O
gado acredita em tudo: Como surgiu boato de que Bolsonaro será solto e
disputará eleição
A
máquina de desinformação bolsonarista voltou a operar por esses dias em rotação
máxima nas redes sociais, resgatando o mesmo modus operandi de teorias
conspiratórias passadas. A nova fantasia do ecossistema de fake news da extrema
direita flerta abertamente com o absurdo: a tese de que o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) seria integralmente reabilitado pela Justiça, solto em tempo
recorde e lançado diretamente na disputa eleitoral.
A onda
de boatos ganhou tração após declarações ambíguas do presidente nacional do PL,
Valdemar Costa Neto. Durante um evento com empresários e parlamentares, o
cacique partidário inflou expectativas sobre um novo recurso criminal
protocolado pela defesa de Bolsonaro, disparando que “muita coisa vai acontecer
no Brasil nestes 20 dias”. Foi o estopim necessário para que grupos de
aplicativos de mensagem e perfis de extremistas distorcessem a realidade,
vendendo uma ilusão jurídica sem qualquer base factual.
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Abismo técnico e a farsa dos prazos
O que a
militância vende como “liberdade e palanque iminentes” esbarra na realidade
processual. O recurso protocolado pela defesa é uma revisão criminal. Na melhor
das hipóteses teóricas, esse mecanismo serve apenas para reavaliar a dosimetria
(o cálculo) da pena com base em mudanças legislativas recentes, o que poderia,
eventualmente, abrandar o regime de cumprimento para o semiaberto ou aberto no
futuro.
Porém,
o prazo estipulado pelos boatos das redes é uma impossibilidade física e
jurídica. Uma revisão criminal exige meses de tramitação, no mínimo 90 dias,
para que seja minimamente analisada pelos tribunais. A urgência fabricada pelos
contos virtuais serve apenas a um propósito político: alimentar uma militância
que parece disposta a acreditar em qualquer milagre digital, uma marca da
ignorância bruta do movimento bolsonarista.
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Falsa equivalência com o caso Lula
Para
tentar dar verniz de seriedade ao boato, os propagadores de fake news tentam
traçar um paralelo jurídico inexistente entre a situação de Bolsonaro e a
anulação dos processos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na esteira
da Operação Lava-Jato. A comparação é tecnicamente desonesta e cretina.
No caso
de Lula, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a suspeição e a parcialidade do
juiz de primeira instância na origem das investigações, o que anulou o processo
desde o nascimento por vício de competência. Já as condenações de Jair
Bolsonaro e os processos decorrentes dos atos de 8 de Janeiro foram validados,
discutidos e decididos diretamente pelo plenário da Suprema Corte.
Todas
as controvérsias, desde a relatoria de Alexandre de Moraes até a validade de
delações premiadas, já foram amplamente julgadas e sepultadas pelo colegiado de
ministros. Não há fato novo, erro crasso ou reviravolta jurídica capaz de
sustentar a tese de uma “descondenação”.
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Estratégia da frustração calculada
A
insistência em espalhar uma mentira com prazo de validade tão curto repete a
tática manjada do bolsonarismo: a criação de uma narrativa de perseguição
programada.
Ao
inflar a base com a promessa de que Bolsonaro subirá nos palanques nos próximos
dias ao lado de Flávio Bolsonaro, a liderança do movimento pavimenta o caminho
para a frustração. Quando o prazo inventado expirar e nada acontecer, porque a
lei assim determina, o ecossistema ativará a segunda fase do plano: culpar as
instituições e o sistema por um impedimento que, na verdade, sempre foi a única
realidade legal.
• Investigações da PF fazem Flávio
Bolsonaro adiar indicação ao Senado no RJ
Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por aliados a adiar, ao máximo, a definição
do candidato do partido ao Senado no Rio de Janeiro, após uma sequência de
operações da Polícia Federal (PF) atingir nomes cotados para compor a chapa.
Em
menos de dois meses, alguns potenciais indicados foram impactados por
investigações policiais ou se tornaram inelegíveis, esvaziando as opções
disponíveis.
A
estratégia busca encurtar o tempo de exposição do futuro escolhido antes do
registro oficial das candidaturas, mas o recuo tático já gera tensão interna no
partido, que entra na reta decisiva do calendário eleitoral sem nome definido.
A
recomendação para que Flávio Bolsonaro segure o anúncio partiu de
interlocutores próximos ao senador, segundo apuração do Globo. O raciocínio é
direto: revelar o nome agora significaria submetê-lo a semanas de escrutínio
público antes mesmo do início oficial da campanha, em um ambiente em que cada
cotado que emerge vira alvo de investigação ou de nova crise. A avaliação
interna é que o risco político de antecipar a decisão supera qualquer ganho de
visibilidade.
