terça-feira, 14 de julho de 2026

PF suspeita que Presidência da Câmara deu aval para desvios de emendas

A investigação da Polícia Federal que resultou no bloqueio de R$ 6,1 milhões atribuídos ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) diz que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", teria "pleno aval" da Presidência da Câmara dos Deputados para "promover desvios de emendas" em favor do ex-presidente da Casa.

“A sintonia entre a investigação ora propugnada e as investigações da Operação Transparência revelam intensa interlocução entre alguns dados e informações mais generalistas daquela investigação com o desvio específico. Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, diz trecho da decisão.

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares.

A decisão foi tornada pública neste domingo (12), mas é datada no dia 6 julho, mesmo dia em que o magistrado bloqueou R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

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Além do bloqueio, a decisão de Dino determina que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) apresente - em dez dias - todos os documentos de tramitação interna das emendas identificadas pela Polícia Federal, “de modo individualizado e organizado por emenda”.

Em nota, Eduardo Cunha disse que “não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário”.

“Eduardo Cunha sempre pautou sua vida pública pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar“, acrescentou o ex-deputado.

A CNN procurou a Presidência da Câmara sobre a decisão do STF e aguarda retorno.

No sábado (11), Hugo Mota (Republicanos-PB) publicou uma nota sobre a decisão contra Valdemar Costa Neto e que a decisão de Dino era uma “indevida interferência judicial”.

"A decisão em questão não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas. Limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política", informou em nota.

Motta também afirmou que “a alocação das emendas está em plena conformidade com a moldura normativa vigente e com os compromissos institucionais firmados entre o Executivo e o Legislativo perante a própria Corte Constitucional".

•        PF diz que Câmara deu “pleno aval” para Tuca desviar emendas a Eduardo Cunha

A investigação sobre o esquema de emendas parlamentares que já resultou no bloqueio de R$ 119 milhões de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ganhou neste domingo (12) um novo e poderoso capítulo: a Polícia Federal afirma que a própria Presidência da Câmara dos Deputados deu aval para que a servidora Mariângela Fialek, a “Tuca”, direcionasse emendas em benefício do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) — hoje sem mandato havia anos. A apuração levou ao bloqueio de R$ 6,15 milhões vinculados a Cunha.

<><> Mesma operadora, dois “clientes” sem mandato

O caso é um desdobramento direto da Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado, e reforça o padrão já identificado no caso Valdemar: uma funcionária de carreira da Câmara operando, na prática, como intermediária de dirigentes políticos sem assento no Congresso — e, portanto, sem qualquer prerrogativa formal para indicar emendas ao orçamento da União. A extração de dados do celular de Tuca, que já havia sido alvo de busca da PF em dezembro, é a base tanto da investigação sobre Cunha quanto da que atingiu Valdemar.

Segundo a Polícia Federal, tudo indica que a servidora contava com “pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Cunha — uma frase que, se confirmada, eleva a gravidade do caso: não se trataria de uma funcionária agindo por conta própria ou sob pressão isolada de um ex-parlamentar influente, mas de um esquema tolerado, ou ao menos não impedido, pelo comando institucional da própria Câmara durante a gestão de Arthur Lira (PP-AL), à frente da Casa entre 2021 e o início de 2025.

<><> “Vetor relevante” mesmo sem mandato

O relatório enviado ao STF descreve a situação de forma direta: mesmo desprovido de mandato, Cunha aparece como figura relevante na definição e no remanejamento de emendas — uma configuração que a PF já havia identificado, em contornos praticamente idênticos, na apuração sobre Valdemar Costa Neto. Os investigadores apontam possíveis indícios de peculato, argumentando que Cunha se valia dos serviços de Tuca e de articulação política para direcionar recursos conforme seus próprios interesses.

<><> A defesa: bloqueio sem intimação prévia

Os advogados de Eduardo Cunha reagiram com dureza à divulgação do caso, afirmando que a defesa soube da decisão pela imprensa, sem qualquer intimação ou oportunidade de esclarecimento prévio. O argumento central da defesa é técnico e direto: como Cunha “não exerce mandato parlamentar”, ele simplesmente não teria como ter apresentado, subscrito ou formalizado nenhuma emenda — todas teriam sido oficialmente indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, os únicos com competência formal sobre o processo orçamentário. A defesa também nega que o bloqueio de R$ 6,15 milhões represente qualquer benefício financeiro pessoal a Cunha, classificando o valor como o total das emendas questionadas, destinadas a municípios e outros órgãos públicos — não dinheiro recebido pelo ex-deputado. Os advogados classificaram os contatos políticos de Cunha como interlocução legítima, rejeitando a equiparação a exercício clandestino de mandato, e informaram que vão recorrer da decisão.

