Vacinação
infantil cresce, mas não recupera nível pré-covid
Dados
divulgados pela ONU nesta quarta-feira (15/05) revelam que os níveis globais de
vacinação infantil melhoraram ligeiramente no ano passado. A entidade, porém,
alertou que cortes drásticos no financiamento, conflitos e desinformação ao
redor do mundo ainda ampliam as perigosas lacunas de cobertura e permitem que
surtos se alastrem.
Em
2025, 90% dos bebês em todo o mundo, ou seja, quase 116 milhões, receberam pelo
menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) – a vacina
tríplice bacteriana –, enquanto 85% completaram o esquema de três doses, de
acordo com dados publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Os
números podem parecer otimistas – com ambos os indicadores subindo um ponto
percentual em relação a 2024 e quatro pontos desde 2021 –, mas eles
permaneceram um ponto percentual abaixo dos níveis de 2019, antes que a
pandemia de covid-19 causasse fortes estragos nos programas globais de
vacinação.
Isso
significa que "milhões de crianças vulneráveis ainda estão desprotegidas
devido a conflitos, deslocamentos e pobreza", afirmou em nota a
diretora-geral do Unicef, Catherine Russell. "Nenhuma criança deveria
sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir", sublinhou.
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Mais de 13 milhões de crianças sem vacinação
De
acordo com os dados, estima-se que 13,5 milhões de crianças, as chamadas
"dose zero", não receberam nenhuma dose da vacina no primeiro ano de
vida em 2025. Apesar de ainda elevado, o total caiu 750 mil em relação a 2024 e
ficou cerca de 1 milhão abaixo do registrado em 2023, indicando avanço na
cobertura vacinal.
As
agências da ONU alertaram que um número cada vez maior de crianças,
principalmente em países mais pobres, inicia o esquema vacinal, mas não o
completa.
Globalmente,
os dados mostraram que cerca de 7,3 milhões de bebês receberam a primeira dose
da vacina DTP nos primeiros meses de vida, mas não foram imunizados com a
primeira dose da vacina contra o sarampo, geralmente administrada entre nove e
doze meses.
"Acreditamos
que isso está claramente relacionado, em alguns contextos, a informações falsas
e desinformação disseminadas sobre a vacinação contra o sarampo", disse
Kate O'Brien, diretora de vacinas da OMS.
As
desistências contribuíram para que a cobertura vacinal contra o sarampo
estagnasse: 84% das crianças em todo o
mundo recebem a primeira dose, e apenas 77%, a segunda, muito aquém dos 95%
necessários para evitar a disseminação da doença altamente contagiosa.
"As
consequências estão sendo sentidas agora", disse O'Brien. Ela destacou
que, no total, "57 países relataram surtos de sarampo de grande porte ou
com consequências graves em 2025".
No
geral, o mundo viu "números sem precedentes de surtos" no ano
passado, com "mais surtos de difteria e de cólera", além da
disseminação do sarampo.
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Cortes no financiamento
O'Brien
alertou que este era um primeiro indício do impacto dos cortes drásticos na
ajuda humanitária externa dos Estados Unidos, mas também de outros países,
desde o retorno do presidente americano, Donald Trump, à Casa Branca.
"Não
acreditamos que o impacto desses cortes de financiamento esteja totalmente
refletido nos dados de 2025", disse O'Brien. "Nossas preocupações se
concentram no que acontecerá nos programas em 2026 e no que ainda está por
vir".
Os
surtos, no entanto, já indicavam "falhas reais no sistema de
imunização", alertou a especialista.
O chefe
de imunização do Unicef, Ephrem Lemango, também alertou que os cortes de
financiamento estão afetando os sistemas de dados necessários para monitorar o
efeito desses cortes. "Nossa capacidade de ter uma vigilância robusta dos
surtos foi consideravelmente impactada", disse.
Em uma
nota positiva, o relatório mostrou que a cobertura vacinal contra uma série de
doenças atingiu um recorde nos 57 países de baixa renda apoiados pela aliança
de vacinas Gavi.
Mas
essa organização alertou que a diminuição do financiamento para suas operações
pode ter consequências graves no futuro.
"Acreditamos
que 600 mil vidas que poderiam ter sido salvas serão afetadas", disse
Thabani Maphosa, diretor de operações da Gavi.
Fonte:
DW Brasil

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