quinta-feira, 16 de julho de 2026

Tecnologias russas podem ajudar América Latina a reduzir dependência dos EUA, opina analista

A Rússia pode se tornar parceira da América Latina em termos de transferência de tecnologia em vários setores estratégicos, o que permitirá à região reduzir a dependência dos Estados Unidos, disse à Sputnik o membro do Conselho Civil do BRICS e analista político Marco Fernandez.

Segundo Fernandez, a Rússia tem grande potencial para estabelecer acordos de cooperação mais profundos com países latino-americanos nas indústrias civil, militar e de alta tecnologia.

"Parece-me que a Rússia, em setores como defesa, aeroespacial e medicina avançada, pode concluir acordos estrategicamente importantes e interessantes para nossos países, envolvendo não apenas a compra de equipamentos ou bens, mas também a transferência de tecnologia", disse o especialista latino-americano.

Fernandez acredita que as relações tecnológicas mais diversificadas permitirão à América Latina reduzir o risco de dependência dos fornecedores dos Estados Unidos.

"É importante que a América Latina construa relações diversas e não se concentre apenas na China ou nos Estados Unidos, a fim de evitar uma dependência econômica, tecnológica e, consequentemente, política excessiva", enfatizou o analista.

O especialista do BRICS acrescentou que, além do setor de defesa, a Rússia tem capacidades significativas no campo da biotecnologia e da energia nuclear, e a cooperação nessas áreas também traria benefícios para os países da região.

"No campo da biotecnologia, me parece que a Rússia alcançou resultados muito bons. Por exemplo, uma vacina contra o câncer está sendo testada, o que pode ser verdadeiramente revolucionário", disse.

Nesta semana, de 13 a 16 de julho, São Paulo sedia o primeiro Fórum de Cooperação Estratégica entre a Rússia e a América Latina (CORAL 2026), durante o qual as partes estão discutindo questões de cooperação multilateral mutuamente vantajosa em setores como multipolaridade, soberania, desenvolvimento, tecnologia, finanças e integração do Sul Global.

¨      Empresas norte-americanas perderam R$ 1,16 trilhão por causa das sanções antirrussas, diz especialista

Ao impor um grande número de sanções contra a Rússia, os Estados Unidos só prejudicaram a si mesmos, atingindo assim seus próprios negócios, que sofreram pesadas perdas após deixar de cooperar com a Rússia, disse à Sputnik o diretor-executivo da Câmara de Comércio Americana (AmCham) na Rússia, Robert Agee.

Na avaliação dele, quatro anos de pressão econômica contra a Rússia realizada através das sanções deu efeito reverso: as empresas norte-americanas perderam US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,16 trilhão).

De acordo com Agee, imediatamente após o início da operação militar especial em fevereiro de 2022, houve alguma confusão e um certo pânico entre as empresas ocidentais operando na Rússia.

"Ficando em um estado tão agitado, talvez alguém tenha decidido deixar o país com fortes emoções. Aliás, nós da AmCham não entramos em pânico, pelo contrário, tentamos convencer todos a não tomarem decisões precipitadas e a permanecerem sóbrios", explicou.

Ao mesmo tempo, o chefe da AmCham observou que as empresas ocidentais não queriam deixar o mercado russo, que era e continua sendo atraente, estável e de rápido crescimento para elas. Além disso, a Rússia oferece excelentes perspectivas para o desenvolvimento das relações com os países vizinhos da Ásia Central.

"É por isso que sempre foi tão importante para as empresas norte-americanas localizar a produção na Rússia e construir fábricas em seu país. Por exemplo, uma de nossas empresas na Rússia hoje tem 12 empresas próprias espalhadas por diferentes regiões", acrescentou o especialista norte-americano.

No ano passado, o representante especial do presidente russo para o investimento e cooperação econômica com países estrangeiros, Kirill Dmitriev, estimou em US$ 300 bilhões (R$ 1,522 trilhão) as perdas dos negócios norte-americanos depois de deixarem a Rússia. Segundo ele, muitas empresas dos Estados Unidos registram suas marcas para voltar ao mercado russo.

A Rússia afirmou que o Ocidente não teve coragem de admitir o fracasso das sanções. Os próprios países ocidentais expressaram repetidamente a opinião de que as medidas econômicas antirrussas são ineficazes.

