quinta-feira, 16 de julho de 2026

Compra de propriedades em El Salvador expõe enriquecimento da família Bukele (à moda de Bolsonaro e Trump)

Uma reportagem investigativa de fôlego publicada pelo El País, o principal jornal da Espanha e um dos mais prestigiados do mundo, revelou o enriquecimento meteórico do círculo de poder do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. A investigação jornalística expõe como a cúpula do regime salvadorenho multiplicou suas fortunas privadas através de empréstimos sob suspeita e flexibilização dos controles fiscais.

De acordo com a apuração, o próprio presidente Nayib Bukele viu seu patrimônio declarado saltar de 964 mil dólares em 2012 para cerca de 4,4 milhões de dólares em maio de 2026. Além disso, o mandatário e sua família adquiriram 34 novas propriedades em seus primeiros sete anos de governo, multiplicando por doze suas terras avaliadas em mais de 10 milhões de dólares.

A bonança financeira estende-se a outros nomes do primeiro escalão como o secretário de imprensa Ernesto Sanabria, cujo patrimônio disparou de 269 mil dólares em 2019 para mais de 2 milhões de dólares atuais. A jefa de gabinete Carolina Recinos e o presidente do Banco Central de Reserva Douglas Pablo Rodríguez também atingiram a marca de 1,3 milhão de dólares declarados, alimentados por generosos salários públicos e empréstimos camaradas do estatal Banco Hipotecario.

Essa súbita transparência patrimonial no país centro-americano só veio a público devido à pressão do Fundo Monetário Internacional como condição para a liberação de um empréstimo de 1,4 bilhão de dólares. A revelação de que pelo menos 21 dos 75 funcionários analisados tiveram enriquecimento de até 713% escancara como o poder estatal foi capturado para a criação de uma nova elite financeira.

No Brasil, o avanço patrimonial das elites de extrema-direita repete esse modelo de captura do aparato público sob um manto de moralismo fingido e retórica antissistema. A família do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, construiu um império imobiliário suspeito ao adquirir, ao longo de três décadas, 107 imóveis, dos quais pelo menos 51 foram pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo.

Investigações judiciais no Brasil também revelaram esquemas sistemáticos de desvio de salários de assessores conhecidos como rachadinhas no gabinete do senador brasileiro Flávio Bolsonaro. Esse modelo financeiro suspeito permitiu a compra de uma mansão de 6 milhões de reais na capital federal com taxas favorecidas concedidas por um banco estatal de fomento.

Esse método de mercantilização do poder público assemelha-se de forma direta à conduta da família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o mandato na Casa Branca, o clã norte-americano faturou centenas de milhões de dólares através de hospedagens superfaturadas de agentes estatais e governos estrangeiros em seus próprios hotéis e clubes de luxo.

A consolidação do enriquecimento da dinastia norte-americana ficou patente quando o genro do ex-mandatário, Jared Kushner, fechou um fundo de 2 bilhões de dólares com a monarquia da Arábia Saudita pouco após deixar o cargo público. O bukelismo salvadorenho e as dinastias de Bolsonaro e Trump demonstram que a extrema-direita mundial opera a política não como serviço, mas como um acelerador de fortunas privadas.

Em El Salvador, a violência do Estado funciona como ferramenta de gentrificação para favorecer esse círculo, resultando na expulsão violenta de dezenas de milhares de trabalhadores informais do centro histórico de San Salvador sob a ameaça de prisão no regime de exceção. A remoção dos mais pobres abriu caminho para grandes franquias americanas e para a especulação imobiliária de corporações chinesas que compram prédios inteiros na região.

Diante do contraste de luxo governamental e o aumento de 241 mil pessoas na pobreza extrema no país, o ex-ministro da Economia de El Salvador Héctor Dada definiu o centro histórico como uma ilha de riqueza cercada por um mar de pobreza. O historiador salvadorenho Héctor Lindo completa afirmando que a família presidencial apenas repete velhas e brutais práticas das oligarquias locais para se perpetuar indefinidamente no poder estatal.

¨      Justiça ou perseguição eleitoral? Equador vive forte tensão após a prisão de 5 prefeitos

Marcado por um cenário de tensão no período pré-eleitoral, às vésperas das eleições de novembro, o Equador já acumula cinco prefeitos em prisão preventiva ou respondendo a processos judiciais de alta gravidade.

Governo e o Ministério Público defendem as prisões como um combate à narcopolítica e à corrupção, mas analistas ouvidos pela Sputnik questionam as ações que apontam para o fortalecimento institucional ou para uma judicialização da política.

<><> Contexto político e de segurança

A realidade nacional atual não pode ser compreendida sem dois fenômenos paralelos que vêm se agravando nos últimos anos. O analista político Agustín Burbano de Lara, diretor do Observatório Metropolitano de Segurança Cidadã, identifica esses cenários em entrevista à Sputnik.

