sábado, 11 de julho de 2026

Pedro Benedito Maciel Neto: A vil cortina de fumaça de Paulo Figueiredo

Enquanto a Justiça decreta a falência da LSH Barra Empreendimentos Imobiliários, empresa que teve Paulo Figueiredo como CEO, consolidando um prejuízo estimado em cerca de R$ 400 milhões para fundos de pensão e institutos de previdência, o próprio Paulo Figueiredo faz com que o debate público seja desviado para uma polêmica cuidadosamente construída. A falência do empreendimento ocorre após sucessivas investigações e condenações administrativas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que apontaram graves irregularidades na gestão do projeto.

Em vez de responder às questões relacionadas ao empreendimento, aos prejuízos causados aos investidores e às conclusões da CVM, Paulo Figueiredo preferiu lançar uma provocação: afirmou que “mulher vota mal”. A declaração não surgiu por acaso. Ela dialoga com um discurso que ganhou espaço em setores da extrema direita internacional, especialmente na chamada machosfera, onde influenciadores passaram a defender, de forma explícita, a revogação do sufrágio feminino, retomando ideias incompatíveis com uma democracia constitucional.

Estamos diante da velha estratégia política: criar uma controvérsia moral ou cultural para deslocar a atenção dos fatos concretos. Em vez de discutir responsabilidades por um empreendimento que terminou em falência e deixou prejuízos milionários para aposentados e servidores públicos, transfere-se o debate para uma provocação destinada a mobilizar paixões e indignações.

Mas é precisamente sobre os fatos que devemos concentrar nossa atenção. O fracasso empresarial, os prejuízos impostos aos fundos de pensão, as decisões da Justiça e as sanções aplicadas pela CVM são temas de evidente interesse público. Eles dizem respeito ao patrimônio coletivo e à responsabilidade de quem administrou recursos de terceiros.

Ao mesmo tempo, é indispensável repudiar qualquer tentativa de relativizar uma das maiores conquistas democráticas do século XX: o direito de voto das mulheres. O sufrágio feminino não é uma concessão, mas uma conquista civilizatória construída por gerações que enfrentaram discriminação e exclusão política. Questioná-lo significa atacar um dos pilares da igualdade democrática.

Não devemos permitir que uma falsa polêmica esconda aquilo que realmente importa. O debate público precisa ser guiado pelos fatos, pela responsabilidade e pelo respeito às conquistas democráticas — e não por provocações destinadas apenas a produzir distração e polarização.

Essas são as reflexões.

•        Renan Santos chama Flávio Bolsonaro de “criminoso”

O pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, chamou Flávio Bolsonaro (PL) de “criminoso”, criticou a candidatura do senador ao Palácio do Planalto e afirmou que ele nunca demonstrou interesse em ser presidente. O fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) também acusou o parlamentar de permanecer em Brasília para “fazer negócios” e “comprar imóveis”.

As declarações foram dadas durante entrevista ao MyNews. Ao comentar a entrada de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, Renan Santos disse não compreender as razões que levaram o senador a se apresentar como pré-candidato. “Parece que Flávio está sempre cometendo coisas inadequadas. Vamos ser sinceros, tem que dar nome aos bois, ou a gente vai ficar aceitando o campo da direita seja dominado por um criminoso? Que é isso que o Flávio é”, ressaltou.

Renan Santos também afirmou que Flávio Bolsonaro “nunca quis ser presidente” e vinculou a atuação política do senador a interesses particulares. Segundo o pré-candidato do Missão, o filho de Jair Bolsonaro (PL) permanece na capital federal para “fazer negócios” e “comprar imóveis”.

Durante a entrevista, Santos ainda avaliou a relação entre o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o bolsonarismo. Na análise do fundador do MBL, o partido Novo abandonou a tentativa inicial de se apresentar como alternativa política e passou a atuar de maneira próxima ao grupo liderado por Jair Bolsonaro.

“O Novo é uma legenda de centro, mas apenas uma legenda. Qual é a visão de mundo do Novo sobre educação? Qual é o projeto de país que o Novo apresenta para o Brasil? Muitas vezes, a impressão é de que o partido atua apenas como um aliado do bolsonarismo. Esse é o problema do Novo. Eles até surgiram com a proposta de ser uma alternativa, mas acabaram se aproximando desse campo político”, afirmou.

•        Mulher trans acusa empresário da “Picanha Bolsonaro” de ameaça e calote

Uma mulher trans que trabalha como acompanhante acusa Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás e empresário conhecido pela chamada “Picanha Bolsonaro”, de não pagar R$ 500 por um encontro, fazer ameaças e adotar uma conduta transfóbica. A denunciante afirma que o conflito começou depois que ela reconheceu o empresário e o questionou sobre conteúdos publicados por ele nas redes sociais, segundo Milena Teixeira, do Metrópoles.