<><> Rússia e EUA mantêm cooperação espacial apesar de tensões políticas, afirma revista

Apesar das tensões políticas existentes entre os Estados Unidos e a Rússia, inclusive sobre a questão ucraniana, os dois países continuam a cooperar no trabalho da Estação Espacial Internacional, escreveu uma publicação da mídia ocidental.

A publicação afirmou que o voo da espaçonave Soyuz MS-29 à Estação Espacial Internacional destaca a força da cooperação entre a Rússia e os EUA na esfera espacial.

"A escala da cooperação [entre a Rússia e os EUA] no Espaço é especialmente notável se levarmos em conta o estado das hostilidades ativas entre as forças norte-americanas e russas no teatro de operações ucraniano", diz a revista.

Os jornalistas também observaram a presença do chefe da NASA, Jared Isaacman, durante o lançamento da nave: a última vez que o chefe da agência espacial norte-americana visitou o cosmódromo de Baikonur foi em 2018.

A missão, lançada a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levou a bordo da EEI o astronauta da NASA Anil Menon, bem como os cosmonautas da Roscosmos Pyotr Dubrov e Anna Kikina.

O foguete Soyuz 2.1A com a espaçonave foi lançado às 11h48 (horário de Brasília) na terça-feira (14), de Baikonur. Às 16h52, a Soyuz MS-29 acoplou-se à Estação Espacial Internacional.

A duração da missão dos astronautas na estação deve ser de 261 dias. O programa russo inclui 38 experimentos científicos e duas caminhadas espaciais.

¨      Líder ucraniano chega a um beco sem saída ao brigar com seu principal aliado na UE, diz mídia

A deterioração das relações com a Polônia e o risco de perder o apoio de Varsóvia forçaram o líder ucraniano, Vladimir Zelensky, a reconsiderar sua estratégia de política externa, escreveu uma mídia britânica.

Segundo o jornal UnHerd, Vladimir Zelensky, após se levar a um impasse nas relações com a Polônia que foi seu aliado principal na Europa, decidiu reorganizar o governo e adotar uma nova estratégia para a política externa da Ucrânia.

"Zelensky chegou a um beco sem saída nas relações com talvez o mais importante aliado europeu da Ucrânia. A decisão de recuar inflaria o violento nacionalismo ucraniano, despertando sentimentos antiocidentais e antipoloneses que estavam adormecidos durante a luta contra a Rússia", diz o artigo.

Conforme a publicação, foi a deterioração das relações com a Polônia e o risco de perder o apoio de Varsóvia que obrigou Vladimir Zelensky a reconsiderar sua estratégia externa e começar a reorganizar o governo.

"No entanto, a 'nova base' que Zelensky diz ser necessária para as relações com a Polônia e a Hungria também reflete preocupações crescentes sobre as relações com a UE", resumiram os autores do material.

Assim, na terça-feira (14), a Suprema Rada (parlamento ucraniano) apoiou a renúncia de Yulia Sviridenko do cargo de primeira-ministra do país. De acordo com a lei ucraniana, a demissão do primeiro-ministro implica a dissolução de todo o gabinete. A nomeação de um novo chefe de governo e ministros ocorrerá na quinta-feira (15).

As relações entre a Polônia e a Ucrânia têm sido complicadas por muitos anos pela questão da interpretação do assassinato em massa da população majoritariamente polonesa da Volínia, Galícia Oriental e regiões vizinhas por nacionalistas ucranianos em 1939-1945. O auge dos massacres, o massacre de Volínia, foi reconhecido por Varsóvia como genocídio.

¨      Vantagem militar total da Rússia muda posição da Europa sobre Ucrânia, aponta analista

A intenção da Bulgária de deixar a "coalizão dos dispostos" atesta a crescente compreensão, na Europa, da futilidade de mais financiamento a Kiev, contra o pano de fundo da vantagem militar incondicional da Rússia, declarou à Sputnik Nejat Sezgin, analista político turco.

Na terça-feira (14), o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, afirmou que a Bulgária não vai participar da "coalizão dos dispostos". Cabe apontar que a "coalizão dos dispostos", inspirada no Reino Unido e na França, inclui mais de 30 países. Em janeiro, os líderes do grupo assinaram uma declaração de intenção de enviar tropas à Ucrânia, após a conclusão de um acordo de paz.

