terça-feira, 14 de julho de 2026

Retomada dos combates entre EUA e Irã ameaça ter consequências catastróficas, alerta Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para as consequências catastróficas da retomada dos combates entre os EUA e o Irã, disse o seu porta-voz Stéphane Dujarric.

"O secretário-geral reitera que um retorno às hostilidades em grande escala teria consequências catastróficas – para os povos da região, para a paz e segurança internacionais, bem como para a economia global", disse Dujarric.

Guterres também apelou aos EUA e ao Irã para usarem contenção, expressando preocupações com a escalada.

O Comando Central dos EUA anunciou, neste domingo (12), que bombardeou novos locais no sul do Irã com o objetivo de diminuir o controle de Teerã sobre o estreito de Ormuz. Esta é a quarta onda de ataques norte-americanos desde o reinício das hostilidades, na semana passada.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou veementemente os ataques dos Estados Unidos ao país. Segundo a chancelaria de Teerã, além de violar a Carta da ONU, as ações de Washington "tornaram inúteis todos os esforços dos últimos meses para reduzir a tensão e estabelecer a paz na região do Oriente Médio".

<><> Irã não negociará com os EUA até que Washington mude sua abordagem, diz mídia iraniana

O Irã não planeja negociar com os norte-americanos até que os EUA mudem sua abordagem, informou a agência iraniana Fars, citando uma fonte próxima ao grupo de negociadores iranianos.

"O Irã não solicitou negociações com os EUA, e não haverá negociações até que os EUA se afastem de suas posições", disse o interlocutor da agência.

A agência não especifica o que exatamente o lado iraniano espera dos EUA.

Anteriormente, o jornalista da Axios Barak Ravid, citando autoridades estadunidenses, afirmou que os EUA estão exigindo que o Irã declare o estreito de Ormuz aberto no sábado (11) e prometa parar de atacar navios comerciais.

Em meio a esses relatos, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, chegou a Omã para negociações sobre Ormuz.

<><> Irã amplia ataques contra EUA no golfo Pérsico e tensão volta a crescer 

A escalada militar entre Irã e Estados Unidos voltou a se intensificar neste domingo (12), com uma nova troca de ataques que atingiu diversos países do Golfo Pérsico e elevou novamente o risco de um conflito regional de maiores proporções.

Em resposta aos bombardeios estadunidenses realizados nos últimos dias, Teerã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos EUA em países aliados da região e reafirmou que o estreito de Ormuz permanece fechado à navegação.

Segundo a imprensa iraniana, explosões foram registradas na cidade portuária de Bandar Abbas e na ilha de Qeshm, localizada no estreito. A agência Fars informou que as causas das explosões ainda não foram esclarecidas.

Diante disso, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter atingido uma série de alvos militares ligados aos Estados Unidos, incluindo um centro de comando e hangares de drones na Jordânia, uma estação de radar no Kuwait, plataformas de apoio a porta-aviões em Omã e instalações militares no Catar.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que suas forças continuam posicionadas para garantir a liberdade de navegação na região e negou que a passagem esteja sob controle iraniano. Só no último sábado (11), foram atacados cerca de 140 alvos militares no país persa.

Já o Irã informou que novas autorizações de uso da rota, uma das principais do mundo, só serão emitidas quando a situação voltar à normalidade.

O agravamento do conflito voltou a provocar impactos sobre o transporte aéreo na região. A companhia Air Astana, do Cazaquistão, anunciou a suspensão temporária dos voos para Dubai devido à deterioração da situação de segurança no Oriente Médio — foram canceladas as rotas Almaty-Dubai nos dias 13 e 14 de julho e Astana-Dubai no dia 14.

A empresa informou que os passageiros poderão solicitar reembolso integral ou remarcar as viagens sem custos até o fim de julho.

<><> Negociações entre Irã e EUA ameaçadas

A nova onda de confrontos ocorre poucos dias após os Estados Unidos revogarem a licença que autorizava operações envolvendo petróleo iraniano, medida que praticamente inviabilizou o acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, teve um encontro em Omã com seu homólogo, Badr Albusaidi, para discutir a situação do estreito e possíveis medidas diplomáticas. Posteriormente, Araqchi conversou por telefone com o chanceler do Paquistão, Ishaq Dar, país que atua como um dos principais mediadores entre iranianos e americanos.

Mesmo durante as negociações, o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou uma mensagem em sua conta na rede X afirmando que "a era dos acordos unilaterais acabou", além de advertir que os Estados Unidos deveriam cumprir seus compromissos "ou pagar o preço".

