Flávio
Bolsonaro descumpre promessa e não apresenta prestação de contas de “Dark
Horse”
A prestação de contas dos recursos empregados
na produção do filme “Dark Horse”, prometida pelo senador e pré-candidato à
Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ainda não foi divulgada, apesar de o
prazo anunciado ter terminado em 19 de junho. Procurada pelo jornal O Globo, a
pré-campanha do parlamentar transferiu a responsabilidade pelo relatório à
produtora do longa, que não respondeu aos questionamentos.
Flávio
havia anunciado em 19 de maio que a empresa responsável pela cinebiografia de
Jair Bolsonaro (PL) teria 30 dias para apresentar um documento detalhado sobre
a aplicação dos recursos. A promessa foi feita em meio ao desgaste político
provocado pela divulgação de informações sobre a relação do senador com Daniel
Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
“Solicitei
à produtora do filme que apresente, dentro de um prazo de 30 dias, um relatório
detalhado sobre a utilização e o destino dos recursos empregados na produção do
longa-metragem”, declarou Flávio na ocasião.
Quase
um mês depois do encerramento do prazo, porém, o relatório não havia sido
apresentado publicamente. Ao ser questionada, a equipe da pré-campanha afirmou
que o assunto deveria ser tratado diretamente com a produtora e que a prestação
de contas não teria “nada a ver com a pré-campanha ou Flávio”.
A Go Up
Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”, também foi procurada,
mas não respondeu aos contatos até a publicação do texto.
O
compromisso de tornar públicos os gastos do longa foi anunciado como uma medida
destinada a dar transparência ao financiamento da produção e reduzir a
repercussão negativa das revelações envolvendo Vorcaro.
A
promessa ocorreu após uma reunião de Flávio com deputados e senadores do PL. O
encontro foi convocado para que o pré-candidato explicasse sua aproximação com
o ex-banqueiro e respondesse a dúvidas sobre mensagens e áudios nos quais
aparecia solicitando recursos para a conclusão do filme.
Durante
a entrevista concedida após a reunião, o senador afirmou que havia pedido à
produtora uma organização completa das despesas relacionadas ao projeto. “Pedi
à produtora para que se organizassem para fazer uma prestação de contas das
despesas de todo mundo, de forma transparente”, afirmou.
Flávio
também declarou que os valores correspondentes ao investimento de Vorcaro
deveriam ser separados caso o filme obtivesse retorno financeiro. Segundo o
senador, os recursos ficariam disponíveis para uma eventual decisão das
autoridades. “Outro pedido é que, assim que o filme der resultado, o valor
aplicado pelo Daniel Vorcaro vai ser destacado e ficará à disposição das
autoridades para resolverem o que vão fazer”, declarou.
Ao
justificar os contatos com o ex-banqueiro, Flávio sustentou que as conversas
tiveram como único objetivo garantir a conclusão da produção cinematográfica
sobre Jair Bolsonaro. “Qualquer contato meu com esta pessoa foi única e
exclusivamente para tratar do filme do meu pai, que está ali faltando os
últimos detalhes para ser concluído”, disse.
As
negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar o longa foram reveladas
inicialmente pelo site The Intercept Brasil, que publicou mensagens e
documentos relacionados às tratativas. Desde então, o senador afirma que sua
relação com o ex-controlador do Banco Master ficou restrita à busca por
recursos para a cinebiografia.
Apesar
das promessas de transparência feitas em maio, não há, até o momento, uma nova
data para a apresentação do relatório, nem informações públicas detalhadas
sobre a origem, o montante e a destinação dos recursos usados na produção de
“Dark Horse”.
• ‘Desgastado, Flávio Bolsonaro representa
o darwinismo social, e é refém tanto dos EUA como do antipetismo’, analisa
Mayra Goulart
Professora
do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
a cientista política Mayra Goulart afirmou nesta semana, em entrevista ao
programa Giro das Onze, da TV 247, que a pré-candidatura presidencial do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um momento de desgaste crescente,
pressionada por investigações, pela relação com os Estados Unidos e por
dificuldades na construção de palanques estaduais.
