sábado, 11 de julho de 2026

Soberania inegociável: Brasil resiste à pressão dos Estados Unidos na América Latina

Em meio ao avanço de governos conservadores na América do Sul e às tentativas dos Estados Unidos de ampliar sua influência política e militar na região, o Brasil mantém uma posição de resistência baseada na defesa da soberania nacional, no multilateralismo e na autonomia de sua política externa.

A avaliação é de especialistas ouvidas pela Sputnik Brasil, em reportagem publicada nesta quinta-feira (9). Segundo as analistas, a postura brasileira não decorre apenas das escolhas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas de uma tradição institucional construída ao longo de décadas pela diplomacia, pela burocracia estatal e por diferentes setores da sociedade.

A atual configuração política sul-americana tem sido chamada de “Onda Azul”, em contraste com a chamada “maré rosa”, que marcou a chegada de governos progressistas à região no início dos anos 2000. Países como Argentina, Paraguai, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru passaram a ser governados por representantes da direita ou da extrema direita, alguns deles defensores de um alinhamento mais próximo com Washington.

O governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca aproveitar esse cenário para reforçar a presença norte-americana no continente. Em julho de 2025, ao parabenizar o presidente argentino Javier Milei por uma vitória nas eleições legislativas, Trump afirmou estar “concentrando muito na América do Sul e conseguindo forte controle no continente em muitos sentidos”.

<><> Segurança pública vira instrumento de pressão

A área de segurança tornou-se um dos principais eixos da política dos Estados Unidos para a América do Sul. Washington tem ampliado acordos militares, defendido operações regionais e pressionado governos a adotar suas próprias classificações e estratégias de combate ao crime organizado.

No caso brasileiro, o governo Trump tenta obter apoio de Brasília para que organizações criminosas atuantes no país sejam classificadas como grupos terroristas. O governo Lula, no entanto, resiste à proposta e defende que decisões sobre segurança pública e legislação penal sejam tomadas de acordo com os interesses e as instituições brasileiras.

Segundo Fernanda Carvalho Calado Coutinho, doutoranda em estudos estratégicos da defesa e segurança e pesquisadora de América do Sul pelo Núcleo de Avaliação da Conjuntura da Escola de Guerra Naval, a complexidade do Brasil dificulta interferências externas diretas.

“É justamente essa característica que torna inferências externas igualmente mais complexas. A estratégia que me parece plausível é avançar pelos ‘flancos’ mais vulneráveis. Acho que os EUA encontraram um considerável: organizações criminosas”, afirmou.

A pesquisadora destaca que a soberania nacional deverá ocupar posição central no debate eleitoral brasileiro. “Quem não compreender isso, não levará as eleições de 2026”, declarou.

<><> Pix se transforma em símbolo da autonomia brasileira

Outro ponto de atrito entre Brasil e Estados Unidos envolve o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado e administrado pelo Banco Central. O mecanismo tornou-se alvo de questionamentos norte-americanos por seu impacto sobre empresas privadas de cartões e meios de pagamento.

Para Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo, o Pix ultrapassou a condição de ferramenta bancária e passou a ser percebido como uma conquista nacional.

“A população e o setor produtivo identificam o sistema [Pix] como um patrimônio de inclusão financeira e eficiência nacional”, afirmou.

Segundo a especialista, a reação brasileira às pressões norte-americanas não deve ser interpretada como uma iniciativa circunstancial do governo Lula.

A resistência “é reflexo de uma política externa que vem sendo desenhada há muito tempo com busca de autonomia e multilateralismo”, explicou.

“O Brasil sempre defendeu o multilateralismo, desde o período da democracia, que ainda é incipiente. […] Os indicadores empíricos dessa autonomia se destacam pela consolidação da China como um dos principais parceiros do Brasil e, ao meu ver, o BRICS vai ganhando mais institucionalidade”, acrescentou.

