sexta-feira, 10 de julho de 2026

Alexandre Machado Rosa: Devolvam o futebol que vocês roubaram do Brasil

A notícia de que o avião da seleção brasileira retornou ao Brasil, após o fracasso na Copa do Mundo, transportando apenas dois jogadores, ganhou espaço nos noticiários esportivos. Confesso que estranhei a surpresa. Estranho seria se tivesse voltado com todos.

Afinal, para onde voltariam? A maioria dos jogadores vive na Europa. Suas casas, suas famílias, seus filhos e sua rotina estão do outro lado do Atlântico. Muitos sequer jogaram profissionalmente no Brasil por tempo suficiente para construir uma relação duradoura com os torcedores. Se olharmos com atenção, sequer atuaram pelos maiores clubes do país. Se resolvessem caminhar pelas ruas de uma grande cidade brasileira, talvez alguns pudessem até ser reconhecidos. Outros, provavelmente, passariam despercebidos.

Esse detalhe aparentemente banal ajuda a compreender uma transformação muito mais profunda: a seleção brasileira deixou de ser, há muito tempo, a seleção dos brasileiros. Tornou-se, na prática, o time da CBF.

Pode parecer apenas um jogo de palavras, mas não é. A camisa amarela continua sendo apresentada como símbolo da nação. O escudo remete ao Brasil. O hino continua sendo executado antes das partidas. Mas quem controla esse patrimônio simbólico é uma entidade privada, que decide onde a equipe joga, com quem joga, quanto arrecada, quem explora comercialmente sua imagem e quais interesses econômicos orientam sua existência.

O que assistimos nas últimas décadas foi um silencioso processo de privatização de um dos maiores símbolos nacionais. Mas não se trata de uma privatização formal, como as empresas estatais vendidas durante os anos 1990 pelos governos de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se da apropriação privada de um patrimônio coletivo, legitimada pela ausência de controle público e naturalizada pela sociedade como pertencente a outrem sem que saibamos explicar como.

Não é coincidência que esse processo tenha se consolidado justamente durante a década de 1990. A onda neoliberal que atravessou a América Latina, de Carlos Menem a Fernando Collor, difundiu a ideia de que tudo poderia ser transformado em mercadoria. As empresas públicas, serviços, direitos sociais e até mesmo símbolos nacionais.

No futebol brasileiro, esse movimento encontrou seu principal operador na gestão de Ricardo Teixeira. Herdeiro político de João Havelange, ele transformou a CBF numa potência econômica global. A seleção passou a excursionar pelo mundo em amistosos organizados segundo interesses comerciais, muitas vezes longe do torcedor brasileiro. A lógica esportiva cedeu espaço à lógica do mercado privado. Até uma suntuosa sede foi erguida como símbolo do poder. Inaugurada no dia 26 de março de 2014, o edifício administrativo está localizado na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, protegido por grades e seguranças.

Pouco a pouco, a seleção foi deixando de ser uma experiência compartilhada pela população brasileira para tornar-se uma marca internacional administrada por uma confederação privada. Esse processo também revela uma das características mais persistentes da formação política brasileira: o patrimonialismo.

Pensadores como Raymundo Faoro buscaram mostrar, como em Os Donos do Poder, como as elites brasileiras desenvolveram uma notável capacidade de tratar aquilo que pertence ao conjunto da sociedade como extensão de seus próprios interesses. A fronteira entre o público e o privado sempre foi uma linha quase inexistente  no Brasil. O futebol não escapou dessa lógica.

A CBF exerce uma espécie de concessão informal sobre símbolos que pertencem à identidade nacional. Administra a camisa, o escudo, a memória e o imaginário do futebol brasileiro sem mecanismos efetivos de controle social, embora esses símbolos transcendam, em muito, a própria entidade.

Talvez isso explique por que o retorno da delegação tenha provocado tão pouca mobilização popular. Não houve multidões esperando no aeroporto para protestar. Não houve comoção nacional. Não houve sequer curiosidade em acompanhar a chegada da maior parte dos jogadores. O avião voltou praticamente vazio porque a seleção já não volta para casa, não pertence ao Brasil. Na verdade, ela saiu de casa há muito tempo.

