Neonazismo
no Brasil: origens do movimento supremacista que cresce cada vez mais no país
O
nazismo foi um dos movimentos ideológicos mais devastadores e influentes do
século XX. Embora a Alemanha nazista tenha sido derrotada na Segunda Guerra
Mundial, a ideologia persistiu, ressurgindo de diferentes formas em várias
partes do mundo — ...
nazismo
foi um dos movimentos ideológicos mais devastadores e influentes do século XX.
Embora a Alemanha nazista tenha sido derrotada na Segunda Guerra Mundial, a
ideologia persistiu, ressurgindo de diferentes formas em várias partes do mundo
— inclusive no Brasil.
Pouco
conhecido por muitos, o Brasil abrigou a maior célula nazista fora da Alemanha
durante o período anterior à Segunda Guerra. E, atualmente, enfrenta uma
preocupante onda de crescimento do neonazismo. Entenda a seguir como essa
ideologia chegou ao país, como se manifestou historicamente e por que está
voltando a ganhar espaço no século XXI.
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A presença do nazismo no Brasil
Durante
os anos 1930, com a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha, muitos imigrantes
alemães que viviam no Brasil passaram a simpatizar com o regime nazista. Com
uma comunidade germânica forte, especialmente nos estados do Sul (como Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), o Partido Nazista chegou a formar uma
base considerável de apoio no país.
De
acordo com registros históricos, o Brasil teve a maior seção do Partido Nazista
fora da Alemanha, com aproximadamente 2.900 filiados oficialmente registrados —
todos eles cidadãos alemães. A sede principal do partido no Brasil ficava em
São Paulo, mas havia núcleos em diversas cidades brasileiras com alta presença
de imigrantes germânicos.
Importante
destacar: somente alemães natos podiam se filiar ao partido, não brasileiros
descendentes. O partido promovia encontros, atividades culturais e até
propagandas alinhadas à ideologia nazista, mas tudo isso foi dissolvido
oficialmente após o Brasil romper relações diplomáticas com o Eixo e entrar na
guerra ao lado dos Aliados em 1942.
Após a
derrota da Alemanha nazista, o Partido Nazista foi banido, e suas atividades no
Brasil foram encerradas. No entanto, muitos nazistas fugitivos encontraram
abrigo em países da América do Sul, incluindo o Brasil, Argentina e Paraguai.
Casos como o do médico Josef Mengele, conhecido como o “Anjo da Morte”, que
viveu clandestinamente no Brasil, revelam como o país foi usado como
esconderijo por criminosos de guerra nazistas.
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O surgimento do neonazismo no Brasil
Com o
avanço da internet e das redes sociais, grupos extremistas começaram a se
reorganizar no Brasil a partir dos anos 2000, influenciados por ideias
racistas, xenofóbicas, antissemitas e autoritárias.
O
neonazismo brasileiro é caracterizado por:
- Grupos
organizados em fóruns e redes sociais;
- Uso de
simbologia nazista adaptada ou disfarçada;
- Discurso de ódio
contra judeus, negros, indígenas, LGBTQIA+, migrantes e imigrantes;
- Práticas
violentas e ataques a escolas, universidades e espaços públicos
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A ameaça atual: neonazismo no século XXI
Nos
últimos anos, o Brasil tem registrado um crescimento expressivo de grupos
neonazistas. Segundo levantamentos feitos por pesquisadores e órgãos de
segurança, há mais de 500 células neonazistas ativas no país, especialmente nas
regiões Sul e Sudeste.
Casos
de violência associada ao neonazismo se multiplicaram. Alguns ataques recentes
a escolas e eventos culturais revelaram conexões diretas com grupos extremistas
online. A retórica extremista, muitas vezes disfarçada de “liberdade de
expressão” ou “patriotismo”, também passou a circular com mais força em
ambientes políticos.
