sábado, 11 de julho de 2026

China cobra 'fim imediato' do bloqueio norte-americano contra Cuba

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, pediu nesta quinta-feira (09/07) que os Estados Unidos atendam ao apelo da comunidade internacional e deem fim imediatamente ao bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba.

A declaração ocorre após uma sessão da ONU ter aprovado, em 7 de julho, uma resolução que rejeita as medidas coercitivas dos Estados Unidos, com 136 votos a favor, nove contra e 30 abstenções.

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Mao destacou que, por mais de seis décadas, Washington mantém sanções que violam gravemente os objetivos da Carta da ONU e as normas básicas das relações internacionais. A porta-voz enfatizou que essas ações infringem o direito de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento, tendo recentemente agravado a crise energética da ilha.

“O amplo apoio obtido demonstra o crescente isolamento das práticas unilaterais e intimidatórias ”, afirmou Mao, sublinhando a rejeição global da interferência externa, numa votação que reflete, mais uma vez, o amplo apoio à nação cubana.

Por sua vez, o representante Permanente da China na ONU, Fu Cong, denunciou durante o debate que o bloqueio gerou perdas superiores a US$ 170 bilhões (R$ 869,7 bilhões) para Havana. Cong exigiu que o governo da Casa Branca pusesse fim às “sanções de estrangulamento” e às medidas de pressão máxima aplicadas desde o início do ano nos setores financeiro e comercial.

Fu Cong alertou que o ressurgimento do unilateralismo está confrontando o sistema internacional com choques sem precedentes, atrasando o progresso rumo à Agenda 2030. “A China sempre se opôs a sanções unilaterais ilegais que não têm fundamento no direito internacional”, reafirmou o porta-voz Ning, denunciando a intensificação do bloqueio econômico.

A China reiterou seu compromisso com a justiça e a unidade internacional, apoiando Cuba em sua reivindicação por dignidade e liberdade diante do que considera uma catástrofe humanitária causada pela coerção dos Estados Unidos. Pequim enfatizou que a tendência predominante deve ser a defesa da soberania nacional contra qualquer forma de ameaça militar ou econômica.

¨      Economistas exigem 'suspensão imediata' de medidas coercitivas dos EUA contra Caracas

Um total de 113 economistas e acadêmicos internacionais de renome assinaram um manifesto exigindo que o governo dos Estados Unidos suspenda imediatamente as medidas coercitivas unilaterais contra a Venezuela, com o objetivo de mitigar a emergência humanitária causada por dois terremotos consecutivos.

Os terremotos, que atingiram Caracas, a capital do país, em 24 de junho, e pelo menos sete estados venezuelanos, particularmente La Guaira, deixaram pelo menos 3.685 mortos e 16.740 feridos, de acordo com o último balanço oficial.

Signatários internacionais de alto nível, como Isabella Weber, Jeffrey Sachs e James K. Galbraith, instaram o Departamento do Tesouro dos EUA a suspender as medidas coercitivas impostas ao Banco Central da Venezuela (BCV), à Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), às instituições financeiras públicas e aos setores de mineração, petróleo, bancário, transporte, telecomunicações e turismo.

Os acadêmicos enfatizaram que “a emergência é humana antes de ser política” e que os esforços de resgate, o abastecimento de água, energia, alimentos e medicamentos não podem ser adiados devido a procedimentos diplomáticos.

O manifesto conta com o apoio do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), cujo codiretor, Mark Weisbrot, descreveu a retenção de bilhões de dólares pertencentes ao Estado venezuelano pelos Estados Unidos e pela Europa como um “ato bárbaro”. Weisbrot explicou que as sanções causaram a perda de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela entre 2012 e 2020, isolando o país dos mercados financeiros internacionais desde 2017.

<><> Reservas congeladas

O pedido exige que o Reino Unido descongele as reservas de ouro do BCV no Banco da Inglaterra, avaliadas em 5 bilhões de dólares, e apela a Portugal para a devolução de 1,2 bilhão de dólares depositados no Novo Banco, pertencentes ao Banco de Desenvolvimento da Venezuela (Bandes), em cumprimento a uma decisão judicial de 2023.

Eles estão solicitando ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que possibilite o acesso a US$ 5 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES) e aprove um desembolso emergencial de US$ 4 bilhões por meio do Instrumento de Financiamento Rápido (IFR).

O pesquisador do CEPR, Andrés Arauz, denunciou que o Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio, está obstruindo o acesso a esses recursos ao negar a certificação 25B, que reconhece o BCV como um banco estatal.

O texto também exige uma moratória abrangente da dívida externa da Venezuela (detida por empresas demandantes, detentores de títulos da década de 1990 e credores oficiais como a China e a Rússia) para suspender a cobrança de juros e multas durante a reconstrução.

Os pesquisadores declararam insuficientes as medidas iniciais de Washington, que consistiam em US$ 300 milhões em ajuda, envio de equipamentos de remoção e uma licença temporária restrita para voos humanitários.

Arauz, o ex-ministro equatoriano que coordenou a resposta ao terremoto de Manabí em 2016, alertou que o impacto do desastre na Venezuela equivale a 10% do seu PIB, sendo necessária, portanto, a importação maciça de máquinas e tecnologia, sem os entraves das sanções, para evitar uma paralisia econômica ainda maior.

