segunda-feira, 13 de julho de 2026

João Filho: Flávio Bolsonaro apoia tarifaço de Trump e dá outro vexame nos Estados Unidos

A primeira reportagem da Vaza Flávio marcou o início de um longo inferno astral para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Já se passaram dois meses e tudo indica que estamos apenas no começo. O fio puxado pelo Intercept desencadeou novos desdobramentos que complicaram a vida do candidato do golpismo. Diversos aliados começaram a demonstrar insatisfação, ameaçando largá-lo ferido na estrada. Até Michelle já soltou a mão do enteado. União Brasil e Partido Progressistas, o PP, já dão sinais de que vão pular fora do barco.

Para completar, no seu curral político a coisa vai de mal a pior. Está ficando cada vez mais difícil encontrar um grande aliado de Flávio no Rio de Janeiro que não esteja preso ou na mira de buscas e apreensões. Nesta semana, mais uma leva de políticos bolsonaristas caiu nas garras da Polícia Federal na Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de corrupção entre a classe política e o crime organizado no estado. Os elos entre o grupo de Flávio e a bandidagem ficaram ainda mais expostos.

Tudo isso acontece a apenas três meses das eleições com pesquisas apontando o aumento da vantagem de Lula no primeiro turno da corrida presidencial. Operando no modo de desespero, Flávio tem tomado as piores decisões possíveis. Influenciado pela dupla dinâmica do golpismo, Paulinho Figueiredo e Eduardo Bananinha, o candidato decidiu fazer uma nova turnê pelos Estados Unidos. Mas, desta vez, o objetivo seria conter os danos causados por sua última visita à Casa Branca, que lhe rendeu o apelido de Tariflávio.

Flávio participou de uma audiência pública do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, para debater o novo tarifaço do governo estadunidense contra produtos brasileiros. A promessa é de que ele criticaria a medida e defenderia os interesses do Brasil. Na prática, a história foi outra. Não se ouviu uma queixa sequer às razões estapafúrdias fabricadas pelo governo de Donald Trump para justificar a sobretaxa. Sem fazer qualquer contestação de mérito, o Zero Um sequer abriu a boca sobre comércio, meio ambiente e outros temas levantados pelos EUA. 

Como um bom vira-lata complexado, o senador se limitou a pedir que a decisão fosse adiada, sob o argumento de que esse seria o pior momento para aplicá-la. Na prática, Flávio endossou a sanção, pedindo apenas um tempo para não prejudicar a própria campanha. Trocando em miúdos: ele apoia um tarifaço contra o seu próprio país, a depender das conveniências políticas.

Como se não bastasse tanta gente soltando sua mão, Flávio agora também precisa lidar com a insatisfação de empresários afetados pelas tarifas. Pegou mal entre o empresariado a postura do senador no USTR. A imagem que ficou é a de um candidato incapaz de dialogar tecnicamente sobre comércio ou proteger as companhias brasileiras atingidas pelo tarifaço. Nenhum dos argumentos levados pelos executivos à audiência foi encampado pelo senador, que optou por um discursinho fuleiro e ideologizado – que, suspeito fortemente, tenha sido escrito pelo colérico Paulinho Figueiredo.

Segundo um dos empresários presentes ouvidos pela CNN, a audiência só voltou a prender a atenção da plateia após a saída de Flávio. A participação do senador foi descrita como um “lapso” em meio a um debate que exigia argumentos econômicos mais consistentes. Até a Faria Lima considerou a excursão como inócua e “decepcionante”. No fim das contas, o candidato jogou fora a chance de posar de presidenciável e apenas confirmou ser um político medíocre.

É realmente impressionante a capacidade de Flávio em tomar decisões erradas. Só mesmo o desespero explica tamanha estupidez, que conseguiu extrapolar  até os padrões de quem foi criado por Jair Bolsonaro. O candidato foi para os Estados Unidos com uma única missão: reverter as trapalhadas da visita anterior. E o que ele fez? Reforçou o seu endosso às tarifas, ainda que de forma indireta, apostando que o vexame seria escamoteado com pura retórica ideológica. Mas nem o empresariado, sempre tão cheio de boa vontade com o bolsonarismo, caiu na conversa fiada.

A situação da campanha eleitoral de Flávio é crítica. Ele é um pré-candidato desconectado da realidade e refém das estratégias traçadas pela dupla de maluquinhos dos Estados Unidos. Com parte dos aliados debandando e outra senda presa, o futuro do seu projeto político vai se mostrando cada vez mais incerto. Parece loucura cogitar que, a essa altura do campeonato, o senador decida jogar a toalha e desistir do Palácio do Planalto. A desistência ainda é uma possibilidade remota, mas, a depender dos próximos capítulos, pode se tornar o único caminho.

