sábado, 11 de julho de 2026

Alimentos sem açúcar nem sempre são a melhor escolha pra quem tem diabetes; entenda o papel dos adoçantes

Alimentos sem açúcar fazem parte da rotina de muitas pessoas com diabetes. No entanto, essa escolha não deve considerar apenas a ausência de açúcar na embalagem. Em muitos casos, a indústria substitui a sacarose por adoçantes, também chamados de edulcorantes.

Segundo informações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os adoçantes são compostos por substâncias naturais ou sintéticas. Eles têm como principal função adoçar alimentos e bebidas. Portanto, a preocupação maior dessas fórmulas está no sabor, e não no valor nutricional.

Nesse contexto, um produto sem açúcar não significa, automaticamente, um alimento mais indicado para a saúde. A avaliação deve considerar a composição, a quantidade consumida e a frequência de uso.

<><> O que são adoçantes e edulcorantes

Os edulcorantes são substâncias usadas para dar sabor doce aos alimentos. Alguns têm calorias reduzidas em comparação ao açúcar. Outros têm poucas calorias ou não apresentam calorias.

Entre os polióis estão eritritol, isomaltitol, lactitol, maltitol, manitol, sorbitol e xilitol. Eles contêm menos calorias do que o açúcar. No entanto, o poder de adoçar varia de 45% a 100% em relação ao açúcar comum.

Por outro lado, adoçantes como aspartame, acessulfame de potássio, ciclamato de sódio, neotame, sacarina sódica, sucralose, stevia e taumatina têm poucas calorias ou não têm calorias. Além disso, eles apresentam poder de adoçar maior que o açúcar.

<><> Existe quantidade segura para consumir adoçante?

A segurança dos adoçantes segue critérios definidos por órgãos internacionais. A regulação de aditivos alimentares, como os adoçantes, passa pelo Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives, conhecido como JECFA.

Esse comitê define a ingestão diária aceitável, chamada de IDA, para cada substância. O cálculo considera o peso corporal da pessoa. Para chegar ao limite, basta multiplicar o peso pela IDA de cada adoçante.

No caso dos polióis, a IDA aparece como “não especificada”. Essa classificação significa que a substância apresenta baixa toxicidade, de acordo com os dados disponíveis. Ainda assim, isso não significa consumo sem limite.

<><> Polióis podem causar desconforto intestinal

Mesmo com classificação de baixa toxicidade, os polióis exigem atenção. Segundo a SBD, o consumo acima de 30 a 40 gramas por dia pode causar diarreia, estufamento e dores abdominais.

Por isso, a recomendação envolve moderação. Quanto menor o consumo, melhor tende a ser a adaptação da rotina alimentar. Essa orientação vale especialmente para quem usa produtos “zero açúcar” com frequência.

Nesse caso, o risco não está apenas no adoçante isolado. O problema pode aparecer quando a pessoa soma vários produtos adoçados ao longo do dia.

<><. Adoçantes podem afetar a glicose?

Apesar de existir uma recomendação segura aceitável, estudos recentes observam relação entre o uso regular dessas substâncias e prejuízo em respostas glicêmicas. Também há associação com maior risco de doenças metabólicas e aumento do ganho de peso.

Novos estudos apontam que a intolerância à glicose induzida por adoçantes pode ocorrer por alterações na microbiota intestinal. A microbiota reúne bactérias que vivem no intestino e participam de funções do organismo.

Embora o mecanismo ainda não esteja totalmente claro, pesquisadores consideram que substitutos da sacarose podem interferir na diversidade dessas bactérias. Essa alteração pode iniciar um quadro de disbiose, quando há desequilíbrio na microbiota.

<><> Quem tem diabetes precisa usar adoçante?

O uso de adoçantes pode ser uma ferramenta no tratamento nutricional do diabetes. No entanto, ele não é essencial para todas as pessoas.

A escolha deve considerar o plano alimentar, a rotina, as preferências e a orientação profissional. Além disso, a SBD recomenda moderação e rodízio entre os tipos de adoçante.

Essa orientação ajuda a reduzir o consumo repetido de uma mesma substância. Também evita a ideia de que todo alimento sem açúcar pode ser consumido sem atenção.

<><> Produto zero açúcar também pode ter aditivos

Segundo as diretrizes da SBD, reduzir a sacarose nos produtos industrializados não deve significar aumento expressivo de edulcorantes e outros aditivos.

A prioridade deve ser o consumo de alimentos in natura e minimamente processados. Além disso, a moderação no consumo de alimentos processados e ultraprocessados deve valer para toda a população, com ou sem diabetes.

Portanto, o rótulo “sem açúcar” precisa ser analisado com cuidado. A ausência de açúcar não transforma um produto ultraprocessado em alimento de consumo livre.

<><> Treinar o paladar pode reduzir a dependência do doce

Uma das orientações da SBD é acostumar o paladar a alimentos menos doces. Essa mudança pode ocorrer aos poucos.

Com o tempo, a pessoa pode perceber que precisa de menos sabor doce para aceitar alimentos e bebidas. Nesse processo, o adoçante deixa de ser a única alternativa para substituir o açúcar.

Para quem convive com diabetes, essa estratégia pode ajudar na rotina alimentar. Ainda assim, qualquer mudança deve respeitar a realidade de cada pessoa e o acompanhamento da equipe de saúde.

 

Fonte: Um Diabético

 

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