<><> Peso do Brasil limita projetos dos Estados Unidos

Com uma população superior à de qualquer outro país sul-americano, uma economia diversificada e forte presença diplomática, o Brasil ocupa uma posição determinante nos projetos de integração ou de reorganização política da América do Sul.

Segundo Bressan, nenhuma estratégia regional conduzida por uma potência estrangeira pode alcançar plenamente seus objetivos sem algum nível de participação brasileira.

“Qualquer projeto de governança regional ou de isolamento de atores considerados antagônicos se mostra ineficaz sem a anuência ou cooperação ativa do Estado brasileiro”, ressaltou.

A professora afirma que a rejeição a alinhamentos automáticos não está limitada a um partido ou a um governo específico, mas integra uma visão mais ampla sobre o papel do Brasil no mundo.

“A sociedade e a burocracia brasileira, elas tendem a rejeitar alinhamentos automáticos ou submissões de caráter unipolar, por compreenderem que o Estado brasileiro, o interesse nacional, se realiza por meio da inserção soberana em diferentes e múltiplos fóruns globais, e não pela simples subordinação ao status quo de uma única potência”, declarou.

A ampliação das relações comerciais e diplomáticas com a China, o fortalecimento do BRICS e a participação brasileira em diferentes organismos multilaterais são apontados como exemplos dessa estratégia de diversificação das parcerias internacionais.

<><> Eleições colocam soberania no centro do debate

As pressões relacionadas à segurança pública, às tarifas comerciais e ao Pix devem ganhar espaço na campanha eleitoral brasileira. De um lado, o presidente Lula defende o diálogo diplomático e a rejeição à ingerência estrangeira. De outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos possíveis adversários do campo governista, realiza acenos políticos à Casa Branca e defende maior alinhamento com os Estados Unidos.

Apesar da polarização partidária, as especialistas consideram que a defesa da autonomia nacional ultrapassa divisões ideológicas. A resistência à interferência estrangeira estaria presente tanto entre setores da população quanto entre empresários, diplomatas, militares e integrantes da administração pública.

Nesse cenário, a soberania pode se tornar um dos temas centrais da disputa presidencial, especialmente diante das tentativas de Washington de influenciar decisões internas relacionadas à segurança, à economia e à política externa.

<><> Resistência à ALCA marcou posição histórica do Brasil

A atual defesa da autonomia brasileira tem precedentes importantes. Um dos principais foi a resistência à criação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, proposta pelos Estados Unidos em 1994.

O projeto pretendia estabelecer uma ampla zona comercial abrangendo praticamente todo o continente, mas foi rejeitado por diferentes governos latino-americanos e acabou paralisado na Cúpula das Américas de 2005, realizada em Mar del Plata, na Argentina.

Naquele período, o Brasil priorizava o fortalecimento do Mercosul e se opunha a um acordo que poderia ampliar a dependência das economias regionais em relação ao mercado norte-americano.

“Enquanto diversos países da região cederam às pressões, assinaram TLCs com os Estados Unidos, que são tratados de livre comércio bilaterais, a diplomacia brasileira liderou essa resistência técnica e política coordenada no âmbito do Mercosul”, afirmou Bressan.

Coutinho também destacou o papel desempenhado pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um dos principais símbolos políticos da oposição à proposta norte-americana.

A derrota da ALCA consolidou, naquele momento, uma agenda voltada ao fortalecimento da integração sul-americana e demonstrou a capacidade dos países da região de estabelecer limites à influência dos Estados Unidos.

Duas décadas depois, o debate retorna sob novas formas. Pressões sobre o sistema financeiro, acordos militares, políticas de segurança e disputas comerciais substituíram parte dos antigos projetos de livre comércio, mas a questão central permanece: até que ponto os países latino-americanos estão dispostos a abrir mão de sua autonomia para acompanhar os interesses estratégicos de Washington?

No caso brasileiro, a resposta indicada pelas especialistas é clara: a soberania continua sendo considerada um valor inegociável.

