Governo
Trump reage à decisão do Brasil que permite retorno de suposto espião à Rússia
O
governo do presidente Donald Trump reagiu à decisão do Brasil de permitir que
Sergey Vladimirovich Cherkasov — apontado pelos Estados Unidos como espião
russo — deixe o país e possa retornar à Rússia.
Em nota
enviada à BBC News Brasil nesta quarta-feira (8/7), um porta-voz do
Departamento de Estado americano afirmou que os EUA estão "profundamente
preocupados" com a medida e que ela enfraquece o compromisso conjunto de
combater interferências estrangeiras.
"Os
Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de
permitir que um indivíduo com vínculos conhecidos com a inteligência russa
deixe o país. Essa decisão enfraquece nosso compromisso conjunto de combater
interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições
democráticas", afirmou o Departamento de Estado.
O
governo americano também pediu que o Brasil considere o precedente que será
criado pela decisão e trabalhe em conjunto com Washington para responsabilizar
pessoas que, segundo os EUA, "ameaçam nossa segurança coletiva".
A
decisão brasileira foi publicada na segunda-feira (6/7) no Diário Oficial da
União. O governo determinou a expulsão de Cherkasov do país e abriu caminho
para seu envio à Rússia.
A
medida, porém, só poderá ser cumprida após o fim da pena à qual ele foi
condenado no Brasil ou caso haja uma liberação antecipada pelo Poder
Judiciário. Ainda não há previsão de quando a decisão será executada.
Sergey
Cherkasov está preso desde 2022 em uma penitenciária federal de Brasília. Ele
cumpre pena de cinco anos de prisão por falsidade ideológica.
Ele é
apontado pela Polícia Federal e pelo FBI (a polícia federal americana) como um
agente de inteligência russo que usava uma identidade falsa brasileira para
atuar no exterior. Ele viveu por 12 anos como brasileiro.
No
entanto, os investigadores não encontraram evidências de que Cherkasov atuou
como espião contra o Brasil. Seu alvo seriam os Estados Unidos e países
europeus.
Ele
nega, até hoje, ser um espião a serviço do governo russo.
Desde
que Cherkasov foi preso, americanos e russos entraram uma disputa diplomática
pelo seu destino. Tanto Moscou quanto Washington chegaram a apresentar pedidos
de extradição ao governo brasileiro, mas com versões opostas sobre a identidade
e a atuação do acusado.
Com a
decisão brasileira, encerra-se um capitulo inusitado das relações entre Brasil,
Rússia e Estados Unidos.
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A batalha pelo espião russo
A
disputa envolvendo Cherkasov começou oficialmente em agosto de 2022, quando a
Rússia solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua extradição. Moscou
alegava que ele era procurado no país por tráfico de drogas.
A
versão, no entanto, passou a ser contestada pelos Estados Unidos e por
autoridades brasileiras, que afirmavam que a acusação poderia ser uma tentativa
russa de repatriar um suposto espião.
Em
março de 2023, o caso ganhou novos capítulos. O Departamento de Justiça dos
Estados Unidos apresentou uma acusação criminal contra Cherkasov, afirmando que
ele era um agente do serviço de inteligência militar russo, o GRU.
Segundo
os EUA, Cherkasov teria usado a identidade falsa de Victor Muller Ferreira para
atuar em território americano e se infiltrar em instituições acadêmicas e
políticas. Washington afirmou que ele faria parte do grupo conhecido como
"ilegais", formado por agentes russos de inteligência enviados ao
exterior com identidades falsas.
No
mesmo mês, o ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator do caso, autorizou a
extradição de Cherkasov para a Rússia. A entrega, porém, não poderia ocorrer
imediatamente, pois Fachin condicionou a saída do país à conclusão das
investigações brasileiras sobre a atuação do suposto agente em território
nacional.
Em
abril de 2023, os Estados Unidos também apresentaram formalmente um pedido de
extradição ao Brasil. Washington acusava Cherkasov de atuar como agente
estrangeiro em solo americano, além de envolvimento em fraudes financeiras e
irregularidades relacionadas à obtenção de vistos.
Em
julho de 2023, o Ministério da Justiça brasileiro negou o pedido de extradição
dos Estados Unidos. A pasta argumentou que a solicitação americana era
improcedente porque já havia um pedido de extradição da Rússia homologado pelo
STF.
Apesar
disso, a entrega de Cherkasov permaneceu suspensa devido às investigações e
pendências judiciais no Brasil.
No fim
do ano passado, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal (MPF)
informaram que Cherkasov não teria mais nenhuma pendência jurídica que o
impedisse de ser extraditado.