¨      Após ligação com Lula, Petro reafirma compromisso com ‘transição pacífica’ na Colômbia

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva informou, em publicação na quinta-feira (09/07), ter recebido uma ligação telefônica de Gustavo Petro, durante a qual o mandatário colombiano reafirmou “compromisso com a democracia” e com “uma transição pacífica no país”. O líder de Bogotá deixará oficialmente o seu cargo presidencial em 6 de agosto, após a vitória eleitoral do extremista de direita Abelardo de la Espriella.

Segundo o comunicado do chefe de Estado brasileiro em rede social, ambos também discutiram a agenda bilateral e a cooperação regional, com destaque aos elogios de Lula aos esforços de Bogotá em relação ao meio ambiente, à proteção da Amazônia e ao combate ao narcotráfico.

“Agradeci ao presidente Petro pela amizade e pela cooperação com o Brasil e o povo brasileiro. Ao longo de seu mandato, Petro sempre demonstrou firme compromisso com a integração regional e o enfrentamento dos desafios comuns da América do Sul”, escreveu. “Destaquei, ainda, sua determinação inabalável em promover a sustentabilidade ambiental, a preservação da Amazônia, além de seu incansável engajamento no enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional”.

O presidente brasileiro lembrou que, ao longo dos três anos e meio em que ambos exerceram simultaneamente seus mandatos, a Colômbia se tornou um dos destinos mais frequentes de suas viagens oficiais. Segundo ele, foram cinco visitas ao país vizinho, incluindo em importantes encontros multilaterais, como as cúpulas da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), da CELAC, da CELAC-União Europeia e da CELAC-África.

Por sua vez, a nota oficial emitida pela Presidência colombiana informou que a conversa telefônica entre os líderes teve duração de 20 minutos. “Os mandatários abordaram assuntos relacionados com a conjuntura política regional, os processos eleitorais na América Latina, a agenda de trabalho conjunta quem ambos os países vêm desenvolvendo, assim como temas de cibersegurança e inteligência artificial”, detalha.

<><> Em baixa na Argentina, Javier Milei anuncia viagem ao Brasil para apoiar candidatura de Flávio Bolsonaro

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta sexta-feira (10/07) que iniciará nos próximos dias uma série de viagens pelos países da América do Sul e que terá sua parada mais importante no Brasil.

Segundo o mandatário argentino, a estadia no Brasil terá como principal objetivo a participação em um evento em São Paulo, no dia 25 de julho, no qual irá declarar seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência do país.

“Acreditamos ser possível que o Brasil tenha uma mudança no caminho de expressões mais defensoras da liberdade e da propriedade privada, e para nós é um bom sinal que o continente comece a abraçar as ideias da liberdade”, afirmou Milei em sua mensagem.

Ademais, o líder de extrema direita argentino disse que pretende fazer uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que se encontra em prisão domiciliar após ser condenado pelo Superior Tribunal Federal (STF) por liderar uma tentativa de golpe de Estado – essa visita, porém, requer autorização do mesmo STF para que seja realizada.

O presidente argentino descartou um encontro com seu homólogo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que é candidato à reeleição no pleito que acontecerá em outubro deste ano. Lula será o principal adversário de Flávio nessa disputa eleitoral.

<><> Peru e Colômbia

Além do Brasil, Milei disse que sua série de viagens pela América do Sul deve ter ao menos outras duas paradas, em Lima, no Peru, e em Bogotá, na Colômbia.

Na capital peruana, Milei deverá participar, no dia 28 de julho, da cerimônia de posse da líder ultraconservadora Keiko Fujimori, eleita presidente do país andino.

Após a passagem por Lima, o presidente argentino deve retornar a Buenos Aires, para viajar novamente no dia 7 de agosto, dia em que acompanhará outra cerimônia de posse, também de um líder de extrema direita: Abelardo de la Espriella, que assumirá o poder na Colômbia.

Segundo o diário argentino Página/12, Milei pretende viajar a Quito, no Equador, logo após o evento em Bogotá, para uma reunião com o presidente Daniel Noboa, mas esse encontro ainda não foi confirmado nem pelos canais oficiais da Casa Rosada nem pelos perfis do mandatário argentino nas redes sociais.

¨      Equador anuncia reforma para conter impactos da alta do petróleo internacional no país

O governo do Equador anunciou nesta quinta-feira (09/07) uma reforma no sistema de estabilização de preços das gasolinas Extra e Ecopaís, além do diesel, em um mecanismo excepcional para amortecer a volatilidade dos preços dos recursos comercializados no país. De acordo com o comunicado emitido, a medida, que é temporária e entra em vigor neste domingo (12/07), tem como objetivo evitar que os aumentos internacionais dos preços do petróleo impactem no custo nacional dos combustíveis.

A medida foi oficializada pelo Decreto Executivo nº 444, pelo qual o presidente equatoriano Daniel Noboa ordenou a modificação do Regulamento Codificado da Regulação de Preços dos Derivados de Hidrocarbonetos. Conforme o jornal El Mercurio, “nos últimos meses, os valores de Extra, Ecopaís, diesel atingiram números nunca antes vistos no país”.

