A
dívida pública como alavanca do capitalismo
Na
França, o reinado de Luís Filipe foi politicamente arquiconservador. O
descontentamento popular contra o rei e seu ministro Guizot ganhou força desde
1846, estimulado pela crise econômica. Essa impulsionou a dívida pública,
favorecendo os lucros da burguesia financeira. Apesar disso, o poder julgava-se
solidamente instalado, com apoio dos conservadores e, sobretudo, dos
banqueiros.
A onda
revolucionária de 1848 varreu essa ilusão, derrubando de vez o regime
monárquico. As transformações econômicas, porém, se situavam cada vez mais num
cenário que extravasava o Velho Mundo, um cenário crescentemente mundial.
Pois o
grande protagonista do novo sistema de produção engatinhava seus primeiros
passos do outro lado do Oceano Atlântico. A revolução americana foi varrendo o
velho regime colonial, quebrando os antigos grandes proprietários reacionários:
“Só depois da guerra o problema da unidade nacional norte-americana se
solucionou, e o movimento democrático bastante fortalecido nos Estados
nortistas pôde destruir as características feudais que tinham sido impostas
pela Inglaterra.
Os
privilégios reais desapareceram ou transferiram-se às assembleias locais. A
propriedade dos tories foi confiscada, e dividida em pequenas parcelas,
anulando-se os direitos de primogenitura e de mão morta. Se efetivou um ataque
contra as igrejas, localizadas nas colônias. Em cinco delas, a Igreja Anglicana
perdeu os privilégios anteriormente concedidos. Em dez anos, os
norte-americanos destruíram até os vestígios das antigas práticas feudais
existentes.
A nova
força do nacionalismo, unida às necessidades essenciais da comunidade
proprietária, conseguiu estabelecer um verdadeiro governo civil, ou seja, um
governo fundado na sociedade livre, composta de comerciantes e de
latifundiários voltados ao gozo de sua riqueza e de seus caprichos”.
A
Grã-Bretanha reconheceu a independência das “Treze Colônias”. Os EUA se
organizaram com um sistema presidencialista através da Constituição de 1787,
baseada no direito público inglês, na Constituição de Nova York (1777) e na de
Massachusetts (1780), em que se postulava a independência do poder executivo.
As ideias de Locke, Montesquieu e Gladstone influenciaram os principais
definidores na nova entidade política.
No
plano social, outro movimento nasceu. A guerra arruinou muitos granjeiros,
deixando uma grande dívida pública, que o governo descarregou sobre eles,
aumentando os impostos. Os granjeiros e os pobres das cidades, principalmente
os artesãos do norte, deflagraram uma revolta em 1786, encabeçada por Daniel
Shays, que participara da guerra da independência. Custou muito trabalho às
tropas regulares esmagá-la. A potencialidade dessas revoltas obrigou à
burguesia industrial do Norte e os donos de plantações e de escravos do Sul, a
unirem-se contra a rebelião social, e possibilitou o compromisso conservador da
Constituição de 1787.
Uma
forte depressão econômica teve lugar logo depois da independência americana, em
1785-1786. A causa foi a excessiva emissão monetária (cada Estado podia emitir
moeda), o que acabou tornando a moeda sem valor, dificultando as trocas. Assim
manifestou-se o caráter anacrônico do projeto semiseparatista dos federalistas:
os EUA tendiam a constituir um mercado nacional único (incompatível com a
separação de cada Estado) graças ao desenvolvimento econômico alcançado na
época colonial, sobretudo no Norte.
O
território francês da Louisiana ocupava a região do lado Oeste do rio
Mississipi, a posse francesa do porto de Nova Orleans que ficava próximo a sua
foz foi definida pelos americanos como “uma ameaça aos direitos de comércio e à
segurança de todo o interior do país”. Os EUA compraram o território da França,
debilitada pelas guerras napoleônicas na Europa e desistente de investir na
colonização da América por causa das dificuldades em dominar o Haiti.
