quinta-feira, 16 de julho de 2026

Crime organizado se aproxima cada vez mais de Flávio Bolsonaro

Tome-se o lugar de Flávio Bolsonaro. Sem dar um pio, ele vê o cerco da operação Unha Carne, da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, se fechar contra si próprio. A divulgação dos primeiros detalhes da planilha de corrupção do bicheiro e contrabandista Adilsinho, com registros de pagamentos de R$ 29 milhões a políticos e membros do governo fluminense, endereça a uma subida das investigações ao topo da pirâmide da organização criminosa que reunia políticos, executivos do governo estadual e chefes do Comando Vermelho.

Dentro de um organograma do crime, o penúltimo escalão já foi atingido. As buscas da Unha e Carne sobre o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim e a prisão do pré-candidato a senador Márcio Canella demonstraram, pela lógica de funcionamento do grupo, que faltam apenas dois degraus para a chegada aos líderes. Amim foi secretário de confiança do então governador Cláudio Castro. Canella tinha, nas palavras do próprio Flávio, “meu apoio 100 por cento”. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de haver um relacionamento criminoso, com hierarquias definidas, entre todos os envolvidos.

O silêncio de Flávio é acusador. Ele não fez um pronunciamento sequer sobre os resultados até aqui das investigações que mostram a interligação entre jogo do bicho, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, em conluio com o poder público estadual. Todos os envolvidos, sem exceção, fazem parte de seu grupo político. Diante da força das provas que vão se acumulando, não há mesmo muito o que ele possa dizer que alivie a situação.

“A planilha de Adilsinho organiza beneficiários, quantifica valores e consolida um total expressivo, compatível com uma contabilidade paralela de grande escala”, afirmou a Polícia Federal. Uma primeira planilha contém nomes de candidatos e agentes públicos, com valores individualizados, no montante de R$ 21,9 milhões. Outras duas planilhas demonstram movimentações em dinheiro vivo no total de R$ 7,3 milhões. Bem organizado, o Adilsinho.

Essa organização contábil agora se volta, como prova forte, aos que aparecem como beneficiários dos recursos do bicheiro que enveredou para o contrabando e falsificação de cigarros. Até o começo da tarde desta terça-feira, 14, a Polícia Federal não havia divulgado nenhum nome presente na planilha do bicheiro que enveredou para o ramo criminoso do contrabando e falsificação de cigarros. Aguardada para os próximos dias, a sétima rodada da Operação Unha e Carne gera expectativa e tensão entre Flávio Bolsonaro e seus ‘amigos100%’.

¨      Flávio Bolsonaro dá justificativa surreal para foto com “Sicário” de Vorcaro

iante da imensa repercussão negativa da foto ao lado de “Sicário”, que liderava uma milícia ligada a Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo nas redes em que apresenta uma justificativa inacreditável para o momento de intimidade com o criminoso.

Na primeira parte do vídeo, Flávio diz que tira fotos com muitas pessoas e atribui a repercussão da imagem a uma ação contrária à sua candidatura, liderada por “blogs de esquerda”:

“Alguns blogs de esquerda estão dizendo que há uma foto minha com um tal de Sicário. Bom, eu não sei se é verdade, mas, se for verdade, certamente é mais uma das várias que eu tiro todos os dias, porque, graças a Deus, por onde eu ando, todo mundo pede para tirar uma foto, tem um carinho enorme pela gente, manda mensagem de confiança e diz que a gente precisa resgatar o Brasil.”

Em seguida, Flávio Bolsonaro utiliza o clássico “mas e o PT” e relembra uma foto do presidente Lula com a influenciadora Deolane Bezerra:

“Então, graças a Deus, eu sou muito bem recebido por onde passo, tiro foto com todo mundo que me pede e não tenho como saber quem é aquela pessoa que está tirando foto. Diferente do Lula, que recebe, dentro do Palácio do Planalto, a Deolane, acusada de lavar dinheiro para o PCC, e ainda é chamado por ela de ‘papai’. É bem diferente […] a gente está incomodando e vai livrar o Brasil das mãos sujas do PT este ano.”

<><> Marcelo Freixo diz que Flávio Bolsonaro mantém relação antiga com “Sicário” de Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem mais um fato negativo para lidar e explicar ao eleitorado: surgiu nesta quarta-feira (15) uma foto em que Flávio aparece ao lado de Luiz Phillipi de Moraes Mourão, o “Sicário”, homem apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos responsáveis pelas ações violentas do grupo comandado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por liderar a maior fraude bancária da história do Brasil.

Ao tomar conhecimento da foto, o ex-deputado Marcelo Freixo (PT-RJ), que tem histórico de combate às milícias no Rio de Janeiro, levantou questionamentos sobre a imagem e afirmou que a relação de Flávio Bolsonaro com a organização de Daniel Vorcaro é antiga.

“Por que Flávio Bolsonaro tem uma foto íntima ao lado do chefe do braço armado de Vorcaro, conhecido como ‘Sicário’, que perseguia e ameaçava jornalistas e adversários?