O
contexto que produziu essa cautela é concreto. Em menos de dois meses, a chapa
bolsonarista no Rio perdeu três nomes por razões que vão da inelegibilidade à
prisão em flagrante. Flávio chegou a planejar o anúncio do substituto de
Cláudio Castro para a última sexta-feira (3), mas voltou atrás mais uma vez.
A
tendência, segundo interlocutores do partido, é que a definição só ocorra na
convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, ou até depois disso,
comprimindo, ao máximo, o intervalo entre o anúncio e o prazo legal para
registro das candidaturas.
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Nomes atingidos por investigações da PF e inelegibilidade
O
primeiro nome a cair foi o do ex-governador Cláudio Castro (PL), inicialmente
escolhido por Flávio para disputar uma das vagas ao Senado.
Castro
desistiu da candidatura depois de ser declarado inelegível pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) e, na sequência, tornou-se alvo de operações da PF que
investigam suspeitas de fraude no setor de combustíveis e os aportes do
RioPrevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A
combinação de inelegibilidade com investigações ativas encerrou sua viabilidade
eleitoral antes mesmo de a campanha começar.
Em
seguida, o impacto chegou à outra vaga da chapa. Márcio Canella (União Brasil),
ex-prefeito de Belford Roxo e indicado pela federação União Brasil-PP, foi
preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne após agentes encontrarem um
fuzil calibre 5,56 em seu carro.
O
terceiro caso envolve Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara,
que figurava entre os favoritos para substituir Castro até perder força com o
avanço da investigação sobre um suposto esquema de desvio de cotas
parlamentares.
Embora
não tenha sido alvo da fase mais recente da operação, investigadores passaram a
apurar a origem de R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel ligado
ao deputado, além de suspeita de tentativa de dar aparência de legalidade aos
recursos.
O
deputado Carlos Jordy (PL-RJ), outro cotado, também foi atingido por uma
operação da PF em dezembro do ano passado, o que reduziu seu capital político
para a disputa, ainda que não tenha sido alvo dos desdobramentos mais recentes
sobre cotas parlamentares.
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Repercussões internas e impasse no PL
A
estratégia do adiamento não é consenso dentro do PL. A demora vem aumentando a
insatisfação entre dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos do
partido, que cobram uma definição justamente no momento em que o calendário
eleitoral entra na fase decisiva.
As
convenções partidárias podem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e
a ausência de um nome confirmado para o Senado deixa o partido sem palanque
estruturado em um dos estados mais populosos do Sudeste.
Anunciar
o nome agora significaria submetê-lo a semanas de desgaste antes mesmo do
início oficial da campanha.
A
avaliação de interlocutores do PL resume a lógica defensiva que passou a
dominar a articulação de Flávio no Rio. O problema é que essa lógica tem um
custo: quanto mais o anúncio é postergado, menor o tempo para o candidato
construir visibilidade e consolidar apoios antes do registro.
Parte
dos dirigentes defende que a escolha ocorra na convenção nacional do partido,
em 25 de julho. Outros já admitem que pode vir depois disso. O resultado
prático é que o PL chega às vésperas das convenções sem candidato ao Senado no
Rio de Janeiro, estado que Flávio considera estratégico para sua própria
candidatura à Presidência da República.
• Flávio Bolsonaro “pede água” a Michelle
em nova declaração humilhante
A
pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caminha a passos
largos para o isolamento político, sufocada por um incêndio doméstico que o
parlamentar simplesmente não consegue apagar. Em uma demonstração explícita de
vulnerabilidade, o primogênito da clã praticamente implorou de forma pública,
nesta quinta (9), pelo apoio da madrasta, Michelle Bolsonaro, dias após ser
triturado por ela nas redes sociais. Com a candidatura patinando e sem o
oxigênio do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo, o senador abaixou a cabeça e
resolveu se submeter ao “tempo” da ex-primeira-dama.
“Eu
estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar
que é o suficiente para estar com a gente na campanha, vestindo a camisa,
porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, declarou Flávio,
visivelmente acuado pela força política da madrasta. “Tem que estar todo mundo
junto para combater esse inimigo do Brasil que é o atual governo”, completou,
recorrendo ao tradicional discurso de união externa contra o PT e Lula para
tentar mascarar a humilhação interna.
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Estopim do racha: a aliança com Ciro Gomes
A crise
que emparedou o pré-candidato do PL começou nos bastidores regionais. Flávio e
o deputado federal André Fernandes (PL-CE) atropelaram as bases ideológicas no
Ceará para selar um polêmico acordo pragmático com o ex-ministro da Fazenda
Ciro Gomes (PSDB), visando as costuras eleitorais no estado. No pacote, a
família rifou a deputada federal Priscila Costa (PL-CE), o nome favorito de
Michelle para o Senado, em prol de Alcides Fernandes.