•        Evento de Flávio Bolsonaro no Ceará tem indireta para Michelle e ausência de aliada expõe racha no PL

Um discurso do deputado federal André Fernandes (PL-CE) durante um ato com Flávio Bolsonaro em Fortaleza, nesta sexta-feira (10), trouxe de volta a disputa interna no bolsonarismo cearense. Ao exaltar Jair Bolsonaro, o parlamentar chamou o ex-presidente de “nosso galego”, expressão usada frequentemente por Michelle Bolsonaro em meio ao conflito com os filhos do ex-presidente.

A fala ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André, ao Senado.

A escolha das palavras chamou atenção porque Michelle havia usado o mesmo termo em vídeos divulgados em junho, quando criticou a articulação política do PL no Ceará e a aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB).

Na ocasião, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada por integrantes da família Bolsonaro e defendeu que a legenda apoiasse o senador Eduardo Girão (Novo) na disputa pelo Senado, em vez da composição construída pelo grupo de André Fernandes.

A referência feita pelo deputado ocorreu justamente em um evento que reforçou a estratégia de Flávio Bolsonaro e seus aliados no estado, em contraste com a posição defendida por Michelle.

Outro sinal da divisão interna foi a ausência da vereadora Priscila Costa (PL), aliada de Michelle e também pré-candidata ao Senado. Ela estava em Lisboa para participar de um seminário de mulheres conservadoras e publicou uma mensagem nas redes sociais ao lado da ex-primeira-dama.

A disputa envolve a definição das duas vagas ao Senado que estarão em jogo no Ceará. Embora existam diferentes nomes interessados, é considerada improvável a candidatura de dois representantes do PL ao cargo.

A crise no PL do Ceará começou após Michelle questionar a aliança com Ciro Gomes. As críticas provocaram reação dos filhos de Jair Bolsonaro, que passaram a defender a estratégia liderada por André Fernandes.

•        A estratégia de Bolsonaro para conter racha no PL em meio a desgaste da candidatura de Flávio

Em meio às disputas internas no PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou neste sábado (11) uma carta manuscrita de apoio à pré-candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República. O documento foi apresentado pelo parlamentar durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais e pede que aliados deixem divergências de lado para apoiar o projeto eleitoral.

Na carta, Bolsonaro chama Flávio de “porta-voz” e afirma confiar no filho como nome para disputar a Presidência. O texto também pede união entre os apoiadores e apresenta a candidatura como caminho para enfrentar problemas como corrupção, violência e dificuldades econômicas.

A escolha do nome “Carta aos Brasileiros” para o documento chamou atenção por remeter ao texto divulgado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, quando o então candidato buscava reduzir resistências de setores econômicos e políticos durante a campanha presidencial.

A manifestação de Bolsonaro ocorre em um momento de desgaste dentro do próprio campo político. Nas últimas semanas, a pré-campanha de Flávio enfrentou dificuldades para consolidar apoio entre lideranças do partido e aliados que demonstram preocupação com os impactos de crises envolvendo o senador.

Durante a live, Flávio reconheceu a existência de resistências internas e afirmou que algumas pessoas estariam “boicotando” sua candidatura. O senador também convocou aliados e militantes a assumirem publicamente apoio ao projeto eleitoral.

Apesar do apelo por unidade, a carta não menciona a crise envolvendo Michelle Bolsonaro, que expôs uma divisão dentro da própria família e do partido. A ex-primeira-dama acusou Flávio de tê-la desrespeitado durante a disputa sobre alianças políticas no Ceará, episódio que provocou uma reação pública do senador.

O documento também reforça uma tentativa de organizar a comunicação do grupo bolsonarista. Ao atribuir a Flávio o papel de porta-voz, Jair Bolsonaro busca concentrar as manifestações políticas do movimento em torno do filho durante a pré-campanha.

A divulgação ocorre antes da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, quando a legenda pretende oficializar Flávio como candidato ao Palácio do Planalto.

O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tem defendido uma reaproximação entre Flávio e Michelle e afirmou que a sigla precisa resolver as divergências internas antes do avanço da campanha.

•        “O barco está afundando”: Caiado volta a atacar Flávio Bolsonaro após aliados desistirem de apoiar candidatura

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usou as redes sociais nesta sexta-feira (10) para atacar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmar que aliados do senador estariam se afastando da disputa presidencial.

A declaração foi feita em resposta a uma publicação que citava a possibilidade de o União Brasil e o Progressistas não apoiarem a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado comentou que “o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora”.

Antes de ingressar no PSD, Caiado era filiado ao União Brasil e chegou a enfrentar resistência dentro da legenda para avançar com seu projeto presidencial. Em fevereiro, deixou o partido e passou a integrar a sigla comandada por Gilberto Kassab, que posteriormente confirmou seu nome para a disputa ao Palácio do Planalto.