A
decisão, então, dependia da Presidência da República, já que as entregas em
casos de extradição precisam ser deliberadas pela chefia do Poder Executivo ou
pelo órgão indicado por ela. Neste caso, o processo de Cherkasov está sendo
conduzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A BBC
News Brasil apurou que a situação vinha sendo discutida internamente no
ministério junto com a defesa do suposto espião e diplomatas russos.
A
defesa irá encaminhar a decisão do MJ ao STF para que delibere sobre a
expulsão. A expectativa é de que caso o STF determine a execução da decisão do
MJ, ele retorne imediatamente para a Rússia.
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Como funcionava a rede de espiões
A
suspeita de que o Brasil estava sendo usado como uma espécie de
"berçário" de espiões russos voltou à tona no ano passado após a
publicação de uma reportagem do jornal norte-americano The New York Times.
Segundo
o jornal, uma investigação liderada pela Polícia Federal brasileira identificou
pelo menos nove supostos espiões russos que usaram documentos brasileiros como
parte dos seus disfarces. A informação foi confirmada na época pela BBC News
Brasil.
Parte
deste caso foi revelado pela BBC News Brasil em reportagens entre os anos de
2022 e 2024.
Com
base em documentos e depoimentos colhidos ao longo de meses, a BBC News Brasil
revelou, por exemplo, como a Rússia orquestrou uma operação diplomática para
tentar retirar um dos seus supostos espiões da prisão e levá-lo de volta ao seu
país natal.
Fontes
ligadas à investigação disseram à BBC News Brasil que, dos nove supostos
espiões russos identificados até o ano passado, apenas um continua em solo
brasileiro: Sergey Cherkasov. E foi com ele que essa intrincada rede de
disfarces veio à tona e começou a ruir.
Uma
rede que, segundo as investigações, utilizava disfarces inusitados. Um dos
supostos espiões teria atuado como dono de uma joalheira em Brasília, outro
teria sido um estudante apaixonado por forró enquanto uma outra teria atuado
como modelo.
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A descoberta
Em
abril de 2022, Sergey Cherkasov foi detido em Amsterdã, na Holanda, quando
tentava entrar no país e mandado de volta ao Brasil.
Ele se
apresentava como o brasileiro Victor Muller Ferreira e havia sido aprovado em
um programa de estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.
As
investigações conduzidas por holandeses, americanos e brasileiros apontam que
Cherkasov era um agente do GRU, um dos serviços de inteligência das Forças
Armadas russas.
Devolvido
ao Brasil, Cherkasov foi preso, processado e condenado a 15 anos de prisão no
Brasil por uso de documento falso. Sua pena, no entanto, foi reduzida para
cinco anos.
No
Brasil, ele chegou a ser investigado por espionagem, mas o inquérito foi
arquivado.
Ele
hoje se encontra preso em uma penitenciária federal, em Brasília. No processo,
ele admitiu ter se passado por brasileiro, mas sempre negou ser um espião.
Poucos
meses depois, em novembro de 2022, a polícia norueguesa prendeu outro
"brasileiro".
Seu
nome era José de Assis Giammaria, mas as autoridades do país europeu afirmam
que ele se chamava, na verdade, Mikhail Mikushin e seria um espião russo
infiltrado em uma universidade na região do Ártico, na fronteira entre Noruega
e Rússia.
O
terceiro caso surgiu pouco depois, no final de 2022, quando uma brasileira
reportou o desaparecimento de seu namorado, o também "brasileiro"
Gerhard Daniel Campos.
As
autoridades, no entanto, alegaram que Campos, seria na realidade outro espião
russo chamado Artem Shmyrev. Ele deixou o Brasil pouco antes de a Polícia
Federal deflagrar uma operação para prendê-lo e nunca mais foi visto.
A
reportagem do The New York Times do ano passado listava outras seis pessoas que
teriam usado documentos brasileiros como parte de seus disfarces: Yekaterina
Leonidovna Danilova, Vladimir Aleksandrovich Danilov, Olga Igorevna Tyutereva,
Aleksandr Andreyevich Utekhin, Irina Alekseyevna Antonova e Roman Olegovich
Koval.
Utekhin,
por exemplo, segundo as investigações, se disfarçava em Brasília como
empresário do ramo de joias.
Outra
suposta espiã, cujo nome brasileiro seria Maria Isabel Moresco Garcia atuaria
como modelo.
De
acordo com as investigações da Polícia Federal, nenhum dos supostos espiões
identificados até agora colhiam informações sobre o Brasil.
