sexta-feira, 17 de julho de 2026

Agro critica postura ideológica de Flávio Bolsonaro nos EUA e vê perda de espaço político

O descontentamento de importantes alas do agronegócio brasileiro com a recente comitiva liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos acendeu um alerta no setor produtivo. Representantes do segmento criticaram a postura do parlamentar, apontando que a priorização de embates ideológicos e pautas de costumes enfraquece a representação dos interesses comerciais e econômicos do Brasil no mercado norte-americano, relata o jornal O Globo.

<><> Foco em ideologia gera desgaste

O agronegócio, que historicamente busca manter pontes pragmáticas com grandes players globais independentemente de alinhamentos partidários, reagiu com ceticismo à agenda da viagem. Para lideranças do setor, o momento exigia foco em negociações tarifárias, abertura de novos mercados e consolidação de parcerias bilaterais de exportação, especialmente diante do cenário econômico global de 2026.

Em vez disso, a narrativa de confronto político adotada pela comitiva foi vista como um elemento de distração que reduz a influência de Flávio Bolsonaro como um interlocutor viável e moderado junto a setores moderados e democratas nos EUA.

<><> Perda de protagonismo político

A avaliação interna de empresários e entidades de classe do agro é de que o senador perde espaço ao insistir em discursos polarizados. A percepção é que o pragmatismo econômico deve se sobrepor à militância partidária para evitar barreiras comerciais desnecessárias ao produto brasileiro no exterior.

Líderes do setor reforçam que o papel do parlamento em missões internacionais deve ser o de abrir portas para o PIB nacional, e não o de exportar disputas domésticas que geram ruídos diplomáticos desnecessários com Washington.

•        “Boca do jacaré” se abre com ascensão de Lula e isolamento de Flávio Bolsonaro, diz Marco Damiani

Em análise divulgada na TV 247, o editor especial Marco Damiani destacou o novo cenário desenhado pelas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial. Segundo os dados mais recentes do instituto Quaest, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 40% das intenções de voto no primeiro turno, abrindo uma vantagem de 12 pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro, que aparece com 28%.

Para Damiani, o movimento de distanciamento entre as duas candidaturas — apelidado por ele de a abertura da “boca do jacaré” — consolida uma tendência que aponta de forma favorável à reeleição de Lula, com um otimismo crescente entre aliados sobre a possibilidade de uma vitória consolidada ainda em primeiro turno.

<><> O impacto social do “Desenrola”

O jornalista aponta que o avanço da popularidade de Lula reflete diretamente a percepção popular de medidas de cunho social e econômico. O principal motor dessa alta, de acordo com o editor, tem sido a versão ampliada do programa “Desenrola”.

A iniciativa de renegociação de dívidas bancárias tem facilitado a regularização de crédito para milhões de brasileiros, gerando uma resposta altamente positiva, em especial junto às faixas de menor renda da população. O editor ressaltou que a adesão massiva demonstra a preocupação do governo com o bem-estar social das famílias endividadas.

<><> Desgaste e esvaziamento político na oposição

Do outro lado do espectro político, Flávio Bolsonaro enfrenta um processo de desgaste contínuo de sua força eleitoral. Damiani aponta que a candidatura do parlamentar vem sendo impactada por episódios polêmicos cotidianos. Como exemplo recente, o jornalista mencionou o impacto da divulgação de uma foto de Flávio ao lado de um aliado do grupo do banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido como Sicário.

O analista observa que a perda de densidade nas pesquisas tem provocado um visível isolamento político em torno do senador, que já não atrai o mesmo apoio nos palanques de outrora. Diante desse cenário de perda de bases, Damiani projeta que a viabilidade da candidatura pode sofrer novos abalos no curto prazo.

“Flávio está abandonado ao próprio destino, contando essencialmente com o apoio familiar de seu pai. É uma questão de tempo para vermos os desdobramentos dessa campanha”, concluiu o jornalista.

•        Merval diz, no Globo, que Flávio Bolsonaro não será páreo para Lula e propõe sua desistência

O jornalista Merval Pereira afirma, em sua coluna publicada nesta quinta-feira em O Globo, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República atravessa um momento de forte desgaste e já não apresenta condições de competir em igualdade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação do colunista, os resultados da mais recente pesquisa Genial/Quaest impõem ao bolsonarismo uma reflexão sobre a viabilidade de manter o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto.