A troca de críticas entre os dois pré-candidatos ocorre em meio à disputa pelo eleitorado conservador. Nas últimas semanas, Caiado elevou o tom contra Flávio, principalmente após as revelações envolvendo a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Durante agenda em Brasília nesta semana, o ex-governador já havia criticado a postura de Flávio diante da possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

“Se você votar no Flávio, vai eleger o Lula”, afirmou Caiado, ao comentar o cenário eleitoral e defender que a candidatura do senador poderia favorecer a permanência do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no cargo.

Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as declarações de Caiado. A disputa entre os dois faz parte da movimentação antecipada de nomes da direita para as eleições presidenciais de outubro.

•        Pré-candidato de Flávio ao Senado impulsiona conteúdo pago contra Lula e PT que pode contrariar regras eleitorais

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), pré-candidato ao Senado pelo Paraná, impulsionou nas redes sociais um vídeo com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. A publicação chamou atenção de especialistas em direito eleitoral pela estratégia de ampliar o alcance de um conteúdo de caráter negativo contra adversários.

O material utiliza uma montagem em formato de álbum de figurinhas, batizada de “Copa da Corrupção”, e reúne nomes ligados ao campo político do PT. Entre eles estão Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, Frei Chico, irmão do presidente, os irmãos Batista e outros personagens citados no vídeo.

A gravação relaciona os nomes apresentados a episódios investigados ou antigos escândalos políticos. No encerramento, Filipe Barros aparece e afirma que 2026 será um ano decisivo para a “renovação da política nacional”.

Para especialistas em direito eleitoral, a estratégia pode levantar dois questionamentos: o uso de impulsionamento pago para divulgar conteúdo contra adversários e a possibilidade de propaganda eleitoral antecipada.

O advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando Neisser afirmou que a mensagem final do deputado pode ser interpretada como uma tentativa de influenciar o eleitor antes do período permitido pela legislação.

A legislação eleitoral permite que candidatos utilizem publicidade paga nas plataformas digitais para divulgar suas ideias e propostas, mas estabelece restrições ao uso desse recurso para promover ataques contra adversários.

Caso a Justiça Eleitoral seja acionada e considere que houve irregularidade, o conteúdo pode ser retirado do ar e o responsável pode receber multa.

No início de junho, como noticiado pela Fórum, também foi revelado que Filipe Barros  havia incluído em um projeto a chamada “emenda Master”, dispositivo que previa ampliar em quatro vezes a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com potencial benefício ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A revelação acrescentou mais um capítulo às discussões sobre a relação entre o banco e setores ligados ao grupo Bolsonaro no Congresso.

•        Figueiredo dá a entender que vídeo íntimo de Flávio Bolsonaro existe

nformações obtidas pela reportagem da Fórum, em matéria de Plínio Teodoro, indicam que um novo vídeo-bomba com Flávio Bolsonaro (PL) em uma festa nada tradicional ou de família de bem está prestes a se tornar público.

As ameaças de divulgação do vídeo partem das próprias aliadas de Flávio Bolsonaro no Senado, que teriam ficado escandalizadas com a presença do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) em eventos patrocinados por Vorcaro com políticos e autoridades.

Diante de tal quadro, o youtuber Paulo Figueiredo, que atua como conselheiro de Flávio Bolsonaro, foi às redes sociais para afirmar que não existe “estratégia da campanha de Flávio” para lidar com o vídeo. No entanto, ao criticar o uso da vida privada como forma de atacar adversários políticos, Figueiredo deixou no ar que o registro de Flávio em uma festa escandalosa existe:

“Em primeiro lugar, a notícia não é sequer verdadeira. Não tem nada disso de preparação para vídeo íntimo. Um bando de gente escanteada que fica vendendo proximidade que não existe e acaba atrapalhando a campanha. Toda hora é um rumor novo: Trancoso, putas russas, astronautas, até a Sadi já foi alvo. Toda hora surge uma ameaça falsa disso na internet, espalhada pelo PT, mas ecoada por gente que deveria ser aliada. Vai ser assim até o final, pelo visto”, iniciou Paulo Figueiredo.

Em seguida, Paulo Figueiredo critica o uso da vida privada na disputa política:

“Mas, talvez mais importante, é o seguinte: a que ponto nós chegamos. Normalizou-se a politização da vida privada e íntima das pessoas públicas. Se o político A ou B comeu alguém, é algo sem relevância alguma para o debate dos problemas do Brasil real, mas com efeitos traumáticos para as famílias. Filhas. Esposa. Isso é realmente asqueroso. Famílias sendo assediadas e expostas até por veículos de mídia tradicionais. É apenas mau. Não há mais ética alguma?”

O youtuber conclui afirmando que jamais usou a vida privada de adversários para atacá-los politicamente:

“Falo com autoridade: não participei deste tipo de coisa contra o Doria, recentemente contra o Vorcaro, e não participaria contra o Lula, que não tem nada de santo. Quero saber é das OUTRAS sacanagens dos políticos.”

 

Fonte: The Intercept/Fórum

 

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