quinta-feira, 16 de julho de 2026

Valdemar diz que primeiro ato de Flávio, se eleito, será indultar Jair Bolsonaro

presidente do PL, Valdemar Costa Neto, concedeu nesta terça-feira (14) uma longa entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews. Durante a conversa, o dirigente defendeu Flávio Bolsonaro na questão do filme *Dark Horse* e revelou qual será a primeira medida de Flávio caso ele vença a eleição presidencial deste ano.

Ao comentar o atrito entre Michelle Bolsonaro e Flávio, Valdemar defendeu que eles façam as pazes, pois, caso contrário, avalia que a extrema direita vai perder a eleição e, dessa maneira, o ex-presidente Jair Bolsonaro permanecerá preso. Pressionado, revelou que Flávio, caso seja eleito, vai indultar o pai e todos os condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.

“Flávio tem que acertar a relação com a Michelle, senão Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos. E, se nós ganharmos a eleição, o Bolsonaro vai estar, no fim de janeiro, despachando no partido […] Vamos ganhar a eleição. No final de janeiro, Bolsonaro vai estar no partido despachando.”

Questionado se o indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro está entre as possíveis medidas caso Flávio Bolsonaro chegue ao Palácio do Planalto, Valdemar Costa Neto insinuou que essa estará entre as primeiras ações do senador:

“O presidente tem o poder de soltá-lo. O presidente tem o poder para isso. O que fizeram com o Bolsonaro não existe. Eu quero muito [o indulto ao Bolsonaro]. Eu quero ver o Bolsonaro despachando de novo no fim de janeiro, para sair com ele, correr os estados.”

Pressionado pelos jornalistas, Valdemar perdeu a paciência e, aos berros, defendeu o indulto presidencial a Jair Bolsonaro e a todos os condenados pelos atos de 8 de janeiro, além de classificar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou os envolvidos na trama golpista, como “um crime”:

“O Flávio vai canetar [indultar] o Bolsonaro, os 180 que estão presos e vai canetar os 400 que estão foragidos. É um crime isso aí. Aquilo [8 de janeiro] não foi golpe. Golpe com pedaço de pau nunca existiu no mundo. Golpe se dá com tanque de guerra, metralhadora e exército.”

Flávio dobra a aposta contra Moraes: “Bolsonaro é quem vai colocar faixa de presidente em mim”

Após surtar em live, atacando a decisão de Alexandre de Moraes, que o impede de encontrar o pai, Jair Bolsonaro (PL), nos próximos 90 dias, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dobrou a aposta contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgou um recorde destacando uma das partes mais polêmicas de sua fala.

“O presidente Bolsonaro é que vai colocar a faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem. Anota aí. Vocês vão ver essa cena”, diz Flávio no vídeo.

O trecho foi interpretado pelo advogado Marcelo Uchôa, conselheiro da Comissão de Anistia e doutor em Direito Constitucional, como um descumprimento a medidas judiciais que poderia levar Bolsonaro a perder o benefício da prisão domiciliar.

Para Uchôa, Flávio fez uma afronta à decisão judicial e ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao afirmar que o pai passará a faixa presidencial a ele em 2027.

“A leitura não permitida da carta do presidiário pelo filho já havia sido um absurdo. Mas a live de ontem em que ele afirmou que o pai passará a faixa presidencial em 1° de janeiro é uma afronta e uma desmoralização total pra Justiça. Bolsonaro tem que voltar pra Papuda hoje mesmo”, disse o advogado.

No corte, divulgado na manhã desta terça-feira (14) na rede X, Flávio Bolsonaro retoma a narrativa de “perseguição” e busca, agora, fazer uma eleitoreiro, em tom vitimista, da decisão de Moraes.

“Eu sei como funciona esse jogo do poder. Eu conheci da pior maneira possível. Sentindo na pele a perseguição. Um pai preso injustamente. Um irmão exilado fora do país. Porque se voltar para cá vai ser perseguido também. É o tempo inteiro perseguição. Mas eu quero falar uma coisa para vocês. Eu não vou desistir não. Mas de jeito nenhum”, afirmou, implorando pela ajuda “de cada um de vocês, mais do que nunca”.

<><> Milei para constranger Moraes

Dos EUA, onde coordena informalmente a campanha do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que Flávio Bolsonaro usará o presidente da Argentina, Javier Milei, para constranger Alexandre de Moraes e revelou que está trabalhando pela retomada de sanção do governo Donald Trump ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem se referiu como “trambiqueiro”.

“O Moraes vai ter mais uma saia justa para resolver, que é a visita do presidente Javier Milei ao Brasil. Ele vem para a convenção partidária do PL, que vai oficializar a candidatura do Flávio Bolsonaro e também – se já não pediu, pedirá – para visitar Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

Em seguida, Eduardo diz que Moraes “vai ter uma oportunidade de engolir o seu ego, voltar atrás das próprias regras que ele fica criando a todo momento, que não são regras legais, e então, permitir a visita do Milei ao Bolsonaro para tentar dar ares de democracia no Brasil”.

“Essa seria a opção A. Ou a opção B. Ele vai negar a visita do Javier Milei”, afirmou, usando como exemplo a visita de Lula a Cristina Kirchner em prisão domiciliar na Argentina, segundo ele “pisoteando no judiciário argentino”.

<><> “Trambiqueiro”

Eduardo ainda elevou o tom nos ataques contra Moraes, revelando que o ministro deve voltar a ser alvo dos comandados extremistas, que atuam em uma espécie de releitura do gabinete do ódio nas redes sociais.

