Pedro
Benedito Maciel Neto: A vil cortina de fumaça de Paulo Figueiredo
Enquanto
a Justiça decreta a falência da LSH Barra Empreendimentos Imobiliários, empresa
que teve Paulo Figueiredo como CEO, consolidando um prejuízo estimado em cerca
de R$ 400 milhões para fundos de pensão e institutos de previdência, o próprio
Paulo Figueiredo faz com que o debate público seja desviado para uma polêmica
cuidadosamente construída. A falência do empreendimento ocorre após sucessivas
investigações e condenações administrativas da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), que apontaram graves irregularidades na gestão do projeto.
Em vez
de responder às questões relacionadas ao empreendimento, aos prejuízos causados
aos investidores e às conclusões da CVM, Paulo Figueiredo preferiu lançar uma
provocação: afirmou que “mulher vota mal”. A declaração não surgiu por acaso.
Ela dialoga com um discurso que ganhou espaço em setores da extrema direita
internacional, especialmente na chamada machosfera, onde influenciadores
passaram a defender, de forma explícita, a revogação do sufrágio feminino,
retomando ideias incompatíveis com uma democracia constitucional.
Estamos
diante da velha estratégia política: criar uma controvérsia moral ou cultural
para deslocar a atenção dos fatos concretos. Em vez de discutir
responsabilidades por um empreendimento que terminou em falência e deixou
prejuízos milionários para aposentados e servidores públicos, transfere-se o
debate para uma provocação destinada a mobilizar paixões e indignações.
Mas é
precisamente sobre os fatos que devemos concentrar nossa atenção. O fracasso
empresarial, os prejuízos impostos aos fundos de pensão, as decisões da Justiça
e as sanções aplicadas pela CVM são temas de evidente interesse público. Eles
dizem respeito ao patrimônio coletivo e à responsabilidade de quem administrou
recursos de terceiros.
Ao
mesmo tempo, é indispensável repudiar qualquer tentativa de relativizar uma das
maiores conquistas democráticas do século XX: o direito de voto das mulheres. O
sufrágio feminino não é uma concessão, mas uma conquista civilizatória
construída por gerações que enfrentaram discriminação e exclusão política.
Questioná-lo significa atacar um dos pilares da igualdade democrática.
Não
devemos permitir que uma falsa polêmica esconda aquilo que realmente importa. O
debate público precisa ser guiado pelos fatos, pela responsabilidade e pelo
respeito às conquistas democráticas — e não por provocações destinadas apenas a
produzir distração e polarização.
Essas
são as reflexões.
• Renan Santos chama Flávio Bolsonaro de
“criminoso”
O
pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, chamou Flávio
Bolsonaro (PL) de “criminoso”, criticou a candidatura do senador ao Palácio do
Planalto e afirmou que ele nunca demonstrou interesse em ser presidente. O
fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) também acusou o parlamentar de
permanecer em Brasília para “fazer negócios” e “comprar imóveis”.
As
declarações foram dadas durante entrevista ao MyNews. Ao comentar a entrada de
Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, Renan Santos disse não compreender as
razões que levaram o senador a se apresentar como pré-candidato. “Parece que
Flávio está sempre cometendo coisas inadequadas. Vamos ser sinceros, tem que
dar nome aos bois, ou a gente vai ficar aceitando o campo da direita seja
dominado por um criminoso? Que é isso que o Flávio é”, ressaltou.
Renan
Santos também afirmou que Flávio Bolsonaro “nunca quis ser presidente” e
vinculou a atuação política do senador a interesses particulares. Segundo o
pré-candidato do Missão, o filho de Jair Bolsonaro (PL) permanece na capital
federal para “fazer negócios” e “comprar imóveis”.
Durante
a entrevista, Santos ainda avaliou a relação entre o ex-governador de Minas
Gerais Romeu Zema (Novo) e o bolsonarismo. Na análise do fundador do MBL, o
partido Novo abandonou a tentativa inicial de se apresentar como alternativa
política e passou a atuar de maneira próxima ao grupo liderado por Jair
Bolsonaro.
“O Novo
é uma legenda de centro, mas apenas uma legenda. Qual é a visão de mundo do
Novo sobre educação? Qual é o projeto de país que o Novo apresenta para o
Brasil? Muitas vezes, a impressão é de que o partido atua apenas como um aliado
do bolsonarismo. Esse é o problema do Novo. Eles até surgiram com a proposta de
ser uma alternativa, mas acabaram se aproximando desse campo político”,
afirmou.
• Mulher trans acusa empresário da
“Picanha Bolsonaro” de ameaça e calote
Uma
mulher trans que trabalha como acompanhante acusa Leandro Batista Nóbrega,
proprietário do Frigorífico Goiás e empresário conhecido pela chamada “Picanha
Bolsonaro”, de não pagar R$ 500 por um encontro, fazer ameaças e adotar uma
conduta transfóbica. A denunciante afirma que o conflito começou depois que ela
reconheceu o empresário e o questionou sobre conteúdos publicados por ele nas
redes sociais, segundo Milena Teixeira, do Metrópoles.
