Crime
organizado se aproxima cada vez mais de Flávio Bolsonaro
Tome-se
o lugar de Flávio Bolsonaro. Sem dar um pio, ele vê o cerco da operação Unha
Carne, da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, se fechar contra si próprio. A
divulgação dos primeiros detalhes da planilha de corrupção do bicheiro e
contrabandista Adilsinho, com registros de pagamentos de R$ 29 milhões a
políticos e membros do governo fluminense, endereça a uma subida das
investigações ao topo da pirâmide da organização criminosa que reunia
políticos, executivos do governo estadual e chefes do Comando Vermelho.
Dentro
de um organograma do crime, o penúltimo escalão já foi atingido. As buscas da
Unha e Carne sobre o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim e a prisão do
pré-candidato a senador Márcio Canella demonstraram, pela lógica de
funcionamento do grupo, que faltam apenas dois degraus para a chegada aos
líderes. Amim foi secretário de confiança do então governador Cláudio Castro.
Canella tinha, nas palavras do próprio Flávio, “meu apoio 100 por cento”. A
Polícia Federal trabalha com a hipótese de haver um relacionamento criminoso,
com hierarquias definidas, entre todos os envolvidos.
O
silêncio de Flávio é acusador. Ele não fez um pronunciamento sequer sobre os
resultados até aqui das investigações que mostram a interligação entre jogo do
bicho, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, em conluio com o
poder público estadual. Todos os envolvidos, sem exceção, fazem parte de seu
grupo político. Diante da força das provas que vão se acumulando, não há mesmo
muito o que ele possa dizer que alivie a situação.
“A
planilha de Adilsinho organiza beneficiários, quantifica valores e consolida um
total expressivo, compatível com uma contabilidade paralela de grande escala”,
afirmou a Polícia Federal. Uma primeira planilha contém nomes de candidatos e
agentes públicos, com valores individualizados, no montante de R$ 21,9 milhões.
Outras duas planilhas demonstram movimentações em dinheiro vivo no total de R$
7,3 milhões. Bem organizado, o Adilsinho.
Essa
organização contábil agora se volta, como prova forte, aos que aparecem como
beneficiários dos recursos do bicheiro que enveredou para o contrabando e
falsificação de cigarros. Até o começo da tarde desta terça-feira, 14, a
Polícia Federal não havia divulgado nenhum nome presente na planilha do
bicheiro que enveredou para o ramo criminoso do contrabando e falsificação de
cigarros. Aguardada para os próximos dias, a sétima rodada da Operação Unha e
Carne gera expectativa e tensão entre Flávio Bolsonaro e seus ‘amigos100%’.
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Flávio Bolsonaro dá justificativa surreal para foto com
“Sicário” de Vorcaro
iante
da imensa repercussão negativa da foto ao lado de “Sicário”, que liderava uma
milícia ligada a Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato do PL à Presidência,
Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo nas redes em que apresenta uma
justificativa inacreditável para o momento de intimidade com o criminoso.
Na
primeira parte do vídeo, Flávio diz que tira fotos com muitas pessoas e atribui
a repercussão da imagem a uma ação contrária à sua candidatura, liderada por
“blogs de esquerda”:
“Alguns
blogs de esquerda estão dizendo que há uma foto minha com um tal de Sicário.
Bom, eu não sei se é verdade, mas, se for verdade, certamente é mais uma das
várias que eu tiro todos os dias, porque, graças a Deus, por onde eu ando, todo
mundo pede para tirar uma foto, tem um carinho enorme pela gente, manda
mensagem de confiança e diz que a gente precisa resgatar o Brasil.”
Em
seguida, Flávio Bolsonaro utiliza o clássico “mas e o PT” e relembra uma foto
do presidente Lula com a influenciadora Deolane Bezerra:
“Então,
graças a Deus, eu sou muito bem recebido por onde passo, tiro foto com todo
mundo que me pede e não tenho como saber quem é aquela pessoa que está tirando
foto. Diferente do Lula, que recebe, dentro do Palácio do Planalto, a Deolane,
acusada de lavar dinheiro para o PCC, e ainda é chamado por ela de ‘papai’. É
bem diferente […] a gente está incomodando e vai livrar o Brasil das mãos sujas
do PT este ano.”
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Marcelo Freixo diz que Flávio Bolsonaro mantém relação antiga com “Sicário” de
Vorcaro
O
senador Flávio Bolsonaro (PL) tem mais um fato negativo para lidar e explicar
ao eleitorado: surgiu nesta quarta-feira (15) uma foto em que Flávio aparece ao
lado de Luiz Phillipi de Moraes Mourão, o “Sicário”, homem apontado pela
Polícia Federal (PF) como um dos responsáveis pelas ações violentas do grupo
comandado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por liderar a maior
fraude bancária da história do Brasil.
Ao
tomar conhecimento da foto, o ex-deputado Marcelo Freixo (PT-RJ), que tem histórico de combate às
milícias no Rio de Janeiro, levantou questionamentos sobre a imagem e afirmou
que a relação de Flávio Bolsonaro com a organização de Daniel Vorcaro é antiga.
“Por
que Flávio Bolsonaro tem uma foto íntima ao lado do chefe do braço armado de Vorcaro,
conhecido como ‘Sicário’, que perseguia e ameaçava jornalistas e adversários?
Ele diz
que ‘não conhece’, como também dizia não conhecer Vorcaro. A foto revelada hoje
pelo ICL Notícias é de 2022. A relação dessa galera não é de hoje.”
