sexta-feira, 10 de julho de 2026

Problemas cardíacos relacionados a 'microdanos' no cérebro podem aumentar o risco de perda de memória

Problemas aparentemente leves na capacidade do coração de bombear sangue podem estar associados a alterações microscópicas no cérebro ligadas à memória, segundo um novo estudo publicado no The Journal of Neuroscience. Os pesquisadores acreditam que essas mudanças podem surgir anos antes de sinais mais evidentes, como encolhimento cerebral ou demência.

Embora o trabalho não prove uma relação direta de causa e efeito, ele reforça a crescente evidência de que a saúde do coração e a do cérebro estão profundamente conectadas.

<><> Alterações podem surgir antes mesmo da insuficiência cardíaca

Pesquisadores acompanharam 168 participantes, sendo 73 pacientes que procuraram atendimento por sintomas cardíacos, alguns com doença arterial coronariana ou insuficiência cardíaca, e 95 pessoas sem sintomas relacionados ao coração.

No início do estudo, todos passaram por avaliações da função cardíaca. Cerca de três anos e meio depois, os voluntários realizaram exames de ressonância magnética do cérebro e testes cognitivos.

Os resultados mostraram que pessoas cujo coração apresentava menor eficiência para bombear sangue já no início da pesquisa desenvolveram mais sinais de microdanos na substância cinzenta do cérebro ao longo dos anos, independentemente de possuírem ou não diagnóstico formal de insuficiência cardíaca.

Os testes cognitivos foram aplicados aos participantes com doença cardíaca e avaliaram diferentes capacidades, como atenção, funções executivas, aprendizado e memória.

Entre todas essas habilidades, apenas a memória apresentou uma associação clara com a redução da capacidade de bombeamento do coração.

Os participantes com menor desempenho cardíaco apresentaram mais alterações microscópicas justamente nas regiões cerebrais responsáveis pela memória. Além disso, quanto maiores eram esses microdanos, pior era o desempenho nos testes de memória.

<><> Regiões afetadas também são vulneráveis ao Alzheimer

Outro ponto que chamou a atenção dos cientistas é que as alterações ocorreram em áreas do cérebro conhecidas por serem importantes para a formação e recuperação de memórias, regiões que também costumam ser afetadas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer.

Apesar disso, os autores alertam que o estudo não demonstra que essas pessoas desenvolverão Alzheimer.

Não foram analisadas proteínas características da doença, como beta-amiloide ou tau, impossibilitando estabelecer essa relação neste momento.

O grau de dano cerebral apresentou relação com os níveis de hormônios liberados pelo coração em situações de estresse. No entanto, essa associação apareceu apenas entre pacientes que já possuíam insuficiência cardíaca diagnosticada.

Um dos achados mais surpreendentes foi perceber que pequenas reduções na eficiência do coração já estavam associadas a alterações cerebrais futuras, mesmo em indivíduos que ainda não preenchiam os critérios clínicos para insuficiência cardíaca.

Os pesquisadores acreditam que, no futuro, testes rotineiros da função cardíaca poderão auxiliar médicos a identificar pessoas com maior risco de desenvolver problemas de memória antes mesmo do surgimento de sintomas neurológicos.

•        Dormir menos pode levar a aumento de peso: meio quilo a cada 6 semanas, de acordo com estudo

Dormir pouco pode fazer mais do que causar cansaço no dia seguinte. Um novo estudo sugere que reduzir o tempo de sono de forma contínua pode levar ao ganho de peso em poucas semanas, além de aumentar o tempo gasto em atividades sedentárias.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, indica que perder cerca de uma hora e meia de sono por noite durante seis semanas foi suficiente para provocar um ganho médio de aproximadamente 450 gramas nos participantes. Embora o aumento pareça pequeno, os pesquisadores alertam que o efeito pode se tornar significativo quando esse padrão é mantido por meses ou anos.

<><> Dormir pouco afeta muito mais do que o cansaço

Há muito tempo os cientistas sabem que o sono é essencial para o bom funcionamento do organismo. Durante a noite, o corpo regula hormônios, fortalece o sistema imunológico e realiza diversos processos importantes para a saúde.

Segundo a principal autora do estudo, Marie-Pierre St-Onge, focar apenas em alimentação e exercícios físicos para controlar o peso pode ser uma estratégia incompleta.

"Nossos resultados mostram que dormir o suficiente também pode ajudar a reduzir o risco de ganho de peso e de doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares", explica a pesquisadora.

<><> Como funcionou o estudo?

Os pesquisadores acompanharam 95 adultos que normalmente dormiam entre sete e oito horas por noite.

Durante seis semanas, os participantes foram orientados a adiar o horário de dormir em cerca de 90 minutos, reduzindo o tempo total de sono para algo em torno de cinco a seis horas por noite. Em seguida, eles voltaram ao padrão habitual por mais seis semanas.

Ao longo do estudo, os cientistas monitoraram diversos indicadores, incluindo:

•        Peso corporal

•        Circunferência da cintura

•        Composição corporal

•        Hormônios relacionados à fome e à saciedade

•        Níveis de atividade física

Ao final do período de restrição de sono, os participantes haviam ganhado, em média, cerca de 453 gramas. Além disso, passaram aproximadamente 17 minutos a mais por dia em comportamento sedentário. Entre homens e mulheres na pós-menopausa, esse aumento chegou perto de 30 minutos diários.

<><> O risco pode aumentar com o tempo

O estudo buscou reproduzir um padrão muito comum na vida moderna: pessoas que dormem um pouco menos do que o recomendado durante semanas ou meses, e não casos extremos de privação de sono.

Segundo o pesquisador Faris Zuraikat, se esse comportamento for mantido por um ano inteiro, o ganho de peso pode se tornar clinicamente relevante.

Embora o estudo não tenha identificado exatamente todos os mecanismos envolvidos, pesquisas anteriores já mostram que dormir pouco pode alterar hormônios ligados ao apetite, aumentar a resistência à insulina e favorecer processos inflamatórios no organismo.

 

Fonte: Xataka Brasil

 

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