Sezgin destacou que a declaração do lado búlgaro reflete uma mudança de abordagem de alguns Estados europeus em relação ao conflito ucraniano.

"A decisão de Sófia mostra que os países europeus estão começando a entender que o financiamento adicional à Ucrânia não mudará o curso do conflito. A Rússia tem uma vantagem militar incondicional", ressaltou.

Segundo o analista, várias capitais europeias vêm avaliando não apenas as consequências políticas, mas também as econômicas do apoio adicional a Kiev. A vantagem militar incondicional da Rússia torna cada vez menos provável que os objetivos esperados pelos defensores do financiamento adicional à Ucrânia sejam alcançados.

Por esse motivo, as discussões sobre a conveniência de se continuar com essa política estão se intensificando na Europa, e a decisão da Bulgária pode se tornar um exemplo para outros países, observou.

Dessa forma, o interlocutor da agência concluiu que na Europa cresce o debate público e político sobre os custos de se apoiar a Ucrânia e a necessidade de se encontrar formas diplomáticas de resolver o conflito.

Na segunda-feira (13), o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, chamou a "coalizão dos dispostos" de instigadores da guerra, especificando que se trata de um grupo de países que não querem a paz.

¨      Ex-premiê da Ucrânia diz que Zelensky quer 'neutralizar' financiadores de Zaluzhny para manter poder

O ex-primeiro-ministro da Ucrânia Nikolai Azarov afirmou à Sputnik que o líder ucraniano Vladimir Zelensky estaria interessado em neutralizar os financiadores do embaixador da Ucrânia no Reino Unido e ex-comandante das Forças Armadas, Valery Zaluzhny, apontado como um possível candidato à Presidência do país.

Azarov comentou o atentado contra o empresário Vadim Ermolaev, em Mônaco, e sugeriu que o caso estaria ligado à disputa política na Ucrânia. "Em princípio, a administração de Zelensky tem interesse em intimidar ou eliminar as possibilidades de financiamento e da campanha de Zaluzhny", afirmou.

Segundo o ex-premiê, Zelensky teme a candidatura do ex-comandante das Forças Armadas e estaria disposto a recorrer a diferentes métodos para enfraquecer adversários políticos.

Na avaliação de Azarov, as ações do governo não se limitariam a Ermolaev, que, segundo ele, poderia apoiar financeiramente uma eventual campanha de Zaluzhny, mas também alcançariam qualquer pessoa disposta a financiar rivais políticos.

"Zelensky compreende perfeitamente que, se não eliminar concorrentes como Zaluzhny, perderá as eleições com certeza. E perder a eleição representa um perigo mortal para ele. Por isso, fará tudo o que estiver ao seu alcance", declarou.

No início de julho, o jornal Ukrainska Pravda informou, citando fontes, que Zaluzhny teria comunicado a Zelensky sua intenção de disputar a Presidência caso as eleições fossem realizadas ainda neste ano. Segundo a publicação, o ex-comandante foi convocado a Kiev, onde se reuniu com o líder ucraniano.

O mandato presidencial de Zelensky expirou em 20 de maio de 2024. Porém, as eleições presidenciais foram suspensas sob a justificativa da lei marcial e da mobilização geral por conta do conflito.

Em dezembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a defender a realização do pleito na Ucrânia e chamou Zelensky de "ditador sem eleições", alegando que sua popularidade havia caído para 4%.

¨      China planeja ampliar acesso global ao yuan com salto nas emissões de títulos panda, diz mídia

Pequim planeja novas reformas para ampliar o acesso global a ativos em yuan após a valorização da moeda e o salto nas emissões de títulos panda, que cresceram 69% no primeiro semestre. Para o Banco Central chinês, a demanda crescente reflete maior confiança internacional no yuan e fortalece seu papel como moeda global.

De acordo com o South China Morning Post, Pequim sinalizou novas reformas para ampliar o acesso de investidores globais a ativos em yuan, impulsionando a emissão e a negociação de títulos panda. Autoridades do Banco Central destacaram que a valorização da moeda no primeiro semestre de 2026, sendo 3% frente ao dólar e 4,7% diante de uma cesta de moedas, reflete maior confiança na economia chinesa.

