César
Fonseca: Alcolumbre dá golpe no trabalhador, no capitalismo brasileiro e na
democracia
Ao
adiar para depois das eleições a votação das PECs da Redução da Jornada de
Trabalho 6 x 1 para 5 x 2 e da Segurança Pública, Alcolumbre dá golpe nos
trabalhadores, no sistema capitalista e na democracia brasileira, comandando o
Congresso adversário do povo, enquanto favorece interesses alienígenas
antinacionais.
Sua
decisão representou derrota não do governo, mas do próprio Legislativo,
configurando o atraso das classes dominantes, majoritárias na Casa, dominada
por partidos de direita e ultradireita, dos quais é um ideólogo conservador e
reacionário.
Ele,
desse modo, aprofunda o distanciamento do modelo democrático burguês brasileiro
das classes populares, evidenciando sua incompatibilidade com o desenvolvimento
nacional com justiça social e, ao revés, sua compatibilidade com o
patrimonialismo, o subdesenvolvimento e o subconsumismo, que travam o progresso
nacional, em nome do status quo antidesenvolvimentista, neoliberal.
A
redução da jornada 6 x 1 para 5 x 2 significa a modernização do sistema
capitalista brasileiro e latino-americano, porque:
1 –
Aumenta a oferta de emprego e a renda do trabalhador, diminuindo,
relativamente, a taxa de extração de mais-valia sobre os trabalhadores;
2 –
Amplia o consumo e a arrecadação, favorecendo os investimentos na produção, na
ciência e na tecnologia para acelerar a industrialização;
3 –
Valoriza o trabalho e a produtividade;
4 –
Consolida instituições trabalhistas para inibir a informalidade;
5 –
Fortalece o espírito desenvolvimentista e promove a qualidade de vida dos
trabalhadores;
6 –
Desenvolve a consciência social e amplia a defesa dos direitos políticos e
sociais;
7 –
Reforça a defesa do modelo republicano, distanciando-o de tendências
autoritárias; e
8 –
Solidifica a democracia como resolução dos conflitos de classe.
FORTALECIMENTO
POLÍTICO DE LULA
Alcolumbre,
aliado do bolsonarismo e um dos ideólogos do Centrão, que pode dele se
distanciar, dada a impopularidade do seu posicionamento político em tempo de
eleição, prejudicando o movimento conservador nas urnas, fortalece Lula na sua
cruzada social-democrata pela redução da jornada de trabalho, anseio maior dos
trabalhadores.
Trata-se,
historicamente, de uma bandeira dos trabalhadores desde a primeira metade do
século XIX, que levou ao crescimento das lutas políticas em defesa do
socialismo, quando evoluía a revolução industrial.
A
consciência social se organizou, por meio dos líderes social-democratas e
socialistas, pela redução das longas jornadas de trabalho, de até 14 a 16
horas, mediante argumento semelhante ao que é levado, atualmente, pelos
trabalhadores, sob o neoliberalismo.
Os
neoliberais, ao contrário, abraçam o retorno às posições mais conservadoras dos
capitalistas pelo aumento do lucro e pelo fim das conquistas sociais, de modo a
prevalecer a extração brutal de mais-valia.
Essencialmente,
defendem o salário zero ou negativo, na sua expressão matemática do termo,
traduzida pela livre negociação salarial, em obediência à lei do mercado.
Alcolumbre
demonstra sua total compatibilidade com a exploração máxima da mais-valia sobre
o trabalho, configurando uma posição próxima ao escravagismo.
Nesse
sentido, do ponto de vista político, só favorece o presidente Lula, alinhado,
historicamente, às conquistas dos trabalhadores em regime social-democrático,
equidistante do socialismo e do comunismo, no qual inexiste a propriedade dos
meios de produção pela classe trabalhadora.
INSEGURANÇA
NO CENÁRIO NEOLIBERAL
Alcolumbre,
igualmente, revelou-se ultraconservador com o adiamento da votação da PEC da
Segurança, assunto que virou prioridade na sociedade, submetida ao
neoliberalismo antissocial, cujo objetivo é o desenvolvimento do fascismo.
O
argumento central do governo Lula é o de que o Estado, para agir, efetivamente,
na segurança nacional, tem que exercitar a hegemonia sobre o assunto,
atualmente, inexistente, visto que os estados federativos exercem esse poder em
nome de grupos políticos corporativos e patrimonialistas, jogando estados
federativos contra Estado nacional.
A
organização da segurança nacional, nesses termos, é a expressão do seu oposto:
pura insegurança institucional.
Ocorre
a predominância dos interesses políticos federativos em prevalência ao
interesse nacional, dando oportunidade ao que se tornou comum no país: o crime
organizado, justamente, por conta da inexistência de política nacional de
segurança pública.
Os
efetivos de segurança estaduais voltam-se contra a unidade de forças, a partir
do executivo federal, para, em processo de coordenação política nacional,
efetivar a segurança pública para proteção da sociedade contra o crime
organizado.
Nesse
contexto, o todo, o interesse geral, é ultrapassado pelas partes, o interesse
particular de cada unidade federativa.
ALCOLUMBRE
JOGA COM TRUMP
O PCC e
o CV, por exemplo, são produtos dessa anomalia expressa em insegurança
coletiva, que leva à divisão social explosiva entre forças de segurança
estaduais, de um lado, e explosão de milícias criminosas, de outro, produzindo,
no conjunto, as desestabilizações políticas estaduais.
A
unidade federativa se torna impotente diante das forças políticas criminosas
ligadas ao patrimonialismo em ascensão irresistível.
Alcolumbre
e seu grupo político se alinham às forças políticas federativas, em nítida
divisão de interesses contraditórios, para confrontar o governo federal, que,
institucionalmente, não pode agir, no sentido de interferir, salvo se for
convocado por forças estaduais que não se interessam pela presença do Estado em
seus espaços políticos.
A PEC
da Segurança, proposta pelo governo Lula, visa, justamente, romper esse
impasse, para que aja conforme determinação constitucional, algo, agora,
barrado por Alcolumbre.
Dessa
forma, o presidente do Senado e do Congresso contribui para o ataque à
soberania nacional comandado pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos,
que aproveitou a desorganização institucional da segurança brasileira, para
atuar contra o interesse do país.
Ao
considerar como organização terrorista organizações criminosas como o PCC e o
CV, Trump impõe uma cunha no interesse nacional, abrindo espaço para a
legislação extraterritorial americana agir em território brasileiro, a pretexto
de defender o interesse norte-americano, na linha de defesa ideológica da
Doutrina Monroe.
Alcolumbre
e o bolsonarismo, tudo a ver contra o interesse nacional, na luta desesperada
para tentar vencer Lula nas eleições de outubro.
• Pressão governista sobre Alcolumbre
preocupa o Planalto
A
pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) pela
tramitação da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 acendeu um sinal de
alerta entre dirigentes do PT e integrantes do governo Lula (PT), que temem um
novo agravamento da relação com o parlamentar em meio às tentativas de
reconstrução do diálogo político. A avaliação é de que declarações públicas e
cobranças feitas por aliados do Planalto podem dificultar o avanço da proposta
e de outras pautas prioritárias do Executivo, segundo o Metrópoles.
O
desconforto aumentou após o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmar,
na terça-feira (7), que Alcolumbre seria tratado como um “inimigo” caso não
desse andamento à proposta de emenda à Constituição. A declaração provocou
reação negativa no Senado e foi considerada inadequada por lideranças
governistas, que procuraram desvincular a fala da posição oficial das bancadas
do PT e da base aliada.
Ministros
envolvidos na tentativa de restabelecer os canais de negociação entre o Palácio
do Planalto e o comando do Senado também avaliaram que a declaração representou
um “exagero”. Na visão desses integrantes do governo, o confronto público reduz
o espaço para uma solução negociada e pode aprofundar a resistência de
Alcolumbre à tramitação da PEC.
