João
Filho: Flávio Bolsonaro apoia tarifaço de Trump e dá outro vexame nos Estados
Unidos
A
primeira reportagem da Vaza Flávio marcou o início de um longo inferno astral
para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Já se passaram dois meses e tudo indica
que estamos apenas no começo. O fio puxado pelo Intercept desencadeou novos
desdobramentos que complicaram a vida do candidato do golpismo. Diversos
aliados começaram a demonstrar insatisfação, ameaçando largá-lo ferido na
estrada. Até Michelle já soltou a mão do enteado. União Brasil e Partido
Progressistas, o PP, já dão sinais de que vão pular fora do barco.
Para
completar, no seu curral político a coisa vai de mal a pior. Está ficando cada
vez mais difícil encontrar um grande aliado de Flávio no Rio de Janeiro que não
esteja preso ou na mira de buscas e apreensões. Nesta semana, mais uma leva de
políticos bolsonaristas caiu nas garras da Polícia Federal na Operação Unha e
Carne, que investiga uma rede de corrupção entre a classe política e o crime
organizado no estado. Os elos entre o grupo de Flávio e a bandidagem ficaram
ainda mais expostos.
Tudo
isso acontece a apenas três meses das eleições com pesquisas apontando o
aumento da vantagem de Lula no primeiro turno da corrida presidencial. Operando
no modo de desespero, Flávio tem tomado as piores decisões possíveis.
Influenciado pela dupla dinâmica do golpismo, Paulinho Figueiredo e Eduardo
Bananinha, o candidato decidiu fazer uma nova turnê pelos Estados Unidos. Mas,
desta vez, o objetivo seria conter os danos causados por sua última visita à
Casa Branca, que lhe rendeu o apelido de Tariflávio.
Flávio
participou de uma audiência pública do Representante Comercial dos Estados
Unidos, o USTR, para debater o novo tarifaço do governo estadunidense contra
produtos brasileiros. A promessa é de que ele criticaria a medida e defenderia
os interesses do Brasil. Na prática, a história foi outra. Não se ouviu uma
queixa sequer às razões estapafúrdias fabricadas pelo governo de Donald Trump
para justificar a sobretaxa. Sem fazer qualquer contestação de mérito, o Zero
Um sequer abriu a boca sobre comércio, meio ambiente e outros temas levantados
pelos EUA.
Como um
bom vira-lata complexado, o senador se limitou a pedir que a decisão fosse
adiada, sob o argumento de que esse seria o pior momento para aplicá-la. Na
prática, Flávio endossou a sanção, pedindo apenas um tempo para não prejudicar
a própria campanha. Trocando em miúdos: ele apoia um tarifaço contra o seu
próprio país, a depender das conveniências políticas.
Como se
não bastasse tanta gente soltando sua mão, Flávio agora também precisa lidar
com a insatisfação de empresários afetados pelas tarifas. Pegou mal entre o
empresariado a postura do senador no USTR. A imagem que ficou é a de um
candidato incapaz de dialogar tecnicamente sobre comércio ou proteger as
companhias brasileiras atingidas pelo tarifaço. Nenhum dos argumentos levados
pelos executivos à audiência foi encampado pelo senador, que optou por um
discursinho fuleiro e ideologizado – que, suspeito fortemente, tenha sido
escrito pelo colérico Paulinho Figueiredo.
Segundo
um dos empresários presentes ouvidos pela CNN, a audiência só voltou a prender
a atenção da plateia após a saída de Flávio. A participação do senador foi
descrita como um “lapso” em meio a um debate que exigia argumentos econômicos
mais consistentes. Até a Faria Lima considerou a excursão como inócua e
“decepcionante”. No fim das contas, o candidato jogou fora a chance de posar de
presidenciável e apenas confirmou ser um político medíocre.