A
aquisição foi concluída durante a presidência de Thomas Jefferson por quinze
milhões de dólares, incrementando a dívida pública e incorporando ao território
estadunidense mais de 2.600.000 quilômetros quadrados de terra, o que dobrou a
extensão territorial original do país.
Assim,
a expansão econômica do século XIX viu surgirem, ao lado da Grã-Bretanha, novos
concorrentes que se preparavam para a partilha do mundo. Estados Unidos e
Alemanha foram os mais significativos. Mas também a França e, em menor medida,
a Rússia e o Japão entraram no jogo.
Nessa
concorrência pelo mercado mundial se preparavam as grandes linhas dos conflitos
militares interimperialistas do século XX. O “novo capitalismo” se baseava em
sociedades por ações, forma mais plástica do capital; essa forma permitiu que a
circulação de capitais atingisse níveis até então desconhecidos, com a
exportação de capitais para financiar obras e o débito público da periferia
capitalista do “mundo desenvolvido”. Segundo Friedrich Engels “a Bolsa modifica
a distribuição no sentido da centralização, acelera enormemente a concentração
de capitais e, nesse sentido, é tão revolucionária quanto a máquina a vapor”.
Friedrich
Engels sublinhou a necessidade de “identificar na conquista colonial o
interesse da especulação na Bolsa”; a nova expansão do capital tinha relação
com a expansão dos interesses financeiros: em 1843, quando era o único país
exportador de capital, a Inglaterra possuía títulos da dívida pública dos
países da América Latina por valor de 120 milhões de libras esterlinas (vinte
vezes mais que o montante dos investimentos britânicos nas maiores 24
companhias mineiras além-mar).
Em
1880, o montante desses mesmos títulos, da América Latina, dos EUA e do
Oriente, de posse da Inglaterra, já ascendia a 820 milhões de libras
esterlinas. Engels procurou situar esses fenômenos no contexto do
desenvolvimento geral do capitalismo: “A colonização é hoje uma efetiva filial
da Bolsa, no interesse da qual as potencias europeias partilharam a África,
entregue diretamente como botim às suas companhias”. Era essa a base do novo
imperialismo.
Na
exportação de capital metropolitano, no entanto, tratava-se de um capital
totalmente avesso a risco e dependente da intervenção do Estado. Apesar de se
tratar de “capital produtivo”, sua remuneração com garantia de rentabilidade
não era diferente daquela do capital dinheiro aplicado nos títulos da dívida
pública. Nas economias atrasadas, a penetração do capital industrial
monopolista determinou seu caráter combinado, por combinarem a última palavra
da ciência e da técnica com formas pré-capitalistas de exploração do trabalho.
A
coexistência do atraso e do avanço permitia aos monopólios embolsarem
benefícios extraordinários, pois os preços do mercado (a diferença dos preços
de produção) são determinados pelos setores que produzem com maiores custos; os
custos de produção dos monopólios são mais baixos. A penetração imperialista
consistiu na exploração da diferença no nível de desenvolvimento das forças
produtivas entre países centrais e atrasados, que permitiu aos monopólios
garantir uma quota maior da mais-valia monopolizada.
Ao
mesmo tempo, a penetração do capital externo dissolvia as velhas relações
produtivas e acelerava o desenvolvimento capitalista nos países atrasados, sob
a forma do monopólio econômico, ou seja, sem conhecer as vantagens da
livre-concorrência: os países atrasados conheciam do capitalismo só as
desvantagens da sua maturidade, sem chegar a conhecer as virtudes da sua
juventude.
A
“outra América independente” também entrava no cenário econômico mundial, mas
em condição subordinada. Na América do Sul, a atenção inglesa concentrou-se
cada vez mais sobre a Argentina. Após a decisiva batalha de Pavón, o general
Bartolomé Mitre, governador de Buenos Aires, em 1862, se tornou o primeiro
presidente eleito da Argentina.
A
unificação política do país foi realizada na presidência de Bartolomé Mitre,
quando “os exércitos avançaram por todo o interior do país, derrotando
militarmente as últimas montoneras e estabelecendo governos favoráveis ao
governo central em praticamente todas as províncias”; os anos da chamada
“organização nacional” consolidaram a Argentina agroexportadora, com a
consolidação do latifúndio e o estreitamento das relações com o capital
externo, fundamentalmente inglês, configurando uma unificação nacional ao
serviço dos interesses da oligarquia de Buenos Aires e da burguesia comercial
portuária. O Congresso argentino sentou as bases jurídicas para o fluxo do
comércio e de capitais externos.
O
mercado nacional havia sido unificado e liberalizado, e a legislação sobre
ferrovias estabeleceu o princípio da garantia estatal de lucros e concessões de
terras (no Brasil, a São Paulo Railroad foi construída com um sistema de
garantias semelhante). Todos os títulos públicos argentinos seriam, por lei,
pagos em libras esterlinas, a menos que fosse explicitamente indicado o
contrário; um registro público de toda a dívida pública foi estabelecido e
todas as dívidas reconhecidas.
A
evidência de que o país tinha condições de pagamento foi demonstrada com o
reconhecimento dos débitos pendentes do empréstimo tomado de Londres em 1824
(com a Baring Brothers). Apenas numa década, pelo menos 23 milhões de libras
esterlinas partiram do mercado de Londres em forma de investimentos para a
Argentina, transformada num seguro mercado de investimentos financeiros.
Enquanto
Inglaterra se expandia mundialmente a todo vapor, a velha França, superados os
abalos revolucionários (1848, 1871) buscava acompanhar seus os passos, baseada
no seu emergente capitalismo financeiro. No país do hexágono, o período de
1880-82 ficou conhecido como a “República Oportunista”, marcada pela influência
de políticos ligados aos grandes negócios, como Jules Ferry, que impuseram
grandes despesas no equipamento das forças armadas (abrindo uma via de negócios
de dimensões inéditas e insuspeitas, baseada na dívida pública, nas comandas do
Estado e na especulação com títulos públicos) e pela política colonial.
Em 1888
explodiu o “escândalo do Canal de Panamá”: um bilhão de francos foram perdidos
quando o governo escondeu subornos para manter o silêncio sobre os problemas
financeiros da Companhia do Canal do Panamá, no maior escândalo mundial de
corrupção estatal do século XIX, implicando personalidades e altos funcionários
do governo e da imprensa francesa. O affaire estava diretamente ligado à
Companhia Universal do Canal Interoceânico de Panamá, do engenheiro e homem de
negócios Ferdinand de Lesseps, construtor do Canal de Suez.
Em
1888, a Companhia faliu, arruinando numerosos pequenos acionistas e provocando
múltiplas bancarrotas. Em 1892 soube-se que para encobrir sua situação
financeira e os seus abusos, a Companhia tinha recorrido à corrupção e luvas
“repassadas” a funcionários do Estado. Antigos presidentes do Conselho de
Ministros da França, Freycinet, Rouvier, Floquet e outros foram implicados no
escândalo. O “negócio” do Panamá foi abafado pela justiça, que se limitou a
condenar personagens de segundo plano, além de Lesseps que, contudo, não chegou
a ser preso.
Os EUA,
desenhando uma nova estratégia mundial, se apressaram em ocupar o vazio deixado
pela falência francesa. Intervindo na guerra civil colombiana, impuseram o
Tratado Hay-Bunau Varilla pelo qual tiraram do país a província de Panamá, que
proclamou sua independência. Os EUA conquistaram, assim, a zona sobre a qual se
iniciara já a construção do Canal interoceânico. Através da secessão do Panamá
foi definido um novo marco de expansão imperialista dos EUA.
