Crime
organizado usa apostas ilegais e amplia pressão sobre o Judiciário, diz Fachin
O
presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, disse que
o crime organizado contemporâneo abandonou os moldes hierárquicos tradicionais
para se reinventar por meio de infraestruturas tecnológicas e financeiras
sofisticadas, com foco no mercado de apostas eletrônicas.
A
declaração foi dada na 1ª reunião da Rede Nacional de Magistrados e Magistradas
com Competência em Criminalidade Organizada. O evento acontece nesta
terça-feira (14) no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em Brasília.
“Um
exemplo elucidativo dessa complexidade crescente é a relação entre o crime
organizado e o mercado de apostas eletrônicas. As plataformas clandestinas são
utilizadas como instrumento de organizações criminosas”, disse durante o
discurso.
Fachin
disse que plataformas de apostas têm sido utilizadas como ferramentas para a
lavagem de dinheiro. Também são usadas para a criação de estruturas
empresariais com aparência lícita, mas que são ligadas ao crime organizado,
segundo o ministro.
Essas
integram um ecossistema criminoso que envolve o tráfico de drogas, o
contrabando e a corrupção, muitas vezes de forma internacional, disse ele.
Exposição
de juízes
Na sua
avaliação, essa nova configuração financeira do crime traz uma consequência
direta e grave: o aumento da exposição de juízes. Ao atuar no bloqueio de
patrimônio, na apreensão de bens e na interferência em fluxos financeiros
ilícitos, o magistrado fica em uma posição de vulnerabilidade.
Fachin
disse que as ameaças a magistrados não atingem apenas o indivíduo e tentam
condicionar o exercício da jurisdição por meio do medo, tentando escolher quais
leis serão aplicadas e quais processos serão julgados.
Para
ele, quando o medo interfere na liberdade de decidir, o verdadeiro alvo é a
independência do Poder Judiciário e o Estado de Direito.
Fachin
defendeu que a resposta estatal não pode ser fragmentada e exige inteligência
financeira, cooperação entre diferentes órgãos e o rastreamento de
criptoativos.
Ele
disse também que a criação da nova rede nacional de magistrados tem como
objetivo ajudar no combate a esse problema. A iniciativa funcionará como um
instrumento para o compartilhamento de inteligência técnico-jurídica, com foco
no rastreamento de ativos digitais e na cooperação internacional.
Ajudará
ainda a dar celeridade e efetividade processual, mediante protocolos de atuação
conjunta que evitem a duplicidade de esforços e a perda de provas.
• Fachin defende ação integrada do
Judiciário contra o crime organizado
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), ministro Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (14) que o
enfrentamento ao crime organizado exige atuação coordenada e integrada do Poder
Judiciário. A declaração foi feita durante a abertura da Rede Nacional de
Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada. As informações são do
SBT News.
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Segundo
Fachin, o avanço das organizações criminosas nos últimos anos exige novas
estratégias para atingir principalmente suas estruturas financeira e
tecnológica. Durante o evento promovido pelo CNJ, o ministro mencionou ainda o
mercado clandestino de apostas eletrônicas como uma das principais fontes de
recursos utilizadas por esses grupos para lavagem de dinheiro.
“A
criminalidade organizada contemporânea não mais se estrutura nos moldes
hierárquicos tradicionais. Ela se reinventa por meio da apropriação de
infraestruturas tecnológicas e financeiras sofisticadas, valendo-se de
plataformas digitais, criptoativos, arranjos societários transnacionais e, de
modo especialmente preocupante, do mercado de apostas eletrônicas”, afirmou.
Combate
ao financiamento das facções
O
presidente do STF informou que se reunirá na quarta-feira (15) com o ministro
da Fazenda, Dario Durigan, para discutir medidas relacionadas ao mercado
clandestino de apostas.
Durante
o encontro da rede de magistrados, Fachin também defendeu maior articulação
entre o Judiciário, a Receita Federal, o Banco Central, o Ministério Público e
as forças policiais para combater o financiamento das organizações criminosas.
“A
criminalidade organizada desafia permanentemente o Estado de Direito e as
instituições democráticas. Sua crescente sofisticação, a capacidade de
articulação em âmbito nacional e internacional, o emprego intensivo de recursos
tecnológicos e financeiros e a diversificação de suas atividades geram
insegurança”, declarou.
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Proteção aos magistrados
Parte
do pronunciamento foi dedicada à atuação da magistratura diante das ameaças
promovidas por organizações criminosas. Fachin afirmou que esses ataques buscam
comprometer a independência do Judiciário e do Estado de Direito.
“Combater
o financiamento do crime organizado e proteger as magistradas e os magistrados
são, na verdade, duas faces da mesma política pública”, disse.
Ao
agradecer aos integrantes da nova rede de magistrados, o ministro destacou o
papel da cooperação entre juízes de diferentes regiões do país.
“Agradeço
a cada magistrada e a cada magistrado que aceitou integrar esta Rede. Sei que
essa participação exige dedicação adicional e espírito público. Mas também sei
que cada contribuição aqui oferecida terá alcance muito maior do que sua
realidade local. Cada experiência compartilhada poderá aperfeiçoar a atuação de
dezenas de colegas em todo o país”, afirmou.
A Rede
Nacional de Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada atuará com
quatro eixos principais: compartilhamento de inteligência para rastreamento de
ativos digitais e quebra de sigilos bancário e telemático; qualificação técnica
da magistratura sobre as estruturas financeiras utilizadas pelo crime
organizado; maior rapidez para evitar conflitos entre decisões judiciais em
diferentes comarcas; e uniformização da jurisprudência entre os órgãos do
Judiciário.
• Vorcaro abandona aposta em delação e
tenta acordo para devolver recursos em troca de benefícios
O
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes envolvendo o
Banco Master, passou a reformular sua estratégia jurídica após não obter
sucesso nas tentativas de acordo de delação premiada. A informação foi
divulgada pela CNN Brasil.
Preso
na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, Vorcaro estaria desmotivado
diante do avanço das investigações da Polícia Federal, que atingiram
diretamente seu círculo familiar. Entre os alvos estão seu pai, Henrique
Vorcaro, além do primo Felipe Vorcaro e do cunhado Fabiano Zettel, também
presos no âmbito das apurações.
Nos
últimos desdobramentos do caso, a Polícia Federal ampliou o foco das
investigações e incluiu o publicitário Thiago Miranda, apontado como peça
relevante na comunicação de Vorcaro. Ele foi alvo de operação policial e teve o
passaporte apreendido após os investigadores identificarem risco de saída do
país.
Diante
desse cenário, e após duas propostas de delação premiada terem sido rejeitadas,
Vorcaro passou a priorizar um novo caminho jurídico. A estratégia consiste em
negociar a devolução de valores em troca de eventuais benefícios judiciais, sem
a necessidade de implicar outros envolvidos no esquema investigado.
Esse
movimento também envolve a possível troca da equipe de defesa. Segundo a CNN
Brasil, Vorcaro recebeu, no último sábado (11), a visita dos advogados Cezar e
Vânia Bitencourt, que atuaram na defesa do tenente-coronel Mauro Cid,
ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL). Cid obteve benefícios no Supremo
Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe.
Ainda
de acordo com a apuração, o escritório dos advogados Bitencourt disputa a
condução da defesa de Vorcaro com a banca liderada por Daniel Bialski, mas até
o momento não há definição sobre quem assumirá oficialmente o caso. A
expectativa é que novas reuniões ocorram nos próximos dias para alinhar os
próximos passos da estratégia jurídica.
Fonte:
FolhaPress/Brasil 247

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