sexta-feira, 17 de julho de 2026

Ex-líder do bolsonarismo acusa Flávio Bolsonaro de usar drogas e desafia: “faça um exame toxicológico”

Ex-deputado federal, que comandou a campanha de Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste em 2018, Julian Lemos voltou a fazer supostas revelações sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após revelar em entrevista recente que o filho “01” do ex-presidente teria uma fortuna avaliada em R$ 600 milhões.

Nesta quinta-feira (16), após revelação de foto do senador ao lado de Luiz Phillipi de Moraes Mourão, o “Sicário”, homem apontado pela Polícia Federal (PF) como uma espécie de “matador” da milícia digital comandada por Daniel Vorcaro, Julian Lemos acusou Flávio Bolsonaro de ser usuário de drogas e lançou um desafio.

“Flavio, faça um exame toxicológico daqueles feitos com fio de cabelo só para a gente ver no que dá. Depois, publique o resultado no seu perfil. Duvido que você faça isso”, escreveu Lemos em publicação na rede X.

Em seguida, o ex-líder do bolsonarismo ironizou slogans do clã Bolsonaro, sugerindo que o senador seria usuário de cocaína. “Pátria, pó e libertinagem. Poder acima de tudo. Propina acima de todos”, emendou.

A acusação acontece em meio à tensão da pré-campanha diante de especulações sobre novas imagens, incluindo um suposto vídeo de Flávio Bolsonaro em uma das festas patrocinadas por Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do banco Master.

<><> Filhos milionários

Na entrevista em que revelou a suposta cifra milionária de Flávio, Julian Lemos também afirmou que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria acumulado uma fortuna estimada em R$ 150 milhões. Segundo o ex-parlamentar, o crescimento patrimonial dos filhos do ex-presidente teria ocorrido ao longo do governo Jair Bolsonaro.

As declarações, no entanto, não foram acompanhadas de documentos ou outras provas que sustentem os valores mencionados. Até a publicação da reportagem original, Julian Lemos também não havia respondido aos pedidos de esclarecimento feitos pelo Metrópoles sobre a origem das informações.

Procurada pela reportagem, a equipe do senador Flávio Bolsonaro informou que ele não comentará as acusações. Não houve manifestação pública de Eduardo Bolsonaro sobre o assunto até o momento.

Julian Lemos foi um dos principais aliados de Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2018, mas rompeu politicamente com o ex-presidente nos anos seguintes e passou a fazer críticas públicas à família Bolsonaro.

•        Advogado e escritor carioca avisa sobre Flávio Bolsonaro: vêm “mais duas granadas”

A divulgação de uma fotografia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário“, continua repercutindo nos bastidores da política. Em publicação nas redes sociais, o advogado e escritor Eduardo Goldemberg afirmou que o episódio seria apenas o início de uma nova crise e escreveu que há “pelo menos mais duas granadas com alto poder destrutivo a caminho”, em referência a possíveis novas revelações envolvendo o parlamentar.

A imagem, divulgada pela jornalista Juliana Dal Piva, do portal ICL Notícias, mostra Flávio Bolsonaro sem camisa ao lado de Mourão em um hotel no Rio de Janeiro. Luiz Phillipi Mourão foi apontado pela Polícia Federal como chefe de um grupo de intimidação supostamente ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Preso durante a Operação Compliance Zero, Mourão teve morte cerebral confirmada após uma tentativa de suicídio enquanto estava sob custódia.

<><> Versões contraditórias

Após a divulgação da fotografia, Flávio Bolsonaro afirmou que, por ser uma figura pública, costuma tirar fotos com pessoas desconhecidas e disse que a imagem poderia ter sido produzida por inteligência artificial. Posteriormente, análises divulgadas por portais especializados em verificação de conteúdo indicaram baixa probabilidade de manipulação digital.

Na publicação, Goldemberg não detalha quais seriam as “duas granadas” mencionadas. A declaração, no entanto, ocorre em meio a outras frentes de desgaste envolvendo o entorno político do senador.

Uma delas diz respeito às investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso ganhou novos capítulos após a divulgação de informações e áudios sobre um aporte de R$ 61 milhões no filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e idealizada por aliados de Flávio, entre eles o deputado Mario Frias. O senador inicialmente negou a operação, mas posteriormente admitiu o recebimento dos recursos.

<><> Na festa de Vorcaro

Além disso, circulam nos bastidores de Brasília informações sobre a existência de vídeos gravados em eventos ligados ao empresário Vittorio Vorcaro. Paralelamente, operações recentes da Polícia Federal tiveram como alvo pessoas próximas ao senador no Rio de Janeiro, em investigações sobre supostos crimes financeiros, incluindo lavagem de dinheiro.

A publicação de Eduardo Goldemberg reforça a avaliação de setores da oposição de que a divulgação da fotografia com “Sicário” pode ser apenas o primeiro episódio de uma sequência de revelações capazes de ampliar o desgaste político de Flávio Bolsonaro. Até o momento, porém, o advogado não apresentou detalhes ou provas públicas sobre as novas informações às quais se referiu.

•        Valdemar diz que já conhecia foto de Flávio Bolsonaro com ‘Sicário’ de Vorcaro: “Vi há mais de um mês”

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que já tinha conhecimento, há mais de um mês, da fotografia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. A informação foi publicada pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo, após a divulgação da imagem pelo portal ICL Notícias.

Segundo a reportagem, Valdemar relatou que chegou a conversar com Flávio Bolsonaro sobre a fotografia logo depois de vê-la. A imagem ganhou repercussão após investigações da Polícia Federal apontarem que Luiz Phillipi integrava o grupo conhecido como “A Turma”, descrito pelos investigadores como uma espécie de milícia particular do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao comentar o caso, o presidente do PL minimizou o fato de o senador aparecer na fotografia ao lado de Mourão e destacou a rotina de um agente político.