"O país vive um aumento da violência dentro dos presídios desde 2018 e 2019, e a violência fora das prisões passou a ser sentida com força a partir de 2022 e 2023. Por outro lado, os governos eleitos desde 2007 também têm optado por resolver as disputas políticas por meios antidemocráticos", afirma.

Segundo o analista, o clima de insegurança coletiva facilita a adoção de medidas excepcionais às vésperas das eleições municipais, marcadas para 29 de novembro.

"Em meio a essa situação de incerteza e medo da população, busca-se legitimar todas essas ações de mão dura, mas isso não se limita apenas ao âmbito da segurança pública; expande-se também para outros campos, como o da disputa democrática", explica.

No entanto, na perspectiva do governo central, a intervenção judicial é uma resposta indispensável para conter a infiltração de economias ilícitas na máquina pública. Dados oficiais da Polícia Nacional e da Procuradoria-Geral do Estado mostram que o crime organizado se infiltrou em administrações locais por meio da contratação pública.

<><> Saneamento judicial ou seletividade pré-eleitoral?

Os cinco prefeitos presos respondem a processos judiciais em diferentes fases e por supostos crimes distintos entre si, como lavagem de dinheiro, peculato, enriquecimento ilícito, associação criminosa e comercialização irregular de combustíveis.

"Nem todos os casos tiveram o mesmo início ou a mesma origem", explica Diego José Donoso, doutor em Ciências da Administração Pública e em Ciência Política, em entrevista à Sputnik.

Para determinar se essas prisões respondem a um combate efetivo ao crime ou a uma estratégia eleitoral, o especialista sugere avaliar diversas variáveis. Entre elas, verificar se as investigações começaram antes do calendário eleitoral, se atingem autoridades de diferentes organizações políticas ou se estão concentradas exclusivamente em um único grupo político, se seguem critérios homogêneos e se os processos são concluídos em prazos adequados.

Burbano de Lara sustenta que coexistem processos de natureza penal legítima com outros que, segundo ele, apresentam indícios de motivação política.

<><> Desconfiança da população

Nos casos atuais, o uso recorrente da prisão preventiva como medida de primeira instância tem gerado debates.

"Aqui, o que deveríamos observar é até que ponto, tanto por parte das estruturas do Judiciário quanto dos governos municipais, pode estar ocorrendo algum tipo de bloqueio ao funcionamento normal das instituições", afirma Donoso.

A consequência direta desse embate é a erosão da credibilidade pública. Para Burbano, a confiança no sistema de Justiça está sendo submetida a um alto grau de politização, não apenas pela forma como o sistema é utilizado politicamente ou pelos usos políticos da Justiça, mas também porque a população já passa a interpretá-lo dessa maneira, em função de suas próprias simpatias políticas.

No plano internacional, a percepção sobre o país sul-americano oscila entre o reconhecimento dos esforços do Judiciário e o temor de uma instabilidade institucional. Dados do Barômetro das Américas entre 2023 e 2024 apontaram que a confiança nos partidos políticos era de apenas 14%, ou até menos, dependendo da metodologia da pesquisa.

<><> Risco para a governabilidade

Esse fenômeno de confronto por meio dos tribunais não é exclusivo do Equador, mas faz parte de uma dinâmica de polarização observada em diversos países, segundo os entrevistados.

"No Equador, estamos vivendo há 20 anos um intenso processo de politização. Nos últimos dez anos, essa politização deixou de ser resolvida por meios democráticos e passou a ser resolvida por vias autoritárias", avalia Burbano de Lara.

Ele acrescenta que o mundo está entrando em um processo crescente de polarização e que essa tendência afeta inclusive os organismos internacionais, influenciando determinadas posições das instituições supranacionais e multilaterais que, historicamente, têm seguido a doutrina dos Estados Unidos para o hemisfério.

No plano interno, o risco é que os Poderes do Estado deixem de exercer suas atribuições essenciais em favor de cálculos eleitorais. A estabilidade de longo prazo do país sul-americano dependerá da capacidade de suas instituições.

"O que precisamos é de condições que garantam um controle judicial adequado, capaz de fortalecer a governabilidade, em vez de substituir a governabilidade por meio de instrumentos judiciais", conclui Donoso.

¨      EUA investem bilhões em fábrica militar que não produziu nada desde 2022, diz mídia

De acordo com um órgão de defesa, uma fábrica de artilharia de 155 mm recém-construída não produziu nenhum componente nos dois anos seguintes à sua conclusão, o que impediu atingir as metas gerais de produção, informa a mídia ocidental.

A reportagem aponta que a fábrica não conseguiu fabricar nenhum projétil de metal com as especificações do contrato, o que significa que os US$ 469 milhões (R$ 2.378,60 milhões) gastos na instalação poderiam ter sido direcionados para outras prioridades críticas do Pentágono.

