Redes
sociais podem aumentar bruxismo em crianças e adolescentes
Fatores
psicossociais como ansiedade, estresse crônico e sobrecarga são hoje
reconhecidos como as principais causas do bruxismo, o ato involuntário e
inconsciente de apertar ou ranger os dentes.
O
bruxismo é uma condição originada no sistema nervoso e expressada como um
comportamento, e não causada por fatores anatômicos como má oclusão dentária
(um mito antigo e já superado), e pode se expressar tanto de dia (bruxismo em
vigília) como à noite (bruxismo do sono).
Dados
de uma análise de 2024 indicam que a prevalência global do bruxismo do sono em
crianças é de aproximadamente 31%, um índice superior à média da população em
geral. Isso demonstra que o problema é particularmente frequente nessa faixa
etária, reforçando a importância de investigar seus gatilhos, como o uso de
telas.
Uma das
evidências mais diretas e robustas vem de um estudo publicado no International
Journal of Paediatric Dentistry, conduzido com 213 adolescentes entre 11 e 17
anos durante o período de lockdown na Espanha.
Os
pesquisadores avaliaram comportamentos e sintomas antes e durante o
confinamento — um ambiente extremo de estresse e aumento do uso de telas. Os
resultados são expressivos: o uso noturno de redes sociais saltou de uma média
de 7,9 ocorrências para 20,7, enquanto o nível de ansiedade de estado subiu de
18 para 32,7.
Paralelamente,
o índice de bruxismo autorrelatado aumentou de 10,4 para 15,4. A conclusão do
estudo foi direta: o aumento do uso de redes sociais durante a noite, combinado
com níveis elevados de ansiedade, esteve diretamente associado ao agravamento
do bruxismo, sendo o uso noturno de plataformas digitais um fator moderador
dessa relação.
O
estresse psicossocial é identificado como um dos principais gatilhos para o
bruxismo, especialmente o diurno. O pico de prevalência do bruxismo é observado
em jovens a partir de 12 anos e, sobretudo, em adultos jovens (18 a 25 anos) —
período que coincide com pressões sociais como instabilidade econômica,
cobranças acadêmicas excessivas, e a cultura de comparação social das redes
sociais.
No
Brasil, estudos com estudantes do ensino médio apontam prevalências de 20% a
30%, com maior frequência em meninas e em alunos sob alta pressão acadêmica.
Entre universitários, a prevalência pode chegar a 31.8% para o bruxismo noturno
e 37.9% para o diurno.
Fenômenos
como o FOMO (Fear of Missing Out, algo como “medo de ficar por fora de algo”) e
a busca incessante por validação externa geram uma sobrecarga psicológica
crônica, ativando respostas fisiológicas de tensão muscular e alteração da
arquitetura do sono.
"Mesmo
sendo um dos temas mais estudados em odontologia, o bruxismo ainda é
extremamente mal compreendido. O desafio hoje é entender quando esse
comportamento representa um fator de risco, protetor ou simplesmente uma
adaptação fisiológica", explica o cirurgião-dentista Eduardo Groisman.
• Redes sociais podem ser armadilhas
contra mulheres, afirmam especialistas
Especialistas
em saúde e segurança pública alertam que as redes sociais e aplicativos de
relacionamento estão sendo transformados em ferramentas para articular crimes
de violência sexual contra mulheres.
Criminosos
utilizam perfis falsos para estabelecer vínculos de confiança e atrair vítimas
para encontros presenciais, onde ocorrem agressões e abusos.
O
fenômeno tem sido monitorado pelo Hospital da Mulher da Unicamp (Caism), que
registra um aumento na frequência desses casos.
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O mecanismo das abordagens virtuais
De
acordo com profissionais do Caism, a estratégia dos agressores envolve a
criação de uma identidade falsa para gerar uma "confiança ilusória"
na vítima.
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"Com
o crescimento acelerado dos aplicativos e sites de relacionamento, aliado a uma
vida cada vez mais conectada nas redes sociais e ao avanço das tecnologias de
geração de conteúdo por inteligência artificial, os cuidados ao se expor nesse
ambiente precisam ser redobrados", afirma Stephane de Freitas Schwarz que
é doutoranda em Ciência da Computação, na Unicamp, na área de Análise Forense,
e pesquisadora do Laboratório de Inteligência Artificial.
O
contato evolui digitalmente até a marcação de um encontro físico, que se revela
uma emboscada.
"Mesmo
ao se sentir preparada para um relacionamento, a cautela continua sendo
indispensável. Perfis falsos criados com o uso de tecnologias generativas são
cada vez mais comuns, exigindo atenção", complementa Schwarz.
Segundo
o coordenador do Ambulatório de Violência Sexual do Caism, José Paulo de
Siqueira Guida, esse uso da tecnologia como "isca" é um desafio
recente para as autoridades e profissionais de saúde.
A
violência atinge mulheres de diversas idades e condições econômicas, embora as
estatísticas apontem maior incidência entre mulheres pretas e pobres.
No
Caism, 50% das pacientes atendidas após violência sexual são menores de 18
anos.
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Impacto psicológico e escalada da violência
O
impacto das agressões é descrito por especialistas como devastador,
assemelhando-se ao transtorno de estresse pós-traumático observado em veteranos
de guerra.
Os
sintomas incluem ansiedade, hipervigilância e o distanciamento da rotina social
e profissional.
O
cenário digital é agravado pela proliferação de conteúdos misóginos na chamada
"machosfera", como os grupos "redpills", que normalizam o
ódio e a desumanização da mulher.
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Prevenção e apoio às vítimas
Especialistas
recomendam cautela redobrada ao interagir em ambientes virtuais. Entre as
orientações de segurança estão:
• Verificar a consistência de perfis e
desconfiar de comportamentos excessivamente perfeitos.
