Valdemar
diz que primeiro ato de Flávio, se eleito, será indultar Jair Bolsonaro
presidente
do PL, Valdemar Costa Neto, concedeu nesta terça-feira (14) uma longa
entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews. Durante a conversa, o dirigente
defendeu Flávio Bolsonaro na questão do filme *Dark Horse* e revelou qual será
a primeira medida de Flávio caso ele vença a eleição presidencial deste ano.
Ao
comentar o atrito entre Michelle Bolsonaro e Flávio, Valdemar defendeu que eles
façam as pazes, pois, caso contrário, avalia que a extrema direita vai perder a
eleição e, dessa maneira, o ex-presidente Jair Bolsonaro permanecerá preso.
Pressionado, revelou que Flávio, caso seja eleito, vai indultar o pai e todos
os condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
“Flávio
tem que acertar a relação com a Michelle, senão Bolsonaro vai ficar preso mais
10 anos. E, se nós ganharmos a eleição, o Bolsonaro vai estar, no fim de
janeiro, despachando no partido […] Vamos ganhar a eleição. No final de
janeiro, Bolsonaro vai estar no partido despachando.”
Questionado
se o indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro está entre as possíveis medidas
caso Flávio Bolsonaro chegue ao Palácio do Planalto, Valdemar Costa Neto
insinuou que essa estará entre as primeiras ações do senador:
“O
presidente tem o poder de soltá-lo. O presidente tem o poder para isso. O que
fizeram com o Bolsonaro não existe. Eu quero muito [o indulto ao Bolsonaro]. Eu
quero ver o Bolsonaro despachando de novo no fim de janeiro, para sair com ele,
correr os estados.”
Pressionado
pelos jornalistas, Valdemar perdeu a paciência e, aos berros, defendeu o
indulto presidencial a Jair Bolsonaro e a todos os condenados pelos atos de 8
de janeiro, além de classificar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF),
que condenou os envolvidos na trama golpista, como “um crime”:
“O
Flávio vai canetar [indultar] o Bolsonaro, os 180 que estão presos e vai
canetar os 400 que estão foragidos. É um crime isso aí. Aquilo [8 de janeiro]
não foi golpe. Golpe com pedaço de pau nunca existiu no mundo. Golpe se dá com
tanque de guerra, metralhadora e exército.”
Flávio
dobra a aposta contra Moraes: “Bolsonaro é quem vai colocar faixa de presidente
em mim”
Após
surtar em live, atacando a decisão de Alexandre de Moraes, que o impede de
encontrar o pai, Jair Bolsonaro (PL), nos próximos 90 dias, Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) dobrou a aposta contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e
divulgou um recorde destacando uma das partes mais polêmicas de sua fala.
“O
presidente Bolsonaro é que vai colocar a faixa de presidente em mim em janeiro
do ano que vem. Anota aí. Vocês vão ver essa cena”, diz Flávio no vídeo.
O
trecho foi interpretado pelo advogado Marcelo Uchôa, conselheiro da Comissão de
Anistia e doutor em Direito Constitucional, como um descumprimento a medidas
judiciais que poderia levar Bolsonaro a perder o benefício da prisão
domiciliar.
Para
Uchôa, Flávio fez uma afronta à decisão judicial e ao Supremo Tribunal Federal
(STF) ao afirmar que o pai passará a faixa presidencial a ele em 2027.
“A
leitura não permitida da carta do presidiário pelo filho já havia sido um
absurdo. Mas a live de ontem em que ele afirmou que o pai passará a faixa
presidencial em 1° de janeiro é uma afronta e uma desmoralização total pra
Justiça. Bolsonaro tem que voltar pra Papuda hoje mesmo”, disse o advogado.
No
corte, divulgado na manhã desta terça-feira (14) na rede X, Flávio Bolsonaro
retoma a narrativa de “perseguição” e busca, agora, fazer uma eleitoreiro, em
tom vitimista, da decisão de Moraes.
“Eu sei
como funciona esse jogo do poder. Eu conheci da pior maneira possível. Sentindo
na pele a perseguição. Um pai preso injustamente. Um irmão exilado fora do
país. Porque se voltar para cá vai ser perseguido também. É o tempo inteiro
perseguição. Mas eu quero falar uma coisa para vocês. Eu não vou desistir não.
Mas de jeito nenhum”, afirmou, implorando pela ajuda “de cada um de vocês, mais
do que nunca”.
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Milei para constranger Moraes
Dos
EUA, onde coordena informalmente a campanha do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
afirmou que Flávio Bolsonaro usará o presidente da Argentina, Javier Milei,
para constranger Alexandre de Moraes e revelou que está trabalhando pela
retomada de sanção do governo Donald Trump ao ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF), a quem se referiu como “trambiqueiro”.
“O
Moraes vai ter mais uma saia justa para resolver, que é a visita do presidente
Javier Milei ao Brasil. Ele vem para a convenção partidária do PL, que vai
oficializar a candidatura do Flávio Bolsonaro e também – se já não pediu,
pedirá – para visitar Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.
Em
seguida, Eduardo diz que Moraes “vai ter uma oportunidade de engolir o seu ego,
voltar atrás das próprias regras que ele fica criando a todo momento, que não
são regras legais, e então, permitir a visita do Milei ao Bolsonaro para tentar
dar ares de democracia no Brasil”.
“Essa
seria a opção A. Ou a opção B. Ele vai negar a visita do Javier Milei”,
afirmou, usando como exemplo a visita de Lula a Cristina Kirchner em prisão
domiciliar na Argentina, segundo ele “pisoteando no judiciário argentino”.
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“Trambiqueiro”
Eduardo
ainda elevou o tom nos ataques contra Moraes, revelando que o ministro deve
voltar a ser alvo dos comandados extremistas, que atuam em uma espécie de
releitura do gabinete do ódio nas redes sociais.
O “02”
de Jair Bolsonaro (PL) ameaça frontalmente o ministro e revela que está
trabalhando para reativar a sanção pela Lei Magnitsky junto ao governo Trump.
“Moraes
está cruzando a linha sucessivas vezes, parece até que ele deseja o retorno da
Magnitsky”, afirmou.
Eduardo,
então, passa a ironizar e atacar o ministro brasileiro, afirmando sem provas
que ele seria bilionário e teria “dinheiro espalhado pelo mundo”.
“Moraes
é um cara careca, parece até um desenho animado feito para ser um vilão de um
filme, mas se coloca no lugar do sujeito lá. Você chega em casa, a tua mulher
está com contratos ali que o Moraes eu acho que ele já deve ser bilionário, tá?
Para você bem entender. Dinheiro dele é espalhado pelo mundo, né, sofisticado
do jeito que é, esses trambiqueiros”, narrou.
“Aí
você chega em casa e a tua mulher fala: ‘meu amor, eu estou vendo aí na notícia
na imprensa que, poxa, tem a tal de Magninsky, podem cancelar o nosso cartão de
crédito. E é coisa dos Estados Unidos, vai dar ruim no mundo inteiro, que
negócio é esse?’ Você já imaginou você chegar em casa e ter um problema desse?
Tu é bilionário e a tua mulher não pode passar o cartão de crédito?”, ironizou.
O
deputado cassado afirma na sequência que “há uma real possibilidade de retorno
da Magnitsky” e que está trabalhando para chamar a atenção de Trump para isso.
“Só que
para isso ocorrer, como foi ela suspensa através de uma decisão do presidente,
ela só retorna com uma decisão do presidente. E é uma dificuldade muito grande
você disputar a atenção do Trump”, afirmou.
• Eduardo Bolsonaro ameaça: Se Flávio
perder, “não haverá eleições em 2030”
ex-deputado
federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma ameaça, na rede social X. Ele afirmou
que “não haverá eleições em 2030” caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), não vença a disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), em outubro deste ano.
