Ao
contrário do que diz Trump, Putin rejeita paz na Ucrânia
O
presidente da Rússia, Vladimir Putin, estaria rejeitando
os apelos para negociar a paz com Kiev, disseram à agência de notícias Reuters
três fontes próximas ao Kremlin. Segundo elas, os recentes ataques de drones
ucranianos contra refinarias e portos russos reforçaram determinação do líder
russo de continuar a guerra.
Duas
das fontes, sob condição de anonimato, afirmaram que Putin provavelmente optará
por uma escalada do conflito, que já entrou em seu quinto ano. Uma delas, que
se reúne regularmente com o presidente, descreveu como "alta" a
probabilidade de uma escalada nos próximos meses.
A
informação foi divulgada nesta quinta-feira (09/07), dia em que drones
ucranianos atingiram novas instalações petrolíferas russas e incendiaram dois
petroleiros no Mar de Azov.
Os
ataques ucranianos contra refinarias e outras
infraestruturas em toda a Rússia desencadearam uma ampla crise de combustíveis,
com relatos de escassez de gasolina, racionamento de
combustível em
várias regiões e motoristas aguardando por horas para abastecer seus veículos.
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Putin quer conquistar todo o Donbass
As
declarações ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar
na segunda-feira que Putin gostaria de encerrar a guerra e que uma solução
estaria "mais próxima do que as pessoas imaginam".
Uma das
fontes familiarizadas com o pensamento de Putin afirmou que ele está decidido a
alcançar o objetivo central de conquistar o restante da região de Donbass, no
leste da Ucrânia, onde os avanços russos desaceleraram neste ano. A mesma fonte
disse que Putin repreendeu recentemente um grupo de assessores que sugeriu um
compromisso baseado em um cessar-fogo nas atuais linhas de frente. Já a segunda
fonte afirmou que Putin acredita que a Rússia em breve conquistará todo o
Donbass.
Em
junho, o presidente russo rejeitou publicamente um apelo do presidente
ucraniano, Volodimir Zelenski,
para realizar uma reunião e estabelecer um cessar-fogo.
"A
Rússia está pronta para uma solução pacífica, mas possui capacidade suficiente
para agir por conta própria e continuar a operação militar especial",
declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em resposta a um pedido de
comentário da Reuters.
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Ataque contra país da Otan?
Questionado
sobre o tema, um alto funcionário ucraniano disse que os relatórios de
inteligência de Kiev dos últimos meses indicam que Putin está se preparando
para novos passos na guerra, e não para a paz, incluindo novas operações
militares na Ucrânia ou até um possível ataque a outro país europeu.
Alguns
analistas militares ocidentais acreditam que, diante das altas baixas no campo de batalha, a Rússia
precisaria convocar compulsoriamente homens em idade de combate para alcançar o
objetivo de tomar todo o Donbass. Trata-se de uma
medida politicamente impopular, que Putin tem evitado desde os primeiros
estágios da guerra.
Especialistas
militares russos têm discutido cada vez mais, de forma pública, possibilidades
de escalada, incluindo ataques a alvos europeus, como bases da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos países bálticos.
Uma
medida desse tipo poderia levar a Rússia a um confronto direto com a aliança
liderada pelos Estados Unidos, testando o compromisso da Otan de considerar um
ataque contra um de seus membros como um ataque contra todos.
Segundo
Jack Watling, do centro de estudos britânico Royal United Services Institute
(RUSI), Moscou poderia tentar criar divisões dentro da Otan por meio de ataques
isolados, semelhantes a um recente ataque de drone russo que atingiu a Romênia.
"Os
russos não estariam buscando uma guerra com a Otan. Mas isso poderia ser usado
para dividir a aliança sobre como responder", afirmou Watling. Ele
acrescentou que o aumento das tensões com a Otan poderia ajudar Putin a
justificar politicamente, dentro da Rússia, uma eventual mobilização militar
mais ampla.
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Custos crescentes da guerra
Ataques
repetidos contra refinarias, portos e depósitos de combustível na Rússia e em
áreas ocupadas da Ucrânia provocaram sérias dificuldades de abastecimento,
fazendo com que os efeitos da guerra sejam sentidos por milhões de russos.
Nesta
quinta-feira, o governador interino da região russa de Tver, no oeste do país,
Vitaly Korolyov, afirmou que um ataque de drone ucraniano provocou um incêndio
em um terminal de petróleo na cidade de Tver.
Na
região sul de Stavropol, o governador Vladimir Vladimirov declarou que
reservatórios de petróleo foram incendiados por drones ucranianos na localidade
de Vyazniki. Segundo ele, as autoridades ordenaram a evacuação dos moradores de
vários edifícios residenciais próximos à instalação à medida que o incêndio se
expandia.
No Mar
de Azov, drones ucranianos incendiaram dois navios-tanque, de acordo com o
governador da região de Rostov, Yuri Slusar, que informou que uma das
embarcações continuava em chamas e que as tripulações foram evacuadas. O ataque
foi o mais recente de uma série de ações contra petroleiros na área nos últimos
dias, parte dos esforços da Ucrânia para interromper o fornecimento de
combustível à Crimeia ocupada pela Rússia.