O
Brasil tem uma história complexa com o nazismo — desde a existência da maior
célula fora da Alemanha até o atual crescimento do neonazismo no país, com
movimentos políticos nacionalistas misturados com a religião. Hoje,
principalmente homens jovens estão se voltando para essa ideologia; eles
encontram uma comunidade em algumas redes sociais, que não monitoram os
conteúdos compartilhados, ou até, são coniventes. Cada vez mais, a necessidade
da monitoração se torna essencial.
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Adolescente com suástica nazista agride mulher trans em
Alagoas e filma crime
Um
adolescente de 16 anos foi apreendido na quinta-feira (9) em São Miguel dos
Campos, no interior de Alagoas, suspeito de agredir uma mulher trans de
43 anos em uma praça pública. O ataque aconteceu à noite, quando a vítima
voltava para a casa da mãe, e foi gravado por um segundo rapaz que acompanhava
o agressor. O jovem, que tem uma suástica tatuada no braço, foi autuado
por ato infracional equivalente a lesão corporal e discriminação, enquanto a
Polícia Civil apura sua possível conexão com grupos neonazistas.
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Agressão e apreensão
A
mulher trans voltava para a casa da mãe entre 22h e 23h quando foi surpreendida
pelo adolescente, que vestiu o capuz de um casaco antes de iniciar o ataque.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na delegacia, o agressor desferiu
socos e chutes na vítima, que sofreu lesões nos joelhos e nos braços. Um
segundo rapaz filmou toda a ação, e o vídeo foi compartilhado nas redes
sociais.
A
vítima relatou à polícia acreditar que foi atacada por causa de sua identidade
de gênero. Ela também declarou que o suspeito já havia perseguido outras
pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ anteriormente. O adolescente foi autuado em
flagrante e responderá por ato infracional equivalente a lesão corporal e
discriminação, de acordo com a Polícia Civil.
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Investigação e indícios de radicalização
O
adolescente tem uma suástica tatuada no braço, e a Polícia Civil investiga sua
possível relação com grupos de supremacia branca e ideologia nazista. O
delegado Bruno Fernandes, responsável pelo caso na 6ª Delegacia Regional de
Polícia, informou que o jovem já possui registros anteriores de atos de
violência. O celular do suspeito foi apreendido e será submetido à perícia.
A
polícia identificou indícios de que o adolescente participava de grupos de
ideologia nazista e publicava vídeos sobre o tema nas redes sociais. O amigo
que filmou a agressão também prestou depoimento, alegando não saber que o
colega atacaria a vítima. A combinação entre os símbolos exibidos pelo
agressor, o histórico de violência e o material encontrado nas redes aponta
para um perfil de radicalização que a investigação ainda precisa dimensionar
com precisão, especialmente após a análise do celular apreendido.
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Repercussão e contexto da transfobia em AL
A
Secretaria Municipal da Mulher e dos Direitos Humanos de São Miguel dos Campos
repudiou o episódio em nota, afirmando que “nada justifica qualquer ato de
agressão ou violência, especialmente contra pessoas em situação de
vulnerabilidade”, e cobrou a punição dos envolvidos na forma da lei. O caso
ocorre em um estado onde os registros de violência contra a população
LGBTQIAPN+ são persistentes e crescentes.
Dados
da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) mostram que o
estado registrou 42 casos de homofobia no ano anterior, sendo nove
classificados como transfobia. Nos cinco primeiros meses do ano corrente, já
foram notificados 23 episódios, incluindo sete de transfobia. Na capital
Maceió, foram contabilizados 28 casos no ano anterior, sete deles de transfobia,
e 14 ocorrências nos primeiros cinco meses deste ano, com três de transfobia.
Os dados da SSP-AL apontam ainda sete homicídios de pessoas LGBTQIAPN+ no
estado no ano anterior e quatro assassinatos confirmados até o momento no ano
atual. A transfobia, definida como discriminação, preconceito ou violência
contra pessoas transgênero, travestis ou transexuais em razão de sua identidade
de gênero, é criminalizada no Brasil e equiparada ao racismo por decisão do Supremo
Tribunal Federal.