“Já tinha visto essa foto há mais de um mês. Flávio é político. Político tem foto com todo mundo”, afirmou Valdemar Costa Neto.

O dirigente partidário também revelou o teor da conversa que teve com o senador após tomar conhecimento da imagem.

“Eu contei para o Flávio. Ele me disse: ‘Valdemar, isso deve ser lá de trás. Eu nem lembro’”, relatou.

De acordo com a publicação, o site Metrópoles informou que aliados de Flávio Bolsonaro já tinham acesso à fotografia havia alguns meses. No entanto, a imagem só veio a público na quarta-feira (15), quando foi divulgada pelo portal ICL Notícias.

<><> Flávio questiona autenticidade da imagem

Em nota, Flávio Bolsonaro colocou em dúvida a autenticidade da fotografia e afirmou que não é possível identificar todas as pessoas que se aproximam dele durante compromissos públicos.

Segundo a reportagem, o senador declarou ser “impossível saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima”.

<><> Investigação da Polícia Federal

A repercussão da fotografia ocorre no contexto das investigações da Polícia Federal sobre o grupo conhecido como “A Turma”. Conforme as apurações mencionadas na reportagem, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, morto em março deste ano, é apontado como um dos integrantes da organização, que, segundo os investigadores, atuava como uma espécie de milícia privada ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Até o momento, a manifestação pública de Valdemar Costa Neto limita-se a afirmar que já conhecia a existência da fotografia e que conversou com Flávio Bolsonaro sobre o assunto semanas antes de sua divulgação pública. Já o senador sustenta que não se recorda da pessoa retratada ao seu lado e questiona a autenticidade da imagem.

•        O patriotismo de fachada: Flávio Bolsonaro veste a bandeira para culpar Lula por tarifaço enquanto foge da PF

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escancarou nesta quinta-feira (16) a principal contradição do bolsonarismo: a apropriação dos símbolos nacionais para defender interesses estrangeiros. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador tenta responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A bravata digital, contudo, ocorre no exato momento em que a defesa do parlamentar manobra no Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar seu depoimento à Polícia Federal em inquérito por calúnia contra o próprio Lula.

A publicação expõe a encenação da subserviência. Enquadrado em primeiro plano, Flávio utiliza a bandeira do Brasil como cortina de fumaça visual para encobrir o fato de que atua, na prática, como porta-voz de uma sanção internacional contra o próprio país. “A culpa é sua, Lula”, sentencia o senador, esvaziando a responsabilidade soberana do governo de Donald Trump pela retaliação comercial.

<><> Ventríloquo de Washington e a omissão dos fatos

No roteiro do vídeo, o senador abandona a mediação política e reproduz, de forma literal e acrítica, a narrativa de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA e aliado de primeira hora do clã Bolsonaro. Ao citar Rubio como uma fonte “neutra” que atestaria a suposta falta de “boa-fé” do governo brasileiro, Flávio comete um duplo apagamento: esconde a aliança ideológica que sustenta o ataque e tenta apagar da memória pública a sua própria recente turnê de lobby em Washington.

Semanas antes do tarifaço, o parlamentar cruzou o hemisfério para participar de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Lá, em vez de defender a balança comercial brasileira, atacou a política externa de Lula e as relações bilaterais do Brasil com a China. Entregar munição retórica a uma potência estrangeira para depois culpar o adversário doméstico pelas consequências é uma estratégia que cruza a linha da oposição e flerta com a sabotagem econômica.

<><> Transparência e dados: a narrativa de Flávio desmorona

A tese de que o governo federal “não negociou” é facilmente desmentida pelo cruzamento de dados públicos e documentos oficiais. Em nota técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Estado brasileiro documenta ao menos cinco reuniões de alto nível com o USTR desde maio. A sobretaxa norte-americana ignorou os fundamentos comerciais e baseou-se em retaliações a políticas internas soberanas do Brasil, como o Pix e regulações ambientais.

A tentativa de inverter a realidade, no entanto, já encontra barreira na percepção popular. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada na mesma quinta-feira, funciona como um termômetro do fracasso retórico da extrema direita: 51% dos eleitores consideram que Flávio apoiou o tarifaço deliberadamente para prejudicar a gestão petista. Para 63% dos brasileiros, a medida gringa ameaça diretamente o emprego e a renda de suas famílias. O levantamento escancara que o eleitor já codificou o alinhamento de Flávio aos EUA como um ataque direto à mesa do trabalhador brasileiro, gerando desgaste inclusive na base bolsonarista.

<><> Valente nas redes, fugitivo na Polícia Federal

Enquanto sustenta o tom bélico na internet acusando o chefe do Executivo de “corrupção” e “incompetência”, o senador adota a postura de evasão frente à Justiça brasileira. A recusa em escolher uma data para prestar esclarecimentos à Polícia Federal revela o modus operandi do bolsonarismo diante do escrutínio legal: o adiamento sistemático.

O inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, apura declarações onde Flávio associou falsamente Lula a descontos indevidos no INSS. O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, já classificou o interrogatório como de “especial relevância”.

O contraste é incontornável e define o perfil do parlamentar. Sob as luzes anelares e o conforto de um estúdio, Flávio Bolsonaro empunha a bandeira nacional para justificar uma sanção estrangeira contra o Brasil. Diante da intimação da Polícia Federal para responder criminalmente por suas mentiras, prefere pedir mais prazo. O “avião sem piloto”, metáfora usada pelo senador para atacar o governo, parece descrever com mais precisão a atual estratégia de sua própria defesa.

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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