<><> Um padrão que já não parece coincidência

O que emerge da soma dos dois casos — Valdemar e Cunha, ambos operados pela mesma servidora, ambos sem mandato, ambos com volumes de recursos badalados em torno de dezenas de milhões de reais — é a hipótese, ainda a ser plenamente confirmada pela Justiça, de que o expediente de usar “lideranças partidárias” ou ex-parlamentares influentes como decisores informais das emendas de comissão não foi um episódio isolado, mas um método replicável dentro da estrutura da Câmara, operacionalizado por uma mesma rede de servidores e tolerado — segundo a PF — pelo próprio comando da Casa. A Polícia Federal afirma que a apuração sobre a atuação de pessoas sem mandato na destinação de emendas continua, e o STF acompanha o caso dado o envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro — o que sugere que este pode não ser o último nome a surgir dessa mesma engrenagem.

•        Dino bate o martelo e estabelece prazo para Motta se explicar sobre emendas

ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, deu dez dias corridos para que o presidente da Câmara, Hugo Motta, entregue os documentos internos relacionados a emendas parlamentares investigadas pela Polícia Federal.

A Câmara deverá enviar os registros de forma individualizada e organizada por emenda, incluindo os atos e procedimentos adotados durante a tramitação dos recursos.

O material será usado na investigação sobre possíveis irregularidades na destinação de verbas públicas, entre elas direcionamento ilícito e desvio de finalidade.

A decisão foi tomada no âmbito da Operação Transparência. A PF suspeita que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, utilizavam uma servidora da Casa para interferir na indicação e no encaminhamento de emendas, apesar de não exercerem mandato parlamentar.

Dino também determinou que a Câmara, a Advocacia-Geral da União e a Controladoria-Geral da União suspendam imediatamente a execução das despesas vinculadas às emendas apontadas pelos investigadores.

A interrupção vale para todas as etapas do gasto público, incluindo empenho, liquidação e pagamento.

Segundo o despacho, o sigilo da decisão deverá ser retirado depois que forem cumpridas as medidas de bloqueio e indisponibilidade patrimonial determinadas no processo.

•        Veja quais municípios de MG receberam emendas ligadas a Cunha, segundo a PF

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou bloquear R$ 6 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares. De acordo com decisão publicada neste domingo (12), foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, que somatizam um total de R$ 6,15 milhões que foram empenhadas e pagas.

Todas elas foram destinadas a cidades de Minas Gerais e investidas na área de saúde.

Um trecho da decisão cita "descontrole político" por parte do ex-deputado, que "em algumas passagens, simboliza manter pouco apreço pelo Estado [Minas Gerais] e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução".

"Mais simbólico ainda no sentido do descontrole político e desvinculação ao interesse público dessas destinações é o fato de que o ex-deputado nunca manteve vinculação política com o Estado de Minas. Pelo contrário, em algumas passagens simboliza manter pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução."

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Para embasar tal comentário, Dino anexa uma diálogo entre Cunha e Mariângela Fialek, servidora que é apontada como operadora de emendas parlamentares.

"Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício, etc. É mais fácil trocar", escreveu ele na conversa.

Confira a lista das cidades envolvidas:

PEDRINÓPOLIS ……………….. 60.378,00

LAJINHA……………………………. 330.930,00

VARJÃO DE MINAS …………. 590.000,00

ESPERA FELIZ ................ 179.070,00

CONCEIÇÃO DO RIO VERDE.. 100.000,00

ITAMONTE....................... 250.000,00

ARACITABA ..................... 150.000,00

SANTO ANTONIO DO AVENTUREIRO.... 250.000,00

SÃO JOÃO NEPOMUCENO ... 250.000,00

MARTINHO CAMPOS .......... 250.000,00

A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha disse em nota que o ex-deputado "desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas" e que "rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar". Leia a íntegra abaixo:

A defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação.

Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário.

Eduardo Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar.

Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.

É igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha.

A defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas

 

Fonte: CNN Brasil/O Cafezinho/Fórum

 

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