terça-feira, 14 de julho de 2026

Saiba como identificar problemas de visão em crianças

No Dia da Saúde Ocular, comemorada na sexta-feira (10), especialistas alertaram para a necessidade da realização do Teste do Olhinho, que identifica possíveis problemas de visão.

Além disso, também é recomendado que, entre os seis meses e o primeiro ano do bebê, se realize o primeiro exame de rotina para prevenção com um profissional oftalmologista.

Caso o Teste do Olhinho demonstrar resultados positivos, o bebê é liberado para retornar para casa. Contudo, ele ainda não terá um desenvolvimento total do sistema nervoso central até os quatro meses.

Até essa faixa etária, a visão é embaçada e pode apresentar estrabismo ou até mesmo entortar os olhos ao enxergar, sem necessidade de preocupação médica.

A oftalmologista da rede de clínicas Meu Doutor Novamed, da Bradsaúde, Dra. Cláudia Mielli Gutierrez Guedes afirma que a avaliação é simples e indolor, com uma luz projetada na pupila, para analisar o reflexo da retina.

“Esse reflexo deve ser vermelho, devido aos vasos sanguíneos. Se for branco, pode indicar problemas no cristalino, como catarata, glaucoma congênito ou, muito raramente, um tumor denominado retinoblastoma. Com esse resultado, a criança é encaminhada a um oftalmologista. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico visual dessa criança, e ela vai ter mais chance de cura e de tratamento”, comenta a Dra. Cláudia Guedes.

De acordo com a oftalmologista, o desenvolvimento da visão de uma criança acontece desde o nascimento até seis ou sete anos, sendo necessária uma rotina de exames oftalmológicos, muitas vezes já encaminhados por pediatras até os dois anos de idade.

Após essa idade, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma nova consulta com um profissional, como se aproximar exageradamente da TV, inclinar a cabeça para olhar algo, esfregar os olhos para conseguir foco, demonstrar sensibilidade à luz, esbarrar em objetos e até mesmo cair com frequência.

Além das indicações de estrabismo, também é importante atentar-se a reclamações durante a idade escolar, como dores de cabeça e dificuldade de ler coisas escritas na lousa da sala de aula.

•        IA já detecta ceratocone antes dos sintomas; entenda como

“Junho Violeta”, campanha nacional criada em 2018 pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia para alertar sobre o ceratocone, doença que afina e deforma a córnea (a lente que fica na parte da frente dos nossos olhos) e está entre as principais causas de transplante no país, atingindo cerca de 150 mil brasileiros por ano. A mensagem central é o diagnóstico precoce, e a inteligência artificial, em pouco tempo, vai conseguir detectar o ceratocone antes de o paciente sentir qualquer sintoma.

Parece contraditório: como alguém com ceratocone pode enxergar bem e não saber da doença?

<><> Quando a doença ainda não dá sinais

Existe uma fase anterior aos sintomas, chamada ceratocone subclínico. Nela, a curvatura da frente da córnea ainda está normal, então a topografia tradicional não acusa nada e o exame clínico também não mostra sinal nenhum. As primeiras alterações costumam surgir na superfície posterior da córnea e nos mapas de espessura, visíveis apenas em exames mais sofisticados.

Um detalhe importante: o ceratocone é, por definição, bilateral e assimétrico. É comum haver doença avançada em um olho e visão normal no outro, em uma córnea “aparentemente” normal que, na verdade, já tem um ceratocone que ainda não evoluiu. São nesses olhos de “forma frustra” que os pesquisadores procuram indícios para descobrir a doença cedo. Afinal, é um olho que tem a doença, mas não a manifesta. Ideal para procurar pistas.

<><> Como a IA enxerga o invisível

Um exame de tomografia gera milhares de dados: elevação anterior e posterior, espessura, curvatura e biomecânica. Os algoritmos analisam centenas a milhares desses pontos de uma vez, comparando-os com grandes bancos de dados e captando combinações sutis que escapam ao olho humano. Hoje, sistemas de IA já atingem sensibilidade acima de 98% para o ceratocone instalado. Para a forma subclínica, essa sensibilidade ainda é de apenas 90%, mas tem melhorado consistentemente a cada ano.

Por que tanta pressa? Porque o crosslinking de colágeno (único tratamento capaz de travar a progressão do ceratocone) estabiliza a córnea como ela está, mas não desfaz o que já se deformou. Estudos mostram que ele impede a progressão em 85% a 95% dos casos, com benefício maior nos mais jovens, a faixa de maior risco, pois a córnea é mais maleável e a doença evolui mais rápido.

Diagnosticar na fase subclínica permite agir antes que a visão seja prejudicada, evitando lentes especiais, anel intracorneano ou transplante.

<><> No futuro próximo

A união dos exames de córnea de alta resolução com a IA vai nos auxiliar cada vez mais na detecção precoce. O alvo natural são adolescentes e jovens adultos, quando a doença começa.

Essa triagem também é indispensável antes de cirurgias refrativas a LASER. Ceratocone é uma contraindicação para essas cirurgias, mas os casos subclínicos ainda são um desafio.

Além disso, a IA já mira além do diagnóstico: modelos em desenvolvimento buscam prever quais córneas vão progredir e estimar a resposta ao crosslinking antes da cirurgia. E aplicativos que captam e interpretam imagens do olho pelo celular podem levar o rastreamento aonde não há tomógrafo.

Vale sempre lembrar que a IA não substitui o médico. Ela aponta sutilezas, mas, com evidência ainda de baixa certeza para a fase subclínica, a decisão continua sendo clínica.

A boa notícia do Junho Violeta é que as principais defesas seguem ao alcance de todos: consulta oftalmológica ao menos uma vez por ano, atenção ao grau que muda com frequência e o hábito de não coçar os olhos. E, cada vez mais, com um reforço tecnológico, importante sobretudo para os mais jovens.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: