait estão respondendo a ameaças de mísseis e drones
hostis. O Estado-Maior das Forças Armadas do Kuwait confirma que quaisquer
explosões que possam ser ouvidas são resultado da interceptação de alvos hostis
pelos sistemas de defesa aérea."
Horas
depois, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou
que Teerã atacou bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait em retaliação a
ataques americanos contra o Irã.
"Em
uma resposta inicial à agressão, as forças navais e aeroespaciais do IRGC
realizaram uma operação conjunta e atacaram 85 instalações militares
importantes da 5ª Frota da Marinha dos EUA no porto de Salman, no Bahrein, bem
como a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, utilizando drones e
mísseis."
Relatos
indicam também que os militares iranianos derrubaram um drone americano
MQ-9.
Fonte:
BBC News/Sputnik Brasil

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