Alimentos
sem açúcar nem sempre são a melhor escolha pra quem tem diabetes; entenda o
papel dos adoçantes
Alimentos
sem açúcar fazem parte da rotina de muitas pessoas com diabetes. No entanto,
essa escolha não deve considerar apenas a ausência de açúcar na embalagem. Em
muitos casos, a indústria substitui a sacarose por adoçantes, também chamados
de edulcorantes.
Segundo
informações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os adoçantes são
compostos por substâncias naturais ou sintéticas. Eles têm como principal
função adoçar alimentos e bebidas. Portanto, a preocupação maior dessas
fórmulas está no sabor, e não no valor nutricional.
Nesse
contexto, um produto sem açúcar não significa, automaticamente, um alimento
mais indicado para a saúde. A avaliação deve considerar a composição, a
quantidade consumida e a frequência de uso.
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O que são adoçantes e edulcorantes
Os
edulcorantes são substâncias usadas para dar sabor doce aos alimentos. Alguns
têm calorias reduzidas em comparação ao açúcar. Outros têm poucas calorias ou
não apresentam calorias.
Entre
os polióis estão eritritol, isomaltitol, lactitol, maltitol, manitol, sorbitol
e xilitol. Eles contêm menos calorias do que o açúcar. No entanto, o poder de
adoçar varia de 45% a 100% em relação ao açúcar comum.
Por
outro lado, adoçantes como aspartame, acessulfame de potássio, ciclamato de
sódio, neotame, sacarina sódica, sucralose, stevia e taumatina têm poucas
calorias ou não têm calorias. Além disso, eles apresentam poder de adoçar maior
que o açúcar.
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Existe quantidade segura para consumir adoçante?
A
segurança dos adoçantes segue critérios definidos por órgãos internacionais. A
regulação de aditivos alimentares, como os adoçantes, passa pelo Joint FAO/WHO
Expert Committee on Food Additives, conhecido como JECFA.
Esse
comitê define a ingestão diária aceitável, chamada de IDA, para cada
substância. O cálculo considera o peso corporal da pessoa. Para chegar ao
limite, basta multiplicar o peso pela IDA de cada adoçante.
No caso
dos polióis, a IDA aparece como “não especificada”. Essa classificação
significa que a substância apresenta baixa toxicidade, de acordo com os dados
disponíveis. Ainda assim, isso não significa consumo sem limite.
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Polióis podem causar desconforto intestinal
Mesmo
com classificação de baixa toxicidade, os polióis exigem atenção. Segundo a
SBD, o consumo acima de 30 a 40 gramas por dia pode causar diarreia,
estufamento e dores abdominais.
Por
isso, a recomendação envolve moderação. Quanto menor o consumo, melhor tende a
ser a adaptação da rotina alimentar. Essa orientação vale especialmente para
quem usa produtos “zero açúcar” com frequência.
Nesse
caso, o risco não está apenas no adoçante isolado. O problema pode aparecer
quando a pessoa soma vários produtos adoçados ao longo do dia.
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Adoçantes podem afetar a glicose?
Apesar
de existir uma recomendação segura aceitável, estudos recentes observam relação
entre o uso regular dessas substâncias e prejuízo em respostas glicêmicas.
Também há associação com maior risco de doenças metabólicas e aumento do ganho
de peso.
Novos
estudos apontam que a intolerância à glicose induzida por adoçantes pode
ocorrer por alterações na microbiota intestinal. A microbiota reúne bactérias
que vivem no intestino e participam de funções do organismo.
Embora
o mecanismo ainda não esteja totalmente claro, pesquisadores consideram que
substitutos da sacarose podem interferir na diversidade dessas bactérias. Essa
alteração pode iniciar um quadro de disbiose, quando há desequilíbrio na
microbiota.
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Quem tem diabetes precisa usar adoçante?
O uso
de adoçantes pode ser uma ferramenta no tratamento nutricional do diabetes. No
entanto, ele não é essencial para todas as pessoas.
A
escolha deve considerar o plano alimentar, a rotina, as preferências e a
orientação profissional. Além disso, a SBD recomenda moderação e rodízio entre
os tipos de adoçante.
Essa
orientação ajuda a reduzir o consumo repetido de uma mesma substância. Também
evita a ideia de que todo alimento sem açúcar pode ser consumido sem atenção.
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Produto zero açúcar também pode ter aditivos
Segundo
as diretrizes da SBD, reduzir a sacarose nos produtos industrializados não deve
significar aumento expressivo de edulcorantes e outros aditivos.
A
prioridade deve ser o consumo de alimentos in natura e minimamente processados.
Além disso, a moderação no consumo de alimentos processados e ultraprocessados
deve valer para toda a população, com ou sem diabetes.
Portanto,
o rótulo “sem açúcar” precisa ser analisado com cuidado. A ausência de açúcar
não transforma um produto ultraprocessado em alimento de consumo livre.
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Treinar o paladar pode reduzir a dependência do doce
Uma das
orientações da SBD é acostumar o paladar a alimentos menos doces. Essa mudança
pode ocorrer aos poucos.
Com o
tempo, a pessoa pode perceber que precisa de menos sabor doce para aceitar
alimentos e bebidas. Nesse processo, o adoçante deixa de ser a única
alternativa para substituir o açúcar.
Para
quem convive com diabetes, essa estratégia pode ajudar na rotina alimentar.
Ainda assim, qualquer mudança deve respeitar a realidade de cada pessoa e o
acompanhamento da equipe de saúde.
Fonte:
Um Diabético

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