O “02” de Jair Bolsonaro (PL) ameaça frontalmente o ministro e revela que está trabalhando para reativar a sanção pela Lei Magnitsky junto ao governo Trump.

“Moraes está cruzando a linha sucessivas vezes, parece até que ele deseja o retorno da Magnitsky”, afirmou.

Eduardo, então, passa a ironizar e atacar o ministro brasileiro, afirmando sem provas que ele seria bilionário e teria “dinheiro espalhado pelo mundo”.

“Moraes é um cara careca, parece até um desenho animado feito para ser um vilão de um filme, mas se coloca no lugar do sujeito lá. Você chega em casa, a tua mulher está com contratos ali que o Moraes eu acho que ele já deve ser bilionário, tá? Para você bem entender. Dinheiro dele é espalhado pelo mundo, né, sofisticado do jeito que é, esses trambiqueiros”, narrou.

“Aí você chega em casa e a tua mulher fala: ‘meu amor, eu estou vendo aí na notícia na imprensa que, poxa, tem a tal de Magninsky, podem cancelar o nosso cartão de crédito. E é coisa dos Estados Unidos, vai dar ruim no mundo inteiro, que negócio é esse?’ Você já imaginou você chegar em casa e ter um problema desse? Tu é bilionário e a tua mulher não pode passar o cartão de crédito?”, ironizou.

O deputado cassado afirma na sequência que “há uma real possibilidade de retorno da Magnitsky” e que está trabalhando para chamar a atenção de Trump para isso.

“Só que para isso ocorrer, como foi ela suspensa através de uma decisão do presidente, ela só retorna com uma decisão do presidente. E é uma dificuldade muito grande você disputar a atenção do Trump”, afirmou.

•        Eduardo Bolsonaro ameaça: Se Flávio perder, “não haverá eleições em 2030”

ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma ameaça, na rede social X. Ele afirmou que “não haverá eleições em 2030” caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não vença a disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro deste ano.

A declaração foi feita após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias, como punição pelo descumprimento de medidas cautelares.

Ao condicionar a existência de um pleito futuro ao resultado de uma eleição presente, Eduardo escalou a retórica de deslegitimação das instituições democráticas brasileiras e aproveitou o episódio para pedir ao governo de Donald Trump que restabeleça sanções internacionais contra Moraes.

O ex-deputado, que conspira contra o Brasil nos EUA, justificou a afirmação com um cenário hipotético de concentração de poder. “É impensável haver um país com Lula consolidando o atual regime e ainda botando +4 juízes no STF. Se já estão confortáveis hoje para fazer isso, imagina daqui a 4 anos, com controle total do STF+TSE?”, argumentou.

A lógica apresentada por Eduardo inverte a relação entre instituições e eleições: em vez de reconhecer o pleito como mecanismo de alternância de poder, trata o resultado eleitoral desfavorável como extinção da própria democracia, um enquadramento que serve menos à análise política do que à mobilização de uma base que já desconfia das urnas.

Decisão de Moraes e defesa de Flávio

A decisão que motivou as declarações de Eduardo foi assinada por Moraes e proíbe Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias. O fundamento da medida está no descumprimento de cautelares impostas a Jair Bolsonaro.

Uma delas veda o uso de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros. Segundo Moraes, o ex-presidente enviou uma carta para que Flávio a lesse publicamente a apoiadores, o que configurou, nas palavras do ministro, “ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”.

Flávio Bolsonaro reagiu no mesmo dia com uma nota em que afirmou que a medida “reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual por parte do STF”, acusando o tribunal de abandonar o papel de “árbitro institucional” para atuar como adversário político de seu pai.

Para sustentar a tese de tratamento desigual, o senador recorreu a uma comparação com a prisão de Lula em 2018: segundo ele, o atual presidente recebeu centenas de visitas, manteve interlocução com aliados, concedeu entrevistas à imprensa em 2019 e chegou a pedir votos para o candidato que o substituiu na disputa eleitoral, tudo isso enquanto ainda estava detido. “Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei”, concluiu Flávio.

A comparação, porém, ignora que as situações jurídicas são distintas: Jair Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares específicas que incluem a proibição de comunicação pública, restrição que não tinha equivalente no caso de Lula em 2018.

Pedido de sanções e o histórico da Lei Magnitsky

Na mesma publicação em que ameaçou o calendário eleitoral, Eduardo Bolsonaro voltou a pedir que o governo de Donald Trump restabeleça as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.

O argumento apresentado foi que a proibição de um “prisioneiro se comunicar com seu filho” por razões políticas deveria levar outros países a não reconhecerem as eleições brasileiras como democráticas. A formulação transforma uma decisão judicial doméstica em pretexto para intervenção estrangeira no processo eleitoral do país.

O histórico da sanção dá contexto ao pedido. A medida foi imposta contra Moraes em julho do ano passado, no mesmo dia em que Trump oficializou um tarifaço de 50% contra exportações brasileiras. À época, o movimento foi amplamente interpretado como uma tentativa de pressão externa sobre o julgamento de Jair Bolsonaro, que posteriormente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

A sanção foi revogada em dezembro do mesmo ano. Ao pedir seu restabelecimento agora, Eduardo Bolsonaro retoma uma estratégia que combina pressão judicial interna, mobilização de apoiadores e apelo a governos estrangeiros para deslegitimar as instituições brasileiras sempre que suas decisões contrariarem os interesses do grupo político da família.

 

Fonte: Fórum

 

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