Identificada
pelo nome fictício de Aline para ter sua identidade preservada, a mulher
registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à
Mulher (Deam) na noite de 15 de junho, poucas horas depois do encontro. No
documento, ela relata que o empresário deixou o apartamento sem realizar o
pagamento combinado e que a discussão se intensificou após divergências sobre o
serviço contratado.
De
acordo com o relato apresentado à polícia, Leandro já havia procurado Aline em
2024 e voltou a entrar em contato em maio deste ano. A denunciante também
afirmou ter percebido que um perfil vinculado ao Frigorífico Goiás acompanhava
com frequência suas publicações no Instagram.
O
encontro foi marcado pelo WhatsApp. Segundo o boletim, o empresário chegou ao
apartamento por volta das 13h, no horário combinado, e permaneceu no local por
aproximadamente uma hora e dez minutos.
“A
declarante diz que fez o atendimento de Leandro (serviços de ordem sexual).
Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que
não fazia ativo. Leandro foi tomar banho e, quando voltou do banheiro, ela
percebeu que aquele homem era do Frigorífico Goiás”, afirma o registro
policial.
Após
reconhecer Leandro, Aline diz que passou a questioná-lo sobre postagens de teor
transfóbico divulgadas nas redes sociais e sobre uma suposta contradição entre
esse conteúdo e a contratação dos serviços de uma mulher trans.
Ainda
conforme o boletim de ocorrência, a conversa se transformou rapidamente em uma
discussão. “Leandro começou a debater com a declarante e se alterou. A
declarante então filmou Leandro e disse que iria expô-lo”, registra o
documento.
Em uma
gravação, Aline critica a forma como mulheres trans são tratadas por homens
que, segundo ela, procuram seus serviços, mas reproduzem discursos
discriminatórios publicamente.
“Vocês
colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem. Vocês
que chamam a gente para comer a mulher de vocês. Vocês que querem que a gente…
É por isso que vocês tratam a gente como homem e não querem que a gente use
banheiro das mulheres. São vocês. E aquele cara lá eu queria que ele viesse
comigo, aí ia ser babado. Eu queria ver ele ameaçar travesti falando de
banheiro”, afirma Aline na gravação.
Leandro
responde: “É, mas ele não ameaça, não.”
Na
sequência, a acompanhante rebate: “Mas ele ameaçou”.
Aline
também afirmou à polícia que, depois da discussão, o empresário teria enviado
mensagens oferecendo dinheiro para impedir a divulgação do vídeo. Segundo a
denunciante, a proposta foi recusada e, em nenhum momento, ela teria exigido
qualquer valor em troca de silêncio.
O
boletim registra ainda que, após a negativa, Leandro teria passado a acusá-la
de extorsão e feito uma ameaça direta. “A declarante esclarece que, em nenhum
momento, pediu dinheiro para não expor Leandro. Leandro ameaçou a declarante
dizendo: ‘Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você’”, diz o
documento.
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Empresário ganhou projeção com produtos ligados a Bolsonaro
Leandro
Nóbrega ganhou visibilidade nacional com vídeos de churrascos, ações de
divulgação do Frigorífico Goiás e publicações políticas nas redes sociais. O
empresário se declara apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e aparece em conteúdos ao
lado de lideranças e influenciadores ligados à direita.
O
perfil da empresa reúne cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram,
enquanto a conta pessoal de Leandro soma aproximadamente 974 mil. O empresário
também mantém proximidade pública com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o
deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e com artistas do segmento sertanejo.
Uma das
ações que ampliaram a notoriedade do frigorífico foi a venda de carnes
embaladas a vácuo com imagens de figuras públicas, entre elas Jair Bolsonaro, o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da Argentina, Javier
Milei, e o jogador Neymar.
Leandro
também ficou conhecido por instalar na entrada do estabelecimento uma placa com
a frase “Petista aqui não é bem-vindo”. O cartaz acabou sendo retirado após
decisão judicial.
Em
outra ação de grande repercussão, o empresário divulgou vídeos nos quais
aparecia lançando pacotes de carne de um helicóptero durante uma iniciativa
apresentada como distribuição de alimentos no período de Natal.
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Publicações contra mulheres trans
Além
das postagens de caráter político, o empresário compartilha conteúdos
considerados transfóbicos, incluindo piadas relacionadas à presença de mulheres
trans em seu estabelecimento.
Leandro
também já direcionou publicações contra parlamentares trans. Em uma delas,
utilizou o nome masculino “Felipão” para se referir à deputada federal Erika
Hilton (PSOL-SP). A deputada Duda Salabert (PDT-MG) também foi alvo de críticas
em conteúdos divulgados por ele.