O que desembarcou no Brasil foi apenas a delegação da CBF. A seleção brasileira, entendida como patrimônio afetivo, cultural e político do povo, vem sendo rapidamente substituída por uma marca global administrada segundo interesses privados pelos dirigentes da CBF. O fracasso desta Copa não foi dentro das quatro linhas.

Ele começou quando naturalizamos a ideia de que um dos mais poderosos símbolos da identidade nacional pudesse deixar de pertencer, simbolicamente, aos brasileiros para tornar-se patrimônio exclusivo de uma entidade privada.

É preciso refundar o futebol brasileiro. Reconectá-lo ao povo.

•        Futebol, afinal, para quê? Por Ana Maria Oliveira

Nesta Copa do Mundo, a seleção brasileira (“s” e “b” em minúsculas) roubou nossos sonhos e esperanças. Como Chico Buarque escreveu sobre a Rita, ela levou junto “o que me é de direito, arrancou-me do peito e tem mais. Levou seu retrato, seu trapo, seu prato, que papel! Não levou um tostão (ex-companheiro de Pelé) porque não tinha, não, mas causou perdas e danos, levou os meus planos, meus pobres enganos e, além de tudo, me deixou mudo um violão”.

Essa foi a terrível sensação após o jogo do Brasil contra a Noruega. Vimos nossa equipe jogar sem arte, raça e coração. Por onde ficou o estilo vibrante e alegre do nosso selecionado que, em Copas passadas, encantou torcedores e a imprensa local e internacional?

Não se deve tampar o sol com a peneira. A dura realidade é que exportamos craques a outros continentes e importamos um técnico estrangeiro. Nós, que vivemos por aqui mesmo, não tivemos maiores recompensas. Depois da fatídica partida, sentimos uma dor ao esperar, talvez, um hexacampeonato que nunca vem.

Em mais uma situação desagradável, tivemos que “engolir o sapo” do presidente Donald Trump, que mandou um torpedo ao dirigente da FIFA, Gianni Infantino (no cargo desde 2016), “pedindo a anulação do cartão vermelho” aplicado corretamente ao jogador estadunidense Balogun pelo juiz brasileiro. Infantino aceitou a encomenda.

Trump já havia imposto condições à concessão de vistos para os jogadores do Irã, país com o qual os Estados Unidos vêm travando uma guerra sem justificativas. Ainda exigiu que os atletas deixassem o território americano tão logo terminassem as partidas e impôs constrangimentos a seus treinamentos.

O ataque às regras do futebol foi mortal. E a FIFA se submeteu a isso. Mas, por um acaso do destino, a Bélgica venceu os Estados Unidos por 4 a 1 em Seattle, eliminando-o do torneio. Caso contrário, o mau exemplo seria ainda mais grave.

Infelizmente, nada foi surpreendente. Se Trump tem desrespeitado o direito internacional em situações envolvendo populações inteiras e a soberania de seus países, por que seria diferente em relação ao futebol? Mesmo que ele não entenda nada do esporte, como chegou a admitir.

Mas, na pergunta que ecoa fortemente, como vamos recuperar os nossos sonhos? Parece haver, por enquanto, mais “pedras no caminho” do que soluções. Recomenda-se que é melhor dar um tempo do que só reclamar.

Se a convocação de jogadores brasileiros para a próxima Copa priorizar o amor pela camisa, além da qualidade técnica, a situação poderá mudar? Também se espera que a sede da Copa de 2030 seja em um país realmente democrático, onde o presidente goste pelo menos um pouco de futebol. E será que a FIFA vai ter uma postura digna ao não aceitar pressões descabidas? Vamos aguardar…

•        O cantar de galo do Neymar. Por Valdemar Figueredo (Dema)

Lembrei do galo que achava que fazia nascer o sol com o seu canto. Conhece esta estória?