Zelenski afirmou
que, além dos ataques às instalações petrolíferas em Stavropol e Tver, as
forças de defesa da Ucrânia também atingiram um depósito estratégico de
combustível localizado a cerca de 800 quilômetros da linha de frente, bem como
uma estação de bombeamento de petróleo em Ufa, quase 1.500 quilômetros da
fronteira ucraniana.
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"Sanções de longo alcance"
O
presidente ucraniano acrescentou que também foi atacado um terminal de
carregamento de petróleo na região de Rostov, a cerca de 200 quilômetros da
linha de frente, embora não esteja claro se se trata do mesmo ataque mencionado
por Slusar.
Zelenski classificou
as ofensivas como parte da campanha de "sanções de longo
alcance" adotada por Kiev em resposta aos ataques russos e à recusa
de Moscou em encerrar a guerra. "Há muito tempo propusemos que a Rússia
encerrasse esta guerra, e cada dia de atraso deve levar a sensação da guerra
para onde tudo começou, ou seja, para a própria Rússia", declarou.
O
Ministério da Defesa da Rússia informou que suas defesas aéreas derrubaram 73
drones ucranianos entre a noite de quarta-feira e a manhã de quinta-feira.
Por sua
vez, a Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia lançou durante a noite 94
drones de ataque de longo alcance e dois mísseis balísticos contra território
ucraniano. Segundo a força, 72 drones foram interceptados ou neutralizados por
interferência eletrônica, mas 19 drones e os dois mísseis atingiram 13 locais,
causando danos.
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Putin com popularidade em queda
Embora
a aprovação de Putin permaneça elevada, uma pesquisa recente mostrou que ela
atingiu seu nível mais baixo desde o início da invasão em larga escala da
Ucrânia, em 2022.
Enquanto
aliados de Kiev falam em uma mudança de momento no conflito e defendem novas
sanções econômicas para pressionar Moscou, uma das fontes afirmou que os
sucessos recentes da Ucrânia deixaram Putin mais irritado e ainda mais
determinado a responder com dureza.
Nas
últimas semanas, as forças russas lançaram grandes ataques com drones e mísseis
contra a Ucrânia, incluindo a capital Kiev, matando dezenas de civis. Moscou afirma que
os alvos eram instalações militares.
Em
declarações televisionadas a comandantes militares na semana passada, Putin
afirmou que os ataques ucranianos contra infraestrutura energética justificam a
criação de uma "zona de segurança" além de Donbass, com a captura de
mais territórios ucranianos próximos à fronteira.
O
ex-funcionário do Ministério da Defesa russo Andrei Ilnitsky escreveu em um
artigo publicado em 29 de junho no jornal Kommersant que uma
escalada poderia começar pela destruição de cerca de 30 grandes instalações
industriais da Ucrânia, incluindo uma siderúrgica e o porto de Odessa.
Segundo
ele, uma fase posterior poderia incluir ataques contra bases da Otan nos países
bálticos e na Romênia, além de instalações na União Europeia que produzem
drones e mísseis de longo alcance destinados à Ucrânia.
Questionado
sobre o artigo, Peskov afirmou que a Rússia precisa reforçar sua segurança e
não pode "fechar os olhos" para o que classificou como militarização
da Europa.
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Guerra de desgaste no Donbass
As
discussões sobre uma eventual escalada ocorrem em um momento em que o avanço
russo no campo de batalha tem sido mais lento, aumentando a perspectiva de que
a conquista total de Donbass exija mais tempo e mais baixas.
De
acordo com uma estimativa recente do Centro de Estudos Estratégicos e
Internacionais (CSIS), cerca de 2 milhões de militares foram mortos, feridos ou
desapareceram desde o início da invasão em larga escala em 2022, sendo
aproximadamente 1,4 milhão russos. Nenhum dos lados divulga dados oficiais
completos sobre suas baixas militares.
As
tropas russas têm encontrado dificuldades para avançar ao longo da linha de
frente de cerca de 1.200 quilômetros, já que os drones ucranianos reduzem a
vantagem numérica russa.
Nas
últimas semanas, as forças russas intensificaram a pressão sobre a cidade de
Kostiantynivka, um dos principais pontos da chamada "cintura de
fortalezas" defensiva da Ucrânia na região de Donetsk. Em 3 de julho,
Putin afirmou que as forças russas haviam tomado Kostiantynivka. A Ucrânia
negou a informação.
No dia
seguinte, durante uma conversa com Trump, Putin teria procurado convencê-lo de
que a Rússia acabará conquistando a parte restante da região de Donetsk que
ainda está sob controle ucraniano. Segundo a fonte que se reúne regularmente
com o presidente russo, Putin considera a conquista de toda a região uma
questão de princípio. "Ele precisa de algum tipo de vitória", afirmou
a fonte.
