OTAN
sob pressão: 4 sinais de declínio da aliança militar
Em meio
a divergências entre Europa e Estados Unidos, aumento dos gastos militares
e questionamentos internos, aliança enfrenta desafios à sua coesão às vésperas
da reunião em Ancara.
A
próxima cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Ancara,
na Turquia, está prevista para ocorrer entre 7 e 8 de julho, reunindo líderes
dos membros da aliança para discutir temas como o aumento dos gastos com
defesa e os principais conflitos internacionais, com destaque para o
da Ucrânia.
Enquanto
busca definir estratégias para o conflito ucraniano, os países europeus
seguem arcando com parte significativa dos custos políticos, econômicos e
militares do apoio a Kiev, ao mesmo tempo em que lidam com sucessivos
questionamentos dos Estados Unidos sobre o nível de comprometimento de
Washington com a segurança da aliança.
O
encontro acontece em meio a um cenário de incertezas e desgastes, uma vez que a
Europa permanece atrelada a uma estrutura que serve cada vez menos a seus
interesses, e cada vez mais à sua própria subjugação. A Sputnik Brasil
reuniu alguns dos principais sinais do declínio da OTAN.
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Falta de coordenação de crises pelo mundo
Desde o
fim da Guerra Fria, a OTAN expandiu sua atuação para além do que diz ser
defesa. Na década de 1990, lançou o Diálogo Mediterrâneo, aproximando
países do Norte da África e do Oriente Médio, e, em 2004, criou
a Iniciativa de Cooperação de Istambul, estreitando laços militares com
monarquias do Golfo.
Essas
iniciativas ampliaram a influência da aliança em regiões fora de sua alçada e
serviram de base para operações como a invasão da Líbia, em 2011, cuja
consequência foi o colapso do Estado líbio e anos de instabilidade. Após a
destruição causada, a aliança passou a tratar os fluxos migratórios rumo à
Europa como uma questão de segurança, classificando a chamada "instrumentalização
da migração" como uma ameaça híbrida.
Além
disso, o conflito na Ucrânia aprofundou divergências entre os Estados Unidos e
seus aliados europeus sobre os rumos da OTAN. Enquanto Washington passou a
defender com mais frequência uma saída negociada para o conflito e a
redução de seu envolvimento, países como Reino Unido, França, Alemanha e os
Estados Bálticos mantiveram a assistência militar a Kiev e prolongaram as
hostilidades.
As
diferenças também ficaram evidentes no Oriente Médio. Apesar do apoio político
a Israel, a maioria dos governos europeus evitou participar diretamente de
uma escalada militar contra o Irã, privilegiando apoio logístico, em contraste
com a atitude belicista dos Estados Unidos. O presidente norte-americano,
Donald Trump, chegou a classificar a OTAN como um "tigre de papel" e
afirmou que considerava retirar os Estados Unidos da aliança após a recusa dos
europeus.
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Ameaça militar dos EUA contra a Europa
Antes
mesmo das divergências sobre a guerra no Oriente Médio, a OTAN já havia sido
abalada por um episódio que expôs as fissuras entre seus integrantes. Ao
reafirmar o interesse
estratégico na Groenlândia, território autônomo do Reino da Dinamarca, o
governo dos Estados Unidos afirmou que a ilha poderia ser incorporada por
meio de uma negociação e não descartou o uso da força caso seus objetivos
não fossem atendidos.
A
postura foi reforçada na nova Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, assinada
pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, que estabelece o controle da
Groenlândia como uma prioridade estratégica e prevê uma postura mais assertiva
na defesa dos interesses norte-americanos. Antes dessas
ameaças, Washington havia invadido a Venezuela e sequestrado o líder
Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro, hoje preso em solo estadunidense.
O
documento também sinaliza um recuo do compromisso de Washington com a segurança
europeia ao afirmar que os países devem ser responsáveis pela própria defesa.