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Foto de Flávio Bolsonaro com “Sicário” expõe elo com milícia de Vorcaro
O
senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em uma foto ao lado de Luiz
Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, homem apontado pela Polícia
Federal (PF) como operador central do grupo de ameaças do ex-banqueiro Daniel
Vorcaro.
A
imagem, obtida pelo ICL Notícias em parceria com o Centro
Latino-Americano de Investigación Periodística (CLIP), a partir de uma
fonte que pediu sigilo, teria sido tirada em 2022 em um hotel na zona sul do
Rio de Janeiro.
Quatro
ferramentas de detecção de inteligência artificial e a ferramenta InVID
analisaram a fotografia e não encontraram indícios de geração por IA,
manipulação ou montagem. Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou não conhecer
“Sicário” e questionou a procedência e a autenticidade da imagem.
A
imagem mostra Flávio Bolsonaro ao lado de Mourão em posição próxima. A análise
técnica da fotografia incluiu quatro ferramentas de detecção de IA: Gemini,
Hive Moderation, Sight Engine e Was It AI. Nenhuma delas identificou marcas
ou indícios de geração artificial. A ferramenta InVID, usada para detectar
montagens, também não apontou manipulação.
Os
verificadores ainda observaram que as sombras das mãos, os reflexos nos óculos
escuros de ambos e a iluminação principal e secundária são consistentes entre
as duas figuras, o que reforça a conclusão de que os dois homens estavam no
mesmo ambiente quando a foto foi tirada.
Diante
da repercussão, a assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que o
senador, “como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias
pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.
A nota
acrescenta que ele não conhece “Sicário” e que não saberia informar a
procedência ou a autenticidade da imagem. A justificativa, porém, não responde
à questão central: como um operador ligado a um grupo investigado pela PF por
ameaças e intimidações chegou a tirar uma foto com o filho do ex-presidente em
um hotel carioca.
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Quem era “Sicário” e suas conexões
Luiz
Phillipi Machado de Moraes Mourão cometeu suicídio em março, no momento em que
era preso. Antes disso, a Polícia Federal o identificava como um dos operadores
centrais de “A Turma”, grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dedicado
ao monitoramento e à coleta de informações sobre pessoas consideradas
adversárias do empresário.
Segundo
a investigação, Mourão não era apenas um intermediário: mensagens apreendidas
pela PF indicariam conversas entre ele e Vorcaro sobre a possibilidade de
intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de
um assalto, além de discussões envolvendo ameaças a outros desafetos.
O
histórico de Mourão em Minas Gerais, onde também era conhecido pelo apelido de
“Mexerica”, antecede sua atuação no entorno de Vorcaro. Ele respondia, desde
2021, a processo na Justiça de Belo Horizonte por organização criminosa,
lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular, acusações que sua
defesa contestava.
Além
disso, tinha envolvimento atribuído a estelionato, associação criminosa,
falsificação de documentos, esquemas de pirâmide financeira, agiotagem e
negociações fraudulentas de veículos. O perfil de Mourão, portanto, não era o
de um cidadão comum que poderia ter abordado um político em via pública para
uma foto casual.
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Elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
A foto
com “Sicário” não é o primeiro elemento a conectar Flávio Bolsonaro ao universo
de Daniel Vorcaro. O Intercept Brasil revelou que o senador pediu R$ 134
milhões ao ex-banqueiro para viabilizar o filme Dark Horse,
produção sobre a vida de Jair Bolsonaro. Vorcaro chegou a repassar R$ 61
milhões para o projeto.
A
revelação expôs uma relação financeira direta entre o pré-candidato e um
empresário que, segundo investigações da PF, mantinha um grupo dedicado a
ameaças e intimidações.
O
comportamento de Flávio Bolsonaro diante das revelações estabeleceu um padrão
que se repete agora. Inicialmente, o senador negou o envolvimento de Vorcaro no
financiamento do filme. A admissão só veio após a divulgação de áudios, que
tornaram a negativa insustentável.
O
deputado Mario Frias, produtor de Dark Horse, seguiu o mesmo
roteiro: negou, depois reconheceu o financiamento, mas até agora não apresentou
a prestação de contas do projeto. A ausência de transparência sobre o dinheiro
de Vorcaro permanece sem resposta.
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Rogério Correia questiona proximidade entre Flávio
Bolsonaro e Sicário de Daniel Vorcaro
O
deputado federal Rogério Correia (PT-MG) comentou a fotografia do senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao lado de
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como “sicário” do banqueiro
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e atualmente preso. Flávio
Bolsonaro negou qualquer ligação com o homem.
Ao
comentar a imagem, Rogério Correia afirmou que a fotografia indica uma relação
de proximidade entre os dois. “Não é uma foto qualquer dessas que você tira na
rua ou com quem você não conhece. Não. Parecia uma foto de pessoas íntimas e
que estavam inclusive se confraternizando”, disse.
Na
sequência, Rogério Correia questionou a relação entre Flávio Bolsonaro e
Sicário. “Agora aparece que a amizade era também com esse sicário que fazia o
trabalho sujo”, declarou.
Por
fim, o parlamentar defendeu que o senador apresente esclarecimentos sobre o
episódio. “Ele tem que se explicar. É tudo muito estranho e ele nada explica.
Essas relações ficam cada vez mais perigosas”, afirmou.
Luiz
Phillipi foi encontrado morto em março deste ano enquanto estava sob custódia
da Polícia Federal, em Belo Horizonte.
Fonte:
Marco Damiani, em Brasil 247/Fórum

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