¨ Impacto de ataques a
refinarias russas chega ao Brasil
Pressionado pela crescente
escassez de combustíveis provocada por ataques ucranianos à sua indústria
petrolífera,
o líder da Rússia,Vladimir Putin, suspendeu nesta
quarta-feira (08/07) exportações de diesel.
A
medida, que deve vigorar até 31 de julho, deve atingir em cheio o Brasil,
terceiro maior importador da produção russa de diesel. O anúncio ainda fez
disparar os preços do barril do diesel em um mercado global já tensionado pela guerra no Irã.
Terceiro
maior produtor global de petróleo, atrás apenas dos EUA e Arábia Saudita,
a Rússia sofre escassez de combustível e disparadas de
preços, consequência direta dos ataques ucranianos nos últimos meses contra
refinarias, tanques de armazenamento e linhas de abastecimento.
Motoristas
em muitas regiões tem enfrentado filas quilométricas para abastecer, à medida que a
intensificação dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa
restringe a oferta de diesel e gasolina.
E isso
apesar de a Rússia já ter proibido a exportação de gasolina desde abril.
O Financial
Times afirma que o país vive sua pior crise de combustíveis desde o colapso
da União Soviética.
"Hoje
foi introduzida uma proibição das exportações de diesel, e isso permitirá
aumentar a oferta para o mercado doméstico", afirmou o
vice-primeiro-ministro, Alexander Novak.
Além do
veto à exportação de diesel, a Rússia também vai importar mais combustível
do exterior. Fontes do setor afirmam que isso já ocorre desde a semana passada,
quando a Rússia começou a importar gasolina por via marítima da Índia, segundo
a agência de notícias Reuters.
As
medidas foram anunciadas em uma reunião de governo televisionada e presidida
por Putin.
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Alerta para o Brasil
Em
2023, a Rússia se tornou o maior fornecedor de diesel ao Brasil, ultrapassando os
Estados Unidos, maior produtor mundial de petróleo. A mudança foi fruto
da guerra na Ucrânia, que forçou Moscou a
buscar novos mercados para a sua commodity após ser sancionada pela União
Europeia.
Como
resultado, em 2025 o Brasil foi o terceiro maior importador de diesel russo,
segundo dados da Kpler. Mas os números caíram 65% de maio para junho deste ano,
em meio ao aumento dos ataques ucranianos à infraestrutura energética
russa, informou a Fecombustíveis Federação Nacional do Comércio de Combustíveis
e de Lubrificantes do Brasil (Fecombustíveis). Ao mesmo tempo, o volume
importado dos EUA cresceu 74% entre maio e junho deste ano.
O veto
à exportação anunciado pela Rússia, somado à notícia de que o país vai importar
combustíveis, deixou analistas preocupados, já que deve desencadear escassez em
alguns países e alta de preços.
Os
impactos podem ser amplos, já que frotas de caminhões, sistemas ferroviários,
agricultura e construção dependem fortemente do diesel, puxando a inflação e
prejudicando o crescimento.
Muitos
mercados já enfrentaram um aumento de mais de 50% nos custos do diesel devido à
guerra com o Irã.
Para o
analista Abhishek Kumar, da Sparta Commodities, a proibição das exportações de
diesel pela Rússia vem "quase no pior momento possível".
"A
guerra no Irã já havia forçado grandes retiradas de estoques para compensar a
interrupção do fornecimento do Oriente Médio, deixando os estoques de diesel em
mercados-chave reduzidos", disse à agência Reuters, acrescentando que
Rússia e seus compradores agora competirão de forma agressiva com a Europa
pelas importações de diesel de outros fornecedores.
As
exportações russas de diesel por via marítima já haviam despencado em junho em
função da escassez gerada pela guerra, totalizando 1,8 milhão de toneladas,
queda de 39% em relação a maio e de 46% em relação às 3,35 milhões de toneladas
em junho de 2025.
"Eles
[Rússia] basicamente já tinham uma proibição de exportação de fato. Em junho,
[as exportações] caíram para 400 mil barris por dia; julho está no caminho para
ser ainda mais baixo", disse uma fonte europeia do setor de trading.
As
exportações russas de diesel foram de apenas 214 mil barris por dia entre 1º e
8 de julho, segundo dados da consultoria Kpler, em comparação com uma média
diária de 793 mil barris em julho de 2025.
A
Ucrânia atacou todas as dez maiores refinarias da Rússia desde o final de
abril. A maior, em Omsk, distante mais de 2,5 mil quilômetros da fronteira
ucraniana, foi forçada a interromper sua produção após um bombardeio no início
desta semana.
Falando
durante o anúncio das medidas nesta quarta, Putin disse que a Ucrânia está
tentando prejudicar a economia russa e "criar um sentimento de ansiedade
na sociedade", mas assegurou que esse objetivo é "inalcançável"
e que a "resiliência do sistema de energia da Rússia é muito alta",
A
Ucrânia afirma que seus ataques a instalações de combustível russas têm como
objetivo limitar a capacidade da Rússia de fazer guerra e forçar Moscou a
iniciar negociações de paz.
Fonte:
DW Brasil

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