Alexandre
Machado Rosa: Devolvam o futebol que vocês roubaram do Brasil
A
notícia de que o avião da seleção brasileira retornou ao Brasil, após o
fracasso na Copa do Mundo, transportando apenas dois jogadores, ganhou espaço
nos noticiários esportivos. Confesso que estranhei a surpresa. Estranho seria
se tivesse voltado com todos.
Afinal,
para onde voltariam? A maioria dos jogadores vive na Europa. Suas casas, suas
famílias, seus filhos e sua rotina estão do outro lado do Atlântico. Muitos
sequer jogaram profissionalmente no Brasil por tempo suficiente para construir
uma relação duradoura com os torcedores. Se olharmos com atenção, sequer
atuaram pelos maiores clubes do país. Se resolvessem caminhar pelas ruas de uma
grande cidade brasileira, talvez alguns pudessem até ser reconhecidos. Outros,
provavelmente, passariam despercebidos.
Esse
detalhe aparentemente banal ajuda a compreender uma transformação muito mais
profunda: a seleção brasileira deixou de ser, há muito tempo, a seleção dos
brasileiros. Tornou-se, na prática, o time da CBF.
Pode
parecer apenas um jogo de palavras, mas não é. A camisa amarela continua sendo
apresentada como símbolo da nação. O escudo remete ao Brasil. O hino continua
sendo executado antes das partidas. Mas quem controla esse patrimônio simbólico
é uma entidade privada, que decide onde a equipe joga, com quem joga, quanto
arrecada, quem explora comercialmente sua imagem e quais interesses econômicos
orientam sua existência.
O que
assistimos nas últimas décadas foi um silencioso processo de privatização de um
dos maiores símbolos nacionais. Mas não se trata de uma privatização formal,
como as empresas estatais vendidas durante os anos 1990 pelos governos de
Fernando Henrique Cardoso. Trata-se da apropriação privada de um patrimônio
coletivo, legitimada pela ausência de controle público e naturalizada pela
sociedade como pertencente a outrem sem que saibamos explicar como.
Não é
coincidência que esse processo tenha se consolidado justamente durante a década
de 1990. A onda neoliberal que atravessou a América Latina, de Carlos Menem a
Fernando Collor, difundiu a ideia de que tudo poderia ser transformado em
mercadoria. As empresas públicas, serviços, direitos sociais e até mesmo
símbolos nacionais.
No
futebol brasileiro, esse movimento encontrou seu principal operador na gestão
de Ricardo Teixeira. Herdeiro político de João Havelange, ele transformou a CBF
numa potência econômica global. A seleção passou a excursionar pelo mundo em
amistosos organizados segundo interesses comerciais, muitas vezes longe do
torcedor brasileiro. A lógica esportiva cedeu espaço à lógica do mercado
privado. Até uma suntuosa sede foi erguida como símbolo do poder. Inaugurada no
dia 26 de março de 2014, o edifício administrativo está localizado na Barra da
Tijuca, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, protegido por grades e
seguranças.
Pouco a
pouco, a seleção foi deixando de ser uma experiência compartilhada pela
população brasileira para tornar-se uma marca internacional administrada por
uma confederação privada. Esse processo também revela uma das características
mais persistentes da formação política brasileira: o patrimonialismo.
Pensadores
como Raymundo Faoro buscaram mostrar, como em Os Donos do Poder, como as elites
brasileiras desenvolveram uma notável capacidade de tratar aquilo que pertence
ao conjunto da sociedade como extensão de seus próprios interesses. A fronteira
entre o público e o privado sempre foi uma linha quase inexistente no Brasil. O futebol não escapou dessa
lógica.
A CBF
exerce uma espécie de concessão informal sobre símbolos que pertencem à
identidade nacional. Administra a camisa, o escudo, a memória e o imaginário do
futebol brasileiro sem mecanismos efetivos de controle social, embora esses
símbolos transcendam, em muito, a própria entidade.
Talvez
isso explique por que o retorno da delegação tenha provocado tão pouca
mobilização popular. Não houve multidões esperando no aeroporto para protestar.
Não houve comoção nacional. Não houve sequer curiosidade em acompanhar a
chegada da maior parte dos jogadores. O avião voltou praticamente vazio porque
a seleção já não volta para casa, não pertence ao Brasil. Na verdade, ela saiu
de casa há muito tempo.
