sexta-feira, 17 de julho de 2026

Redes sociais podem aumentar bruxismo em crianças e adolescentes

Fatores psicossociais como ansiedade, estresse crônico e sobrecarga são hoje reconhecidos como as principais causas do bruxismo, o ato involuntário e inconsciente de apertar ou ranger os dentes.

O bruxismo é uma condição originada no sistema nervoso e expressada como um comportamento, e não causada por fatores anatômicos como má oclusão dentária (um mito antigo e já superado), e pode se expressar tanto de dia (bruxismo em vigília) como à noite (bruxismo do sono).

Dados de uma análise de 2024 indicam que a prevalência global do bruxismo do sono em crianças é de aproximadamente 31%, um índice superior à média da população em geral. Isso demonstra que o problema é particularmente frequente nessa faixa etária, reforçando a importância de investigar seus gatilhos, como o uso de telas.

Uma das evidências mais diretas e robustas vem de um estudo publicado no International Journal of Paediatric Dentistry, conduzido com 213 adolescentes entre 11 e 17 anos durante o período de lockdown na Espanha.

Os pesquisadores avaliaram comportamentos e sintomas antes e durante o confinamento — um ambiente extremo de estresse e aumento do uso de telas. Os resultados são expressivos: o uso noturno de redes sociais saltou de uma média de 7,9 ocorrências para 20,7, enquanto o nível de ansiedade de estado subiu de 18 para 32,7.

Paralelamente, o índice de bruxismo autorrelatado aumentou de 10,4 para 15,4. A conclusão do estudo foi direta: o aumento do uso de redes sociais durante a noite, combinado com níveis elevados de ansiedade, esteve diretamente associado ao agravamento do bruxismo, sendo o uso noturno de plataformas digitais um fator moderador dessa relação.

O estresse psicossocial é identificado como um dos principais gatilhos para o bruxismo, especialmente o diurno. O pico de prevalência do bruxismo é observado em jovens a partir de 12 anos e, sobretudo, em adultos jovens (18 a 25 anos) — período que coincide com pressões sociais como instabilidade econômica, cobranças acadêmicas excessivas, e a cultura de comparação social das redes sociais.

No Brasil, estudos com estudantes do ensino médio apontam prevalências de 20% a 30%, com maior frequência em meninas e em alunos sob alta pressão acadêmica. Entre universitários, a prevalência pode chegar a 31.8% para o bruxismo noturno e 37.9% para o diurno.

Fenômenos como o FOMO (Fear of Missing Out, algo como “medo de ficar por fora de algo”) e a busca incessante por validação externa geram uma sobrecarga psicológica crônica, ativando respostas fisiológicas de tensão muscular e alteração da arquitetura do sono.

"Mesmo sendo um dos temas mais estudados em odontologia, o bruxismo ainda é extremamente mal compreendido. O desafio hoje é entender quando esse comportamento representa um fator de risco, protetor ou simplesmente uma adaptação fisiológica", explica o cirurgião-dentista Eduardo Groisman.

•        Redes sociais podem ser armadilhas contra mulheres, afirmam especialistas

Especialistas em saúde e segurança pública alertam que as redes sociais e aplicativos de relacionamento estão sendo transformados em ferramentas para articular crimes de violência sexual contra mulheres.

Criminosos utilizam perfis falsos para estabelecer vínculos de confiança e atrair vítimas para encontros presenciais, onde ocorrem agressões e abusos.

O fenômeno tem sido monitorado pelo Hospital da Mulher da Unicamp (Caism), que registra um aumento na frequência desses casos.

<><> O mecanismo das abordagens virtuais

De acordo com profissionais do Caism, a estratégia dos agressores envolve a criação de uma identidade falsa para gerar uma "confiança ilusória" na vítima.

Play Video

"Com o crescimento acelerado dos aplicativos e sites de relacionamento, aliado a uma vida cada vez mais conectada nas redes sociais e ao avanço das tecnologias de geração de conteúdo por inteligência artificial, os cuidados ao se expor nesse ambiente precisam ser redobrados", afirma Stephane de Freitas Schwarz que é doutoranda em Ciência da Computação, na Unicamp, na área de Análise Forense, e pesquisadora do Laboratório de Inteligência Artificial.

O contato evolui digitalmente até a marcação de um encontro físico, que se revela uma emboscada.

"Mesmo ao se sentir preparada para um relacionamento, a cautela continua sendo indispensável. Perfis falsos criados com o uso de tecnologias generativas são cada vez mais comuns, exigindo atenção", complementa Schwarz.

Segundo o coordenador do Ambulatório de Violência Sexual do Caism, José Paulo de Siqueira Guida, esse uso da tecnologia como "isca" é um desafio recente para as autoridades e profissionais de saúde.

A violência atinge mulheres de diversas idades e condições econômicas, embora as estatísticas apontem maior incidência entre mulheres pretas e pobres.

No Caism, 50% das pacientes atendidas após violência sexual são menores de 18 anos.

<><> Impacto psicológico e escalada da violência

O impacto das agressões é descrito por especialistas como devastador, assemelhando-se ao transtorno de estresse pós-traumático observado em veteranos de guerra.

Os sintomas incluem ansiedade, hipervigilância e o distanciamento da rotina social e profissional.

O cenário digital é agravado pela proliferação de conteúdos misóginos na chamada "machosfera", como os grupos "redpills", que normalizam o ódio e a desumanização da mulher.

<><> Prevenção e apoio às vítimas

Especialistas recomendam cautela redobrada ao interagir em ambientes virtuais. Entre as orientações de segurança estão:

•        Verificar a consistência de perfis e desconfiar de comportamentos excessivamente perfeitos.