• Evitar o compartilhamento de dados
pessoais sensíveis ou informações financeiras.
• Em caso de encontros presenciais,
escolher locais públicos e movimentados e informar pessoas de confiança sobre o
local e o horário.
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Dados alarmantes e subnotificação
Para a
ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o Brasil vive uma epidemia de violência de
gênero, com 1.568 feminicídios registrados em 2025 — um aumento de 316% em
relação a 2015.
O Caism
oferece acolhimento especializado para vítimas, incluindo protocolos de escuta
empática e acompanhamento multiprofissional para evitar a revitimização.
A
subnotificação ainda é considerada um grande obstáculo para o dimensionamento
real do problema no país.
• Redes sociais podem aumentar a solidão
em adultos, aponta estudo
Você
acha que mandar mensagens para amigos pelo TikTok ou Instagram vai mantê-los
mais próximos? Não necessariamente. Segundo dados de um estudo publicado no
Public Health Reports, usar redes sociais provavelmente não fortalece amizades
e pode até deixar você mais solitário.
Adultos
com um percentual maior de conexões nas redes sociais com pessoas que nunca
haviam encontrado pessoalmente eram mais solitários, de acordo com a pesquisa
realizada com mais de 1.500 americanos entre 30 e 70 anos de idade.
Além
disso, conectar-se com mais amigos próximos nas mídias não tornava as pessoas
menos solitárias, afirmou o autor principal do artigo, Dr. Brian Primack,
professor de saúde pública na Oregon State University em Corvallis.
"Embora
grande parte das pesquisas anteriores tenha se concentrado em como as redes
sociais afetam crianças, o novo estudo oferece perspectivas sobre como os
adultos são impactados por suas interações online", disse Primack.
Uma
limitação da análise, porém, é que não está claro se pessoas mais solitárias
passaram a interagir com mais desconhecidos online ou se comunicar com
desconhecidos causou sua solidão, apontou Primack, mas ele suspeita que seja os
dois.
"Muitas
pesquisas mostram que ter amigos fora do ambiente virtual torna as pessoas
menos solitárias. Mas se conectar com amigos online claramente não é a mesma
coisa", completou.
Brian
comparou interagir com amigos online em vez de pessoalmente a comer cereal de
maçã aromatizado em vez de maçãs. "Esse cereal de maçã aromatizado vai
encher sua barriga, ainda fornece calorias e tem um bom sabor, mas não está
oferecendo o ingrediente especial de que precisamos", disse.
Essa
disparidade pode ajudar a explicar por que tantas pessoas se sentem solitárias.
Cerca de metade dos adultos norte-americanos se sente assim, de acordo com um
relatório do Surgeon General de 2023, que chamou o problema de epidemia. Estar
socialmente desconectado é tão prejudicial para a saúde de uma pessoa quanto
fumar até 15 cigarros por dia, diz o relatório.
"Para
afastar a solidão, claramente precisamos de amizades fora do ambiente virtual.
Não tem amigos suficientes? Isso é muito comum. Esta situação não significa que
há algo de errado com você", tranquilizou Melissa Greenberg, psicóloga
clínica do Princeton Psychotherapy Center em New Jersey, que não participou da
pesquisa.
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Como mudar esse cenário social?
Greenberg
sugeriu frequentar um clube do livro, eventos exclusivos para membros em um
museu ou cinema, aulas de ginástica ou de artes. Você também pode se
voluntariar em uma campanha política ou fazer parte de um grupo religioso.
"As
pessoas tendem a fazer amizade com quem tem interesses semelhantes, então fazer
algo do seu interesse é provavelmente um bom ponto de partida. Faça algo perto
de casa porque é mais provável que desenvolvamos amizades com pessoas que moram
por perto. Além disso, guarde o celular quando sair! Se você estiver rolando a
tela do telefone, será muito mais difícil se conectar com as pessoas ao seu
redor", continuou ela.
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Tente fazer perguntas para conhecer novas pessoas
Para
iniciar uma conversa com alguém que possa resultar em uma nova amizade, faça
uma pergunta que exija mais do que uma resposta de uma palavra. Em vez de
perguntar "como foi seu fim de semana?", tente "o que você fez
neste fim de semana?" Ou pergunte qual é o bar ou café favorito da pessoa
na região.
"Elogios
também podem funcionar. Claro, se alguém fizer uma pergunta a você, dê exemplos
específicos da sua vida. Não diga apenas que seu fim de semana foi ótimo —
explique o que você fez. Saiba que os outros podem estar mais receptivos a
desenvolver uma amizade do que você imagina. A maioria das pessoas gosta quando
outras pessoas se interessam por elas", destacou Greenberg.
Se você
estiver nas redes sociais, a psicóloga não recomendaria usar as plataformas
como forma de manter amizades. Mas, se você for usá-las, utilize-as para manter
contato com as pessoas da sua vida, enviando mensagens ou interagindo com as
publicações de pessoas que são importantes para você.
"O
uso mais passivo das redes sociais está correlacionado com mais depressão e
ansiedade. Isso provavelmente ocorre porque o consumo passivo frequentemente
envolve mais comparações sociais. No entanto, o uso ativo das redes sociais —
publicando, comentando e enviando mensagens — não parece ser tão prejudicial
para a maioria das pessoas", finalizou ela.
Primack
completou, afirmando que aconselharia os usuários de redes sociais a pensarem
sobre com quem estão interagindo e se desejam continuar mantendo suas conexões.
"Reflita sobre isso, porque raramente fazemos isso", afirmou.
A
pesquisa ainda sugere que afastar a solidão exige guardar nossos dispositivos e
se conectar com outras pessoas presencialmente.
Fonte:
CNN Brasil

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