O canal
desenhava a perspectiva de hegemonia naval norte-americana no Atlântico e no
Pacífico. Os EUA se aproveitaram da falência da antiga companhia francesa do
canal, cuja construção já tinha consumido US$ 250 milhões, e compraram suas
ações por US$ 40 milhões. A independência do país foi proclamada em 1903: em
1904, durante o governo de “Teddy” Roosevelt foi retomada a reconstrução do
canal, inaugurado em 1914, após um gasto de US$ 360 milhões, através de uma
empresa estatal montada para essa finalidade.
Mediante
a dívida pública, os EUA criaram o grande alicerce da expansão bioceânica do
capital norte-americano. Pelo direito à propriedade do Canal, os EUA pagaram 10
milhões de dólares e concordaram em pagar 25.000 dólares por ano ao novo país.
Durante a construção do Canal, entre 1904 e 1914, a companhia responsável pela
obra contratou 100 mil trabalhadores estrangeiros; também chegou à região um
número semelhante de imigrantes. 60% dos trabalhadores contratados eram nativos
das ilhas caribenhas sob mandato francês, britânico ou holandês.
Os EUA
segregaram uma área para construir e operar a via marítima, a “Zona do Canal de
Panamá” (com mais de mil km2), onde moravam 60 mil pessoas controladas
estreitamente pelas autoridades militares norte-americanas, além de uma
população militar norte-americana flutuante.
A
Rússia, o elo entre a dinâmica Europa imperialista e a imensa Ásia, também
sofria transformações econômicas e colonização financeira externa. A de a lei
da servidão, nascida no final do século XVI, estabelecida no século XVII e
tendo atingido seu auge no século XVIII, foi juridicamente abolida apenas em
1861”.
“A
partir desse momento abriu-se um novo período de desenvolvimento econômico do
país, caracterizado pela rápida formação de uma reserva de trabalho ‘livre’,
pelo rápido alastramento do sistema ferroviário, construção de portos, afluxo
incessante de capitais europeus, europeização da técnica industrial,
crescimento dos incentivos e do crédito, o aparecimento do ouro no mercado, um
forte protecionismo e a inflação da dívida pública”.
Quando
o Estado encontrou a possibilidade de completar seu financiamento através de
empréstimos externos, a pressão financeira da Europa ocidental somou-se à
pressão militar: “O financiamento da industrialização russa diferiu do Japão;
na Rússia foi maciça a entrada de capital estrangeiro, não somente por meio de
empréstimos oficiais e na construção ferroviária, mas também por investimentos
diretos na indústria e por empréstimos aos bancos russos”.
Essa
era a diferença entre o capitalismo “tardio” (Japão) e o “periférico” (Rússia).
Ao lado do aumento da dívida pública, o Estado russo continuava absorvendo,
comparado ao Ocidente capitalista, uma porção relativamente muito maior da
fortuna pública, minando as bases de desenvolvimento das classes burguesas e
retardando seu processo de diferenciação social, configurando “um Estado forte,
centralizado e burocrático, carente de mediação de qualquer grupo social capaz
de constituir uma ponte social, econômica e política entre ele e as massas
camponesas”.
Esse
Estado, que retardava o desenvolvimento da burguesia, procurava simultaneamente
apressar sua formação, pois necessitava seu apoio.
O ritmo de crescimento dos gastos estatais e o
da dívida pública russa superava folgadamente o ritmo de crescimento da
população. O capital estrangeiro exercia o papel principal na economia: sob o
impulso do ministro Witte (1892-1903), Rússia se modernizou em ritmo acelerado
mediante uma política sistemática de empréstimos externos e de apelo ao
investimento estrangeiro (no início do século XX, mais de um terço das ações
das sociedades anônimas russas estavam nas mãos do capital europeu ocidental),
criando também uma enorme dívida pública que onerava à nação; o governo
desenvolvia as estradas de ferro e a frota fluvial, fomentava novas regiões
industriais, protegia a indústria russa por meio de tarifas protecionistas,
criava escolas profissionais, estabilizava a moeda ligando o rublo ao padrão
ouro. Seu objetivo, incrementar o mercado interno, visava o fortalecimento
financeiro do Estado.