•        Evitar o compartilhamento de dados pessoais sensíveis ou informações financeiras.

•        Em caso de encontros presenciais, escolher locais públicos e movimentados e informar pessoas de confiança sobre o local e o horário.

<><> Dados alarmantes e subnotificação

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o Brasil vive uma epidemia de violência de gênero, com 1.568 feminicídios registrados em 2025 — um aumento de 316% em relação a 2015.

O Caism oferece acolhimento especializado para vítimas, incluindo protocolos de escuta empática e acompanhamento multiprofissional para evitar a revitimização.

A subnotificação ainda é considerada um grande obstáculo para o dimensionamento real do problema no país.

•        Redes sociais podem aumentar a solidão em adultos, aponta estudo

Você acha que mandar mensagens para amigos pelo TikTok ou Instagram vai mantê-los mais próximos? Não necessariamente. Segundo dados de um estudo publicado no Public Health Reports, usar redes sociais provavelmente não fortalece amizades e pode até deixar você mais solitário.

Adultos com um percentual maior de conexões nas redes sociais com pessoas que nunca haviam encontrado pessoalmente eram mais solitários, de acordo com a pesquisa realizada com mais de 1.500 americanos entre 30 e 70 anos de idade.

Além disso, conectar-se com mais amigos próximos nas mídias não tornava as pessoas menos solitárias, afirmou o autor principal do artigo, Dr. Brian Primack, professor de saúde pública na Oregon State University em Corvallis.

"Embora grande parte das pesquisas anteriores tenha se concentrado em como as redes sociais afetam crianças, o novo estudo oferece perspectivas sobre como os adultos são impactados por suas interações online", disse Primack.

Uma limitação da análise, porém, é que não está claro se pessoas mais solitárias passaram a interagir com mais desconhecidos online ou se comunicar com desconhecidos causou sua solidão, apontou Primack, mas ele suspeita que seja os dois.

"Muitas pesquisas mostram que ter amigos fora do ambiente virtual torna as pessoas menos solitárias. Mas se conectar com amigos online claramente não é a mesma coisa", completou.

Brian comparou interagir com amigos online em vez de pessoalmente a comer cereal de maçã aromatizado em vez de maçãs. "Esse cereal de maçã aromatizado vai encher sua barriga, ainda fornece calorias e tem um bom sabor, mas não está oferecendo o ingrediente especial de que precisamos", disse.

Essa disparidade pode ajudar a explicar por que tantas pessoas se sentem solitárias. Cerca de metade dos adultos norte-americanos se sente assim, de acordo com um relatório do Surgeon General de 2023, que chamou o problema de epidemia. Estar socialmente desconectado é tão prejudicial para a saúde de uma pessoa quanto fumar até 15 cigarros por dia, diz o relatório.

"Para afastar a solidão, claramente precisamos de amizades fora do ambiente virtual. Não tem amigos suficientes? Isso é muito comum. Esta situação não significa que há algo de errado com você", tranquilizou Melissa Greenberg, psicóloga clínica do Princeton Psychotherapy Center em New Jersey, que não participou da pesquisa.

<><> Como mudar esse cenário social?

Greenberg sugeriu frequentar um clube do livro, eventos exclusivos para membros em um museu ou cinema, aulas de ginástica ou de artes. Você também pode se voluntariar em uma campanha política ou fazer parte de um grupo religioso.

"As pessoas tendem a fazer amizade com quem tem interesses semelhantes, então fazer algo do seu interesse é provavelmente um bom ponto de partida. Faça algo perto de casa porque é mais provável que desenvolvamos amizades com pessoas que moram por perto. Além disso, guarde o celular quando sair! Se você estiver rolando a tela do telefone, será muito mais difícil se conectar com as pessoas ao seu redor", continuou ela.

<><> Tente fazer perguntas para conhecer novas pessoas

Para iniciar uma conversa com alguém que possa resultar em uma nova amizade, faça uma pergunta que exija mais do que uma resposta de uma palavra. Em vez de perguntar "como foi seu fim de semana?", tente "o que você fez neste fim de semana?" Ou pergunte qual é o bar ou café favorito da pessoa na região.

"Elogios também podem funcionar. Claro, se alguém fizer uma pergunta a você, dê exemplos específicos da sua vida. Não diga apenas que seu fim de semana foi ótimo — explique o que você fez. Saiba que os outros podem estar mais receptivos a desenvolver uma amizade do que você imagina. A maioria das pessoas gosta quando outras pessoas se interessam por elas", destacou Greenberg.

Se você estiver nas redes sociais, a psicóloga não recomendaria usar as plataformas como forma de manter amizades. Mas, se você for usá-las, utilize-as para manter contato com as pessoas da sua vida, enviando mensagens ou interagindo com as publicações de pessoas que são importantes para você.

"O uso mais passivo das redes sociais está correlacionado com mais depressão e ansiedade. Isso provavelmente ocorre porque o consumo passivo frequentemente envolve mais comparações sociais. No entanto, o uso ativo das redes sociais — publicando, comentando e enviando mensagens — não parece ser tão prejudicial para a maioria das pessoas", finalizou ela.

Primack completou, afirmando que aconselharia os usuários de redes sociais a pensarem sobre com quem estão interagindo e se desejam continuar mantendo suas conexões. "Reflita sobre isso, porque raramente fazemos isso", afirmou.

A pesquisa ainda sugere que afastar a solidão exige guardar nossos dispositivos e se conectar com outras pessoas presencialmente.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: