sábado, 11 de julho de 2026

PL concentra maiores salários entre dirigentes partidários; Bolsonaro, Michelle e Valdemar estão no topo

O Partido Liberal (PL) concentra os maiores salários pagos a dirigentes partidários no Brasil, segundo levantamento realizado pelo jornal Estado de São Paulo com base nas prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados, referentes aos pagamentos realizados em 2025, mostram que seis dos dez maiores rendimentos médios mensais são destinados a integrantes da cúpula da legenda, incluindo o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

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Os registros foram enviados pelos partidos à Justiça Eleitoral após o encerramento do prazo de prestação de contas, em 30 de junho. Como parte significativa das receitas das legendas provém do Fundo Partidário — abastecido com recursos públicos do Orçamento da União —, os dados revelam como os partidos destinam parte dessas verbas ao pagamento de dirigentes e colaboradores.

O levantamento levou em consideração tanto despesas classificadas como “salários” quanto pagamentos registrados como “serviços técnico-profissionais”. Embora estejam em categorias distintas, este segundo tipo de despesa inclui pagamentos recorrentes, geralmente mensais, destinados a pessoas físicas, funcionando na prática como remuneração permanente. Para compor o ranking, foram considerados filiados que receberam entre dez e quatorze pagamentos ao longo do ano.

No topo da lista aparecem Valdemar Costa Neto e José Tadeu Candelária, presidente do diretório paulista do PL, ambos com rendimento médio mensal de R$ 33,7 mil. Michelle Bolsonaro também recebeu remuneração média de R$ 33,7 mil no período. Ela deixou recentemente o comando do PL Mulher em meio às divergências internas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda à Presidência da República.

Já Jair Bolsonaro, que ocupa o cargo de presidente de honra do PL, registrou rendimento médio de R$ 32,7 mil por mês em 2025.

O partido ainda emplaca outros dois dirigentes entre os mais bem remunerados do país. Luiz Henrique Sampaio Guimarães aparece com remuneração média de R$ 33,7 mil, enquanto Eduardo Cury, ex-prefeito de São José dos Campos (SP) e ex-deputado federal, recebeu em média R$ 29,3 mil mensais.

<><> PRD e Podemos também aparecem entre os maiores salários

Depois do PL, os maiores rendimentos são registrados no Partido Renovação Democrática (PRD). O presidente nacional da legenda, Marcos Vinícius Ferreira, conhecido como Neskau, e Ovasco Resende receberam remuneração média de R$ 31 mil por mês.

Neskau presidiu o partido após a formação do PRD, resultado da fusão entre Patriota e PTB. Ovasco Resende, por sua vez, dirige a federação formada entre PRD e Solidariedade. Ambos possuem trajetória ligada às antigas legendas que deram origem ao atual partido.

O ranking também inclui representantes do Podemos. A presidente nacional da sigla, deputada federal Renata Abreu, recebeu remuneração média de R$ 26,8 mil mensais. O mesmo valor foi destinado a Thiago Milhim, ex-secretário municipal de Esportes de São Paulo, e ao vice-presidente do partido, Pastor Everaldo.

Pastor Everaldo ficou nacionalmente conhecido por disputar a Presidência da República nas eleições de 2014, quando terminou em quinto lugar, com pouco mais de 780 mil votos.

<><> Dirigente do PSD é exceção entre os maiores salários

Entre os dez maiores rendimentos identificados pelo levantamento, apenas um dirigente foi remunerado por um diretório estadual. Trata-se de João Francisco Aprá, vice-presidente do PSD, que recebeu média mensal de R$ 29,9 mil do diretório paulista da legenda.

Em nota ao Estadão, o PSD informou que a remuneração corresponde às atividades exercidas por Aprá como secretário-geral do partido em São Paulo. A legenda afirmou que o dirigente possui “longa e bem-sucedida carreira tanto no setor público como na vida político-partidária” e destacou seu papel na estruturação do partido no Estado.

<><> Legislação permite diferentes formas de remuneração

Segundo o advogado Antonio Carlos de Freitas Júnior, ouvido pelo Estadão, a legislação não estabelece um teto para os salários pagos por partidos políticos a seus empregados ou dirigentes. No entanto, a soma das despesas com folha de pagamento não pode ultrapassar 50% dos gastos partidários na esfera federal.

O especialista explica que, por essa razão, muitas legendas optam por remunerar dirigentes por meio de contratos de prestação de serviços, classificados como “serviços técnico-profissionais”.

“Desse modo, seja para dirigentes ou para outras pessoas que prestam serviços, os partidos costumam optar pelo pagamento por serviços prestados. Além de simplificar as questões tributárias e de encargos sociais, esse pagamento não é limitado pelo teto”, afirmou Antonio Carlos de Freitas Júnior.

<><> Fundo Partidário alcança valores recordes

Os pagamentos ocorrem em um momento de crescimento dos recursos públicos destinados às legendas. Em 2025, o PL recebeu R$ 192,1 milhões do Fundo Partidário, o maior valor entre todos os partidos, reflexo de possuir a maior bancada da Câmara dos Deputados eleita em 2022.

O PT, segunda maior bancada da Casa, recebeu R$ 140,4 milhões no mesmo período.

Segundo o Estadão, os cofres partidários chegam fortalecidos às eleições de 2026, impulsionados por repasses públicos recordes. Apesar do aumento dos recursos, especialistas e órgãos de controle continuam apontando desafios relacionados à transparência na prestação de contas e à concentração dos recursos entre poucas legendas.

•        Operação Unha e Carne: nova fase deve atingir deputados do Rio

A Operação Unha e Carne deve avançar sobre deputados estaduais do Rio de Janeiro suspeitos de manter vínculos com milícias e facções criminosas. Novas fases estão sendo preparadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Polícia Federal (PF) e podem atingir parlamentares de centro-direita, inclusive nomes ligados ao grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo Igor Gadelha, do Metrópoles.

A investigação é conduzida sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental conhecida como ADPF das Favelas. Por determinação do magistrado, a PF passou a aprofundar a apuração sobre possíveis relações entre agentes públicos e organizações criminosas que atuam no estado.

De acordo com investigadores, as próximas etapas deverão concentrar as diligências em integrantes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Os nomes dos possíveis alvos ainda não foram divulgados, mas a apuração alcançaria políticos situados no campo da centro-direita.

Entre os parlamentares investigados estariam integrantes do mesmo grupo político de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.

A Polícia Federal já realizou seis fases da Operação Unha e Carne. A etapa mais recente foi deflagrada na terça-feira (7), e teve como principal alvo o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, do União Brasil, que é pré-candidato ao Senado.

Na semana anterior, a PF havia colocado em prática a quinta fase da operação, com o cumprimento de mandados contra o empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de uma rede de postos de combustíveis.

Deflagrada no fim de 2025, a Operação Unha e Carne tinha inicialmente como objetivo esclarecer um suposto vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais planejadas contra o Comando Vermelho. A suspeita era de que dados reservados sobre operações de segurança teriam sido repassados à facção criminosa.

Um dos primeiros alvos da investigação foi o deputado estadual Rodrigo Bacellar, do União Brasil, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O parlamentar está preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Com o avanço da análise de documentos, comunicações e materiais apreendidos, a investigação passou a abranger suspeitas mais amplas. A PF começou a apurar possíveis vínculos entre agentes públicos, integrantes de facções criminosas e grupos milicianos que atuam em diferentes regiões do estado.

As novas fases devem buscar elementos sobre uma eventual atuação de parlamentares em benefício dessas organizações, seja por meio de proteção política, acesso a informações privilegiadas ou articulações com interesses econômicos ligados aos grupos criminosos.

A Operação Unha e Carne integra uma frente de investigação voltada a identificar a influência de milícias e facções sobre instituições públicas do Rio de Janeiro. A ADPF das Favelas, que inicialmente discutia parâmetros para operações policiais em comunidades, tornou-se também a base jurídica para medidas destinadas a investigar a conexão entre autoridades e organizações armadas.

•        Republicanos de Pernambuco decide apoiar reeleição do presidente Lula

O Republicanos de Pernambuco, presidido pelo ex-ministro de Portos e Aeroportos e deputado federal Silvio Costa Filho, apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (10) pelo próprio Costa Filho, por meio de nota. Segundo o documento, o Republicanos-PE também apoiará a pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo de Pernambuco.

“Independente da posição que a Executiva Nacional venha tomar, em Pernambuco – como sempre fizemos – estaremos votando no presidente Lula e no pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos”, diz a nota.

Costa Filho reconhece na nota que a Executiva Nacional do Republicanos poderá adotar uma posição diferente. Segundo ele, há estados que defendem uma coligação formal com o presidente Lula, outros que preferem a independência e outros que apoiam a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República.

A Executiva Nacional do Republicanos debate, neste momento, os rumos que o partido deverá seguir no processo eleitoral deste ano.

•        Reeleição precoce de Tarcísio pode ser risco para Flávio. Por Leopoldo Vieira Vieira

Uma eventual reeleição do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno, como sugeriu a pesquisa Datafolha no estado de São Paulo, poderia representar um risco adicional para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso porque, caso o senador derrote o incumbente em 2026, dificilmente haverá espaço para Tarcísio disputar o Palácio do Planalto em 2030.

Nesse contexto, estará sobre a mesa uma escolha decisiva para setores financeiros e empresariais, do liberalismo econômico democrático e da centro-direita que, sem sucesso, apostaram no mandatário paulista como a melhor alternativa market friendly a Lula: qual cenário desejarão para daqui a quatro anos. Até porque o caminho para um ajuste fiscal estrutural na janela entre 2027 e 2029, anos sem eleições, tem sido avaliado como árduo, ainda que a oposição seja vitoriosa.

Em paralelo, mesmo na hipótese de Lula perder precocemente o palanque estadual, a polarização acirrada em nível nacional tende a permanecer como um eixo determinante de mobilização eleitoral.

Além disso, os três meses que faltam até a eleição dão margem para que Lula acelere a transferência de votos para o ex-ministro Fernando Haddad, o que poderia evitar o desfecho antecipado previsto pelo Datafolha e, portanto, alterar as expectativas para uma etapa final.

Na comparação interna entre os postulantes dos campos lulista e bolsonarista à Presidência da República e ao governo paulista, Lula marcaria 35% e Haddad, 30%, no primeiro turno. No segundo turno, Lula alcançaria 43% e Haddad, 37%. Já Flávio teria 35% e Tarcísio, 47%, na etapa inicial, enquanto, na etapa final, Flávio chegaria a 46% e Tarcísio, a 53%. No confronto entre situação e oposição nos dois níveis federativos, Flávio derrotaria Lula por 46% a 43% no segundo turno. Tarcísio, por sua vez, venceria Haddad por 46% a 30% no primeiro turno, liquidando a disputa ou, em um segundo turno, por 53% a 37%.

Assim, Lula surge como um vetor que alavanca Haddad desde uma dinâmica nacional. Tarcísio cumpre função semelhante em relação ao senador Bolsonaro, mas a partir de uma dinâmica estadual, que poderia modular para ser reconduzido ao cargo e, ao mesmo tempo, abrir espaço para o voo que foi adiado.

Em tempo:

Apesar das reservas da Faria Lima quanto ao desempenho do senador Bolsonaro na audiência sobre o novo tarifaço americano, não se deve descartar completamente que Washington atenda, em alguma medida, aos apelos de Flávio. Resta saber se o movimento seria reconhecido positivamente ou interpretado como o uso da economia brasileira como mera peça do jogo eleitoral do clã Bolsonaro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem manifestado apoio explícito a aliados vitoriosos em disputas recentes, como na Colômbia, no Chile e na Argentina. Neste último caso, esse apoio chegou a incluir suporte econômico direto.

 

Fonte: Brasil 247

 

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