Não
é azar, é de propósito: o cálculo por trás das bets para que o brasileiro perca
sempre
Chega
um momento em que você pensa “já perdi muito”, para e avalia: o prêmio
prometido já está gigante e prestes a “estourar” após repetidas tentativas.
Continua, clica mais pausadamente, afinal, talvez seja a hora de parar. A
hesitação é computada em segundos pela interface de sua plataforma de apostas
preferida. Chega uma oferta de bônus, cashback para recarga, lembrete do ganho
acumulado. No Brasileirão, um gol inesperado muda as chances para todo mundo.
Agora, o prêmio é cinco vezes superior se acertar autor do gol, resultado e
número de cartões, mas, apenas se simultaneamente o seu arquirrival empatar em
partida fora. Luzes, brilho, recompensas fáceis, emoção ao alcance das mãos.
Você acredita na sorte, em seu tino futebolístico, no conhecimento que quase
ninguém dispõe, apenas você. Só mais uma fezinha. As companhias agradecem.
Cada
clique, tempo de sessão, saldo disponível, saques anteriores, número de
plataformas em que é cadastrado, volume e velocidade entre apostas. Todos esses
dados são extraídos e transformados em uma experiência personalizada, pensada
para te manter jogando, com “quase ganhos” estratégicos e vitórias menores
eventuais. O objetivo, lucro imediato, é o mesmo nas duas pontas da equação. De
seu lado, ansiedade e esperança fazem parte do serviço. Do outro, a matemática
opera sua mágica. E, invariavelmente, você ganhando ou perdendo, as casas
ganham mais. “O ecossistema das bets é sustentado por uma infraestrutura de
captura de dados que rastreia comportamento em tempo real, incluindo
informações como tempo de sessão, padrões de aposta, momentos de hesitação, intenção
de saída etc. Esses dados retroalimentam sistemas que disparam notificações e
ofertas nos momentos de maior vulnerabilidade do usuário”, explica o professor
de mídias digitais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Daniel Marques.
Nesse cálculo, entram psicologia comportamental, design de jogos, programação,
estatística, distribuição, expectativa matemática e, claro, uma margem,
assegurada por lei, de ganho médio mínimo das plataformas que oferecem os
jogos. A regulação se impõe para que os cidadãos sejam protegidos, sem que esse
ambiente se torne uma terra sem lei.
De
acordo com a portaria 1.207/2024, o maior prêmio acumulado (jackpot) tentador e
sem muitas explicações, que depende apenas de aleatoriedade, por exemplo, deve
obrigatoriamente sair numa frequência mínima de uma a cada 100 milhões de
jogadas. Na Mega Sena, considerando a análise combinatória, a probabilidade de
acertar as seis dezenas é de uma em cada 50 milhões. Sim, o dobro de chances do
que o mínimo legal imposto às bets. O mesmo dispositivo legal também prevê o
mínimo para operar, com certificação, quanto ao retorno ao apostador, o chamado
“RTP”, que no Brasil é de 85%. Isso significa que de cada R$ 100 que a casa de
apostas recebe para ofertar os jogos, ela ganha R$ 15, em média, e os demais R$
85 circulam entre os apostadores, com ganhos pontuais.
Com RTP
baixo, a probabilidade de vitória é menor, mas as recompensas são maiores.
Normalmente, as bets operam com RTPs maiores, entre 94 e 98%, para que os
ganhos sejam mais módicos, porém mais frequentes, o que estimula a adesão. Ou
seja, as empresas podem ganhar menos por cada aposta, mas se beneficiam de um
volume e frequência normalmente maiores de seus usuários. Os valores de RTP são
fixos para cada operação certificada, ou seja, para cada nível de RTP, há uma
autorização específica feita pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do
Ministério da Fazenda, impedindo mudanças injustas por parte das empresas. “O
RTP é definido a partir da expectativa matemática do jogo. Primeiro, calculamos
todas as probabilidades e pagamentos possíveis para entender quanto o sistema
devolve ao jogador no longo prazo. A partir disso, ajustamos a margem da casa
até atingir o retorno desejado [por ela], por exemplo 96% ou 97%. Depois entra
a parte mais importante: a volatilidade”, explica o desenvolvedor de jogos
Leandro Melo da Costa.