"Um relatório do Pentágono descobriu que, nos cerca de dois anos desde sua construção, uma fábrica de munições em Mesquite, no Texas, não produziu nenhuma peça para cartuchos de artilharia de 155 mm, dificultando o objetivo do Exército de reabastecer os estoques de munição fornecidos à Ucrânia", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, desde 2022, o Pentágono esgotou seu arsenal de artilharia de 155 mm, disparando 3,6 milhões de tiros, sendo que a maior parte, mais de três milhões de munições, foi enviada para a Ucrânia, enquanto quantidades menores foram destinadas a treinamentos e vendas externas.

Para reabastecer os suprimentos e cumprir a meta de 2024 de elevar a produção de 14 mil para 100 mil munições por mês até outubro de 2025, o Exército estadunidense investiu US$ 469 milhões (R$ 2.378,60 milhões) em uma nova fábrica no Texas, operada pela General Dynamics.

No entanto, em março de 2026, a produção era de apenas cerca de 36 mil cartuchos por mês, em grande parte porque a instalação de Mesquite não produziu as 30 mil peças de projéteis de metal esperadas por mês.

O Pentágono agora projeta que, mesmo em setembro de 2026, a produção atingirá apenas 71 mil munições por mês, devido aos funcionários aceitarem o risco de utilizar equipamentos não testados, o que levou à paralisação das obras em agosto de 2025, enquanto o governo norte-americano revisava a viabilidade da usina.

O déficit expôs fraquezas mais amplas na base industrial de defesa estadunidense, mesmo com o Pentágono buscando mais de US$ 70 bilhões (R$ 355,03 bilhões) este ano para mísseis avançados e sistemas relacionados, conclui o texto.

Anteriormente, um jornal britânico relatou que as empresas norte-americanas do setor militar-industrial enfrentam dificuldades para atender à exigência do Pentágono de aumentar a produção de munições, em um contexto no qual os EUA tentam repor seus estoques de mísseis, esgotados pelo conflito com o Irã.

¨      Há 50 anos que EUA não conseguem aprender a lição principal no Irã: mídia revela os principais erros

Em vez de tentar forçar o Irã a uma rendição incondicional ou buscar em vão uma vitória decisiva, os Estados Unidos deveriam mudar fundamentalmente sua estratégia e reconsiderar sua atitude em relação a um forte ator regional, diz uma revista norte-americana.

Após décadas de pressão infrutífera sobre o Irã, os Estados Unidos devem abandonar a ilusão de que o aumento da coerção acabará por levar a uma maior conformidade iraniana e, em vez disso, buscar uma política baseada no realismo estratégico, na diplomacia mútua, na integração regional e na redução de riscos a longo prazo.

Conforme a publicação The American Conservative, a principal lição do conflito de quase meio século dos EUA com o Irã não é que Washington não tenha tido poder militar ou influência econômica.

"Consiste no fato de que essas ferramentas têm sido usadas repetidamente para alcançar objetivos políticos que não poderiam realmente ser realizados. Até que essa lição seja aprendida, é provável que os Estados Unidos continuem vencendo batalhas enquanto perdem na competição estratégica mais ampla", lê-se na matéria.

O primeiro erro de Washington é que sua liderança militar vê o Irã como uma entidade ideológica exclusivamente irracional, e não como um Estado soberano que busca seus próprios interesses de segurança na região.

Nesse contexto, o fortalecimento do controle sobre o estreito de Ormuz é visto como uma alavanca de pressão sobre os Estados Unidos em caso de contínua pressão econômica e ataques contra território iraniano.

O segundo erro dos Estados Unidos, segundo o material, é sua extrema obsessão estratégica com o Irã: a liderança norte-americana acredita erroneamente que o Irã representa uma ameaça estratégica aos interesses de Washington.

"Por quase meio século, sucessivas administrações [em Washington] trataram Teerã como se fosse um dos principais adversários estratégicos dos Estados Unidos, investindo enormes recursos diplomáticos, militares e políticos para contê-la ou transformá-la", diz o texto.

No entanto, como enfatizam os autores da publicação, hoje, os Estados Unidos estão entrando em uma nova fase de conflito, com reservas estratégicas de petróleo historicamente baixas e uma situação muito mais tensa nos mercados globais de energia do que durante qualquer crise anterior.

Portanto, uma nova escalada corre o risco de causar danos significativos não apenas ao Irã, mas também aos Estados Unidos e à economia global em geral.

Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que as forças norte-americanas continuarão a bombardear o Irã ao longo desta semana e ameaçou ampliar significativamente os ataques na próxima ação. A promessa do republicano é atingir usinas de energia e pontes caso Teerã se recuse a negociar.

 

Fonte: O Cafezinho/Sputnik Brasil

 

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