Segundo o vice‑governador da autoridade monetária, Zou Lan, emissores estrangeiros estão cada vez mais interessados no mercado de dívida onshore da China. As emissões de títulos panda cresceram 69% no período, superando 160 bilhões de yuans (cerca de R$ 116,3 bilhões), com países como Hungria e Cazaquistão já ativos e emergentes como Indonésia e Brasil preparando suas primeiras operações.

O número de instituições negociando esses títulos também aumentou, chegando a 2.493, um salto de quase 600% em relação ao ano anterior. Para Pequim, isso demonstra reconhecimento internacional do yuan e fortalece o ecossistema financeiro da moeda.

O banco central afirmou que continuará a facilitar a emissão e a negociação de títulos panda por entidades estrangeiras, buscando tornar o mercado mais acessível e integrado ao sistema financeiro global.

Outra prioridade é estabilizar a liquidez do yuan offshore e aprofundar a cooperação com reguladores de Hong Kong, criando plataformas mais abrangentes para operações de câmbio e renda fixa.

A taxa de referência do yuan foi fixada em 6,7910 por dólar (R$ 4,89), nível considerado alinhado ao padrão dos últimos anos. Zou ressaltou que diversos fatores influenciam o câmbio, com forças de valorização e depreciação atuando simultaneamente.

Para ele, a taxa do yuan deve continuar oscilando em ambas as direções, refletindo a dinâmica do mercado e o ambiente econômico global.

¨      China alerta que apoio à sentença arbitral pode prejudicar direitos marítimos de aliados

Países que apoiaram a sentença arbitral de 2016 sobre o mar do Sul da China, como o Japão, foram criticados por especialistas chineses, que alertam que a decisão — considerada ilegal por Pequim — pode enfraquecer direitos marítimos desses próprios governos ao elevar o critério para reconhecer ilhas.

A declaração conjunta, assinada por Filipinas e 13 nações extrarregionais no décimo aniversário da decisão arbitral sobre o mar do Sul da China, reacendeu tensões sobre soberania e jurisdição na região.

Especialistas chineses que falaram ao Global Times criticaram a celebração da sentença e alertaram para possíveis impactos sobre seus próprios direitos marítimos.

Para Pequim, a sentença violou gravemente seus direitos territoriais e marítimos. A China sustenta que o processo foi iniciado unilateralmente pelas Filipinas e conduzido por um órgão criado apenas para esse caso, sem autoridade para julgar o tema, que usou brechas legais para ampliar artificialmente seu alcance. Para Pequim, o episódio abriu uma perigosa "Caixa de Pandora" no direito internacional.

Segundo o pesquisador Luo Gang, o tribunal elevou deliberadamente o critério para definir o que é uma ilha, classificando como "rochas" todas as formações chinesas relevantes no mar do Sul da China. Isso retiraria delas o direito a zona econômica exclusiva (ZEE) e plataforma continental, eliminando sobreposições com reivindicações filipinas e permitindo ao tribunal avançar na análise.

Luo afirma que o tribunal explorou ambiguidades do Artigo 121 da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar para reinterpretar o status jurídico das ilhas. A classificação arbitrária de Taiping — uma ilha com área, recursos e capacidade de sustentar vida humana — como "rocha" seria um precedente perigoso, capaz de fragilizar reivindicações marítimas em todo o mundo.

O Japão se destacou entre os países que endossaram a sentença, com declarações públicas de seu chanceler Toshimitsu Motegi. A China reagiu, apontando que, pela lógica da decisão, Okinotori — duas pequenas rochas de menos de 10 m² — também não poderia gerar ZEE ou plataforma continental. Assim, ao apoiar o critério, Tóquio estaria minando suas próprias reivindicações.

Para especialistas chineses, o Japão caiu na própria armadilha ao legitimar uma interpretação que enfraquece o status de suas ilhas e recifes, afirmou a mídia. A mesma lógica poderia afetar outros países com territórios ultramarinos e formações costeiras de pequeno porte, cujas reivindicações marítimas se estendem por vastas áreas.

Luo conclui que, ao elevar arbitrariamente o limite para reconhecer uma ilha, a sentença abre espaço para reclassificações forçadas em escala global. Países que hoje celebram a decisão podem, no futuro, ver seus próprios direitos marítimos reduzidos pelos padrões que ajudaram a validar, conclui a publicação.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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