A
passagem pelo país, segundo o que se apurou, fazia parte de uma estratégia de
criar um disfarce sólido o suficiente para não chamar atenção nos países onde,
de fato, os agentes deveriam realizar as suas missões.
Cherkasov,
por exemplo, passou pelo Brasil, mas também morou na Irlanda e nos Estados
Unidos, onde chegou a morar a poucos quilômetros da sede da Agência Central de
Inteligência (CIA).
Em
março de 2023, a BBC News Brasil revelou como Cherkasov teria, segundo as
investigações, "esquentado" documentos brasileiros com o auxílio de
uma funcionária de um cartório.
De
acordo com os documentos obtidos pela BBC News Brasil, Cherkasov teria
oferecido um colar de US$ 400 para que a funcionária o ajudasse. Não havia
indícios, no entanto, de que ela soubesse que Cherkasov seria um espião a
serviço do governo russo.
Ao
longo dos últimos anos, a Embaixada da Rússia no Brasil nunca atendeu os
pedidos de resposta feito pela BBC News Brasil sobre o caso.
O mais
próximo que o governo russo chegou de admitir que alguém desse grupo de nove
pessoas era, de fato, um espião foi quando Mikhail Mikushin foi incluído em um
acordo de troca de prisioneiros entre a Rússia e os Estados Unidos, em agosto
de 2024.
ENTENDA
A DECISÃO BRASILEIRA
O
Brasil decidiu expulsar do país Sergey Vladimirovich Cherkasov — um suposto
espião russo que está preso em Brasília desde 2022 — e enviá-lo de volta à
Rússia, segundo decisão publicada na segunda-feira (6/7) no Diário Oficial da
União.
A
medida, contudo, só será cumprida após o fim da pena à qual ele foi condenado
no Brasil ou mediante liberação pelo Poder Judiciário. Ainda não há previsão
sobre quando a decisão será executada.
A
suspeita de que o Brasil estava sendo usado como uma espécie de
"berçário" de espiões russos voltou à tona no ano passado após a
publicação de uma reportagem do jornal norte-americano The New York Times.
Segundo
o jornal, uma investigação liderada pela Polícia Federal brasileira identificou
pelo menos nove supostos espiões russos que usaram documentos brasileiros como
parte dos seus disfarces. A informação foi confirmada na época pela BBC News
Brasil.
Parte
deste caso foi revelado pela BBC News Brasil em reportagens entre os anos de
2022 e 2024.
Com
base em documentos e depoimentos colhidos ao longo de meses, a BBC News Brasil
revelou, por exemplo, como a Rússia orquestrou uma operação diplomática para
tentar retirar um dos seus supostos espiões da prisão e levá-lo de volta ao seu
país natal.
Fontes
ligadas à investigação disseram à BBC News Brasil que, dos nove supostos
espiões russos identificados até o ano passado, apenas um continua em solo
brasileiro: Sergey Cherkasov. E foi com ele que essa intrincada rede de
disfarces veio à tona e começou a ruir.
Uma
rede que, segundo as investigações, utilizava disfarces inusitados. Um dos
supostos espiões teria atuado como dono de uma joalheira em Brasília, outro
teria sido um estudante apaixonado por forró enquanto uma outra teria atuado
como modelo.
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Os 'ilegais'
Sergey
Cherkasov, Mikhail Mikushin, Artem Shmyrev e outros seis identificados pela PF
brasileira seriam, suspeita-se, parte de um grupo de agentes secretos
infiltrados adotado pela Rússia desde que o país ainda fazia parte da União
Soviética e celebrizado pela teledramaturgia, como no seriado The Americans.
Eles são conhecidos como "ilegais".
Eles
não apenas mudam de nome, mas adotam novas nacionalidades, profissões,
personalidades, hobbies e interesses e até mesmo criam laços familiares e de
amizades ao longo de anos ou mesmo décadas.
É comum
que eles formem casais durante o treinamento. O processo de trabalhar no
exterior por décadas sob disfarce pode causar imensa tensão e, portanto, ter um
parceiro que conhece seu trabalho costuma ser visto como uma vantagem.
Centenas
de diplomatas russos foram expulsos desde a invasão da Ucrânia, muitos
considerados espiões.
Nos
casos detectados no Brasil, as investigações até o momento apontam como os
supostos espiões teriam tentado se manter acima de qualquer suspeita.
Cherkasov,
por exemplo, chegou a fazer aulas de forró enquanto morou em São Paulo, de
acordo com as investigações brasileiras.
Além
disso, segundo o FBI, Cherkasov chegou a pedir permissão aos seus superiores
para se casar com uma mulher que não tinha treinamento como oficial de
inteligência.