Conforme
a analista, a extrema direita brasileira, se for eleita para o Planalto, vai
“cada vez mais alimentar uma ideia de darwinismo social”. Mayra disse que a
pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro representa interesses dos mais
ricos no Brasil.
“Não é
apenas sobre Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, elites políticas cada vez mais
amalucadas e de extrema direita, mas é sobre uma sociedade em que a gente tá
perdendo a batalha dos valores. O reflexo disso é a gente não conseguir olhar
mais para o outro com empatia”, pontuou.
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Darwinismo
O termo
usado pela cientista política se refere ao conceito usado pelo biólogo e
naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882). Pela teoria dele, existe uma
espécie de seleção natural das espécies no planeta, em que alguns seres têm
melhor adaptação às mudanças na Terra e, por consequência, mais chances de
sobrevivência.
O
alerta de Mayra, na entrevista à TV 247, foi no sentido de que, se Flávio
Bolsonaro for eleito, vai prevalecer a lei do “cada um por si, Deus por todos”,
um paradigma em que os bolsonaristas defendem a atuação individual como
verdadeiro motor para o desenvolvimento de um país, negligenciando na aplicação
de investimentos públicos e os direitos socioambientais.
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Perigo: bolsonarismo vê trumpismo como fator de força
Na
avaliação feita por Mayra Goulart, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao
Planalto pode atravessar novos desgastes, mas sem perder força de modo imediato
por causa de fatores como o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump.
Candidatos
de direita podem explorar a promessa de reconhecimento político dos EUA como
fator de força, complementou Mayra na entrevista ao 247. O trumpismo “vai te
reconhecer e vai te manter ali, te estruturar ali”, disse ela em referência ao
apoio de Trump à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. “É uma variável grave e
que é mobilizada retoricamente por eles”, pontuou Mayra.
Ao
discutir o Brasil, a cientista política observou que o senador da extrema
direita também mobiliza esse tipo de ameaça no debate político interno. “Se
Flávio Bolsonaro, num Brasil continental, mobilizou retoricamente falando o
seguinte: ‘Olha, se o Lula vencer a eleição, os Estados Unidos não vão
reconhecer’. Imagina o que que isso representa pros países menores da América
Latina”, continuou.
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Eleições
Apesar
do alerta, Mayra prevê que Flávio Bolsonaro “vai conseguir chegar no segundo
turno e vai fazer uma campanha acirradíssima com o presidente Lula”, disse a
analista em referência ao parlamentar da extrema direita.
A
cientista política sustentou que Flávio Bolsonaro usa espaços empresariais e
informais como vitrine eleitoral. Conforme destacou a analista, o filho de Jair
Bolsonaro tenta se mostrar próximo a Trump e atua como defensor de um
alinhamento automático com Washington.
“Diferenciando
dessa postura revista de Flávio Bolsonaro de se utilizar espaços informais,
espaços de especialistas, né, da sociedade civil, empresários, para fazer eh
plataforma política”, afirmou.
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Alerta ao campo progressista e a pesquisa Datafolha
As
forças aliadas do atual governo precisam estar atentas ao antipetismo ainda
forte na sociedade, observou a analista. “Sobrevive porque o principal motor
dessa candidatura, assim como de todos os candidatos de oposição ao PT desde
94, é o antipetismo”, afirmou Mayra.
A
analista também dedicou parte da entrevista à pesquisa Datafolha sobre valores
políticos no Brasil. Mayra disse que os números mostram uma recuperação da
direita e uma queda no campo progressista. “Essa pesquisa saiu domingo. É uma
pesquisa que me parece ser muito relevante para que todos nós do campo
progressista saibamos do que estamos tratando”, disse.
Em seu
comentário, Mayra citou o aumento do grupo que se declara de direita ou
centro-direita e a redução dos que se identificam como esquerda ou
centro-esquerda. “Há uma recuperação da direita, eh, e sua eh, respectiva,
inter, ela se interioriza, se capilariza, se apresenta cada vez mais como algo
que é consolidado nas expectativas dos cidadãos brasileiros”, avaliou.