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Cobrança por gastos em defesa e rearmamento
Sob
forte pressão do governo Trump, os gastos em defesa dos membros europeus
da OTAN aumentaram 20%, alcançando US$ 574 bilhões (cerca de R$ 2,96
trilhões), enquanto elevam os investimentos militares para 5% do PIB até
2035. Apesar do compromisso, a aliança enfrenta dificuldades para transformar
essas promessas em realidade.
Diversos
governos europeus já enfrentam resistência política interna diante do impacto que o
aumento dos gastos militares pode causar sobre os orçamentos públicos, em
um contexto de baixo crescimento econômico e pressão por investimentos em áreas
sociais. Além disso, a indústria de defesa tem encontrado dificuldades para
ampliar rapidamente sua capacidade de produção, acumulando atrasos na entrega
de equipamentos mesmo após a assinatura de contratos bilionários.
As
dificuldades são agravadas pelas limitações das próprias capacidades militares
europeias. O Reino Unido dispõe hoje de apenas uma fração da frota naval que
possuía décadas atrás, enquanto a Alemanha passou anos sem cumprir sequer a
antiga meta de investir 2% do PIB em defesa, mantendo também menos de 200 mil
militares na ativa — número muito inferior ao cerca de 1,3 milhão das Forças
Armadas dos Estados Unidos.
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Anúncio de saída de membros da aliança
Além
das ameaças dos Estados Unidos de reduzir seu compromisso com a OTAN ou até
mesmo abandonar a aliança, o debate sobre a permanência passou a ganhar espaço
dentro da própria Europa. Nos últimos meses, lideranças políticas de diferentes
países passaram a defender publicamente a revisão da participação de seus
Estados na organização, alegando que a aliança deixou de atender aos interesses
nacionais e passou a impor elevados custos econômicos, militares e diplomáticos
aos seus integrantes.
Um dos
casos mais emblemáticos ocorreu na Eslovênia. Em maio, o presidente
do parlamento, Zoran Stevanovic, anunciou a intenção de convocar um referendo
sobre a saída do país da OTAN. Embora a iniciativa ainda dependa de apoio
político para avançar, analistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam que o
episódio expõe um crescente
descontentamento de
parte da sociedade e da classe política com as diretrizes adotadas pela
aliança.
Na
França, um dos membros fundadores da OTAN, o debate também voltou à cena. O
líder do partido Patriotas, Florian Philippot, defendeu
novamente a retirada francesa da organização e a retomada de um diálogo
direto com a Rússia. Para o político, a permanência compromete a soberania da
política externa e subordina as decisões de Paris aos interesses estratégicos
de Washington.
O
surgimento de iniciativas desse tipo representa mais um sintoma do desgaste
político da OTAN e das dificuldades internas em preservar sua coesão diante das
transformações do cenário internacional.
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OTAN está se expandindo para envolver Estados neutros em guerra, diz analista
A
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) quer envolver o maior número
possível de países na guerra, declarou à Sputnik Patrick Poppel, analista
político austríaco.
Poppel
salientou que as tentativas de envolver cada vez mais Estados neutros na OTAN ou,
pelo menos, de aproximá-los dessa aliança são preparativos concretos para a
guerra.
"É
impossível explicar de outra forma. Tudo isso é feito com um grau muito alto de
envolvimento. A todo custo, procuram incluir o maior número possível de
Estados que ainda não são membros da OTAN. Isso é de fundamental
importância", ressaltou.
Conforme
destacou o interlocutor da agência, a Áustria neutra também é fortemente
afetada por isso.
Nos
últimos anos, a Rússia observou uma atividade sem
precedentes da OTAN perto
de suas fronteiras ocidentais. A aliança está ampliando suas iniciativas e
chama isso de contenção da agressão.
Moscou
expressou repetidamente sua preocupação com o aumento das forças do bloco na
Europa. O Ministério das
Relações Exteriores russo declarou abertura para o diálogo com a OTAN, mas em
pé de igualdade, e exigiu que o Ocidente abandone o curso de militarização
do continente.