Toda manhã era a mesma coisa na fazenda. Subia no poleiro, batia as asas e com toda força que tinha cantava para nascer o sol. Pouco depois o astro rei nascia e os animais sabiam que era hora de acordar. Como se fosse um músico regente, o galo com o seu canto fazia nascer o dia. Numa bela manhã ele dormiu demais e perdeu a hora. Acordou com as risadas dos animais. O sol estava posto e nada teve que ver com o cantar do galo.

O sol nasce, apesar do galo e não por causa dele.

Durante muito tempo eu contei essa estória como se os animais da fazenda acreditassem que o sol nascia ao cantar do galo. Mas hoje a minha leitura mudou. Era o galo que acreditava que o seu canto fazia nascer o dia.

Os animais da fazenda não estavam enganados, toleravam todas as manhãs o companheiro impressionado com a própria voz.

Quanto ao galo empoleirado no lugar mais alto, foi do deslumbre ao desbunde.

A descoberta é dolorida, mas é libertadora. A desilusão é uma bênção!

A copa dita dos protagonistas é a consagração da copa da publicidade. O futebol das bets é esporte de prateleiras que precisam de grandes nomes e de três intervalos para atender aos contratos de publicidade.

As paradas obrigatórias para hidratação dos jogadores (cooling breaks) de três minutos é a prova cabal que os estádios de futebol regidos pela FIFA foram transformados em templos.

Paradas obrigatórias para hidratação são intervalos comerciais.

Nada a ver com o condicionamento físico dos atletas. Pausa para louvação dos produtos em oferta.

Os gestos de orações dos atletas, quer sejam cristãos ou muçulmanos, acontecem nos gramados comuns. Estádios transformados em templos em que devoções se misturam ao júbilo do consumo e ao êxtase das apostas.

Dizem que o canto do galo é um comportamento instintivo de demarcação de território e hierarquia.

Peito estufado é um gesto que na nossa cultura geralmente significa arrogância.

Na última coreografia do Neymar nas Copas, descobriu que a sua a magia acabou. O jogo não é sobre ele.  Converteu um pênalti de cavadinha nos acréscimos. E daí?

A Copa dos Protagonistas (Mbappé, Salah, Messi, Cristiano, Vinícius, Yamal, Haaland, Lukaku, Kane…) segue a lógica da publicidade que arruma as peças nas prateleiras como estratégia de venda.

Pausa para hidratação neste cenário de galos e astros faz parte da liturgia no culto regido pela FIFA.

O cantar de galo do Neymar antecedeu o último ato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Sugestão de legenda para faixa na testa na Copa do Mundo de 2030: O cantar de galo precede a eliminação.

<><> Novo superiate de R$ 120 mi de Neymar gera críticas nas redes sociais

Após entrar em campo pela seleção brasileira na eliminação diante da Noruega nas Oitavas de Final da Copa do Mundo de 2026, Neymar deve receber nas próximas semanas o Enejota, iate avaliado em cerca de R$ 120 milhões que figura entre os maiores barcos de lazer já produzidos no Brasil. O jogador foi alvo de crítica nas redes sociais.

O nome da embarcação faz referência à pronúncia das iniciais de Neymar Jr. (NJ). A embarcação deve ser entregue ao atacante em Angra dos Reis, no litoral fluminense.

O iate já está em deslocamento. Segundo informações da revista Náutica, a embarcação partiu de Fortaleza, fez uma parada na marina de Recife e segue viagem rumo ao sudeste. Existe a possibilidade de que ele permaneça parte do tempo no litoral de Santa Catarina.

<><> Neymar é alvo de críticas nas redes

Após as imagens da embarcação ganharem repercussão, Neymar Jr. recebeu críticas nas redes sociais. Parte dos comentários relacionou a compra do superiate ao momento vivido pela seleção brasileira, eliminada da Copa do Mundo.

No X (antigo Twitter), usuários ironizaram a aquisição. “O fim desse cara é patético”, escreveu um internauta. Outro comentou: “Tem gente quebrada que chora pelo menino Ney”.

Também houve quem saísse em defesa do atacante. “Estou sentindo um cheiro muito forte de inveja nos comentários”, publicou um usuário. “Cada um gasta o dinheiro como quer”, afirmou outro.