Conforme
pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho, 44% dos entrevistados afirmaram
pertencer ao campo da direita ou da centro-direita, e 39% ficaram na esquerda
ou centro-esquerda. Outros 17% dos brasileiros aparecem no centro.
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Elogio à atuação de Lula
A
analista política afirmou que o presidente Lula (PT) busca marcar uma diferença
entre a diplomacia de Estado e a instrumentalização eleitoral da relação com os
EUA. “A postura do presidente brasileiro é completamente diferente dessa, se
colocando como um estadista em face de um outro estadista”, disse na TV 247.
Ela
acrescentou que o governo brasileiro recupera uma tradição diplomática
contrária à subordinação automática a potências estrangeiras. “Um outro campo
que recupera que é portador de toda uma tradição da diplomacia brasileira desde
a década de 50, com o movimento dos não alinhados, de se colocar como contrária
a qualquer tipo de alinhamento automático na esfera internacional que
prejudique a postura do Brasil enquanto nação soberana”, afirmou.
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Flávio Bolsonaro: mansões, Dark Horse e agressões à soberania brasileira
Novas
controvérsias ligadas ao senador Flávio Bolsonaro vieram à tona nos últimos
meses e ampliaram a repercussão em torno de seu nome. Uma delas diz respeito à
aquisição de uma mansão avaliada em R$ 14,5 milhões no Lago Sul, uma das
regiões mais valorizadas de Brasília. O imóvel teria sido registrado em nome de
José Vicente Santini, advogado e coordenador da pré-campanha de Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A
transação teria sido estruturada com pagamento inicial de R$ 4 milhões e
financiamento de R$ 10,5 milhões pelo Banco de Brasília (BRB). A instituição
financeira foi alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia
Federal para investigar um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o
Banco Master, com movimentações estimadas em pelo menos R$ 12 bilhões.
Outro
episódio associado ao nome do senador envolve uma propriedade avaliada em R$ 10
milhões na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. O
caso ganhou maior visibilidade após uma manifestação pública do atacante
Richarlison nas redes sociais. O jogador, atualmente no Tottenham, da
Inglaterra, também integrou a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022.
Ao
comentar um vídeo sobre o imóvel, Richarlison afirmou ter desembolsado “em
torno de 10 milhões de reais” pela propriedade e declarou que “simplesmente me
tomaram”. Em seguida, o atleta marcou Flávio Bolsonaro em sua publicação.
No
âmbito judicial, Richarlison e Flávio Bolsonaro não aparecem formalmente em
polos opostos da disputa. O processo envolve a Sport 70, empresa vinculada ao
jogador e ao então empresário dele, Renato Rocha Velasco, contra a WT
Administração, empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo do
parlamentar. O episódio foi revelado em setembro de 2022 pelo Metrópoles, em
reportagem assinada pelo colunista Guilherme Amado.
A
situação de Flávio Bolsonaro também se agravou politicamente em meio aos
desdobramentos envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador
negociou com o empresário um financiamento de R$ 134 milhões para investir em
Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Desse montante, R$ 61
milhões teriam sido repassados.
O
presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que Flávio Bolsonaro
se reuniu com o ex-banqueiro. Vorcaro está preso após ter sido alvo da Operação
Compliance Zero.
Outra
controvérsia envolvendo o senador foi provocada por um documento encaminhado
por ele ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Na
manifestação, Flávio Bolsonaro defendeu maior abertura para empresas
estrangeiras, em especial norte-americanas, no mercado brasileiro de cartões de
crédito.
No
mesmo documento, o parlamentar se posicionou a favor de acordos comerciais fora
do Mercosul e sugeriu que o Pix não fosse integrado aos sistemas de pagamento
dos BRICS, bloco sediado na China e considerado uma das principais articulações
internacionais de contestação à hegemonia dos EUA.
Fonte:
Brasil 247

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