Após os 60 anos, fazer exercícios dois ou três dias por semana já leva a mudanças
Chegar
à sexta década de vida costuma vir acompanhado de um discurso alarmista sobre o
suposto declínio físico inevitável e todos os problemas de saúde associados a
ele. Para enfrentar essa realidade, o mais importante é começar a se exercitar
o quanto antes. E, ao atingir essa idade, não é necessário frequentar a
academia todos os dias nem submeter o corpo a sessões exaustivas de treino.
As
evidências científicas e a experiência clínica apontam para uma recomendação
muito mais acessível: realizar treinamento de força de duas a três vezes por
semana. Esse é considerado o volume ideal para promover mudanças estruturais,
funcionais e perceptíveis em um período relativamente curto.
O
fisioterapeuta e especialista em exercício terapêutico Agus Oliver explicou
recentemente, em entrevista ao Infobae, que duas ou três sessões semanais já
são suficientes para produzir mudanças significativas, desde que o treinamento
seja bem planejado. Segundo sua experiência clínica, o sucesso não está em sair
completamente exausto após horas de esforço contínuo, mas sim em manter uma
rotina consistente de treinos com duração entre 30 e 45 minutos.
Essa
frequência moderada também permite incluir atividades complementares, como o
pilates, que contribui para melhorar o controle corporal e a mobilidade, ao
mesmo tempo em que favorece o ganho de força, sem sobrecarregar as
articulações.
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As evidências
Essa
abordagem está amplamente respaldada pelas principais diretrizes
internacionais. Em suas recomendações sobre atividade física publicadas em
2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que adultos mais velhos
acumulem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade
moderada.
Além
disso, a OMS destaca que o treinamento de força para os principais grupos
musculares, realizado em dois ou mais dias por semana, proporciona benefícios
adicionais importantes, especialmente na prevenção de quedas e na manutenção da
capacidade funcional. Esses dois aspectos são fundamentais para preservar a
autonomia e a qualidade de vida com o avanço da idade.
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O descanso é fundamental
O
Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda respeitar um intervalo de
aproximadamente 48 horas de descanso entre sessões que trabalhem o mesmo grupo
muscular.
Um
estudo publicado pela Universidade Politécnica de Madri, em 2025, mostrou que
protocolos tradicionais de treinamento de força, realizados justamente com
frequência de duas a três vezes por semana, foram capazes de aumentar em até
46% a força de extensão dos joelhos.
Além
disso, programas de treinamento multicomponente aumentaram em mais de 13% a
distância percorrida no teste de caminhada de seis minutos, enquanto o
treinamento intervalado melhorou o consumo máximo de oxigênio em quase 6%.
Tratam-se de mudanças clinicamente mensuráveis obtidas em poucas semanas,
capazes de devolver autonomia aos pacientes sem a necessidade de impor rotinas
de exercícios difíceis de manter.
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A caminhada é o exercício mais indicado para os idosos, mas os especialistas
afirmam que todo mundo deveria estar praticando
Uma
ideia cada vez mais repetida é que, para ter uma aposentadoria de qualidade, é
preciso se manter em movimento durante toda a vida adulta e com uma atividade
física adequada. O problema é que, muitas vezes, as pessoas esperam até os 55
anos para começar a cuidar da saúde — e, em muitos casos, porque já apresentam
alguma doença metabólica. E isso deve nos conscientizar de que, quanto antes
começarmos a nos cuidar, melhor.
Caminhar
se consagrou como o exercício mais indicado para os idosos e as evidências
científicas que sustentam isso são esmagadoras. Um estudo de 2023 aponta que
caminhar 30 minutos por dia durante 5 dias por semana reduz o risco de doenças
associadas à idade, embora destaque principalmente que isso deve ser feito em
um ritmo acelerado e que represente algum esforço para o organismo, e não como
um simples passeio.
Se isso
for feito, estaremos reduzindo significativamente o risco de sofrer doenças
cardiovasculares e diabetes tipo 2, além de ganharmos proteção contra a
demência. E, como se não bastasse, uma revisão realizada em 2026 com 180 mil
participantes demonstrou uma redução de 18% a 30% na mortalidade por todas as
causas com níveis moderados de atividade física.
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Em números
Não é
preciso bater recordes olímpicos: basta dar 5.694 passos por dia para estar
associado a um risco 13% menor de mortalidade por todas as causas. E, como
dissemos antes, se isso for feito em um ritmo acelerado, obtém-se um benefício
ainda maior.
Se os
benefícios na maturidade são tão incríveis, por que a ciência pede que
comecemos muito antes? A resposta está na sarcopenia, que é o processo de perda
de massa muscular ao qual somos submetidos quando começamos a envelhecer sem
fazer nenhum tipo de exercício de força. E é por isso que os 30 anos são
apontados como prazo limite para começar a remediar isso.
Por
quê? A partir dessa idade, observou-se que se perde entre 3% e 5% de massa
muscular por década, segundo o National Institutes of Health (NIH), e outros
estudos apontam que esse número pode ficar entre 3% e 8% por década após os 30
anos. A partir dos 60 anos, a taxa de declínio se torna ainda maior.
Com
todas essas informações, calcula-se que atualmente entre 10% e 20% dos idosos
sofram de sarcopenia. A falta de exercício é o principal fator que agrava essa
perda muscular progressiva.
A
Organização Mundial da Saúde é muito clara em suas diretrizes e, curiosamente,
não reduz as exigências ao chegar à aposentadoria. Ou seja, não considera que
exista uma idade específica a partir da qual seja obrigatório fazer exercícios,
mas sim que isso deve ser feito sempre. É por isso que suas recomendações são
exatamente as mesmas tanto para adultos de 18 a 64 anos quanto para pessoas
acima dos 65 anos: entre 150 e 300 minutos por semana de atividade aeróbica
moderada (como caminhar), ou entre 75 e 150 minutos de atividade intensa.
Além
disso, a OMS recomenda incorporar exercícios de fortalecimento muscular pelo
menos dois dias por semana para todos os adultos. No caso específico das
pessoas acima de 65 anos, a única diferença é que, além dessas recomendações
gerais, também devem ser acrescentadas atividades que melhorem o equilíbrio
três ou mais dias por semana, para evitar quedas que podem ser fatais.
Fonte:
Xataka Brasil

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