As autoridades governamentais também apontaram, em nota, que quando as condições do mercado internacional se apresentam favoráveis e os preços dos combustíveis caem, essa redução pode ser repassada ao consumidor. Desta forma, explica o governo que a medida alcançaria as famílias, o setor de transporte e as atividades produtivas que dependem do uso de combustíveis.

A gestão de Noboa ainda reiterou que o fornecimento de combustíveis é garantido em todo o território nacional, destacando que a Agência para a Regulação e Controle de Hidrocarbonetos (ARCH) continuará realizando operações para monitorar o fornecimento, em conformidade com os preços atuais e a qualidade dos combustíveis comercializados nos postos de serviço.

Em setembro do ano passado, o Equador foi palco de protestos contra o fim do subsídio do diesel e no aumento do preço do recurso. Na ocasião,  presidente Noboa declarou estado de exceção em 10 províncias do país, argumentando de que se trata em resposta à “grave comoção interna, gerada pelas paralisações, atos de violência e bloqueios de vias”.

De acordo com o comunicado emitido na ocasião, as ações dos manifestantes “alteraram a ordem pública e afetaram os direitos fundamentais da cidadania”. Como resultado os protestos e repressão policial, cerca de 150 pessoas ficaram feridas, enquanto mais de 100 foram presas e uma morte foi registrada.

¨      Autoridades diplomáticas do Paraguai pedem desculpas após novos ataques de senadora contra Mbappé

Os ataques discriminatórios feitos pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o jogador francês Kylian Mbappé intensificaram-se nos últimos dias, transformando-se em uma questão política. Nesta quarta-feira (08/07), autoridades diplomáticas do Paraguai pediram desculpas formais à França pelos atos da parlamentar, que voltou a ofender o atleta.

Quando parecia que as ofensas de Amarilla contra Mbappé haviam atingido o seu limite, a senadora paraguaia voltou a atacar o jogador francês durante uma sessão do Senado, com insultos ainda piores. “Esse filho da p* se recusa a apertar a mão dele [goleiro paraguaio] e grita na cara dele. Isso não é coisa de francês. Um francês não teria feito isso. Nunca, jamais!”, declarou ela.

Os ataques de Amarilla contra Mbappé começaram depois que a França eliminou o Paraguai nas oitavas de final da Copa do Mundo, no último sábado.

O jogador francês teria se recusado a cumprimentar o goleiro adversário ao fim da partida, marcada por provocações e hostilidades em campo.

Também houve reações de torcedores. Após a eliminação de sua seleção, paraguaios queimaram um boneco de Mbappé nas ruas de Assunção. Esse episódio aconteceu no contexto de festa de San Juan Ara, de tradição católica, que envolve a preparação do “Judas Kai” – ou “fogueira de Judas” – para promover uma vingança simbólica contra uma figura impopular.

<><> Dimensão diplomática

A situação escalou a ponto de exigir intervenção diplomática. As autoridades paraguaias enviaram uma carta ao governo francês, apresentando desculpas e distanciando-se da controvérsia.

A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, confirmou o recebimento de desculpas do governo paraguaio e deixou um aviso à senadora: “Acho que nossos cidadãos saberão como recebê-la. Não cabe a mim declará-la persona non grata, mas ela não terá uma recepção muito calorosa”, afirmou.

Amarilla recusa-se a pedir desculpas após proferir insultos discriminatórios contra o jogador – chamando-o de “bruto”, “novo-rico” ou “camaronês colonizado que finge ser francês”, apesar de Mbappé ter nascido em Paris.

Enquanto isso, Guillermo Duarte Cacavelo, advogado de Celeste Amarilla, alegou na quarta-feira que o atacante poderia ser extraditado para o Paraguai por difamação – uma alegação que carece de qualquer fundamento jurídico.

‘Unanimidade na classe política francesa’

As declarações mais recentes de Celeste Amarilla provocaram uma nova onda de críticas, chegando até mesmo às Nações Unidas, que expressaram apoio ao capitão da seleção francesa e condenaram veementemente os ataques racistas que ele sofreu.

As autoridades judiciais da França abriram uma investigação por injúria pública e incitação ao ódio e à violência, após uma denúncia apresentada pela Federação de Futebol do país.

Eleonore Caroit, ministra encarregada de Parcerias Internacionais e Francesas no Exterior, disse que “esse tipo de comportamento, atitude e agressão verbal é totalmente intolerável”.

“E acredito que houve unanimidade em toda a classe política francesa na condenação de tais declarações. No entanto, obviamente, essas declarações refletem apenas a sua autora, a senadora Celeste Amarilla, e de forma alguma representam a posição do governo paraguaio”, analisou.

Caroit afirmou que é “totalmente inaceitável” o “discurso de ódio e uma normalização desse tipo de retórica”, acrescentando que é necessária uma postura mais combativa de Paris. “Não podemos ficar de braços cruzados. Essa condenação também deve se traduzir em ações”, enfatizou ela.

 

Fonte: Opera Mundi

 

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