Ele diz que ‘não conhece’, como também dizia não conhecer Vorcaro. A foto revelada hoje pelo ICL Notícias é de 2022. A relação dessa galera não é de hoje.”

<><> Foto de Flávio Bolsonaro com “Sicário” expõe elo com milícia de Vorcaro

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em uma foto ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, homem apontado pela Polícia Federal (PF) como operador central do grupo de ameaças do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A imagem, obtida pelo ICL Notícias em parceria com o Centro Latino-Americano de Investigación Periodística (CLIP), a partir de uma fonte que pediu sigilo, teria sido tirada em 2022 em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro.

Quatro ferramentas de detecção de inteligência artificial e a ferramenta InVID analisaram a fotografia e não encontraram indícios de geração por IA, manipulação ou montagem. Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou não conhecer “Sicário” e questionou a procedência e a autenticidade da imagem.

A imagem mostra Flávio Bolsonaro ao lado de Mourão em posição próxima. A análise técnica da fotografia incluiu quatro ferramentas de detecção de IA: Gemini, Hive Moderation, Sight Engine e Was It AI. Nenhuma delas identificou marcas ou indícios de geração artificial. A ferramenta InVID, usada para detectar montagens, também não apontou manipulação.

Os verificadores ainda observaram que as sombras das mãos, os reflexos nos óculos escuros de ambos e a iluminação principal e secundária são consistentes entre as duas figuras, o que reforça a conclusão de que os dois homens estavam no mesmo ambiente quando a foto foi tirada.

Diante da repercussão, a assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que o senador, “como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.

A nota acrescenta que ele não conhece “Sicário” e que não saberia informar a procedência ou a autenticidade da imagem. A justificativa, porém, não responde à questão central: como um operador ligado a um grupo investigado pela PF por ameaças e intimidações chegou a tirar uma foto com o filho do ex-presidente em um hotel carioca.

<><> Quem era “Sicário” e suas conexões

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão cometeu suicídio em março, no momento em que era preso. Antes disso, a Polícia Federal o identificava como um dos operadores centrais de “A Turma”, grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dedicado ao monitoramento e à coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias do empresário.

Segundo a investigação, Mourão não era apenas um intermediário: mensagens apreendidas pela PF indicariam conversas entre ele e Vorcaro sobre a possibilidade de intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto, além de discussões envolvendo ameaças a outros desafetos.

O histórico de Mourão em Minas Gerais, onde também era conhecido pelo apelido de “Mexerica”, antecede sua atuação no entorno de Vorcaro. Ele respondia, desde 2021, a processo na Justiça de Belo Horizonte por organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular, acusações que sua defesa contestava.

Além disso, tinha envolvimento atribuído a estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos, esquemas de pirâmide financeira, agiotagem e negociações fraudulentas de veículos. O perfil de Mourão, portanto, não era o de um cidadão comum que poderia ter abordado um político em via pública para uma foto casual.

<><> Elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

A foto com “Sicário” não é o primeiro elemento a conectar Flávio Bolsonaro ao universo de Daniel Vorcaro. O Intercept Brasil revelou que o senador pediu R$ 134 milhões ao ex-banqueiro para viabilizar o filme Dark Horse, produção sobre a vida de Jair Bolsonaro. Vorcaro chegou a repassar R$ 61 milhões para o projeto.

A revelação expôs uma relação financeira direta entre o pré-candidato e um empresário que, segundo investigações da PF, mantinha um grupo dedicado a ameaças e intimidações.

O comportamento de Flávio Bolsonaro diante das revelações estabeleceu um padrão que se repete agora. Inicialmente, o senador negou o envolvimento de Vorcaro no financiamento do filme. A admissão só veio após a divulgação de áudios, que tornaram a negativa insustentável.

O deputado Mario Frias, produtor de Dark Horse, seguiu o mesmo roteiro: negou, depois reconheceu o financiamento, mas até agora não apresentou a prestação de contas do projeto. A ausência de transparência sobre o dinheiro de Vorcaro permanece sem resposta.

¨      Rogério Correia questiona proximidade entre Flávio Bolsonaro e Sicário de Daniel Vorcaro

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) comentou a fotografia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como “sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e atualmente preso. Flávio Bolsonaro negou qualquer ligação com o homem.

Ao comentar a imagem, Rogério Correia afirmou que a fotografia indica uma relação de proximidade entre os dois. “Não é uma foto qualquer dessas que você tira na rua ou com quem você não conhece. Não. Parecia uma foto de pessoas íntimas e que estavam inclusive se confraternizando”, disse.

Na sequência, Rogério Correia questionou a relação entre Flávio Bolsonaro e Sicário. “Agora aparece que a amizade era também com esse sicário que fazia o trabalho sujo”, declarou.

Por fim, o parlamentar defendeu que o senador apresente esclarecimentos sobre o episódio. “Ele tem que se explicar. É tudo muito estranho e ele nada explica. Essas relações ficam cada vez mais perigosas”, afirmou.

Luiz Phillipi foi encontrado morto em março deste ano enquanto estava sob custódia da Polícia Federal, em Belo Horizonte.

 

Fonte: Marco Damiani, em Brasil 247/Fórum

 

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