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra alvos iranianos, que levou a uma resposta do Irã. Durante os bombardeios, diversas autoridades civis e militares foram mortas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

O estreito de Ormuz, que recebe cerca de um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, virou um dos principais focos da disputa. Um cessar-fogo chegou a ser anunciado em maio, mas nas últimas semanas o Irã restringiu a navegação na região, enquanto os Estados Unidos intensificaram sua presença militar.

<><> Israel poderia induzir os EUA a retomar seus ataques contra o Irã, sugere mídia

Israel pode ter persuadido os EUA a retomar seus ataques ao Irã fornecendo informações sobre supostos preparativos iranianos para uma tentativa de assassinato contra o presidente dos EUA, Donald Trump, relata um jornal americano com referência a funcionários dos EUA.

A mídia observa que foi depois de receber informações da inteligência israelense que Trump deixou a Turquia não em um avião oferecido a ele pelo Catar, mas em um velho avião presidencial. A razão foi que a nova aeronave não tinha capacidade defensiva adequada, aponta o artigo.

"Algumas autoridades dos EUA dizem que estão preocupadas que Israel possa ter entregado inteligência para influenciar as decisões nos EUA para uma retomada da guerra em grande escala com o Irã", escreve a publicação.

Enquanto Trump expressou disposição para negociar com Teerã, Israel gostaria de retomar sua campanha de bombardeios contra o Irã, a fim de diminuir suas capacidades militares, relata o jornal com referência a fontes.

Oficiais disseram ao jornal que o Exército israelense continuou a planejar ataques contra alvos no Irã após o fim da campanha conjunta com os EUA, mesmo enquanto Trump procurava avançar na via diplomática.

¨      Memorando entre Irã e EUA entra em colapso, declara Teerã

O acordo de entendimento com Washington entrou em fase de crise, após os EUA violarem os compromissos antes do prazo previsto para o cumprimento das medidas ligadas ao estreito de Ormuz, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei.

Teerã ressaltou que não seguirá os termos do memorando enquanto Washington continuar descumprindo suas obrigações.

>>> Confira mais declarações de Teerã:

# O lado norte-americano mostrou impaciência e rompeu o acordo antes mesmo do término do prazo;

# O Irã não ameaça seus vizinhos, mas qualquer território usado por forças estrangeiras contra o país será alvo legítimo;

# As nações regionais devem impedir o uso de seus territórios para agressões, em nome da lei internacional e da boa vizinhança;

# Lindsey Graham é um ser cuja vida foi guiada pela agressão, pela guerra e pelo apoio ao genocídio, e cuja morte não causará pesar a nenhum homem livre.

¨      Irã e Omã concordam em continuar conversas sobre a navegação no estreito de Ormuz

Irã e Omã concordaram em dar continuidade às conversas técnicas e políticas sobre a navegação no estreito de Ormuz, informou a Agência de Notícias de Omã neste sábado (11). As duas partes realizaram reuniões em Mascate, capital de Omã, para discutir a garantia da segurança e da liberdade de navegação pelo estreito.

Os representantes dos dois países concordaram em prosseguir com as discussões, tanto em nível técnico quanto político, visando alcançar os entendimentos necessários em conformidade com o direito internacional.

Segundo a Al Jazeera, Omã teria proposto duas rotas separadas no estreito, uma por águas iranianas e outra por águas omanenses. Teerã, porém, defende uma gestão única envolvendo os dois países.

A preocupação iraniana é que uma divisão de controle leve os navios a priorizarem a rota por Omã, reduzindo o poder de negociação do Irã em uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na última sexta-feira (10) que o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, visitaria Omã neste sábado para consultas sobre o estreito de Ormuz. As conversas ocorreram em meio a tensões elevadas após uma recente troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irã, desencadeada por supostos ataques iranianos a navios comerciais que transitavam pelo estreito de Ormuz.

Após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no final de fevereiro, Teerã intensificou seu controle sobre o estreito de Ormuz — uma via navegável estratégica por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e derivados via marítima —, impedindo a passagem segura de navios ligados a Israel e aos EUA.

Em junho, o Irã e Omã concordaram em continuar as discussões por meio de um grupo de trabalho conjunto entre seus ministérios das Relações Exteriores, buscando um entendimento sobre a futura gestão da navegação e dos serviços marítimos relacionados no estreito.

<><> Irã acusa EUA de impedir acordo com Omã sobre navegação no estreito de Ormuz

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou neste domingo (12) que os Estados Unidos impediram um acordo entre Teerã e Omã sobre a regulamentação da navegação no estreito de Ormuz. Conforme comunicado, Washington pressionou o governo omanense durante as negociações realizadas em Mascate.