Identificada pelo nome fictício de Aline para ter sua identidade preservada, a mulher registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na noite de 15 de junho, poucas horas depois do encontro. No documento, ela relata que o empresário deixou o apartamento sem realizar o pagamento combinado e que a discussão se intensificou após divergências sobre o serviço contratado.

De acordo com o relato apresentado à polícia, Leandro já havia procurado Aline em 2024 e voltou a entrar em contato em maio deste ano. A denunciante também afirmou ter percebido que um perfil vinculado ao Frigorífico Goiás acompanhava com frequência suas publicações no Instagram.

O encontro foi marcado pelo WhatsApp. Segundo o boletim, o empresário chegou ao apartamento por volta das 13h, no horário combinado, e permaneceu no local por aproximadamente uma hora e dez minutos.

“A declarante diz que fez o atendimento de Leandro (serviços de ordem sexual). Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo. Leandro foi tomar banho e, quando voltou do banheiro, ela percebeu que aquele homem era do Frigorífico Goiás”, afirma o registro policial.

Após reconhecer Leandro, Aline diz que passou a questioná-lo sobre postagens de teor transfóbico divulgadas nas redes sociais e sobre uma suposta contradição entre esse conteúdo e a contratação dos serviços de uma mulher trans.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, a conversa se transformou rapidamente em uma discussão. “Leandro começou a debater com a declarante e se alterou. A declarante então filmou Leandro e disse que iria expô-lo”, registra o documento.

Em uma gravação, Aline critica a forma como mulheres trans são tratadas por homens que, segundo ela, procuram seus serviços, mas reproduzem discursos discriminatórios publicamente.

“Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem. Vocês que chamam a gente para comer a mulher de vocês. Vocês que querem que a gente… É por isso que vocês tratam a gente como homem e não querem que a gente use banheiro das mulheres. São vocês. E aquele cara lá eu queria que ele viesse comigo, aí ia ser babado. Eu queria ver ele ameaçar travesti falando de banheiro”, afirma Aline na gravação.

Leandro responde: “É, mas ele não ameaça, não.”

Na sequência, a acompanhante rebate: “Mas ele ameaçou”.

Aline também afirmou à polícia que, depois da discussão, o empresário teria enviado mensagens oferecendo dinheiro para impedir a divulgação do vídeo. Segundo a denunciante, a proposta foi recusada e, em nenhum momento, ela teria exigido qualquer valor em troca de silêncio.

O boletim registra ainda que, após a negativa, Leandro teria passado a acusá-la de extorsão e feito uma ameaça direta. “A declarante esclarece que, em nenhum momento, pediu dinheiro para não expor Leandro. Leandro ameaçou a declarante dizendo: ‘Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você’”, diz o documento.

<><> Empresário ganhou projeção com produtos ligados a Bolsonaro

Leandro Nóbrega ganhou visibilidade nacional com vídeos de churrascos, ações de divulgação do Frigorífico Goiás e publicações políticas nas redes sociais. O empresário se declara apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e aparece em conteúdos ao lado de lideranças e influenciadores ligados à direita.

O perfil da empresa reúne cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, enquanto a conta pessoal de Leandro soma aproximadamente 974 mil. O empresário também mantém proximidade pública com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e com artistas do segmento sertanejo.

Uma das ações que ampliaram a notoriedade do frigorífico foi a venda de carnes embaladas a vácuo com imagens de figuras públicas, entre elas Jair Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da Argentina, Javier Milei, e o jogador Neymar.

Leandro também ficou conhecido por instalar na entrada do estabelecimento uma placa com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”. O cartaz acabou sendo retirado após decisão judicial.

Em outra ação de grande repercussão, o empresário divulgou vídeos nos quais aparecia lançando pacotes de carne de um helicóptero durante uma iniciativa apresentada como distribuição de alimentos no período de Natal.

<><> Publicações contra mulheres trans

Além das postagens de caráter político, o empresário compartilha conteúdos considerados transfóbicos, incluindo piadas relacionadas à presença de mulheres trans em seu estabelecimento.

Leandro também já direcionou publicações contra parlamentares trans. Em uma delas, utilizou o nome masculino “Felipão” para se referir à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A deputada Duda Salabert (PDT-MG) também foi alvo de críticas em conteúdos divulgados por ele.

