sábado, 11 de julho de 2026

Nova combinação reduz em 60% risco de volta do câncer de bexiga

Dois novos estudos apontam que a combinação de dois medicamentos utilizada antes e após a cirurgia de retirada da bexiga, em casos de câncer, mostrou uma redução de aproximadamente 60% no risco de recorrência tumoral, progressão ou morte.

A combinação passou a ser aprovada pela Anvisa para o uso perioperatório em pacientes inelegíveis à cisplatina, medicamento quimioterápico, no Brasil.

As análises feitas pela Pfizer estudam o tratamento para o câncer de bexiga, que é o nono tipo mais comum no mundo, com mais de 614 mil novos casos diagnosticados todos os anos, com dados que podem mudar a abordagem da doença depois de 20 anos com o mesmo padrão de tratamento. 

<><> O primeiro estudo avalia o uso da combinação e a taxa de redução de recorrência

Um dos estudos avaliou pacientes com câncer de bexiga que precisaram retirar a bexiga por cirurgia e que não podiam receber a quimioterapia padrão à base de cisplatina. Os pesquisadores compararam os resultados de quem foi submetido apenas ao procedimento com os de pacientes que receberam a combinação dos medicamentos enfortumabe vedotina (Padcev) e pembrolizumabe antes e depois da operação.

Os resultados mostraram que a combinação reduziu em cerca de 60% o risco de o câncer voltar, evoluir ou causar a morte do paciente. O risco de morte também foi aproximadamente 50% menor em comparação com a cirurgia isolada.

Após dois anos de acompanhamento, 74,7% dos pacientes que receberam os dois medicamentos continuavam sem sinais de progressão da doença. O estudo também apontou uma resposta patológica completa em cerca de 57% dos casos, índice superior ao observado entre os pacientes tratados apenas com cirurgia, que foi de aproximadamente 9%.

<><> Outro estudo estudou a atuação da combinação em pacientes com um câncer avançado

Já o segundo, que abrangeu 886 pacientes com carcinoma urotelial, tipo mais comum de câncer do trato urinário, avançado ou metastático não tratado, aptos à quimioterapia e sem exposição prévia a inibidores de PD-1/PD-L1.

Ele avaliou que pacientes com o câncer avançado, mostraram uma taxa de resposta de 67,5% com a combinação, em comparação com 44,2% com quimioterapia, além de uma taxa de resposta de 30,4%.

<><> Aprovação da combinação no Brasil

“Os resultados apresentados nos estudos EV-303 e EV-302 reforçam o potencial da combinação de enfortumabe vedotina com pembrolizumabe em diferentes etapas da jornada do câncer urotelial, desde a doença músculo-invasiva até o cenário localmente avançado ou metastático. São dados que contribuem para ampliar a discussão científica sobre novas possibilidades terapêuticas com potencial de impactar desfechos relevantes para os pacientes”, ressaltou Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil.  

No Brasil, o uso combinado de 'enfortumabe vedotina' e 'pembrolizumabe' já está aprovado pela Anvisa para pacientes adultos com câncer urotelial localmente avançado ou metastático. Já o uso perioperatório da combinação em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo inelegíveis à cisplatina acaba de ser aprovado para essa população.

•        Câncer de endométrio: novo tratamento mostra potencial de cura; entenda

A biofarmacêutica GSK, apresentou os resultados de quatro anos de sobrevida global do estudo fase 3 RUBY durante no Encontro Anual da Sociedade de Oncologia Ginecológica, a SGO 2026, em San Juan, Porto Rico.

Esta é a análise mais longa entre os estudos de fase 3 com imunoterapia para o tratamento de primeira linha do câncer de endométrio avançado/recorrente.

O estudo evidenciou que 72,8% das pacientes com câncer de endométrio primário avançado ou recorrente em tratamento com dostarlimabe em combinação com quimioterapia estavam vivas após 4 anos, em comparação com 40,3% das pacientes em uso de quimioterapia.

Além disso, houve uma redução de 66% do risco de progressão ou morte, em comparação com quimioterapia isolada. O câncer de endométrio é o sexto mais incidente entre as mulheres no Brasil, com 9.650 casos estimados para o ano de 2026.

Cerca de 32% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, com prognóstico desfavorável, visto que somente 22% das pacientes estarão vivas em 5 anos.

Dentre as pacientes, cerca de 30% apresentam dMMR (Deficiência do Reparo de Incompatibilidade de DNA), sendo candidatas ideais ao tratamento com imunoterapia. Entretanto, há mais de uma década, o padrão de tratamento em primeira linha para câncer de endométrio primário avançado ou recorrente é a quimioterapia, mesmo com sobrevida global mediana sendo inferior a 3 anos.

“A apresentação [do estudo] representa um avanço significativo no paradigma de tratamento para o câncer de endométrio primário avançado ou recorrente dMMR/MSI-H, sendo até então o único ensaio clínico com o maior tempo de acompanhamento nessa indicação a mostrar um benefício de sobrevida global clinicamente relevante e estatisticamente significativo, com controle duradouro da doença", comenta Angelica Nogueira Rodrigues, oncologista e atual diretora de planejamento do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).

Segundo ela, "os resultados a longo prazo do uso de imunoterapia em combinação com quimioterapia nessa população desafiam o prognóstico desfavorável da doença, trazendo novas perspectivas com potencial de intenção de cura para algumas pacientes”.

O benefício de sobrevida livre de progressão se manteve durante os quatro anos. Deu pra ver que a curva de sobrevida parou de cair por um tempo, como um “platô”.

Nesse período extra de dois anos e meio desde a última análise do estudo RUBY, só aconteceram quatro casos de progressão em quem recebeu dostarlimabe junto com quimioterapia — o que mostra que a doença ficou controlada por bastante tempo.

Também foi possível observar pelo estudo que as estimativas de sobrevida condicional melhoram a cada ano em que os pacientes permanecem vivos, oferecendo uma alternativa relevante com probabilidade de sobrevida a longo prazo.

“Os resultados de 4 anos de sobrevida global nos deixam ainda mais confiantes do potencial de dostarlimabe em combinação com quimioterapia para o tratamento de uma doença que tem um prognóstico tão desfavorável quando descoberta em estágio avançado, trazendo uma nova perspectiva para pacientes pelo significativo potencial para intenção curativa. Esses achados reforçam o propósito da GSK na oncologia de liderar resultados transformadores no tratamento do câncer”, reforça Tatiana Pires, líder médica de Oncologia na GSK Brasil.

Em comparação com estudo anteriores, não foi observado nenhum novo sinal de segurança, e as incidências de eventos adversos relacionados ao tratamento foram baixas no seguimento de longo prazo. Os cinco eventos adversos relacionados ao tratamento de qualquer grau mais comuns no braço dostarlimabe em combinação com quimioterapia versus quimioterapia isolada incluíram alopecia, fadiga, náusea, neuropatia periférica e artralgia.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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