"Eu
disse que se eu não me casar neste ano, nós estaremos com certeza acabados. A
mulher não pôde suportar mais", teria afirmado Cherkasov em uma conversa
encontrada pelos investigadores.
Ainda
de acordo com o FBI, o fato de que seria preciso Cherkasov pedir permissão para
casar mostraria o nível de controle que seus superiores teriam sobre sua vida
pessoal.
Shmyrev,
por sua vez, teria mantido um relacionamento com uma brasileira até pouco antes
de desaparecer, em janeiro de 2023.
No Rio
de Janeiro, segundo os investigadores, ele seria conhecido por ter uma empresa
de impressão em 3D que teria realizado serviços para órgãos públicos como os
comandos do Exército, da Marinha e para o Ministério da Cultura.
Segundo
esses relatos, apesar do relacionamento com sua namorada brasileira, ele seria
casado com outra suposta espiã russa chamada Irina Romanova, que viveria na
Grécia sob o nome falso de Maria Tsalla e que também teria mantido um
relacionamento amoroso no país. Ela também desapareceu, e as suspeitas são de
que os dois teriam fugido juntos.
O
parceiro de "Maria" em Atenas aparentemente foi informado por ela por
uma mensagem de texto que ela estava saindo.
Acredita-se
que Irina tenha sido chamada de volta pelo SVR por medo de ter sido
identificada. Acredita-se que as autoridades gregas a estivessem observando ou
investigando.
Ela
partiu deixando sua loja e seu gato para trás o que pode indicar a pressa com
que se desligou.
Nos
últimos anos, oficiais de inteligência acreditam que a GRU se tornou mais ativa
- e agressiva.
A GRU é
suspeita de ter enviado uma equipe de agentes sob identidade falsa para matar
Sergei Skripal em 2018, em Salisbury, no Reino Unido. A Rússia, no entanto,
nega seu envolvimento neste caso.
O
principal trabalho dos agentes, no entanto, é coletar informações e realizar
atividades de apoio às Forças Armadas da Rússia.
Normalmente,
quando são pegos, o governo russo trabalha para levá-los de volta à Rússia por
meio de algum tipo de acordo - geralmente uma troca de espiões.
Foi o
que aconteceu com um grupo de russos presos nos EUA em 2010, que foram trocados
por agentes detidos em prisões russas por espionagem.
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Mas por que o Brasil?
Integrantes
da comunidade de inteligência brasileira, investigadores e pessoas que conhecem
o sistema de registro cartorial no Brasil pontuam três motivos que talvez
tenham levado o Brasil a ser um dos países escolhidos pela Rússia como
"berçário" para seus espiões.
• fragilidades dos sistemas de emissão e
controle de documentos no Brasil;
• histórico de não envolvimento do país em
conflitos internacionais;
• população miscigenada
No caso
de Cherkasov, sua certidão teria sido expedida em abril de 1989 em um cartório
do Rio de Janeiro.
Foi a
partir dessa certidão, segundo as investigações, que teria conseguido obter
carteira de identidade, carteira nacional de habilitação, passaporte e até o
cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).
No caso
de Mikushin, sua certidão de nascimento foi emitida em um cartório da cidade de
Padre Bernardo, no interior de Goiás, município com pouco mais de 35 mil
habitantes.
Com o
documento em mãos, ele teria conseguido se passar por um estudante
universitário brasileiro e concluído a graduação e o mestrado em duas
universidades canadenses diferentes, antes de partir para sua última missão:
atuar junto a um grupo de pesquisadores noruegueses que estudam ameaças e
guerras híbridas.
"Quando
soubemos do caso, nós fomos aos livros do cartório e verificamos que a certidão
é original e que ela está na ordem exata de emissão. Não conseguimos descobrir
como é que ela foi parar nas mãos dessa pessoa e como ele conseguiu, depois,
todos os outros documentos", disse à BBC News Brasil a oficial do cartório
de registro civil de Padre Bernardo, Eloália Nunes Ferreira, em maio de 2023.
Um
integrante da comunidade de inteligência brasileiro disse à reportagem em
caráter reservado que as certidões usadas pelos dois supostos espiões
identificados até agora são, de fato, materialmente verdadeiras.
Isso
quer dizer que elas não foram forjadas, rasuradas ou submetidas a algum tipo de
adulteração.
Segundo
essa fonte, isso indicaria que essas certidões foram, efetivamente, emitidas
pelos cartórios ou tabelionatos brasileiros, mas ainda não se sabe exatamente
como os russos conseguiram obtê-las.
Fonte:
BBC News Brasil

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