Segundo Merval, a pesquisa mostra uma deterioração da posição eleitoral de Flávio Bolsonaro, inclusive entre segmentos tradicionalmente alinhados ao bolsonarismo, como parte do eleitorado evangélico. Ao mesmo tempo, Lula amplia sua vantagem fora da margem de erro, beneficiado, de acordo com o articulista, por um cenário de inflação em queda, crescimento econômico contínuo e estabilidade política.

<><> Queda nas pesquisas preocupa a direita

Para o colunista, o principal dilema da oposição é que, apesar do enfraquecimento de Flávio Bolsonaro, nenhum outro nome da direita conseguiu capitalizar essa perda de apoio. Governadores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, assim como outras lideranças conservadoras, permanecem sem conseguir se consolidar como alternativas capazes de unificar o campo oposicionista.

Merval observa que essa ausência de um substituto competitivo acaba prolongando a permanência de Flávio como principal candidato da direita, mesmo diante de indicadores eleitorais considerados desfavoráveis.

<><> Escândalos agravam desgaste

Outro fator apontado pelo jornalista é o impacto político das investigações envolvendo o Banco Master e apurações relacionadas ao crime organizado no Rio de Janeiro.

Na coluna, Merval menciona a divulgação de uma fotografia em que Flávio Bolsonaro aparece ao lado de um homem conhecido como “Sicário”, citado em investigações da Polícia Federal. Para o articulista, episódios desse tipo contribuem para aumentar o desgaste da imagem pública do senador justamente durante a campanha eleitoral.

Segundo ele, a sucessão de controvérsias dificulta a recuperação do candidato perante o eleitorado independente, que, em sua avaliação, vem se afastando do bolsonarismo.

<><> Direita pode buscar novo caminho

Na interpretação de Merval Pereira, uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro abriria espaço para uma reorganização do campo conservador. O colunista afirma que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tende a emergir como principal liderança da direita para a disputa presidencial de 2030, enquanto a família Bolsonaro poderia ficar restrita a um núcleo político mais ideológico e com menor capacidade de ampliar alianças.

O jornalista também avalia que uma direita menos identificada com o bolsonarismo radical teria melhores condições de disputar o eleitorado de centro, estratégia que, segundo ele, vem sendo adotada por Lula para ampliar sua base de apoio.

<><> Lula aparece favorito

Merval destaca ainda que os dados da pesquisa Quaest indicam que Lula venceria todos os principais candidatos da direita em um eventual segundo turno, inclusive Flávio Bolsonaro. Para o colunista, esse resultado elimina a principal vantagem que o senador ainda possuía nas análises eleitorais anteriores: a de ser considerado o adversário conservador mais competitivo diante do atual presidente.

Na conclusão de sua análise, Merval afirma que Flávio Bolsonaro “permanece como a alternativa, mas cada vez menos competitivo” e sustenta que o senador “não será páreo para Lula nos debates”, sugerindo que a direita deveria considerar uma mudança de estratégia antes que a campanha avance ainda mais.

•        Michelle, quem diria, virou item de pesquisa, diz Denise Assis

Nos seus mais megalômanos sonhos de adolescente, quando precisava se fantasiar de pacote de macarrão no supermercado onde trabalhava, Michelle Bolsonaro não deve ter imaginado que não só teria uma passagem pelo poder, ao lado do marido — ex-presidente da República —, como também um dia viraria subitem de pesquisa de um renomado instituto. Pois eis que, na avaliação divulgada hoje pela Genial/Quaest, ela não só consta nessa condição como é motivo para um capítulo inteiro, de 12 lâminas.

Não. Não me cobrem sororidade com Michelle Bolsonaro. Há limites na minha alma para seguir o politicamente correto. Não consigo fazer a boazinha nessas horas ou a consciente de ocasião.

À pergunta feita aos entrevistados na pesquisa sobre se souberam da existência da postagem de seu vídeo nas redes sociais, 51% responderam que não, contra 49% que disseram que sim, que souberam da postagem. Isso num universo de entrevistados que ajudaram a compor uma pesquisa sobre a escolha de um novo presidente. Não é pouca coisa.

Eu, por minha vez, vi o tal vídeo, contei os tais 27 minutos e, sim, também prestei atenção aos detalhes semióticos do ambiente ao redor. Sim, também fiquei tentando ler as palavrinhas bíblicas da comportada camisa azul-marinho que ela vestia. E, claro, observei a maquiagem sóbria.