A
transformação das relações internacionais que supunha o ingresso dos Estados
Unidos no seleto clube das nações lançadas na disputa pela hegemonia no cenário
mundial foi percebida pelos observadores à época; os desenvolvimentos da
política externa norte-americana representavam uma mudança qualitativa na
situação mundial.
No
primeiro grande estudo do imperialismo contemporâneo, publicado em 1902, John
A. Hobson constatava que “a recente incursão da poderosa e progressiva nação
dos Estados Unidos de América no imperialismo pela anexação da Havaí e a
ocupação das relíquias do antigo império espanhol não só acrescenta um novo e
formidável competidor por comércio e território, como muda e complica a
situação mundial. O foco das atenções e ações volta-se para as ilhas do
Pacifico e a costa asiática; as mesmas forças que estão conduzindo aos Estados
europeus no caminho da expansão territorial perecem atuar sobre os Estados
Unidos, levando-os ao virtual abandono do princípio de isolamento que até agora
dominara sua política”.
Os EUA
inauguraram, com sua intervenção na guerra hispano-americana (1898), com a
ocupação das Filipinas, com seu papel na repressão à revolta boxer na China
(1902), e com sua arbitragem no conflito russo-japonês de 1904, sua política
como potência com aspirações mundiais, alterando as relações internacionais,
sepultando as nascidas dos tratados entre as potências europeias, assim como as
mais recuadas resultantes da Paz de Westfalia ou do Tratado de Utrecht.
Por
ocasião da entrada da frota anglo-alemã no porto de La Guayra (Venezuela)
impondo um bloqueio marítimo para cobrar pela força a dívida pública (externa)
do país, os EUA foram previamente consultados e deram seu consentimento, que
significava a transição do intervencionismo europeu para a tutela
norte-americana. As relações mundiais mudavam com a emergência de uma nova
potência com costas para os oceanos Atlântico e Pacífico, e com interesses
econômicos crescentemente mundiais.
Foi
desse modo que entramos na era contemporânea, marcada pela hegemonia crescente
do imperialismo financeiro norte-americano, duas guerras mundiais e uma série
de revoluções que, a partir da Revolução de Outubro de 1917, desafiaram a ordem
mundial imposta pelo capitalismo monopolista. Em todas as transformações
advindas desde os inícios do capitalismo na Europa, passando pelas diversas
fases do capitalismo e pelos ciclos de hegemonia das diversas potências, até o
“mundo americano” que nos governa já faz um século, a dívida pública foi o elo
de transição entre um e outro estágio.
Nos
seus primórdios, ela foi um cada vez mais poderoso instrumento de destruição do
velho modo de produção feudal/artesanal, cumprindo um papel progressista.
Com a
consolidação do domínio do capital, seu caráter de instrumento de saque das
finanças públicas e, através delas, do trabalho e dos esforços da população
trabalhadora, se acentuou cada vez mais, informando nos dias que correm o
aguçamento da opressão imperialista da maioria das nações do planeta (através,
principalmente, da dívida pública externa) e da exploração da população
explorada dos países do chamado “Primeiro Mundo” ou “Norte Global”.
Seu
desenvolvimento até o paroxismo nos dias de hoje expressa, de modo concentrado
e mensurável, a completa irracionalidade de um modo de produção do qual a
história e a sobrevivência humana clamam pela sua destruição e substituição por
uma sociedade baseada na livre associação dos produtores, alicerçada na
extinção da propriedade privada dos meios de produção, ou seja, na abolição do
capital.
Fonte:
Por Osvaldo Coggiola, em A Terra é Redonda

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