Kakay
diz que Bolsonaro deveria ser preso por carta em defesa da candidatura de
Flávio
A carta
manuscrita de Jair Bolsonaro em apoio à pré-candidatura do filho, o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abriu uma nova frente de tensão entre o grupo
político do ex-presidente e o Supremo Tribunal Federal (STF). Para o advogado
criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, a divulgação do documento pode
representar uma violação das medidas cautelares impostas pela Corte.
A
manifestação ocorreu após Flávio Bolsonaro apresentar, durante uma transmissão
ao vivo nas redes sociais neste sábado (11), uma carta assinada pelo pai. No
texto, Jair Bolsonaro pede que aliados deixem diferenças de lado, declara apoio
ao filho e o chama de “porta-voz”.
Kakay
citou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu Bolsonaro de
utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de
terceiros, para divulgar mensagens, vídeos ou manifestações.
Segundo
o advogado, ao transmitir a carta durante uma live, Flávio Bolsonaro teria
servido como instrumento para a divulgação de uma mensagem política do
ex-presidente.
“Obviamente
o candidato Flávio Bolsonaro ao ler a ‘carta’ do presidiário Bolsonaro sabe que
está descumprindo a determinação do Supremo”, afirmou Kakay.
Para o
criminalista, a iniciativa representa uma tentativa de confronto político com o
Judiciário e uma estratégia para provocar uma reação do STF.
“É um
ato político de um senador candidato que sempre desrespeitou o Supremo. Este
ato visa uma resposta do ministro Alexandre de Moraes determinando a prisão na
Papuda do Bolsonaro por descumprimento óbvio da medida imposta pelo Supremo”,
declarou.
Kakay
avaliou ainda que a divulgação da carta demonstra, em sua visão, uma situação
de fragilidade política do grupo bolsonarista.
“Demonstra
desespero e um enfrentamento político, mais uma vez, com o Judiciário”, disse.
A carta
foi divulgada em meio às dificuldades internas enfrentadas pelo PL para
consolidar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. No documento,
Jair Bolsonaro pede unidade aos aliados e afirma confiar no filho como seu
representante político.
A
defesa de Bolsonaro e seus aliados ainda não se manifestaram sobre a avaliação
feita pelo advogado.
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Carta objetiva desviar atenção de denúncia contra
Valdemar e possível vídeo de Flávio, diz cientista político
Em
carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) neste
sábado (11/7), o ex-presidente Jair Bolsonaro afirma que o
filho é seu porta-voz e pede que diferenças sejam deixadas de lado.
O
documento vem a público após embates entre o pré-candidato à Presidência pelo
campo bolsonarista e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.
"Saudoso
do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão
para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado
possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à
Presidência Flávio Bolsonaro", escreve o ex-presidente.
"Meu
porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e
prosperidade", completa Bolsonaro, no documento, lido por Flávio nas redes
sociais.
"Fica-se
muita especulação acontecendo, muitas pessoas que parecem que estão boicotando
até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro
e ir para rua", comentou Flávio, após a leitura da carta.
"[Quero]
agradecer a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito
importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes
que porventura alguém possa estar seguindo."
Para o
cientista político Creomar de Souza, sócio-fundador da Dharma Political Risk
and Strategy, a carta divulgada neste sábado é uma desautorização por parte de
Bolsonaro a Michelle e outros participantes do campo da direita que reivindicam
o espólio bolsonarista.
"A
carta é um jeito de dizer: 'olha, o bolsonarismo sou eu e na minha ausência são
os meus filhos, e dos meus filhos, aquele que é candidato", diz Souza.
"Ao
não citar a Michelle, ao não citar Valdemar [Costa Neto, presidente nacional do
PL, partido de Bolsonaro], ao não citar qualquer outro nome da direita que não
seja do núcleo familiar, ele diz 'o bolsonarismo é a família Bolsonaro e, se
precisar, em algum momento muda-se de partido."
Souza
observa que o momento de divulgação da carta tem por objetivo retomar o
controle da agenda política.
"Por
que a carta agora? Porque a carta precisa esvaziar o noticiário de ontem
[sexta, 10/7], que era o noticiário hiper negativo sobre o Valdemar da Costa
Neto e o burburinho em torno da possibilidade de vazamento de um vídeo de
Flávio Bolsonaro em uma das festas do [ex-banqueiro Daniel] Vorcaro", diz
o analista.
"Então,
a carta tem um componente explícito de enquadramento e um componente implícito
de controle da economia da atenção."
Na
sexta-feira, Valdemar Costa Neto tornou-se alvo de uma investigação
que apura supostas irregularidades na indicação de emendas parlamentares.
Segundo a Polícia Federal (PF), ele teria influenciado a destinação de recursos
públicos mesmo sem exercer mandato no Congresso Nacional.