É
realmente impressionante a capacidade de Flávio em tomar decisões erradas. Só
mesmo o desespero explica tamanha estupidez, que conseguiu extrapolar até os padrões de quem foi criado por Jair
Bolsonaro. O candidato foi para os Estados Unidos com uma única missão:
reverter as trapalhadas da visita anterior. E o que ele fez? Reforçou o seu
endosso às tarifas, ainda que de forma indireta, apostando que o vexame seria
escamoteado com pura retórica ideológica. Mas nem o empresariado, sempre tão
cheio de boa vontade com o bolsonarismo, caiu na conversa fiada.
A
situação da campanha eleitoral de Flávio é crítica. Ele é um pré-candidato
desconectado da realidade e refém das estratégias traçadas pela dupla de
maluquinhos dos Estados Unidos. Com parte dos aliados debandando e outra senda
presa, o futuro do seu projeto político vai se mostrando cada vez mais incerto.
Parece loucura cogitar que, a essa altura do campeonato, o senador decida jogar
a toalha e desistir do Palácio do Planalto. A desistência ainda é uma
possibilidade remota, mas, a depender dos próximos capítulos, pode se tornar o
único caminho.
• Evento de Flávio Bolsonaro no Ceará tem
indireta para Michelle e ausência de aliada expõe racha no PL
Um
discurso do deputado federal André Fernandes (PL-CE) durante um ato com Flávio
Bolsonaro em Fortaleza, nesta sexta-feira (10), trouxe de volta a disputa
interna no bolsonarismo cearense. Ao exaltar Jair Bolsonaro, o parlamentar
chamou o ex-presidente de “nosso galego”, expressão usada frequentemente por
Michelle Bolsonaro em meio ao conflito com os filhos do ex-presidente.
A fala
ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Alcides
Fernandes, pai de André, ao Senado.
A
escolha das palavras chamou atenção porque Michelle havia usado o mesmo termo
em vídeos divulgados em junho, quando criticou a articulação política do PL no
Ceará e a aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB).
Na
ocasião, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada por integrantes da
família Bolsonaro e defendeu que a legenda apoiasse o senador Eduardo Girão
(Novo) na disputa pelo Senado, em vez da composição construída pelo grupo de
André Fernandes.
A
referência feita pelo deputado ocorreu justamente em um evento que reforçou a
estratégia de Flávio Bolsonaro e seus aliados no estado, em contraste com a
posição defendida por Michelle.
Outro
sinal da divisão interna foi a ausência da vereadora Priscila Costa (PL),
aliada de Michelle e também pré-candidata ao Senado. Ela estava em Lisboa para
participar de um seminário de mulheres conservadoras e publicou uma mensagem
nas redes sociais ao lado da ex-primeira-dama.
A
disputa envolve a definição das duas vagas ao Senado que estarão em jogo no
Ceará. Embora existam diferentes nomes interessados, é considerada improvável a
candidatura de dois representantes do PL ao cargo.
A crise
no PL do Ceará começou após Michelle questionar a aliança com Ciro Gomes. As
críticas provocaram reação dos filhos de Jair Bolsonaro, que passaram a
defender a estratégia liderada por André Fernandes.
• A estratégia de Bolsonaro para conter
racha no PL em meio a desgaste da candidatura de Flávio
Em meio
às disputas internas no PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou neste
sábado (11) uma carta manuscrita de apoio à pré-candidatura do filho, o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República. O documento foi
apresentado pelo parlamentar durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais
e pede que aliados deixem divergências de lado para apoiar o projeto eleitoral.
Na
carta, Bolsonaro chama Flávio de “porta-voz” e afirma confiar no filho como
nome para disputar a Presidência. O texto também pede união entre os apoiadores
e apresenta a candidatura como caminho para enfrentar problemas como corrupção,
violência e dificuldades econômicas.
A
escolha do nome “Carta aos Brasileiros” para o documento chamou atenção por
remeter ao texto divulgado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, quando o
então candidato buscava reduzir resistências de setores econômicos e políticos
durante a campanha presidencial.
A
manifestação de Bolsonaro ocorre em um momento de desgaste dentro do próprio
campo político. Nas últimas semanas, a pré-campanha de Flávio enfrentou
dificuldades para consolidar apoio entre lideranças do partido e aliados que
demonstram preocupação com os impactos de crises envolvendo o senador.
Durante
a live, Flávio reconheceu a existência de resistências internas e afirmou que
algumas pessoas estariam “boicotando” sua candidatura. O senador também
convocou aliados e militantes a assumirem publicamente apoio ao projeto
eleitoral.
Apesar
do apelo por unidade, a carta não menciona a crise envolvendo Michelle
Bolsonaro, que expôs uma divisão dentro da própria família e do partido. A
ex-primeira-dama acusou Flávio de tê-la desrespeitado durante a disputa sobre
alianças políticas no Ceará, episódio que provocou uma reação pública do
senador.
O
documento também reforça uma tentativa de organizar a comunicação do grupo
bolsonarista. Ao atribuir a Flávio o papel de porta-voz, Jair Bolsonaro busca
concentrar as manifestações políticas do movimento em torno do filho durante a
pré-campanha.
A
divulgação ocorre antes da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho,
quando a legenda pretende oficializar Flávio como candidato ao Palácio do
Planalto.
O
presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tem defendido uma reaproximação
entre Flávio e Michelle e afirmou que a sigla precisa resolver as divergências
internas antes do avanço da campanha.
• “O barco está afundando”: Caiado volta a
atacar Flávio Bolsonaro após aliados desistirem de apoiar candidatura
O
ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usou as redes sociais nesta
sexta-feira (10) para atacar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e
afirmar que aliados do senador estariam se afastando da disputa presidencial.
A
declaração foi feita em resposta a uma publicação que citava a possibilidade de
o União Brasil e o Progressistas não apoiarem a candidatura do filho do
ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado comentou que “o barco está afundando e os
aliados já começaram a pular fora”.
Antes
de ingressar no PSD, Caiado era filiado ao União Brasil e chegou a enfrentar
resistência dentro da legenda para avançar com seu projeto presidencial. Em
fevereiro, deixou o partido e passou a integrar a sigla comandada por Gilberto
Kassab, que posteriormente confirmou seu nome para a disputa ao Palácio do
Planalto.
A troca
de críticas entre os dois pré-candidatos ocorre em meio à disputa pelo
eleitorado conservador. Nas últimas semanas, Caiado elevou o tom contra Flávio,
principalmente após as revelações envolvendo a relação do senador com o
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Durante
agenda em Brasília nesta semana, o ex-governador já havia criticado a postura
de Flávio diante da possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre
produtos brasileiros.
“Se
você votar no Flávio, vai eleger o Lula”, afirmou Caiado, ao comentar o cenário
eleitoral e defender que a candidatura do senador poderia favorecer a
permanência do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no cargo.
Flávio
Bolsonaro ainda não se manifestou sobre as declarações de Caiado. A disputa
entre os dois faz parte da movimentação antecipada de nomes da direita para as
eleições presidenciais de outubro.
• Pré-candidato de Flávio ao Senado
impulsiona conteúdo pago contra Lula e PT que pode contrariar regras eleitorais
O
deputado federal Filipe Barros (PL-PR), pré-candidato ao Senado pelo Paraná,
impulsionou nas redes sociais um vídeo com críticas ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e ao PT, segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. A
publicação chamou atenção de especialistas em direito eleitoral pela estratégia
de ampliar o alcance de um conteúdo de caráter negativo contra adversários.
O
material utiliza uma montagem em formato de álbum de figurinhas, batizada de
“Copa da Corrupção”, e reúne nomes ligados ao campo político do PT. Entre eles
estão Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, Frei Chico, irmão do presidente,
os irmãos Batista e outros personagens citados no vídeo.