O
profissional detalha: “Em um jogo de baixa volatilidade, o saldo do jogador
oscila menos. Em um de alta volatilidade, as oscilações são muito maiores, com
períodos longos de perda seguidos por ganhos raros e expressivos. […] O
equilíbrio entre frequência, tamanho dos ganhos e momentos de quase vitória é o
que cria a percepção de ‘chance real’ no curto prazo, mesmo mantendo a vantagem
estatística da casa no longo prazo”. Em outras palavras, a plataforma ganha uma
parte de cada aposta feita e lucra com o conjunto de tudo que é jogado – aquela
sensação de que você deu prejuízo à casa é apenas a ilusão satisfatória de
receber uma fatia do bolo que a casa devora quase todo, e com facilidade. E, no
caso das bets, “sensação” é uma palavra-chave desde o primeiro momento em que
você ingressa no ambiente, a começar pelo modo de pagamento. E é aí que o Pix,
uma revolução econômica brasileira, também serve de facilidade para as casas de
aposta.
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Prejuízo real estimulado e pouco palpável
“A
abstração do dinheiro é uma estratégia eficaz de apagamento do risco, pois o
custo psicológico de cada aposta diminui”, explica o professor de mídias
digitais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Daniel Gois
Rabelo Marques. E é por isso que você pode fazer recargas facilitadas, com
biometria, em apenas um clique, ou que compra tokens, fichas ou créditos
fictícios para jogar, em vez de ter exposto, na tela, de fato o dinheiro que já
gastou (ou, na prática, perdeu). “No caso do Pix, o depósito financeiro é
transformado em um gesto corriqueiro, com pouco atrito, pouca pausa e,
consequentemente, pouco confronto com o valor real”, completa o especialista.
O
comportamento esperado do usuário já é previsto, estudado e estimulado antes
mesmo que ele comece a apostar, ainda na captação de jogadores e até mesmo no
depósito de dinheiro ou créditos para engajar com as plataformas, e isso é
ciência aplicada. “Quando se fala em jogos de azar, o único tipo de jogador que
existe é o sortudo, pois toda a vitória, derrota, ganhos ou perdas são frutos
de uma estatística que sempre favorece a banca, por isto existe o coeficiente
de taxa de retorno em todos os jogos. A tendência é o jogador sempre perder
graças à matemática dos grandes números”, classifica o engenheiro civil e
desenvolvedor Matheus Augusto Estrella, antes de sintetizar: “A própria
confecção destes softwares são feitas ao se apoiar nas fraquezas do usuário,
sendo intrinsecamente predatórios”.
Do lado
da regulação, a fiscalização efetiva é um dos caminhos para evitar que o
ambiente predatório se imponha. Do lado do cidadão comum, potencialmente
usuário, resta compreender as técnicas utilizadas para não ser presa fácil do
ecossistema que navega.
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O pulo do tigre: perder ou perder
Na
matemática utilizada pelas plataformas, o algoritmo utiliza as chances de um
evento para definir a probabilidade de um episódio ocorrer, as chamadas odds:
“a empresa nunca trabalha com odds ‘justas’”. A frase é do desenvolvedor de
jogos Leandro Melo da Costa e parece atualizar um ditado popular da cultura dos
cassinos: “A casa sempre ganha”.