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OTAN inflama 'ameaça chinesa' para justificar relevância e presença no Indo‑Pacífico
OTAN é
acusada de inflar a narrativa de uma "ameaça dos mísseis chineses"
antes da cúpula de Ancara, usando um teste rotineiro de míssil para justificar
sua relevância e ampliar presença na Ásia‑Pacífico, enquanto críticas apontam
que a aliança revive lógicas da Guerra Fria e busca pretextos para expandir sua
influência.
De acordo com um artigo
publicado no Global Times, a Organização do Tratado do Atlântico Norte
(OTAN) estaria tentando inflar a ideia de uma "ameaça dos mísseis
chineses" antes da cúpula de Ancara, em uma estratégia descrita como
calculada para justificar sua
relevância e
ampliar sua influência na Ásia‑Pacífico.
Segundo
o artigo, essa ideia "ignora que o Pacífico comporta o desenvolvimento
pacífico de todas as nações e não deveria ser transformado em palco de
disputas herdadas da Guerra Fria".
O
artigo relata que o secretário‑geral da
OTAN,
Mark Rutte, teria usado um teste rotineiro de
míssil lançado
por submarino realizado por Pequim para reforçar a tese de que a aliança
"não pode ser ingênua" diante da China.
Ainda
na terça-feira (7), o governo chinês sustentou por meio de comunicados que
o exercício não foi dirigido a nenhum país e obedeceu à todas as regras
internacionais — como a notificação de países relevantes. Mas, de acordo
com a publicação, a OTAN estaria forçando sua interpretação para enquadrá‑lo como
ameaça,
levantando a dúvida sobre quem realmente precisa dessa narrativa.
Ainda
segundo o texto, Rutte afirmou ter discutido o tema por mensagem com o ministro
da Defesa do Japão, alegando que eventos no Indo‑Pacífico afetariam o Atlântico
Norte. Entretanto, a análise da mídia asiática questiona essa posição,
lembrando que o teste ocorreu em águas internacionais, com aviso prévio
aos países da região, sem violar soberania. Para a mídia, a preocupação da OTAN
revelaria uma tentativa de expandir sua esfera
de influência para
o Pacífico.
A
publicação contextualiza que a cúpula de Ancara foi vista como momento de
reafirmação de lealdade aos EUA, em um cenário em que países europeus enfrentam
pressões por gastos militares e divergências estratégicas. Protestos contra a
OTAN teriam
marcado o encontro, e o texto argumenta que a aliança, descrita como
"relíquia da Guerra Fria", estaria exagerando a importância de
exercícios alheios para manter relevância.
O
artigo lembra que testes de mísseis são prática comum entre
potências militares,
incluindo membros centrais da OTAN, e que a mídia costuma tratá‑los como
exercícios rotineiros, revelando, no caso da China, uma mentalidade de
confronto.
A
análise também destaca que a interação entre Rutte e o ministro japonês exporia
a intenção de aprofundar a presença da OTAN na Ásia‑Pacífico. A aliança já
teria firmado programas de parceria com Japão, Austrália e Nova Zelândia,
movimento interpretado como busca de pretextos para expansão, alinhado
aos interesses de
setores militaristas japoneses. O texto contrapõe esse avanço ao histórico
chinês de não iniciar guerras desde 1949.
O
artigo questiona quem se beneficiaria da atuação da OTAN na região, afirmando
que a China mantém uma política de defesa defensiva, arsenal nuclear
mínimo e ausência de corrida armamentista.
Por
fim, o texto defende que a OTAN deveria abandonar o uso das capacidades
militares chinesas como instrumento político. "Rotular a China como ameaça
enquanto se tenta avançar até suas fronteiras seria, segundo o Global Times,
uma manobra desajeitada que não convenceria a região". O Pacífico,
afirma a análise, deve permanecer espaço de
convivência pacífica,
não de ressurgimento de lógicas da Guerra Fria.
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Principal ameaça à OTAN não é Trump, mas divergências
internas na Europa, alerta mídia
A
próxima cúpula da OTAN em Ancara pode acabar sendo um completo fracasso,
segundo relatos da imprensa. Com a persistência da desconfiança dentro da União
Europeia (UE), a questão não é mais apenas se os EUA serão um bom aliado, mas
se os Estados-membros do bloco serão capazes de ser bons aliados entre si,
acrescentaram.