Michelle,
que já vinha criticando publicamente a aproximação com Ciro por considerá-lo um
detrator histórico de Jair Bolsonaro, usou suas redes sociais para expor as
entranhas da briga familiar e desmoralizar o enteado. A ex-primeira-dama
revelou ter sido destratada por Flávio em uma ligação telefônica após bater de
frente com o arranjo cearense.
“Ele
foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha
feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do
partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política.
Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele
não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi”,
disparou Michelle.
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Flávio acuado e Michelle soberana no PL
O
impacto do desabafo de Michelle foi devastador para as pretensões presidenciais
de Flávio. Percebendo o tamanho do prejuízo com o eleitorado conservador, que
enxerga na ex-primeira-dama a verdadeira herdeira do capital político do
ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, o senador recuou imediatamente. No
mesmo dia, divulgou uma nota em tom de retratação: “Em nenhum momento ofendi ou
tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez
peço desculpas”.
A
resposta de Michelle ao recuo do enteado foi um xeque-mate político. Cerca de
cinco dias depois da lavagem de roupa suja pública, ela se reuniu com o
presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e entregou sua renúncia irrevogável
à presidência do PL Mulher. Oficialmente, alegou o desejo de se dedicar aos
cuidados de Jair Bolsonaro e da filha. Na prática, isolou Flávio ainda mais.
O peso
político de Michelle ficou evidente quando Valdemar Costa Neto veio a público
declarar que o PL não tem ninguém “à altura” para substituí-la, cogitando
inclusive extinguir o cargo nacional do núcleo feminino e garantindo que
mudaria os planos caso ela decidisse voltar.
Ao
implorar agora pelo engajamento de Michelle em seu palanque, Flávio Bolsonaro
escancara que sua pré-candidatura está nas cordas. Dependente do carisma e da
chancela de quem ele próprio tentou diminuir, o senador se curva publicamente
na tentativa desesperada de salvar uma campanha que, antes mesmo de começar
oficialmente, já vai de mal a pior.
• PP e União devem retirar apoio a Flávio
Bolsonaro após Ciro Nogueira se sentir abandonado
Após
dividirem o poder no ex-governo Jair Bolsonaro (PL), PP e União Brasil devem
retirar o apoio à candidatura Flávio Bolsonaro (PL) antes das convenções
partidárias, que começam no próximo dia 20 de julho.
A
retirada do apoia pela federação que une as duas siglas teria sido definida
após o presidente do PP Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil do ex-governo
Bolsonaro, se sentir abandonado por Flávio Bolsonaro desde que se tornou alvo
das investigações relacionadas ao “amigo de vida” Daniel Vorcaro, dono do
liquidado Banco Master.
Assim
como Nogueira, Flávio teve a relação com Vorcaro exposta em áudio revelado pelo
site The Intercept Brasil, em que cobra o banqueiro sobre parte dos 24 milhões
de dólares prometidos ao clã, supostamente para patrocínio do filme Dark Horse.
O filho
“01” de Jair Bolsonaro passou a ser alvo de investigação, mas diferentemente do
que ocorreu com Nogueira ainda não foi alvo de ações da Polícia Federal sobre o
caso, que é relatado por outro ex-ministro, André Mendonça, no Supremo Tribunal
Federal (STF).
Segundo
a Jovem Pan, dirigentes dos dois partidos têm dito que nas reuniões a maioria
defende “neutralidade total” nas eleições.
Além do
caso Master, o ressentimento se deu com a prisão nesta semana de Márcio
Canella, quadro do União do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado de Flávio
Bolsonaro, com a mãe, Rogéria Nantes Bolsonaro, como suplente.
Dirigentes
do União teriam se decepcionado com o senador, que sequer falou até o momento
sobre a prisão de Canella, que foi transferido nesta quinta-feira (9) para o
presídio de Jericinó, em Bangu.
O
movimento afasta a hipótese remota de que Tereza Cristina, ex-ministra da
Agricultura que é filiada ao PP, assuma o posto de vice na chapa de Flávio
Bolsonaro, que busca desesperadamente uma mulher para o posto.
• PL e Republicanos avançam em
negociações, mas impasses estaduais travam aliança para Flávio Bolsonaro
presidente
do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, se
reuniram nesta quarta-feira em Brasília para discutir a aliança em torno da
pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. O encontro contou
com a participação do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha,
e de lideranças de estados estratégicos. Apesar do avanço declarado pelas
partes, dirigentes envolvidos nas tratativas admitem que o acordo nacional
ainda não foi fechado: o que trava a aliança não é divergência ideológica, mas
a disputa por palanques e cargos estaduais.