"As negociações em Mascate concentraram-se, de forma geral, nas questões relacionadas à regulamentação da navegação no estreito de Ormuz. Infelizmente, os Estados Unidos impediram que um acordo fosse alcançado ao exercerem pressões abertas e veladas sobre Omã", informou a chancelaria iraniana em comunicado divulgado em seu canal no Telegram.

Na última sexta-feira (11), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viajou a Mascate para discutir com autoridades omanenses mecanismos de gestão da navegação no estreito.

Segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, o futuro modelo de administração da passagem marítima deverá ser definido por meio de consultas entre Irã e Omã, levando em consideração os acontecimentos dos últimos meses e as ações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.

Em meio ao aumento das tensões na região, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou o fechamento do estreito de Ormuz até o fim da intervenção dos Estados Unidos na região e garantiu que nenhuma embarcação seria autorizada a atravessar a via marítima.

Mais cedo, autoridades iranianas afirmaram que o país está pronto para defender com uso da força na região. "Esta rota é mais importante do que dezenas de bombas atômicas, o Irã a defenderá", disse o assessor do líder iraniano Mohsen Rezaei, citado pela ISNA.

Por sua vez, o representante da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, também declarou a intenção de Teerã de lutar pelo estreito de Ormuz. "Tomamos o estreito de Ormuz pela força e pela força vamos preservá-lo", escreveu um deputado na rede social X.

<><> Teerã está pronta para defender sua posição no estreito de Ormuz pela força, diz conselheiro iraniano

O Irã está pronto para defender com uso da força suas posições em no estreito de Ormuz, pois são mais importantes do que bombas nucleares, dizem autoridades iranianas.

"Esta rota é mais importante do que dezenas de bombas atômicas, o Irã a defenderá", disse o assessor do líder iraniano Mohsen Rezaei, citado pela ISNA.

Por sua vez, o representante da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, também declarou a intenção de Teerã de lutar pelo estreito de Ormuz.

"Tomamos o estreito de Ormuz pela força e pela força vamos preservá-lo", escreveu um deputado na rede social X.

Neste domingo (12), o Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz até o fim da intervenção dos EUA na região. Isso aconteceu em meio a outra onda de ataques trocados entre os EUA e o Irã.

¨      Ataque dos EUA perto de usina Bushehr no Irã gera conflito nuclear no Oriente Médio, diz analista

Um recente ataque dos EUA nas proximidades da usina nuclear de Bushehr, no Irã, foi uma aposta política deliberada e míope que poderia desestabilizar ainda mais a situação no Oriente Médio, declarou à Sputnik Qian Yaxu, analista político chinês.

Yaxu destacou que, por muito tempo, Irã e Israel respeitaram uma linha vermelha não escrita, evitando ataques às instalações nucleares um do outro.

"Com esse ataque, as Forças Armadas dos EUA ultrapassaram essa 'linha vermelha', e qualquer retaliação iraniana poderia ter como alvo instalações nucleares israelenses, o que poderia levar a graves consequências ambientais e regionais em caso de vazamento de radiação", ressaltou.

Segundo o analista, na verdade, os Estados Unidos carecem de uma estratégia coerente em relação ao Irã.

Dessa forma, ele concluiu que as ações dos EUA reforçaram o apoio interno ao governo da República Islâmica do Irã e podem agravar as tensões no Oriente Médio.

No sábado (11), o presidente estadunidense, Donald Trump, declarou que 1.000 mísseis já foram colocados em prontidão de combate e direcionados ao Irã caso haja uma tentativa de matá-lo.

Vale lembrar que a mídia iraniana Mehr reportou explosões nas cidades costeiras de Chabahar, Sirik, Bandar Abbas e Konarak, e nas ilhas de Lavan, Qeshm e Abu Musa. Bushehr, cidade onde está a central nuclear desenvolvida em parceria com a Rússia, também foi atacada, mas a usina não teria sido atingida.

¨      Trump anuncia planos dos EUA para tirar proveito da proteção do estreito de Ormuz

Os Estados Unidos pretendem administrar o estreito de Ormuz, tornar-se os "guardiões" da rota marítima e até adotar a denominação de "anjo da guarda do estreito", afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista à Fox News.

>>> Confira outras declarações do líder norte-americano:

# O acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã estava praticamente concluído, mas Teerã o violou;

# Os Estados Unidos pretendem lançar ataques muito duros contra o Irã;

# Washington pretende administrar o estreito de Ormuz e ser remunerado pelos serviços de segurança prestados na região.

# Trump também afirmou que os EUA protegeram o estreito de Ormuz durante 50 anos sem receber qualquer compensação e disse que, desta vez, Washington pretende cobrar por esse serviço.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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