Agro
critica postura ideológica de Flávio Bolsonaro nos EUA e vê perda de espaço
político
O
descontentamento de importantes alas do agronegócio brasileiro com a recente
comitiva liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos
acendeu um alerta no setor produtivo. Representantes do segmento criticaram a
postura do parlamentar, apontando que a priorização de embates ideológicos e
pautas de costumes enfraquece a representação dos interesses comerciais e
econômicos do Brasil no mercado norte-americano, relata o jornal O Globo.
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Foco em ideologia gera desgaste
O
agronegócio, que historicamente busca manter pontes pragmáticas com grandes
players globais independentemente de alinhamentos partidários, reagiu com
ceticismo à agenda da viagem. Para lideranças do setor, o momento exigia foco
em negociações tarifárias, abertura de novos mercados e consolidação de
parcerias bilaterais de exportação, especialmente diante do cenário econômico
global de 2026.
Em vez
disso, a narrativa de confronto político adotada pela comitiva foi vista como
um elemento de distração que reduz a influência de Flávio Bolsonaro como um
interlocutor viável e moderado junto a setores moderados e democratas nos EUA.
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Perda de protagonismo político
A
avaliação interna de empresários e entidades de classe do agro é de que o
senador perde espaço ao insistir em discursos polarizados. A percepção é que o
pragmatismo econômico deve se sobrepor à militância partidária para evitar
barreiras comerciais desnecessárias ao produto brasileiro no exterior.
Líderes
do setor reforçam que o papel do parlamento em missões internacionais deve ser
o de abrir portas para o PIB nacional, e não o de exportar disputas domésticas
que geram ruídos diplomáticos desnecessários com Washington.
• “Boca do jacaré” se abre com ascensão de
Lula e isolamento de Flávio Bolsonaro, diz Marco Damiani
Em
análise divulgada na TV 247, o editor especial Marco Damiani destacou o novo
cenário desenhado pelas pesquisas de intenção de voto para a eleição
presidencial. Segundo os dados mais recentes do instituto Quaest, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 40% das intenções de voto no primeiro turno,
abrindo uma vantagem de 12 pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro,
que aparece com 28%.
Para
Damiani, o movimento de distanciamento entre as duas candidaturas — apelidado
por ele de a abertura da “boca do jacaré” — consolida uma tendência que aponta
de forma favorável à reeleição de Lula, com um otimismo crescente entre aliados
sobre a possibilidade de uma vitória consolidada ainda em primeiro turno.
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O impacto social do “Desenrola”
O
jornalista aponta que o avanço da popularidade de Lula reflete diretamente a
percepção popular de medidas de cunho social e econômico. O principal motor
dessa alta, de acordo com o editor, tem sido a versão ampliada do programa
“Desenrola”.
A
iniciativa de renegociação de dívidas bancárias tem facilitado a regularização
de crédito para milhões de brasileiros, gerando uma resposta altamente
positiva, em especial junto às faixas de menor renda da população. O editor
ressaltou que a adesão massiva demonstra a preocupação do governo com o
bem-estar social das famílias endividadas.
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Desgaste e esvaziamento político na oposição
Do
outro lado do espectro político, Flávio Bolsonaro enfrenta um processo de
desgaste contínuo de sua força eleitoral. Damiani aponta que a candidatura do
parlamentar vem sendo impactada por episódios polêmicos cotidianos. Como
exemplo recente, o jornalista mencionou o impacto da divulgação de uma foto de
Flávio ao lado de um aliado do grupo do banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido
como Sicário.
O
analista observa que a perda de densidade nas pesquisas tem provocado um
visível isolamento político em torno do senador, que já não atrai o mesmo apoio
nos palanques de outrora. Diante desse cenário de perda de bases, Damiani
projeta que a viabilidade da candidatura pode sofrer novos abalos no curto
prazo.
“Flávio
está abandonado ao próprio destino, contando essencialmente com o apoio
familiar de seu pai. É uma questão de tempo para vermos os desdobramentos dessa
campanha”, concluiu o jornalista.
• Merval diz, no Globo, que Flávio
Bolsonaro não será páreo para Lula e propõe sua desistência
O
jornalista Merval Pereira afirma, em sua coluna publicada nesta quinta-feira em
O Globo, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da
República atravessa um momento de forte desgaste e já não apresenta condições
de competir em igualdade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na
avaliação do colunista, os resultados da mais recente pesquisa Genial/Quaest
impõem ao bolsonarismo uma reflexão sobre a viabilidade de manter o filho do
ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto.
Segundo
Merval, a pesquisa mostra uma deterioração da posição eleitoral de Flávio
Bolsonaro, inclusive entre segmentos tradicionalmente alinhados ao
bolsonarismo, como parte do eleitorado evangélico. Ao mesmo tempo, Lula amplia
sua vantagem fora da margem de erro, beneficiado, de acordo com o articulista,
por um cenário de inflação em queda, crescimento econômico contínuo e
estabilidade política.
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Queda nas pesquisas preocupa a direita
Para o
colunista, o principal dilema da oposição é que, apesar do enfraquecimento de
Flávio Bolsonaro, nenhum outro nome da direita conseguiu capitalizar essa perda
de apoio. Governadores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, assim como outras
lideranças conservadoras, permanecem sem conseguir se consolidar como
alternativas capazes de unificar o campo oposicionista.
Merval
observa que essa ausência de um substituto competitivo acaba prolongando a
permanência de Flávio como principal candidato da direita, mesmo diante de
indicadores eleitorais considerados desfavoráveis.
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Escândalos agravam desgaste
Outro
fator apontado pelo jornalista é o impacto político das investigações
envolvendo o Banco Master e apurações relacionadas ao crime organizado no Rio
de Janeiro.
Na
coluna, Merval menciona a divulgação de uma fotografia em que Flávio Bolsonaro
aparece ao lado de um homem conhecido como “Sicário”, citado em investigações
da Polícia Federal. Para o articulista, episódios desse tipo contribuem para
aumentar o desgaste da imagem pública do senador justamente durante a campanha
eleitoral.
Segundo
ele, a sucessão de controvérsias dificulta a recuperação do candidato perante o
eleitorado independente, que, em sua avaliação, vem se afastando do
bolsonarismo.
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Direita pode buscar novo caminho
Na
interpretação de Merval Pereira, uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro
abriria espaço para uma reorganização do campo conservador. O colunista afirma
que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tende a emergir como
principal liderança da direita para a disputa presidencial de 2030, enquanto a
família Bolsonaro poderia ficar restrita a um núcleo político mais ideológico e
com menor capacidade de ampliar alianças.
O
jornalista também avalia que uma direita menos identificada com o bolsonarismo
radical teria melhores condições de disputar o eleitorado de centro, estratégia
que, segundo ele, vem sendo adotada por Lula para ampliar sua base de apoio.
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Lula aparece favorito
Merval
destaca ainda que os dados da pesquisa Quaest indicam que Lula venceria todos
os principais candidatos da direita em um eventual segundo turno, inclusive
Flávio Bolsonaro. Para o colunista, esse resultado elimina a principal vantagem
que o senador ainda possuía nas análises eleitorais anteriores: a de ser
considerado o adversário conservador mais competitivo diante do atual
presidente.
Na
conclusão de sua análise, Merval afirma que Flávio Bolsonaro “permanece como a
alternativa, mas cada vez menos competitivo” e sustenta que o senador “não será
páreo para Lula nos debates”, sugerindo que a direita deveria considerar uma
mudança de estratégia antes que a campanha avance ainda mais.
• Michelle, quem diria, virou item de
pesquisa, diz Denise Assis
Nos
seus mais megalômanos sonhos de adolescente, quando precisava se fantasiar de
pacote de macarrão no supermercado onde trabalhava, Michelle Bolsonaro não deve
ter imaginado que não só teria uma passagem pelo poder, ao lado do marido —
ex-presidente da República —, como também um dia viraria subitem de pesquisa de
um renomado instituto. Pois eis que, na avaliação divulgada hoje pela
Genial/Quaest, ela não só consta nessa condição como é motivo para um capítulo
inteiro, de 12 lâminas.
Não.
Não me cobrem sororidade com Michelle Bolsonaro. Há limites na minha alma para
seguir o politicamente correto. Não consigo fazer a boazinha nessas horas ou a
consciente de ocasião.
À
pergunta feita aos entrevistados na pesquisa sobre se souberam da existência da
postagem de seu vídeo nas redes sociais, 51% responderam que não, contra 49%
que disseram que sim, que souberam da postagem. Isso num universo de
entrevistados que ajudaram a compor uma pesquisa sobre a escolha de um novo
presidente. Não é pouca coisa.
Eu, por
minha vez, vi o tal vídeo, contei os tais 27 minutos e, sim, também prestei
atenção aos detalhes semióticos do ambiente ao redor. Sim, também fiquei
tentando ler as palavrinhas bíblicas da comportada camisa azul-marinho que ela
vestia. E, claro, observei a maquiagem sóbria.