O Metrópoles informou que procurou Leandro Nóbrega e o Frigorífico Goiás para obter um posicionamento sobre as acusações, mas não recebeu resposta. Segundo a coluna, o empresário também bloqueou o perfil da jornalista após uma tentativa de contato. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa e da empresa.

•        Influenciador, vereador bolsonarista foi atraído por Vorcaro para “ajudar em disputa política de repercussão nacional”

10ª fase da Operação Compliance Zero, que teve o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, como principal alvo revelou que os articuladores do chamado Projeto DV – siglas de Daniel Vorcaro – tentou atrair o vereador bolsonarista Rony Gabriel (PL-RS), que tem mais d2 milhões de seguidores no Instagram, dizendo que “estavam contratando perfis em redes sociais para ajudar em uma disputa política de repercussão nacional”. Nas redes, o vereador tem foto e faz campanha para Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo a PF, o chamado Projeto DV tinha como objetivo contratar influenciadores para as fileiras de Daniel Vorcaro em meio à guerra contra o Banco Central, adversários no sistema financeiro (como o Banco Itaú) e jornalistas que denunciavam o esquema criminoso do banco Master.

Na decisão que deu aval à ação da PF, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que Rony Gabriel foi atraído pelo grupo de Vorcaro que teriam alegado que “estavam contratando perfis em redes sociais para ajudar em uma disputa política de repercussão nacional”.

“Por ocasião das oitivas das pessoas potencialmente abordadas para aderir ao “Projeto DV”, foi colhido o depoimento do vereador RONY GABRIEL registrado por meio do Termo de Depoimento por Audiovisual nº 972020/2026). De acordo com o referido depoente, ANDRÉ SALVADOR, que seria representante da empresa UNLTD, procurou seu assessor, para tratar de um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um importante executivo. ANDRÉ informou que estavam contratando perfis em redes sociais para ajudar em uma disputa política de repercussão nacional”, diz Mendonça na decisão, de 24 páginas.

Segundo o ministro, para o prosseguimento das tratativas, o vereador deveria assinar um acordo de confidencialidade, com multa de quebra contratual de R$ 800 mil reais.

“Apenas após a assinatura, lhe foi revelado que ele deveria gravar vídeos indicando que o Banco Master teria sido ‘vítima’ do Banco Central, considerando que a sua liquidação seria indevida”, emenda o ministro.

No documento, Mendonça revela parte do contrato da UNLTD NETWORK BRAZIL LTDA, de André Salvador, que teria feito a oferta ao vereador, que recusou após saber que se tratava de ataques ao Banco Central e não de “ajudar em uma disputa política de repercussão nacional”.

<><> Atuação pró Flávio Bolsonaro

Nas redes sociais, Rony Gabriel, que se coloca como pré-candidato a deputado federal, divulgou um vídeo confirmando que foi ouvido pelos investigadores, segundo ele, a partir “da denúncia que eu fiz em janeiro desse ano”, mentindo ao se colocar como pivô da investigação e da ação do Banco Central que liquidou o Banco Master.

“Na época tentaram colocar em descrédito a minha denúncia, eu sofri muitos ataques coordenados aqui nas redes sociais e sim, recebi muitas ameaças, ameaças veladas”, disse, corroborando o que consta na investigação da PF, de que Vorcaro determinou ataques àqueles que recusassem as investidas para atuarem em prol de seu “Time”, como é identificado o grupo de influenciadores que disseminam conteúdo do Banco Master por até R$ 2 milhões.

“As ameaças, esses ataques continuaram até o dia 1º de março, quando prendem Daniel Vorcaro e o sicário e bom, aconteceu aquilo lá com o Sicário e depois deu uma cessada”, afirma o vereador, sobre a morte suspeita do operador de Daniel Vorcaro na prisão.

“Eles estavam atacando a reputação, eles estavam ameaçando e eles estavam perseguindo não somente jornalistas como a Malu Gaspar, que tá divulgando isso, ou outros que foram ameaçados, mas também aqueles que se recusavam a receber as vantagens financeiras que eles ofereciam”, emenda.

O que o vereador não conta é que aceitou conversar após ter sido atraído para atuar na “disputa política de repercussão nacional” e recusou a proposta apenas depois de saber que o Projeto DV faria parte da estratégia de ataques ao Banco Central.

“A primeira vez que eu tenho uma denúncia minha citada pelo ministro André Mendonça, ao fazer uma busca e apreensão ou uma prisão. Tenho certeza nesse país que quem tá do lado certo dorme com a cabeça descansada. Eu tenho muita esperança que no futuro a gente tenha uma geração de pessoas que entenda a importância disso e salve esse país de uma vez por todas”, afirmou.

 

Fonte: Brasil 247

 

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