Tudo isso sem perder uma palavra do texto bem construído e visivelmente escrito, no mínimo, a quatro mãos. Se as suas participaram, não sei afirmar. Porém, afirmei, assim que pude, que o seu plano não era 2030. Michelle estava se colocando à disposição desde já, porque sabe muito mais do que o comentarista da GloboNews Merval Pereira, que ontem afirmou no ar que Flávio será inviabilizado por ter, palavras dele, “envolvimento com o crime organizado”.

O jornalista não só fez a afirmação como apertou o presidente do PL — rubro e suarento. Por que será? —, Valdemar Costa Neto, querendo arrancar dele um nome para a provável substituição de Flávio no meio do jogo da pré-candidatura. Valdemar, ensaboado, escorregou e mudou o rumo da prosa. Vale destacar que Merval não falaria uma coisa grave como essa se não tivesse obtido antes alguma informação que o respaldasse. Ali, ele era a voz, mas também a voz do dono da voz. Não cabiam conjecturas.

Talvez tenha tomado conhecimento do mesmo conteúdo que Michelle já conhecia quando fez o vídeo. Certo é que ela se colocou para o jogo. E se lançou ao mar sem boia. É agora ou em 2030, mas Michelle está no páreo, queira o marido ou não. E, a julgar pela carta que veio a público no fim de semana, elevando Flávio Bolsonaro à condição de seu porta-voz, seu Jair ficou aborrecido, como já vazou para a mídia, e fez a opção preferencial pelo filho. O que não é muito usual em homens apaixonados. Ou não estaria mais o seu Jair tão apaixonado assim como quando a viu refletida no espelho do gabinete do deputado que ocupava o do lado do seu?

Certo é que, voltando aos dados da pesquisa da Quaest, que, como disse, ocupa 12 páginas com Michelle, apenas 33% souberam do vídeo-resposta produzido por Flávio Bolsonaro, pedindo desculpas à madrasta, enquanto 67% disseram não ter tomado conhecimento do gesto dele. Quando questionados se ela errou ou acertou ao tomar tal atitude, 45% disseram que ela acertou; 38%, que ela errou; e 17% não souberam ou não responderam. Um sintomático apoio.

É importante verificar essa lâmina sobre o desentendimento. 42% ficaram ao seu lado, enquanto apenas 18% ficaram ao lado de Flávio.

Mas fica muito interessante verificar a lâmina da página 83, em que a pergunta afunila e propõe: pelo que você sabe desse desentendimento, você tende a concordar mais com Michelle ou com Flávio? Foram 64% os lulistas que responderam concordar com Michelle. Dos independentes, 38%; da direita bolsonarista, 28%; entre os bolsonaristas, 19%. Vamos combinar que ela teve bastante apoio. Enquanto isso, Flávio recebeu 4% dos lulistas; 5% da esquerda não lulista; 11% dos independentes; 30% da direita não bolsonarista; e, como era de se esperar, 53% de apoio dos bolsonaristas raiz.

Como podemos verificar, nesse grupo do núcleo bolsonarista, Flávio ainda leva vantagem, mas espanta a concordância dos petistas com o vídeo de Michelle.

Como eu disse no início, a minha sororidade não vai a tanto. É difícil esquecer a imagem de Michelle ajoelhada no gramado do Alvorada, recebendo aqueles destrambelhados que se ensoparam na chuva durante dias a fio, esperando o milagre da multiplicação de faixas presidenciais. Também é difícil esquecer a promessa de 72 horas do general Braga Netto, que se encontra preso e condenado por ter tramado contra a democracia.

É difícil acreditar que ela comia à mesma mesa que o líder do golpe que mataria o eleito Luiz Inácio Lula da Silva sem que soubesse do que estava sendo tramado. Impossível esquecer a informação de que Michelle mandou esvaziar o lago do palácio para catar até o último centavo existente ali, pouco se importando com as raras carpas japonesas, ofertadas pelo império daquele país ao Brasil, enquanto elas se estrebuchavam até a morte.

Por fim, é difícil crer na mulher que foi flagrada em lojas de grife gastando a rodo e depois apontou o dedo para a primeira-dama Janja da Silva, acusando-a, em suas redes sociais, de viajar com muitas malas e lançando no ar outras aleivosias. E aí a gente pergunta: e a sororidade? Prefiro, nesse caso, não a ter.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-07181/2026. Foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho. Foram entrevistados presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais. As margens de erro por grupo sociodemográfico estão informadas na página 4 do relatório.

 

Fonte: Brasil 247

 

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