A
declaração foi feita após Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF), proibir Flávio de visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), por 90
dias, como punição pelo descumprimento de medidas cautelares.
Ao
condicionar a existência de um pleito futuro ao resultado de uma eleição
presente, Eduardo escalou a retórica de deslegitimação das instituições
democráticas brasileiras e aproveitou o episódio para pedir ao governo de
Donald Trump que restabeleça sanções internacionais contra Moraes.
O
ex-deputado, que conspira contra o Brasil nos EUA, justificou a afirmação com
um cenário hipotético de concentração de poder. “É impensável haver um país com
Lula consolidando o atual regime e ainda botando +4 juízes no STF. Se já estão
confortáveis hoje para fazer isso, imagina daqui a 4 anos, com controle total
do STF+TSE?”, argumentou.
A
lógica apresentada por Eduardo inverte a relação entre instituições e eleições:
em vez de reconhecer o pleito como mecanismo de alternância de poder, trata o
resultado eleitoral desfavorável como extinção da própria democracia, um
enquadramento que serve menos à análise política do que à mobilização de uma
base que já desconfia das urnas.
Decisão
de Moraes e defesa de Flávio
A
decisão que motivou as declarações de Eduardo foi assinada por Moraes e proíbe
Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias. O fundamento da medida está no
descumprimento de cautelares impostas a Jair Bolsonaro.
Uma
delas veda o uso de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio
de terceiros. Segundo Moraes, o ex-presidente enviou uma carta para que Flávio
a lesse publicamente a apoiadores, o que configurou, nas palavras do ministro,
“ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”.
Flávio
Bolsonaro reagiu no mesmo dia com uma nota em que afirmou que a medida “reforça
a percepção de perseguição política e de tratamento desigual por parte do STF”,
acusando o tribunal de abandonar o papel de “árbitro institucional” para atuar
como adversário político de seu pai.
Para
sustentar a tese de tratamento desigual, o senador recorreu a uma comparação
com a prisão de Lula em 2018: segundo ele, o atual presidente recebeu centenas
de visitas, manteve interlocução com aliados, concedeu entrevistas à imprensa
em 2019 e chegou a pedir votos para o candidato que o substituiu na disputa
eleitoral, tudo isso enquanto ainda estava detido. “Não reivindicamos
privilégios, mas igualdade perante a lei”, concluiu Flávio.
A
comparação, porém, ignora que as situações jurídicas são distintas: Jair
Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares específicas que incluem a proibição
de comunicação pública, restrição que não tinha equivalente no caso de Lula em
2018.
Pedido
de sanções e o histórico da Lei Magnitsky
Na
mesma publicação em que ameaçou o calendário eleitoral, Eduardo Bolsonaro
voltou a pedir que o governo de Donald Trump restabeleça as sanções da Lei
Magnitsky contra Alexandre de Moraes.
O
argumento apresentado foi que a proibição de um “prisioneiro se comunicar com
seu filho” por razões políticas deveria levar outros países a não reconhecerem
as eleições brasileiras como democráticas. A formulação transforma uma decisão
judicial doméstica em pretexto para intervenção estrangeira no processo
eleitoral do país.
O
histórico da sanção dá contexto ao pedido. A medida foi imposta contra Moraes
em julho do ano passado, no mesmo dia em que Trump oficializou um tarifaço de
50% contra exportações brasileiras. À época, o movimento foi amplamente
interpretado como uma tentativa de pressão externa sobre o julgamento de Jair
Bolsonaro, que posteriormente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
A
sanção foi revogada em dezembro do mesmo ano. Ao pedir seu restabelecimento
agora, Eduardo Bolsonaro retoma uma estratégia que combina pressão judicial
interna, mobilização de apoiadores e apelo a governos estrangeiros para
deslegitimar as instituições brasileiras sempre que suas decisões contrariarem
os interesses do grupo político da família.
Fonte:
Fórum

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