Em meio
aos desentendimentos de Trump com líderes como o primeiro-ministro espanhol
Pedro Sánchez e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o secretário-geral
da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, optou por
uma cúpula breve, com poucas
reuniões e uma declaração conjunta ao final.
No
entanto, a imprensa enfatiza que as
divergências com Trump não são o principal desafio do evento. Os problemas da Europa continuam sendo
os mesmos que assolam a aliança há décadas: protecionismo industrial,
desconfiança entre os Estados-membros e a tendência de culpar os EUA por suas
dificuldades.
Como
exemplo, os planos para o desenvolvimento de um caça europeu conjunto
fracassaram em junho devido a disputas entre
França e Alemanha sobre
a distribuição dos benefícios econômicos. Além disso, Paris foi excluída do
maior projeto europeu de defesa aérea, que inclui mais de 20 países da OTAN, e
optou por desenvolver suas próprias tecnologias. Assim, a histórica
incapacidade dos países europeus de cooperarem torna-se uma fragilidade para a
aliança, enfatiza a publicação.
Outro
problema destacado pela mídia é a falta de
investimento em defesa por parte dos países europeus da OTAN durante
décadas, o que reduziu drasticamente suas capacidades militares.
O Reino
Unido, por exemplo, conserva apenas uma fração dos navios de guerra que
outrora possuía, enquanto a Alemanha falhou durante anos em atingir a meta de gastos da
aliança de
2% do produto interno bruto (PIB) e hoje tem menos de 200.000 militares da
ativa, em comparação com os 1,3 milhão dos Estados Unidos. Os aliados
europeus não podem prescindir das capacidades militares norte-americanas, como
transporte aéreo, reabastecimento em voo e coleta de informações no campo de
batalha, entre outras.
Na
cúpula de Haia de 2025, Rutte conseguiu que os países europeus aumentassem seus
gastos militares. Agora, seu principal desafio é garantir que esses fundos
sejam usados para fortalecer a aliança, enquanto ele busca mediar a incerteza
europeia e as tensões com Trump.
Vale
ressaltar que a cúpula em Ancara ocorre após recentes tensões entre Trump e
seus aliados europeus devido ao conflito com o Irã. Vários países
europeus suspenderam o acesso das tropas norte-americanas às suas bases
militares e se recusaram a ajudar a garantir a liberdade de navegação no
estreito de Ormuz. Em resposta, Trump ameaçou retirar-se da OTAN.
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Países da OTAN ficaram para trás em termos de
equipamentos militares devido aos drones com IA
Os
países da OTAN estão muito atrasados em termos de equipamentos militares devido
ao rápido desenvolvimento de drones com elementos de inteligência artificial
(IA) utilizados durante o conflito na Ucrânia, relata o Neue Zurcher Zeitung
(NZZ).
O
presidente dos EUA, Donald Trump, havia declarado anteriormente que os drones
haviam se tornado "máquinas de matar" durante o conflito na Ucrânia.
"Os
drones assumiram uma parte significativa dos combates na Ucrânia. No front
quase não restam tanques, obuseiros e grandes grupos de soldados. Para veículos
aéreos não tripulados, parcialmente controlados por inteligência artificial, eles são um alvo
muito fácil", lê-se na publicação.
Os
autores do artigo afirmam que as armas caras de alta tecnologia que os
países da OTAN possuem só podem, em medida limitada, suportar as novas
condições de guerra.
"Os
países da OTAN […] estão apenas começando a aprender como usar drones em
combate [....]. E se a OTAN estiver investindo dinheiro no lugar
errado?", conclui o jornal.
O
ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que qualquer
carga que contenha armas para a Ucrânia se tornará um alvo legítimo para a
Rússia. O Kremlin afirmou que o fornecimento de
armas à Ucrânia pelo
Ocidente não contribui para as negociações e terá um efeito negativo.
Fonte:
Sputnik Brasil

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