Com
base nos indícios apresentados pela PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Flávio Dino determinou a suspensão das emendas parlamentares e o bloqueio
de até R$ 119,2 milhões de bens do dirigente. O presidente do PL nega qualquer
irregularidade.
Ao
longo desta semana, diversas notícias na imprensa relatam a expectativa de
aliados de Flávio Bolsonaro quanto ao possível vazamento de um vídeo
comprometedor envolvendo o senador.
Flávio
já disse publicamente que não há chance de aparecerem imagens dele em uma festa
do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mas a colunista Bela Megale, do jornal O Globo,
fala que o entorno bolsonarista teme o vazamento de imagens de outro evento
que, conforme apurou a jornalista, teria provocado uma crise no casamento de
Flávio há cerca de quatro anos.
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Impacto na campanha de Flávio e no futuro de Michelle
Para
Creomar de Souza, a carta de Bolsonaro fala a convertidos e não deve ter
grandes impactos para fora deste círculo.
"O
grande problema do Flávio é que ele tem um histórico complicado, então sempre
tem alguma coisa para explodir, uma crise para conter, um incêndio para apagar
— alguns que são da própria biografia do Flávio e outros que são derivados da
pressão dos irmãos."
Ele
cita, por exemplo, o "fogo amigo" de Eduardo Bolsonaro contra o
coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
Quanto
às implicações para o futuro político de Michelle Bolsonaro, o cientista
político avalia que a carta é parte de uma série de invalidações que a
ex-primeira dama vem sofrendo nas últimas semanas, incluindo sua saída da
presidência do PL Mulher e fritura nas redes sociais por aliados bolsonaristas.
"Essa
invalidação tem um objetivo de enquadramento, de dizer 'olha, você pode ser
importante do portão de casa para fora, mas dentro de casa você vai ter que
cantar a nossa música'", diz Souza.
O
analista observa, porém, que, apesar da desproporção de forças dentro da
dinâmica partidária e familiar, Flávio precisa dos votos que Michelle angaria
no palanque, por ter no voto feminino uma das principais fragilidades de sua
pré-campanha.
"Michelle
não tem mais tempo para mudar de legenda neste ciclo eleitoral, o que complica
a situação dela", observa o analista.
"Mas
ela tem a possibilidade de ser senadora, de fazer uma segunda senadora e a
governadora do Distrito Federal", afirma.
"A
questão de um milhão de dólares é se ela vai querer, porque ela teve uma
amostra grátis de maneira muito clara do nível de estrago reputacional que o
bolsonarismo em ambiente digital pode fazer com qualquer um, inclusive com
ela."
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Lula 'joga parado'
Já para
a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a carta é
mais um elemento da conturbada pré-campanha de Flávio, que tem beneficiado o
petista, que cresce nas intenções de voto "jogando parado".
"Me
parece que Lula, Sidônio [Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação
do governo] e Edinho [Silva, presidente do PT] entenderam que 'olha, a gente
está tendo dificuldade de construir a agenda, então vamos ficar nesse momento
quietinhos, vamos tomar cuidado com o defeso eleitoral para não criar problemas
com o Kássio Nunes e o André Mendonça [atuais presidente e vice-presidente do
Tribunal Superior Eleitoral], e vamos deixar eles se arrebentaram."
Para
Souza, o ponto central dessa crise é que a disputa pelo legado de Bolsonaro se
dá com o ex-presidente ainda vivo, embora momentaneamente fora do jogo político
por estar preso e inelegível.
"É
diferente do que acontece no PT. Não tem uma briga pelo espólio do Lula, essa
briga vai ser depois", diz o analista.
"No
bolsonarismo, a briga é pelo espólio, por quem vai mandar. Isso coloca um nível
de hostilidade interna muito grande no campo da direita."
O
analista observa ainda que, com o início oficial da campanha a partir de 16 de
agosto, o tempo curto de campanha tende a favorecer o governo. "Porque é
menos tempo para tomar pedrada e mais tempo para mostrar os problemas da
oposição."
A
grande incógnita, no entanto, é que ainda não se sabe qual será o Flávio da
campanha eleitoral.
"Não
sabemos se será o Flávio do início do ano, antes dos escândalos, que tentava se
vender como um Bolsonaro moderado, ou se é o Flávio que vai entrar numa
campanha tão pressionado que vai ter que apelar para o radicalismo", diz
Souza.
"Esse
conflito está aberto dentro da campanha dele, e se manifesta no embate entre
Eduardo e Rogério Marinho."
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Leia a íntegra da carta de Jair Bolsonaro
Carta
aos brasileiros:
Saudoso
do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão
para o futuro de todos nós.
O
momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada
um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a
melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e
empobrecimento.
Meu
pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o
Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.
Um
afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa
pátria.
Deus,
pátria, família e liberdade.
Fonte:
Fórum/BBC News Brasil

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