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Reunião e o avanço das negociações
As
negociações entre PL e Republicanos ganharam novo impulso nesta quarta-feira
com um encontro em Brasília entre Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira. Além
dos presidentes das duas siglas, participaram o senador Rogério Marinho,
coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e parlamentares de estados
considerados estratégicos para a montagem dos palanques estaduais. O objetivo
declarado foi avançar na construção da aliança em torno da pré-candidatura de
Flávio à Presidência.
Ao
deixar a reunião, Marinho foi direto sobre o estágio das tratativas: “Estamos
conversando com os estados e com os partidos, fazendo um trabalho que antecede
a convenção do dia 25 de julho. Buscamos ampliar o leque de apoio e resolver os
palanques regionais que ainda remanescem.” Apesar do tom positivo, dirigentes
envolvidos nas negociações foram claros ao afirmar que o acordo nacional ainda
não foi fechado. A formalização da aliança, segundo eles, depende da solução
dos impasses regionais, e não o contrário.
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Os impasses estaduais e as prioridades
Questionado
sobre quais estados concentram as principais pendências, Marinho citou Acre,
Espírito Santo e Minas Gerais como focos das negociações. Além desses,
lideranças de Mato Grosso do Sul e Roraima também participaram do encontro,
indicando que o mapa dos impasses é mais amplo do que o declarado publicamente.
O Republicanos, por sua vez, deixou claro que considera prematuro discutir a
composição da chapa presidencial enquanto os acordos estaduais não estiverem
resolvidos.
A
lógica é direta: o Republicanos quer garantir o apoio do PL às suas
pré-candidaturas a governador em estados como Acre, Mato Grosso, Espírito Santo
e Roraima antes de se comprometer com qualquer aliança nacional. Um dos
participantes da reunião foi o senador Alan Rick (Republicanos-AC),
pré-candidato ao governo do Acre. Após o encontro, ele afirmou que “a conversa
fortaleceu o entendimento entre os partidos” e que as tratativas terão
continuidade nos próximos dias. O tom otimista, contudo, não esconde que o
acordo ainda está em aberto.
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A moeda de troca: cargos e palanques
A
dinâmica das negociações expõe com clareza o que move as alianças da direita
neste ciclo eleitoral: não é o alinhamento programático, mas a distribuição de
poder nos estados. Segundo interlocutores de Marcos Pereira, a economista
Daniella Marques, filiada ao Republicanos, é um dos nomes cotados para compor a
chapa presidencial como vice, mas sua indicação está condicionada à resolução
dos acordos estaduais. Enquanto o PL não confirmar apoio às candidaturas do
Republicanos nas disputas regionais, a vaga de vice permanece em compasso de
espera.
O
senador Magno Malta (PL-ES) avaliou que houve avanço nas conversas, mas foi
preciso ao apontar o que ainda falta: “Há muita paróquia para resolver.” Malta
também mencionou a necessidade de alinhar o discurso entre os partidos,
incluindo a questão dos presos do 8 de Janeiro e a anistia, o que revela que as
negociações envolvem não apenas cargos, mas também a tentativa de construir uma
narrativa comum para a base bolsonarista. Minas Gerais, segundo maior
eleitorado do país, é considerado um dos estados mais estratégicos pela
campanha de Flávio, mas segue sem definição a poucos dias das convenções. A
legislação eleitoral, vale lembrar, permite que partidos façam composições
distintas em nível nacional e estadual, o que amplifica a complexidade e o peso
de cada negociação regional.
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Próximos passos e a data limite
Rogério
Marinho sinalizou que as conversas terão continuidade nos próximos dias e que a
expectativa é ter um balanço definitivo na semana seguinte à reunião. O prazo
que organiza toda essa movimentação é a convenção partidária marcada para 25 de
julho, data limite para a formalização das alianças e o registro das
candidaturas. Sem acordo até lá, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro chega às
convenções sem o palanque sólido que a campanha busca construir.
O
cenário atual mostra que a viabilidade eleitoral de Flávio à Presidência passa,
antes de qualquer disputa nacional, pela capacidade do PL de ceder espaço ao
Republicanos nos estados. É a lógica clássica do pragmatismo eleitoral
brasileiro: o apoio de cima para baixo só se sustenta quando os interesses de
baixo para cima estão garantidos. Com menos de três semanas para a convenção, o
relógio corre e as “paróquias” ainda estão longe de resolvidas.
Fonte:
Fórum

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