Na
selva estatística e financeira das bets, um ensinamento deveria ser fundamental
antes do usuário começar a apostar, já que o indicador ofertado nunca é, de
fato, o que aquela aleatoriedade valeria. Isso porque o evento é convertido em
um multiplicador de pagamento que já inclui a margem da casa embutida. Por
exemplo, as odds reais de 2 passam a ser ofertadas a 1,8. No conjunto dos
cenários oferecidos, essa diferença garante que a plataforma lucre, mesmo que
muitas pessoas acertem o cenário apostado. “O teto de lucro da plataforma é
definido principalmente por três fatores: margem aplicada nas odds, volume de
apostas e controle de exposição financeira”, explica Costa. A programação,
nesse caso, é dinâmica e automaticamente vai se ajustando ao longo do tempo
para garantir ganhos para a plataforma mesmo quando o cenário muda. “Embora o
RTP final fique matematicamente definido em configuração, a distribuição dos
ganhos é controlada por algoritmos probabilísticos dentro do código do jogo.
[…] Quando existe risco elevado, o algoritmo pode reduzir odds, limitar aposta,
fechar mercados ou recalcular preços em tempo real”, completa.
O “pulo
do gato” das plataformas normalmente se concentra no pós-perda e em todo o
ambiente que envolve esse momento. É o recurso do “Near miss”, literalmente o
“quase ganhar”, o que fica explícito na interface gráfica das bets. O sistema
pode definir distribuições específicas de combinações de apostas, de símbolos
em slots ou estruturas de recompensa que apareçam para o apostador com mais
frequência visual do que ditaria uma situação, de fato, aleatória. É aquela
situação de “está aparecendo muito X”, alimentando a expectativa de vitória
iminente. “[Há] animações, sons, desaceleração dos reels e efeitos visuais que
reforçam a sensação de ‘quase ganhar’”, conta Leandro Costa, acrescentando que
muitas plataformas fazem uso de reforços variáveis, conceito conhecido da
psicologia comportamental.
“O
sistema não entrega recompensas em padrões fixos, mas em intervalos
imprevisíveis, criando expectativa constante e aumentando o engajamento. [...]
Jogos mais estáveis passam sensação de controle e retenção maior de saldo.
Jogos mais voláteis tendem a gerar mais tensão, expectativa e emoção, porque
existe a sensação de que um grande prêmio pode acontecer a qualquer momento”,
conclui.
Após
você perder, o código se volta à personalização a partir de dados de perda em
evento único, tempo de sessão, padrão emocional de aposta, total perdido e
probabilidade de recompra de créditos. “O sistema pode disparar estímulos quase
imediatos, como free bets, cashback, notificações, odds turbinadas, sugestões
de nova entrada ou ‘você esteve muito perto’”, conta. “Em iGaming, grande parte
do trabalho técnico não está apenas na matemática do jogo, mas em sistemas de
retenção, comportamento e recorrência que mantêm o usuário engajado após perdas
emocionalmente impactantes”, conclui o desenvolvedor.
As bets
se apresentam em formatos diversos, conhecidos como slots, crashes, apostas
esportivas, mas muitas vezes funcionam conectadas em um ambiente de aplicativos
que compartilham carteiras únicas com recursos de cassinos. E para estimular a
frequência das apostas, é necessário manter o usuário engajado – e nada melhor
para isso do que a sensação de ganho inicial. “Isto não é algo difícil de ser
implementado para quem possui os dados estatísticos do jogador em tempo real,
muitas empresas estimulam que o jogador comece ganhando justamente para depois
começarem perdas programadas”, afirma o engenheiro civil e desenvolvedor
Matheus Estrella. É possível que você conheça (ou seja) um grande entendedor de
futebol e as apostas esportivas sejam sua “especialidade” e principal recurso
para “quebrar a banca”. Na prática, as casas de apostas não sentem o impacto
desse perfil no dia a dia. Ainda assim, elas usam recursos de “segurança”, que
supostamente preveniriam perdas para os usuários como forma de, no fim das contas,
arrecadar mais.