•        Mauro Vieira falou a verdade. Por Marcelo Zero

É óbvio que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas abre caminho para toda sorte de intervenções no Brasil, inclusive militares.

Isso aconteceu na Venezuela, na Colômbia, no México e no Equador, principalmente em ataques contra embarcações supostamente a serviço do narcotráfico.

Até 25 de março de 2026, pelo menos 163 pessoas haviam sido mortas (incluindo 3 que estão desaparecidas e presumivelmente mortas) em 47 ataques a 48 embarcações, incluindo 15 embarcações atingidas no Mar do Caribe, 31 no Pacífico Oriental e 2 em um local não especificado.

No caso da Venezuela, houve também um grande ataque em terra, que resultou na morte de cerca de 50 pessoas e no sequestro do seu chefe de Estado, Nicolás Maduro. Também houve o bombardeio da casa de um suposto líder da organização Tren de Aragua. No Equador, houve o bombardeio de um suposto local de narcotráfico, que acabou revelando-se uma mera fazenda de leite.

Essas ações ilegais do governo Trump despertaram alarme nas Nações Unidas.

Quando houve o ataque à Venezuela, o Secretário-Geral, António Guterres emitiu a seguinte Nota:

 “O Secretário-Geral está profundamente alarmado com a recente escalada na Venezuela, que culminou na ação militar dos Estados Unidos no país hoje, a qual traz implicações potencialmente preocupantes para a região.

“Independentemente da situação na Venezuela, esses acontecimentos constituem um precedente perigoso. O Secretário-Geral continua a enfatizar a importância do pleno respeito — por parte de todos — ao direito internacional, incluindo a Carta da ONU.”

Em uma coletiva de imprensa realizada em 1º de dezembro do ano passado, a Casa Branca reiterou que “o presidente deixou bem claro que, se narcoterroristas estiverem traficando drogas ilegais para os Estados Unidos, ele tem autoridade para matá-los”.

Nos últimos tempos, a Delta Force, força especial dos EUA, vem realizando operações clandestinas, “black-ops”, na costa do Oceano Pacífico no México, em especial na península de Baja.

Assim sendo, o perigo de alguma intervenção militar no Brasil, por parte dos EUA, é concreto, muito embora o PCC e o Comando Vermelho não exportem drogas para os EUA. Essas organizações criminosas exportam drogas principalmente para a África e a Europa. Frise-se, ademais, que as autoridades brasileiras sempre cooperaram ativamente com os EUA e outros países para combater o narcotráfico e outros ilícitos internacionais.

Mas as ameaças de violência militar não incluem apenas o narcotráfico. O Panamá foi ameaçado de invasão, caso não retirasse companhias chinesas de operações no Canal homônimo. Na recente reunião da Otan, Trump voltou a ameaçar a Dinamarca e a Groenlândia. Cuba, que não consegue exportar nada por causa das draconianas sanções, está sob forte ameaça. A Doutrina “Donroe” vem sendo aplicada de forma exemplar.

Trump é capaz de tudo. Tem completo desprezo pela soberania de outros países e pelas regras mais elementares do direito internacional. Só um idiota duvida disso. Mauro Vieira, um diplomata extremamente competente e dedicado ao Brasil, está muito longe de ser um idiota. Sabe bem do que fala, ao contrário de outros. 

Se o governo Trump considerar que o Brasil “não está fazendo o suficiente”, agirá unilateralmente, como de hábito. De forma aberta ou clandestina.

Os bolsonaristas, é óbvio, aplaudirão. É da natureza dos traidores.

•        A ligação de Lula para Trump. Por Oliveiros Marques

Lula acordou mais cedo neste dia. Talvez o nível de cortisol estivesse elevado. Ou alguma coisa que o estivesse incomodando muito. Não se sabe. Mas o fato é que saltou da cama antes do normal. Para não atrapalhar o sono de Janja, saiu pé por pé e foi para a academia. Não sem antes passar na cozinha comer 3 ovos mexidos, meio bagunçados e que ele mesmo preparou, e comer as suas balinhas de colágeno e as de creatina.