O que
desembarcou no Brasil foi apenas a delegação da CBF. A seleção brasileira,
entendida como patrimônio afetivo, cultural e político do povo, vem sendo
rapidamente substituída por uma marca global administrada segundo interesses
privados pelos dirigentes da CBF. O fracasso desta Copa não foi dentro das
quatro linhas.
Ele
começou quando naturalizamos a ideia de que um dos mais poderosos símbolos da
identidade nacional pudesse deixar de pertencer, simbolicamente, aos
brasileiros para tornar-se patrimônio exclusivo de uma entidade privada.
É
preciso refundar o futebol brasileiro. Reconectá-lo ao povo.
• Futebol, afinal, para quê? Por Ana Maria
Oliveira
Nesta
Copa do Mundo, a seleção brasileira (“s” e “b” em minúsculas) roubou nossos
sonhos e esperanças. Como Chico Buarque escreveu sobre a Rita, ela levou junto
“o que me é de direito, arrancou-me do peito e tem mais. Levou seu retrato, seu
trapo, seu prato, que papel! Não levou um tostão (ex-companheiro de Pelé)
porque não tinha, não, mas causou perdas e danos, levou os meus planos, meus
pobres enganos e, além de tudo, me deixou mudo um violão”.
Essa
foi a terrível sensação após o jogo do Brasil contra a Noruega. Vimos nossa
equipe jogar sem arte, raça e coração. Por onde ficou o estilo vibrante e
alegre do nosso selecionado que, em Copas passadas, encantou torcedores e a
imprensa local e internacional?
Não se
deve tampar o sol com a peneira. A dura realidade é que exportamos craques a
outros continentes e importamos um técnico estrangeiro. Nós, que vivemos por
aqui mesmo, não tivemos maiores recompensas. Depois da fatídica partida,
sentimos uma dor ao esperar, talvez, um hexacampeonato que nunca vem.
Em mais
uma situação desagradável, tivemos que “engolir o sapo” do presidente Donald
Trump, que mandou um torpedo ao dirigente da FIFA, Gianni Infantino (no cargo
desde 2016), “pedindo a anulação do cartão vermelho” aplicado corretamente ao
jogador estadunidense Balogun pelo juiz brasileiro. Infantino aceitou a
encomenda.
Trump
já havia imposto condições à concessão de vistos para os jogadores do Irã, país
com o qual os Estados Unidos vêm travando uma guerra sem justificativas. Ainda
exigiu que os atletas deixassem o território americano tão logo terminassem as
partidas e impôs constrangimentos a seus treinamentos.
O
ataque às regras do futebol foi mortal. E a FIFA se submeteu a isso. Mas, por
um acaso do destino, a Bélgica venceu os Estados Unidos por 4 a 1 em Seattle,
eliminando-o do torneio. Caso contrário, o mau exemplo seria ainda mais grave.
Infelizmente,
nada foi surpreendente. Se Trump tem desrespeitado o direito internacional em
situações envolvendo populações inteiras e a soberania de seus países, por que
seria diferente em relação ao futebol? Mesmo que ele não entenda nada do
esporte, como chegou a admitir.
Mas, na
pergunta que ecoa fortemente, como vamos recuperar os nossos sonhos? Parece
haver, por enquanto, mais “pedras no caminho” do que soluções. Recomenda-se que
é melhor dar um tempo do que só reclamar.
Se a
convocação de jogadores brasileiros para a próxima Copa priorizar o amor pela
camisa, além da qualidade técnica, a situação poderá mudar? Também se espera
que a sede da Copa de 2030 seja em um país realmente democrático, onde o
presidente goste pelo menos um pouco de futebol. E será que a FIFA vai ter uma
postura digna ao não aceitar pressões descabidas? Vamos aguardar…
• O cantar de galo do Neymar. Por Valdemar
Figueredo (Dema)
Lembrei
do galo que achava que fazia nascer o sol com o seu canto. Conhece esta
estória?