Tudo
isso sem perder uma palavra do texto bem construído e visivelmente escrito, no
mínimo, a quatro mãos. Se as suas participaram, não sei afirmar. Porém,
afirmei, assim que pude, que o seu plano não era 2030. Michelle estava se
colocando à disposição desde já, porque sabe muito mais do que o comentarista
da GloboNews Merval Pereira, que ontem afirmou no ar que Flávio será
inviabilizado por ter, palavras dele, “envolvimento com o crime organizado”.
O
jornalista não só fez a afirmação como apertou o presidente do PL — rubro e
suarento. Por que será? —, Valdemar Costa Neto, querendo arrancar dele um nome
para a provável substituição de Flávio no meio do jogo da pré-candidatura.
Valdemar, ensaboado, escorregou e mudou o rumo da prosa. Vale destacar que
Merval não falaria uma coisa grave como essa se não tivesse obtido antes alguma
informação que o respaldasse. Ali, ele era a voz, mas também a voz do dono da
voz. Não cabiam conjecturas.
Talvez
tenha tomado conhecimento do mesmo conteúdo que Michelle já conhecia quando fez
o vídeo. Certo é que ela se colocou para o jogo. E se lançou ao mar sem boia. É
agora ou em 2030, mas Michelle está no páreo, queira o marido ou não. E, a
julgar pela carta que veio a público no fim de semana, elevando Flávio
Bolsonaro à condição de seu porta-voz, seu Jair ficou aborrecido, como já vazou
para a mídia, e fez a opção preferencial pelo filho. O que não é muito usual em
homens apaixonados. Ou não estaria mais o seu Jair tão apaixonado assim como
quando a viu refletida no espelho do gabinete do deputado que ocupava o do lado
do seu?
Certo é
que, voltando aos dados da pesquisa da Quaest, que, como disse, ocupa 12
páginas com Michelle, apenas 33% souberam do vídeo-resposta produzido por
Flávio Bolsonaro, pedindo desculpas à madrasta, enquanto 67% disseram não ter
tomado conhecimento do gesto dele. Quando questionados se ela errou ou acertou
ao tomar tal atitude, 45% disseram que ela acertou; 38%, que ela errou; e 17%
não souberam ou não responderam. Um sintomático apoio.
É
importante verificar essa lâmina sobre o desentendimento. 42% ficaram ao seu
lado, enquanto apenas 18% ficaram ao lado de Flávio.
Mas
fica muito interessante verificar a lâmina da página 83, em que a pergunta
afunila e propõe: pelo que você sabe desse desentendimento, você tende a
concordar mais com Michelle ou com Flávio? Foram 64% os lulistas que
responderam concordar com Michelle. Dos independentes, 38%; da direita
bolsonarista, 28%; entre os bolsonaristas, 19%. Vamos combinar que ela teve
bastante apoio. Enquanto isso, Flávio recebeu 4% dos lulistas; 5% da esquerda
não lulista; 11% dos independentes; 30% da direita não bolsonarista; e, como
era de se esperar, 53% de apoio dos bolsonaristas raiz.
Como
podemos verificar, nesse grupo do núcleo bolsonarista, Flávio ainda leva
vantagem, mas espanta a concordância dos petistas com o vídeo de Michelle.
Como eu
disse no início, a minha sororidade não vai a tanto. É difícil esquecer a
imagem de Michelle ajoelhada no gramado do Alvorada, recebendo aqueles
destrambelhados que se ensoparam na chuva durante dias a fio, esperando o
milagre da multiplicação de faixas presidenciais. Também é difícil esquecer a
promessa de 72 horas do general Braga Netto, que se encontra preso e condenado
por ter tramado contra a democracia.
É
difícil acreditar que ela comia à mesma mesa que o líder do golpe que mataria o
eleito Luiz Inácio Lula da Silva sem que soubesse do que estava sendo tramado.
Impossível esquecer a informação de que Michelle mandou esvaziar o lago do
palácio para catar até o último centavo existente ali, pouco se importando com
as raras carpas japonesas, ofertadas pelo império daquele país ao Brasil,
enquanto elas se estrebuchavam até a morte.
Por
fim, é difícil crer na mulher que foi flagrada em lojas de grife gastando a
rodo e depois apontou o dedo para a primeira-dama Janja da Silva, acusando-a,
em suas redes sociais, de viajar com muitas malas e lançando no ar outras
aleivosias. E aí a gente pergunta: e a sororidade? Prefiro, nesse caso, não a
ter.
A
pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-07181/2026. Foi realizada entre
os dias 10 e 13 de julho. Foram entrevistados presencialmente 2.004 brasileiros
com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais. As
margens de erro por grupo sociodemográfico estão informadas na página 4 do
relatório.
Fonte:
Brasil 247

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