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O enfrentamento ao ódio como política de Estado
Completando
três anos de trabalhos investigativos sobre o crescimento do discurso de ódio,
o extremismo e o neonazismo no Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos
(CNDH) chega no estado do Pará, propriamente em Belém, para fechar o circuito
das cinco regiões do país, trazendo na Relatoria Especial que foi instaurada em
junho de 2023, um conjunto de achados e desafios.
O
Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão público de controle e
promoção das políticas de direitos humanos no Brasil existe desde 1964 sendo
reordenado em 2014 através da lei nº 12.986/2014 e dentro de suas atribuições
acolheu uma denúncia formulada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que
apontou a existência de um crescimento das manifestações neonazistas no Brasil,
saltando de 72 células em 2015 para 1.117 em 2022.
Desde
então, o CNDH tem se dedicado a investigar a existência do discurso de ódio,
extremismo e neonazismo no Brasil, não só em variados episódios que vão se
alastrando pela sociedade e instituições do poder público, mas também como uma
vertente internacional, que não só ataca grupos em situação de vulnerabilidades
como os povos originários e comunidades tradicionais, mas também a democracia
como valor do Estado de direito.
Importante
registrar que a Organização das Nações Unidas (ONU) atualmente se dedica a esta
temática através da Relatoria Especial sobre Formas Contemporâneas de Racismo,
coordenada por Ashwini K.P. que tem submetido anualmente ao Conselho de
Direitos Humanos um relatório, apontando o crescimento acentuado no mundo de
células neonazistas encarnadas no discurso de ódio contra minorias, como os
povos indígenas e comunidades tradicionais.
Estar
na Região Norte do Brasil, no estado do Pará entre os dias 07 e 10 de julho de
2026, traduz-se como um esforço institucional da agenda do CNDH para certificar
que este problema não é uma patologia social de uma região ou
estado, mas um problema nacional, maior ou menor em determinados locais, que
precisa ser enfrentado com um conjunto de políticas públicas no campo social e
da segurança pública.
Após
três anos de trabalho da Relatoria Especial de Enfrentamento ao Discurso de
Ódio, extremismo e neonazismo do CNDH, o principal achado no mergulho empírico
da realidade nacional é que o Brasil não conta com uma Política Nacional para o
tema que possa articular os entes federados, especialmente no campo da
segurança pública. Atualmente, as respostas se dão de forma dispersa e
fragmentada de órgão a órgão.
É
possível também afirmar que atualmente o Brasil não conta com uma legislação
que seja capaz de dar as respostas adequadas de responsabilização, seja na
esfera criminal ou mesmo administrativa e civil. Trata-se de um problema
mundial, para além das fronteiras e que precisa ser tratado como crime de
competência federal.
O
recente episódio envolvendo uma rádio de ampla repercussão em Belém, em março
de 2026, na qual um programa veiculava discurso de ódio, preconceito e
xenofobia contra etnia Varão da Venezuela e que levou a uma
intervenção do Ministério Público Federal, constitui uma importante medida que
deixa evidente que o direito à liberdade de expressão não pode se confundir
como uma senha para as violações de direitos humanos.
Hoje,
de acordo com os parâmetros da ONU, o neonazismo é uma violência que se dá por
ataques e atos de violência contra a comunidade judaica e também aos grupos
minoritários e vulneráveis, como as representações étnicas-raciais do movimento
negro, povos indígenas, comunidades quilombolas, dos grupos LGBTI+, PCD-Pessoas
com Deficiência, Ciganos, entre outros.
É
preciso também abrir as janelas da educação e da cultura para que este
enfrentamento entre e ganhe a sociedade através de uma política pública de
Estado, com formação e prevenção no território, instituindo-se efetivamente,
sob o prisma dos direitos humanos, como a resposta civilizatória de todos nós,
do Pará e da Amazônia em favor da democracia e do respeito à dignidade humana.
Fonte:
Fórum

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