<><> Superiate de Neymar

Construído pelo estaleiro Inace SuperYachts, o Enejota surgiu a partir da conversão de uma embarcação de apoio em um iate da categoria explorer, projetado para viagens de longa distância com alta autonomia e conforto. O projeto, assinado pelo designer Fernando Almeida, combina características voltadas ao lazer e à navegação em expedições prolongadas.

A embarcação conta com seis suítes para hóspedes, heliponto e aproximadamente 800 metros quadrados de área útil. A propulsão é garantida por quatro motores de 1.450 cavalos de potência, equipados com sistema de hidrojatos no lugar das hélices convencionais. De acordo com a publicação, a tecnologia melhora a capacidade de manobra, reduz a exposição de componentes abaixo do casco e permite atingir velocidade máxima estimada de 20 nós.

Mais do que o alto valor e o padrão de luxo, o Enejota também se destaca por representar um avanço para a indústria náutica nacional. A adaptação de um navio de serviço para um iate de alto padrão exigiu um amplo trabalho de engenharia, incluindo reforços estruturais, desenvolvimento de interiores e instalação de sistemas modernos de navegação e propulsão.

•        Vini Jr. mantém sonho do hexa e Marquinhos fala em tom de adeus

Artilheiro do Brasil na Copa do Mundo com quatro gols, Vinícius Júnior pediu desculpas à torcida pela eliminação nas oitavas de final da competição. Em entrevista neste domingo (5), após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, em Nova Jersey (Estados Unidos), o atacante disse ainda que a meta de ajudar a seleção brasileira a conquistar o hexa segue inabalável.

“É um momento muito delicado. Tenho poucas palavras agora, por conta de como foi o jogo, da eliminação, não ter feito as coisas corretas no jogo que precisava tanto. Peço desculpas à torcida que acreditou em nós. Desta vez, não foi possível. Mas não vou desistir de tentar botar o Brasil no topo de volta”, disse Vinícius Júnior, ao atender a imprensa na saída da delegação.

O Brasil terminou a partida com apenas 32% de posse de bola e trocou praticamente metade dos passes na comparação com a Noruega. O próprio Vinícius Júnior foi o jogador com mais erros forçados (15) na partida, segundo estatística da Federação Internacional de Futebol (Fifa) que leva em conta ações em jogadas provocadas pela pressão do adversário.

“Sem dúvida, a gente jogou muito pouco hoje e acredito que isso nos dificultou muito. Mas é Copa do Mundo, não tem adversário bobo. A Noruega é uma grande seleção”, reconheceu o camisa 7.

O atacante também foi questionado sobre o porquê de não ter sido ele a bater o pênalti que o Brasil teve a favor no começo do jogo. O chute de Bruno Guimarães foi defendido pelo goleiro Orjan Nyland.

“O mister [Carlo Ancelotti, técnico] escolheu o Bruno para fazer as cobranças. A gente treina todos os dias. Nunca fui vaidoso de querer artilharia. Eu jogo pela equipe e o momento correto era o Bruno bater. Futebol é isso, você pode errar e acertar. Temos que seguir de cabeça erguida. Muita força ao Bruno pela competição que ele fez, que infelizmente vai ser manchada pelo pênalti”, finalizou o artilheiro do Brasil.

<><> Fim de ciclo?

O zagueiro Marquinhos, que também falou com os jornalistas após a partida em Nova Jersey, fez coro a Vinícius Júnior e reforçou que a escolha do cobrador da penalidade foi decisão da comissão técnica. Mas ao contrário do atacante, que completa 25 anos no dia 12 de julho, o capitão evitou projetar um novo ciclo na seleção brasileira.

“Foi minha terceira Copa e, infelizmente, não consegui sair com título em nenhuma. Isso mostra como é difícil. Que sirva de lição para a próxima geração que ficar, para o treinador também. Eu não sei qual será o futuro. Quatro anos é muita coisa”, lamentou o defensor de 32 anos e que terá 36 no próximo Mundial, em 2030, sediado em Portugal, Espanha e Marrocos.

 

Fonte: Brasil 247/ICL Noticias

 

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