Um
grande exemplo é a lógica do cashout, quando você busca travar parte dos ganhos
ou reapostar parte do que já estava comprometido para tentar diminuir perdas de
eventos em andamento – um gol surpresa em qualquer fim de semana, que estraga o
seu churrasco (e, nesse caso, também a carteira). E daí você salva parte da
aposta ou mesmo arrisca no resultado contrário à sua escolha original, tudo
para diminuir perdas. “Para quem domina
e entende essa metodologia, o cashout é uma ferramenta legítima e que pode gerar
lucro. Só que a casa de aposta não é boba. Ela sabe que a grande maioria dos
jogadores não entende esse mecanismo. E é exatamente por isso que ela acaba
lucrando muito mais. […] Muitos jogadores aceitam o cashout em vez de aguardar
o fim do evento porque a espera gera muito cortisol, muita adrenalina, muita
dopamina — gera tensão. Então, na hora do calor emocional, as pessoas preferem
sair antes. E essa saída antecipada, de fato, é uma forma da casa de aposta se
proteger”, explica o especialista de cassinos Carlos Frederico Amaral. No fim
das contas das bets, as perdas se fazem regra, mas a vitória – ou quase ganho –
têm sabor estimulante, recheado de adrenalina, à base de muita ciência e
planejamento, mesmo quando você acha que está sendo o mais esperto do recinto.
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A caverna do dragão: esperança como recurso
O
conceito de captura afetiva diz respeito a um ecossistema desenhado para
influenciar e engajar usuários. E foi para tentar dar materialidade ao uso
desse conceito que pesquisadores da UFRB e da Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), Daniel Marques e Thiago Falcão, respectivamente, entrevistaram
profissionais da área de desenvolvimento de jogos digitais. A ideia do trabalho
seria tratar sobre o papel ativo que os profissionais desempenham nessa indução
ao jogo e as situações éticas que envolvem esse cenário. Assim foi concebido o
artigo Design persuasivo e mediação tecnológica em plataformas digitais de
apostas: práticas e dilemas éticos de designers e desenvolvedores.
Em
entrevista à Agência Pública, Marques explica que os principais gatilhos
visuais que fazem parte do cálculo das plataformas são as contagens
regressivas, botões de repetição rápida e animações celebrativas, em especial
considerando recompensas intermitentes, além de características comuns a
diversos ambientes de apostas. Alguns exemplos são a ausência de monitores de
quanto já foi apostado, perdido ou o tempo de uso da plataforma. “Essa ausência
de informação relevante ao juízo do usuário é, em si, uma estratégia
persuasiva”, descreve o professor. “Nas bets, esse efeito se materializa de
forma sofisticada a partir de elementos de microinteração projetados para
mobilizá-lo”. “A ideia é fazer o corpo sentir que o ganho está próximo e que
vale a pena continuar, produzindo uma espécie de esperança como recurso”,
completa Marques. Entre os profissionais entrevistados anonimamente para o
artigo, há um que descreve o uso de clickbait personalizado, do tipo “você
ganhou”, quando a realidade o ganho seria apenas de uma nova chance de
participação. Outro aponta mensagens que “explodem da tela” ao perceber
hesitação, com direito ao recado “não abandone sua aposta”. “A interface é
projetada para eliminar pontos de saída ou qualquer elemento que quebre a
continuidade da experiência e devolva o usuário ao mundo real. [...] Todos os
elementos são projetados para dissolver as fronteiras entre o ambiente do jogo
e o mundo exterior”.
O
professor universitário aponta que foi possível encontrar um padrão consistente
entre os diferentes profissionais entrevistados no sentido do reconhecimento de
cada um deles dos efeitos persuasivos do design combinado com ausência total de
espaços institucionais para reflexão ética nas plataformas “embora os
profissionais saibam o que estão fazendo”, diz. “O que identificamos é que o
problema é estrutural, pois a responsabilidade ética é fragmentada pelas
hierarquias organizacionais. Então, os profissionais em regime de trabalho
precarizado executam, mas não decidem a estratégia”, conclui o pesquisador.
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Clica aqui no meu link?