Inverteu a ordem do treino. Aumentou a carga no supino, aumentou as repetições na cadeira abdutora, suou mais do que o normal na remada, no martelo e no desenvolvimento. Não estava em um dia normal. Seus pensamentos estavam distantes. Na esteira, começou acelerado, na velocidade que normalmente utiliza depois de uns 10 minutos mais leves para o aquecimento.

Como quem descobre o incômodo, dá um tapa no botão vermelho à sua frente e espera a esteira parar totalmente. Seca o rosto e, com uma caminhada como quem ainda está sobre a esteira, se dirige ao seu celular que descansa sobre um aparelho da academia. Abre sua agenda de WhatsApp e clica em um contato identificado como Orange.

Do outro lado da linha atende uma voz de fácil identificação: “Hi, my friend Lula”. Era Donald Trump. Lula ligara para o presidente norte-americano sem se atentar ao fuso de uma hora a menos em Washington. Dispensara os tradutores, pois dias antes sua assessoria havia instalado uma IA que traduzia suas ligações.

Imediatamente o presidente brasileiro começou a falar. Lentamente, assegurando que a inteligência artificial pudesse traduzir a conversa fielmente. “Trump, deixa eu te falar”, começou Lula. “Ou melhor, antes de tratarmos do principal motivo da minha ligação, deixa eu te falar uma coisa: foi muito feio esse negócio que você fez de intervir na FIFA pra tirar o cartão vermelho do Balogun. Isso não se faz. Mas de qualquer jeito, se eu precisar – no segundo semestre – pra tirar algum do meu Curintia aqui, vou pedir pra você falar com a CBF”.

Então, seguiu Lula: “Mas escuta aqui. Te liguei mesmo pra te alertar pra uma coisa. E vê se não deixa esse Marco Loiro aí do teu lado ficar falando merda sobre coisas que ele não conhece. Escuta aqui direitinho. Nós estamos na casa dos “oitentinha” e não temos mais tempo pra ficar sendo enrolados. Olha só, esses meninos que têm enchido o teu saco aí… – isso, os filhos do presidiário inelegível daqui -, não tem contado a história verdadeira pra você. Eles não querem saber de enfrentar o crime organizado, coisa nenhuma. Presta atenção aqui no que vou te falar pra você não ficar mais sendo enrolado”.

Respirando um pouco, o presidente brasileiro continuou: “Esses meninos que vivem te procurando não te contam um pedaço importante da história do crime no estado do Rio de Janeiro… Isso, o estado em que eles moram e fazem política desde sempre. Sim, eles nunca tiveram uma carteira assinada. Mas o que eles não contam pra você é que o nome que eles apostavam como seu candidato para o governo do Rio, o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, foi preso e é investigado na Operação Unha e Carne por possíveis relações com o Comando Vermelho, a principal organização criminosa lá no Rio.

E segue, “também não te contam que Márcio Canella, um ex-prefeito, apresentado por Flávio Bolsonaro como seu candidato ao Senado, também foi preso e é investigado por suspeitas relacionadas a um esquema apurado pela Polícia Federal que envolve lavagem de dinheiro para o crime organizado por meio de postos de combustíveis. Assim como fazem de conta que nunca ouviram falar de TH Joias, ex-deputado preso na mesma investigação e amigo deles, cuja imagem dele deitado sobre pilhas de dinheiro ganhou enorme repercussão.

Esses meninos aparecem aí vendendo discurso de lei e ordem, mas fogem de explicar por que tantos nomes do seu projeto político são acusados de envolvimento em investigações dessa gravidade.

Então, Trump, antes de comprar essa conversa, busca saber da história verdadeira. Não deixe esses malandros te enrolarem.

Bye Trump, take care, concluiu Lula ao encerrar a ligação e voltar para a esteira.

 

Fonte: Brasl 247

 

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