A
gravação relaciona os nomes apresentados a episódios investigados ou antigos
escândalos políticos. No encerramento, Filipe Barros aparece e afirma que 2026
será um ano decisivo para a “renovação da política nacional”.
Para
especialistas em direito eleitoral, a estratégia pode levantar dois
questionamentos: o uso de impulsionamento pago para divulgar conteúdo contra
adversários e a possibilidade de propaganda eleitoral antecipada.
O
advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando Neisser afirmou
que a mensagem final do deputado pode ser interpretada como uma tentativa de
influenciar o eleitor antes do período permitido pela legislação.
A
legislação eleitoral permite que candidatos utilizem publicidade paga nas
plataformas digitais para divulgar suas ideias e propostas, mas estabelece
restrições ao uso desse recurso para promover ataques contra adversários.
Caso a
Justiça Eleitoral seja acionada e considere que houve irregularidade, o
conteúdo pode ser retirado do ar e o responsável pode receber multa.
No
início de junho, como noticiado pela Fórum, também foi revelado que Filipe
Barros havia incluído em um projeto a
chamada “emenda Master”, dispositivo que previa ampliar em quatro vezes a
cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com potencial benefício ao
Banco Master, de Daniel Vorcaro. A revelação acrescentou mais um capítulo às
discussões sobre a relação entre o banco e setores ligados ao grupo Bolsonaro
no Congresso.
• Figueiredo dá a entender que vídeo
íntimo de Flávio Bolsonaro existe
nformações
obtidas pela reportagem da Fórum, em matéria de Plínio Teodoro, indicam que um
novo vídeo-bomba com Flávio Bolsonaro (PL) em uma festa nada tradicional ou de
família de bem está prestes a se tornar público.
As
ameaças de divulgação do vídeo partem das próprias aliadas de Flávio Bolsonaro
no Senado, que teriam ficado escandalizadas com a presença do filho “01” de
Jair Bolsonaro (PL) em eventos patrocinados por Vorcaro com políticos e
autoridades.
Diante
de tal quadro, o youtuber Paulo Figueiredo, que atua como conselheiro de Flávio
Bolsonaro, foi às redes sociais para afirmar que não existe “estratégia da
campanha de Flávio” para lidar com o vídeo. No entanto, ao criticar o uso da
vida privada como forma de atacar adversários políticos, Figueiredo deixou no
ar que o registro de Flávio em uma festa escandalosa existe:
“Em
primeiro lugar, a notícia não é sequer verdadeira. Não tem nada disso de
preparação para vídeo íntimo. Um bando de gente escanteada que fica vendendo
proximidade que não existe e acaba atrapalhando a campanha. Toda hora é um
rumor novo: Trancoso, putas russas, astronautas, até a Sadi já foi alvo. Toda
hora surge uma ameaça falsa disso na internet, espalhada pelo PT, mas ecoada
por gente que deveria ser aliada. Vai ser assim até o final, pelo visto”,
iniciou Paulo Figueiredo.
Em
seguida, Paulo Figueiredo critica o uso da vida privada na disputa política:
“Mas,
talvez mais importante, é o seguinte: a que ponto nós chegamos. Normalizou-se a
politização da vida privada e íntima das pessoas públicas. Se o político A ou B
comeu alguém, é algo sem relevância alguma para o debate dos problemas do
Brasil real, mas com efeitos traumáticos para as famílias. Filhas. Esposa. Isso
é realmente asqueroso. Famílias sendo assediadas e expostas até por veículos de
mídia tradicionais. É apenas mau. Não há mais ética alguma?”
O
youtuber conclui afirmando que jamais usou a vida privada de adversários para
atacá-los politicamente:
“Falo
com autoridade: não participei deste tipo de coisa contra o Doria, recentemente
contra o Vorcaro, e não participaria contra o Lula, que não tem nada de santo.
Quero saber é das OUTRAS sacanagens dos políticos.”
Fonte:
The Intercept/Fórum

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