Já
entendemos até aqui que a regra é que a Casa sempre ganha, e que o acaso define
quando você pode ganhar ou perder, mas há um terceira parte, elemento moderno
nessa equação, que celebra qualquer desses cenários: os influenciadores. No
ecossistema das bets, eles são classificados como “afiliados” e estão sempre
distribuindo aquele link cheio de vantagens e bônus para agregar mais
jogadores. Não é por acaso. “Os links de afiliados funcionam como um hyperlink
rastreável. A gente consegue acompanhar por onde o link está sendo clicado, por
onde as contas estão sendo abertas, os FTDs (First Time Deposits) e qual é o
trajeto que esse jogador faz dentro da plataforma depois de entrar pelo link”,
explica o especialista em cassinos Carlos Amaral. “O padrão tradicional do mercado é um modelo
híbrido. O afiliado recebe uma parte fixa e uma porcentagem em cima do GGR — ou
seja, em cima do quanto o jogador indicado por ele perde”, adiciona o
especialista. GGR é a métrica utilizada pelas casas de apostas para representar
suas receitas brutas e é utilizada para calcular as destinações sociais,
incluindo os impostos.
Esse
modelo híbrido é o que o mercado chama de revshare e pode ser calculado
diretamente sobre as perdas dos usuários que clicaram no link do influenciador
ou em combinações prévias mais arrojadas. Um exemplo que se tornou público foi
o da influenciadora Virgínia Fonseca, que, durante a CPI das Bets no Senado,
evidenciou que seu contrato com uma grande empresa de apostas incluía um
“bônus” de 30% se a casa duplicasse seus ganhos no período em que ela fazia a
divulgação – como já sabemos a essa altura, isso se dá com uma parte de cada
aposta e, mais massivamente, em tudo que se perde, já que a casa ganha sempre.
Os
influenciadores frequentemente aparecem demonstrando os jogos, exibem bônus e
quase sempre aparecem com saldo significativo de ganhos, gravando reações sobre
o montante. Amaral conta que esse é um recurso de marketing de experimentação
comum no ambiente das apostas. “É um modelo que existe em vários formatos, em
aplicativos paralelos, onde o influenciador consegue jogar com uma banca
infinita. Ele aparece jogando como se estivesse com muito dinheiro — parece que
está apostando R$ 100 mil reais, mas na verdade são 100 mil fichas, sem valor
real”. A vontade de participar e também ganhar, no entanto, é mais que
verdadeira e muita gente aproveita o convite bonificado para se aventurar, o
que o especialista em cassino entende como previsível e de praxe: “Está
comprovado: quando você mexe com os pecados capitais, você converte mais.”
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“Pode isso, Galvão?“
Seja
para controlar a indução dos usuários a perdas ou para garantir a integridade
do ambiente de apostas, todos os especialistas ouvidos pela Pública põem as
fichas na fiscalização governamental e em uma regulação mais detalhada para
impedir excessos. “Hoje em dia, ele está até mais justo do que já foi. Por dois
motivos. Primeiro, porque o mercado está regulamentado. Um mercado regulado é,
por definição, mais justo do que era antes — antigamente, era o velho oeste, o
‘mato’”, defende Carlos Amaral. “Como profissional, acredito que a
responsabilidade não está apenas no operador, mas também na regulação, educação
financeira e maturidade do mercado como um todo. O mesmo sistema que pode ser
usado de forma abusiva também pode ser desenvolvido com foco em transparência,
controle e jogo responsável”, opina o desenvolvedor Leandro Melo da Costa. Para
o professor de mídias digitais da UFRB Daniel Marques, apenas a regulação ainda
não é suficiente para garantir segurança para os usuários. “A Lei 14.790/2023 e
a Portaria SPA/MF nº 722/2024 avançaram ao exigir avisos de jogo responsável,
mecanismos de autoexclusão e limitação de gasto, mas ainda não é suficiente.
Acredito que é possível disputar o design dessas plataformas, mas isso exige um
marco regulatório que incorpore parâmetros éticos para o design e não apenas
para o conteúdo exibido”, avalia.
Fonte:
Por Ed Wanderley e Anna Greg, da Agencia Pública

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