Toda
manhã era a mesma coisa na fazenda. Subia no poleiro, batia as asas e com toda
força que tinha cantava para nascer o sol. Pouco depois o astro rei nascia e os
animais sabiam que era hora de acordar. Como se fosse um músico regente, o galo
com o seu canto fazia nascer o dia. Numa bela manhã ele dormiu demais e perdeu
a hora. Acordou com as risadas dos animais. O sol estava posto e nada teve que
ver com o cantar do galo.
O sol
nasce, apesar do galo e não por causa dele.
Durante
muito tempo eu contei essa estória como se os animais da fazenda acreditassem
que o sol nascia ao cantar do galo. Mas hoje a minha leitura mudou. Era o galo
que acreditava que o seu canto fazia nascer o dia.
Os
animais da fazenda não estavam enganados, toleravam todas as manhãs o
companheiro impressionado com a própria voz.
Quanto
ao galo empoleirado no lugar mais alto, foi do deslumbre ao desbunde.
A
descoberta é dolorida, mas é libertadora. A desilusão é uma bênção!
A copa
dita dos protagonistas é a consagração da copa da publicidade. O futebol das
bets é esporte de prateleiras que precisam de grandes nomes e de três
intervalos para atender aos contratos de publicidade.
As
paradas obrigatórias para hidratação dos jogadores (cooling breaks) de três
minutos é a prova cabal que os estádios de futebol regidos pela FIFA foram
transformados em templos.
Paradas
obrigatórias para hidratação são intervalos comerciais.
Nada a
ver com o condicionamento físico dos atletas. Pausa para louvação dos produtos
em oferta.
Os
gestos de orações dos atletas, quer sejam cristãos ou muçulmanos, acontecem nos
gramados comuns. Estádios transformados em templos em que devoções se misturam
ao júbilo do consumo e ao êxtase das apostas.
Dizem
que o canto do galo é um comportamento instintivo de demarcação de território e
hierarquia.
Peito
estufado é um gesto que na nossa cultura geralmente significa arrogância.
Na
última coreografia do Neymar nas Copas, descobriu que a sua a magia acabou. O
jogo não é sobre ele. Converteu um
pênalti de cavadinha nos acréscimos. E daí?
A Copa
dos Protagonistas (Mbappé, Salah, Messi, Cristiano, Vinícius, Yamal, Haaland,
Lukaku, Kane…) segue a lógica da publicidade que arruma as peças nas
prateleiras como estratégia de venda.
Pausa
para hidratação neste cenário de galos e astros faz parte da liturgia no culto
regido pela FIFA.
O
cantar de galo do Neymar antecedeu o último ato da Seleção Brasileira na Copa
do Mundo da FIFA de 2026.
Sugestão
de legenda para faixa na testa na Copa do Mundo de 2030: O cantar de galo
precede a eliminação.
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Novo superiate de R$ 120 mi de Neymar gera críticas nas redes sociais
Após
entrar em campo pela seleção brasileira na eliminação diante da Noruega nas
Oitavas de Final da Copa do Mundo de 2026, Neymar deve receber nas próximas
semanas o Enejota, iate avaliado em cerca de R$ 120 milhões que figura entre os
maiores barcos de lazer já produzidos no Brasil. O jogador foi alvo de crítica
nas redes sociais.
O nome
da embarcação faz referência à pronúncia das iniciais de Neymar Jr. (NJ). A
embarcação deve ser entregue ao atacante em Angra dos Reis, no litoral
fluminense.
O iate
já está em deslocamento. Segundo informações da revista Náutica, a embarcação
partiu de Fortaleza, fez uma parada na marina de Recife e segue viagem rumo ao
sudeste. Existe a possibilidade de que ele permaneça parte do tempo no litoral
de Santa Catarina.
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Neymar é alvo de críticas nas redes
Após as
imagens da embarcação ganharem repercussão, Neymar Jr. recebeu críticas nas
redes sociais. Parte dos comentários relacionou a compra do superiate ao
momento vivido pela seleção brasileira, eliminada da Copa do Mundo.
No X
(antigo Twitter), usuários ironizaram a aquisição. “O fim desse cara é
patético”, escreveu um internauta. Outro comentou: “Tem gente quebrada que
chora pelo menino Ney”.
Também
houve quem saísse em defesa do atacante. “Estou sentindo um cheiro muito forte
de inveja nos comentários”, publicou um usuário. “Cada um gasta o dinheiro como
quer”, afirmou outro.