O
Metrópoles informou que procurou Leandro Nóbrega e o Frigorífico Goiás para
obter um posicionamento sobre as acusações, mas não recebeu resposta. Segundo a
coluna, o empresário também bloqueou o perfil da jornalista após uma tentativa
de contato. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa e da empresa.
• Influenciador, vereador bolsonarista foi
atraído por Vorcaro para “ajudar em disputa política de repercussão nacional”
10ª
fase da Operação Compliance Zero, que teve o publicitário Thiago Miranda, dono
da agência Mithi, como principal alvo revelou que os articuladores do chamado
Projeto DV – siglas de Daniel Vorcaro – tentou atrair o vereador bolsonarista
Rony Gabriel (PL-RS), que tem mais d2 milhões de seguidores no Instagram,
dizendo que “estavam contratando perfis em redes sociais para ajudar em uma
disputa política de repercussão nacional”. Nas redes, o vereador tem foto e faz
campanha para Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo
a PF, o chamado Projeto DV tinha como objetivo contratar influenciadores para
as fileiras de Daniel Vorcaro em meio à guerra contra o Banco Central,
adversários no sistema financeiro (como o Banco Itaú) e jornalistas que
denunciavam o esquema criminoso do banco Master.
Na
decisão que deu aval à ação da PF, o ministro André Mendonça, relator do caso
no Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que Rony Gabriel foi atraído pelo
grupo de Vorcaro que teriam alegado que “estavam contratando perfis em redes
sociais para ajudar em uma disputa política de repercussão nacional”.
“Por
ocasião das oitivas das pessoas potencialmente abordadas para aderir ao
“Projeto DV”, foi colhido o depoimento do vereador RONY GABRIEL registrado por
meio do Termo de Depoimento por Audiovisual nº 972020/2026). De acordo com o
referido depoente, ANDRÉ SALVADOR, que seria representante da empresa UNLTD,
procurou seu assessor, para tratar de um trabalho de gerenciamento de reputação
e gestão de crise para um importante executivo. ANDRÉ informou que estavam
contratando perfis em redes sociais para ajudar em uma disputa política de
repercussão nacional”, diz Mendonça na decisão, de 24 páginas.
Segundo
o ministro, para o prosseguimento das tratativas, o vereador deveria assinar um
acordo de confidencialidade, com multa de quebra contratual de R$ 800 mil
reais.
“Apenas
após a assinatura, lhe foi revelado que ele deveria gravar vídeos indicando que
o Banco Master teria sido ‘vítima’ do Banco Central, considerando que a sua
liquidação seria indevida”, emenda o ministro.
No
documento, Mendonça revela parte do contrato da UNLTD NETWORK BRAZIL LTDA, de
André Salvador, que teria feito a oferta ao vereador, que recusou após saber
que se tratava de ataques ao Banco Central e não de “ajudar em uma disputa
política de repercussão nacional”.
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Atuação pró Flávio Bolsonaro
Nas
redes sociais, Rony Gabriel, que se coloca como pré-candidato a deputado
federal, divulgou um vídeo confirmando que foi ouvido pelos investigadores,
segundo ele, a partir “da denúncia que eu fiz em janeiro desse ano”, mentindo
ao se colocar como pivô da investigação e da ação do Banco Central que liquidou
o Banco Master.
“Na
época tentaram colocar em descrédito a minha denúncia, eu sofri muitos ataques
coordenados aqui nas redes sociais e sim, recebi muitas ameaças, ameaças
veladas”, disse, corroborando o que consta na investigação da PF, de que
Vorcaro determinou ataques àqueles que recusassem as investidas para atuarem em
prol de seu “Time”, como é identificado o grupo de influenciadores que
disseminam conteúdo do Banco Master por até R$ 2 milhões.
“As
ameaças, esses ataques continuaram até o dia 1º de março, quando prendem Daniel
Vorcaro e o sicário e bom, aconteceu aquilo lá com o Sicário e depois deu uma
cessada”, afirma o vereador, sobre a morte suspeita do operador de Daniel
Vorcaro na prisão.
“Eles
estavam atacando a reputação, eles estavam ameaçando e eles estavam perseguindo
não somente jornalistas como a Malu Gaspar, que tá divulgando isso, ou outros
que foram ameaçados, mas também aqueles que se recusavam a receber as vantagens
financeiras que eles ofereciam”, emenda.
O que o
vereador não conta é que aceitou conversar após ter sido atraído para atuar na
“disputa política de repercussão nacional” e recusou a proposta apenas depois
de saber que o Projeto DV faria parte da estratégia de ataques ao Banco
Central.
“A
primeira vez que eu tenho uma denúncia minha citada pelo ministro André
Mendonça, ao fazer uma busca e apreensão ou uma prisão. Tenho certeza nesse
país que quem tá do lado certo dorme com a cabeça descansada. Eu tenho muita
esperança que no futuro a gente tenha uma geração de pessoas que entenda a
importância disso e salve esse país de uma vez por todas”, afirmou.
Fonte:
Brasil 247

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