O
presidente do Senado respondeu no mesmo dia. Em nota, afirmou que “esse tipo de
ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”. Alcolumbre também
ressaltou que a definição da pauta legislativa é uma atribuição da Presidência
da Casa e que ela “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.
A PEC
que propõe mudanças na jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara dos
Deputados em maio e se tornou uma das principais bandeiras políticas do
terceiro mandato do presidente Lula. A medida também é vista pela equipe
governista como uma agenda de forte apelo social e eleitoral para a campanha de
reeleição.
Lula
participou diretamente das negociações durante a tramitação na Câmara. No
Senado, no entanto, o texto permanece sem avanço. Alcolumbre ainda não
autorizou o envio da proposta à Comissão de Constituição e Justiça, etapa
necessária antes de uma eventual votação no plenário.
A
paralisação ocorre em meio ao desgaste acumulado entre Lula e Alcolumbre. A
relação, antes marcada pela proximidade e pela colaboração política,
deteriorou-se após a indicação de Jorge Messias, então advogado-geral da União,
para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Alcolumbre
defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o STF. O conflito se
intensificou quando o presidente do Senado tentou acelerar a sabatina de
Messias, em uma movimentação interpretada como tentativa de impor uma derrota
ao governo. A iniciativa acabou recuando porque o Planalto ainda não havia
formalizado a indicação.
A crise
se consolidou em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias.
Alcolumbre foi apontado como um dos principais articuladores da derrota, a
primeira rejeição de um indicado ao Supremo em 132 anos.
Desde
então, Lula e o presidente do Senado tiveram poucos encontros e mantiveram
contatos limitados. Interlocutores do governo avaliam que o distanciamento
contribuiu para travar projetos de interesse do Executivo, incluindo a PEC que
acaba com a escala 6×1.
Antes
da crise, Alcolumbre era considerado um dos principais aliados de Lula no
Congresso. No fim de 2022, participou da indicação de Waldez Góes para o
Ministério do Desenvolvimento Regional. Em abril de 2025, também apoiou a
escolha de Frederico Siqueira para o Ministério das Comunicações.
Além da
disputa pela vaga no STF, o relacionamento entre o Planalto e o comando do
Senado foi afetado por divergências envolvendo indicações para agências
reguladoras e a análise de vetos presidenciais.
Nos
últimos meses, Alcolumbre também passou a reclamar de cobranças feitas nas
redes sociais. A interlocutores, disse considerar algumas manifestações como
ataques pessoais, especialmente publicações de deputados e ministros que exigem
a votação imediata da PEC.
Entre
os nomes mencionados estão o ex-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), a
deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o ministro da Secretaria-Geral da
Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). Segundo relatos, Alcolumbre classificou
parte das postagens como “inflamadas”.
Dentro
do PT, parlamentares avaliam que o tom mais agressivo adotado por Uczai e por
outros integrantes da base cria obstáculos desnecessários em um momento em que
o presidente do Senado dava sinais de disposição para retomar as conversas.
Alcolumbre
recebeu recentemente representantes de centrais sindicais para discutir o fim
da escala 6×1. De acordo com relatos feitos por parlamentares, integrantes do
movimento sindical defenderam uma estratégia baseada na negociação, em vez do
confronto direto.
“Eles
reconhecem que a gente precisa do Davi. Sabem disso. Dois sindicalistas nos
falaram que a gente precisa manter a conversa com ele, e não ir para o
confronto”, afirmou um senador ouvido sob reserva.
Apesar
do desgaste, integrantes do governo sustentam que Alcolumbre ainda demonstra
interesse em fortalecer os canais de diálogo com o Executivo e aguarda uma
reunião com Lula. A tentativa de reaproximação é conduzida pela líder do
governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e pelo líder do PT na Casa, Camilo
Santana (PT-CE).
A
avaliação entre aliados é de que Teresa e Camilo mantêm boa relação com
Alcolumbre e podem desempenhar papel central na redução das tensões. O objetivo
é restabelecer uma interlocução capaz de destravar a agenda legislativa do
governo sem ampliar o confronto com a cúpula do Senado.
Fonte:
Brasil 247

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