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Superiate de Neymar
Construído
pelo estaleiro Inace SuperYachts, o Enejota surgiu a partir da conversão de uma
embarcação de apoio em um iate da categoria explorer, projetado para viagens de
longa distância com alta autonomia e conforto. O projeto, assinado pelo
designer Fernando Almeida, combina características voltadas ao lazer e à
navegação em expedições prolongadas.
A
embarcação conta com seis suítes para hóspedes, heliponto e aproximadamente 800
metros quadrados de área útil. A propulsão é garantida por quatro motores de
1.450 cavalos de potência, equipados com sistema de hidrojatos no lugar das
hélices convencionais. De acordo com a publicação, a tecnologia melhora a
capacidade de manobra, reduz a exposição de componentes abaixo do casco e
permite atingir velocidade máxima estimada de 20 nós.
Mais do
que o alto valor e o padrão de luxo, o Enejota também se destaca por
representar um avanço para a indústria náutica nacional. A adaptação de um
navio de serviço para um iate de alto padrão exigiu um amplo trabalho de
engenharia, incluindo reforços estruturais, desenvolvimento de interiores e
instalação de sistemas modernos de navegação e propulsão.
• Vini Jr. mantém sonho do hexa e
Marquinhos fala em tom de adeus
Artilheiro
do Brasil na Copa do Mundo com quatro gols, Vinícius Júnior pediu desculpas à
torcida pela eliminação nas oitavas de final da competição. Em entrevista neste
domingo (5), após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, em Nova Jersey (Estados
Unidos), o atacante disse ainda que a meta de ajudar a seleção brasileira a
conquistar o hexa segue inabalável.
“É um
momento muito delicado. Tenho poucas palavras agora, por conta de como foi o
jogo, da eliminação, não ter feito as coisas corretas no jogo que precisava
tanto. Peço desculpas à torcida que acreditou em nós. Desta vez, não foi
possível. Mas não vou desistir de tentar botar o Brasil no topo de volta”,
disse Vinícius Júnior, ao atender a imprensa na saída da delegação.
O
Brasil terminou a partida com apenas 32% de posse de bola e trocou praticamente
metade dos passes na comparação com a Noruega. O próprio Vinícius Júnior foi o
jogador com mais erros forçados (15) na partida, segundo estatística da
Federação Internacional de Futebol (Fifa) que leva em conta ações em jogadas
provocadas pela pressão do adversário.
“Sem
dúvida, a gente jogou muito pouco hoje e acredito que isso nos dificultou
muito. Mas é Copa do Mundo, não tem adversário bobo. A Noruega é uma grande
seleção”, reconheceu o camisa 7.
O
atacante também foi questionado sobre o porquê de não ter sido ele a bater o
pênalti que o Brasil teve a favor no começo do jogo. O chute de Bruno Guimarães
foi defendido pelo goleiro Orjan Nyland.
“O
mister [Carlo Ancelotti, técnico] escolheu o Bruno para fazer as cobranças. A
gente treina todos os dias. Nunca fui vaidoso de querer artilharia. Eu jogo
pela equipe e o momento correto era o Bruno bater. Futebol é isso, você pode
errar e acertar. Temos que seguir de cabeça erguida. Muita força ao Bruno pela
competição que ele fez, que infelizmente vai ser manchada pelo pênalti”,
finalizou o artilheiro do Brasil.
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Fim de ciclo?
O
zagueiro Marquinhos, que também falou com os jornalistas após a partida em Nova
Jersey, fez coro a Vinícius Júnior e reforçou que a escolha do cobrador da
penalidade foi decisão da comissão técnica. Mas ao contrário do atacante, que
completa 25 anos no dia 12 de julho, o capitão evitou projetar um novo ciclo na
seleção brasileira.
“Foi
minha terceira Copa e, infelizmente, não consegui sair com título em nenhuma.
Isso mostra como é difícil. Que sirva de lição para a próxima geração que
ficar, para o treinador também. Eu não sei qual será o futuro. Quatro anos é
muita coisa”, lamentou o defensor de 32 anos e que terá 36 no próximo Mundial,
em 2030, sediado em Portugal, Espanha e Marrocos.
Fonte:
Brasil 247/ICL Noticias

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