O
pequeno ajuste de posição que aumenta o orgasmo feminino
Existe
um problema que a ciência do sexo tenta resolver há décadas. Chama-se
"diferença de orgasmo" e afeta principalmente casais heterossexuais.
Um
estudo publicado em 2017 no periódico científico Archives of Sexual Behavior
resumiu a questão com um dado difícil de ignorar: 95% dos homens heterossexuais
relataram atingir o orgasmo regularmente durante o sexo. Entre as mulheres
heterossexuais, esse número caiu para 65%. No entanto, entre as mulheres
lésbicas essa porcentagem é de 86%.
Por
quê? Parte da explicação pode estar relacionada em uma das posições mais comuns
entre os casais: a "papai e mamãe", que continua sendo um clássico no
sexo heterossexual, embora também tenha a reputação de ser rotineira e
monôtona.
Mas o
que realmente chama a atenção não é o fato de ser entediante para alguns, mas,
sim, que não parece ser particularmente eficaz para o prazer. Em um artigo da
revista científica Psychology Today, o especialista em sexualidade Michael
Castleman cita estudos que mostram que apenas uma em cada quatro mulheres
atinge o orgasmo consistentemente na posição clássica, independentemente do
tamanho do pênis ou da duração da relação.
A
resposta, porém, tem mais a ver com anatomia. Nessa posição, o pênis raramente
estimula diretamente o clitóris, o principal órgão associado ao orgasmo
feminino. Se essa área recebe pouca fricção, é menos provável que o orgasmo
seja alcançado apenas pela penetração.
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Pequena mudança, grande diferença
Mas há
boas notícias. Há quase 40 anos, diversos pesquisadores e terapeutas sexuais
vêm discutindo um pequeno ajuste que modifica a mecânica da posição.
Essa
mudança é conhecida como técnica de alinhamento coital, ou CAT (do inglês
coital alignment technique). Seu apelido é consideravelmente menos elegante. Em
inglês, é chamada de "ralar milho", imagem que descreve
surpreendentemente bem o movimento.
A
técnica CAT não surgiu no TikTok nem em nenhum fórum da internet. Ela foi
propagada pelo psicoterapeuta americano Edward Eichel em 1988 e, na época,
causou grande alvoroço: artigos, um livro inteiro (The Perfect Fit, sem edição
no Brasil) e uma onda de atenção da mídia que, segundo Castleman, desapareceu
quase tão rápido quanto surgiu. Na década de 1990, era pouco mais que uma nota
de rodapé na sexologia americana.
No
entanto, o interesse científico não desapareceu completamente. Embora tenha
deixado de receber atenção da mídia, a técnica continuou sendo abordada em
diversos estudos.
Em um
estudo realizado com mulheres que não conseguiam atingir o orgasmo usando a
posição convencional, aquelas que aprenderam a técnica CAT aumentaram a
frequência de seus orgasmos em 56%. Em comparação, entre as participantes que
realizaram apenas exercícios de masturbação guiada, a melhora foi de 27%, de
acordo com estudos citados por Castleman na Psychology Today.
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Como se pratica a técnica
Na
prática, a mudança é muito mais simples do que o nome sugere. Em vez de se
posicionarem exatamente frente a frente, a pessoa que está por cima move o
corpo alguns centímetros para a frente até que o peito fique aproximadamente na
altura dos ombros da outra pessoa. Essa pequena mudança permite que a base do
pênis roce no clitóris durante o movimento. E esse detalhe faz toda a
diferença.
Em vez
de buscar penetração repetida, a prioridade passa a ser manter o contato entre
as pélvis por meio de um movimento mais curto, contínuo e quase circular, no
qual a fricção assume o papel principal.
O
terapeuta sexual Ian Kerner resume isso de forma simples para a revista Women's
Health. Uma penetração particularmente profunda não é fundamentalmente
necessária. O importante, garante Kerner, é manter uma pressão constante no
clitóris. Para facilitar esse contato, alguns especialistas recomendam colocar
uma almofada sob os quadris da pessoa que está por baixo para melhorar o
ângulo, uma sugestão que está de acordo com um pequeno estudo publicado na
revista Sexologies, divulgada pelo portal científico IFLScience.
Nesse
estudo, os autores mediram o fluxo sanguíneo para o clitóris em cinco posições
diferentes e descobriram que a "papai e mamãe" com um travesseiro sob
a pélvis produziu o maior aumento.
No
entanto, no caso deste estudo, é importante não tirar conclusões precipitadas.
Os próprios autores reconhecem limitações significativas. Apenas um casal
heterossexual participou, portanto, os resultados não podem ser extrapolados
para a população em geral. Além disso, os pesquisadores não mediram orgasmos.
Eles analisaram apenas o fluxo sanguíneo como indicador de excitação.
Mesmo
com essas limitações, a ideia subjacente está alinhada com o que outros estudos
e especialistas sugerem: para muitas mulheres, a penetração por si só não
proporciona a estimulação necessária para atingir o orgasmo.
Precisamente
por esse motivo, a técnica de alinhamento coital não consiste em uma posição
rígida, mas sim em adaptar o contato e o ângulo para promover essa estimulação.
Ian Kerner explicou à revista Women's Health que não existe uma única maneira
correta de praticá-la. Em alguns casos, uma penetração superficial e um ângulo
próximo a 90 graus em relação ao clitóris são suficientes. Em outros, uma
penetração mais profunda funciona melhor.
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Um pênis nem sempre é necessário
Além
disso, a técnica não depende necessariamente de um pênis. Pode ser praticada
com um arnês e também entre pessoas com vulva. Nesse caso, a sexóloga Gigi
Engle sugere colocar uma coxa entre as pernas do parceiro para gerar fricção no
osso púbico.
Especialistas
acrescentam outros pequenos ajustes que podem fazer a diferença. Apertar as
coxas para aumentar a pressão, envolver as pernas na cintura do parceiro para
sincronizar os movimentos ou incorporar um anel vibratório são algumas delas.
E há
uma recomendação que aparece em praticamente todos os guias: comunicação. Dizer
o que funciona, o que não funciona e fazer ajustes conforme necessário –
prestando atenção aos sinais do corpo durante o ato – geralmente é muito mais
útil do que confiar que a outra pessoa adivinhe o que está acontecendo.
Cada
corpo é diferente. Em última análise, a técnica CAT não é uma fórmula mágica,
nem funciona da mesma forma para todos. A terapeuta Georgina Vass lembra, em
entrevista ao portal Vice, que há pessoas nas quais simplesmente não
funcionará, não importa quanta prática acumulem.
Nesses
casos, é perfeitamente aceitável retornar à posição clássica e adicionar
estimulação clitoriana manual. O interessante é que, após quase quatro décadas
de estudos dispersos, a conclusão permanece a mesma. Às vezes, a diferença
entre um ato sexual frustrante e um muito mais prazeroso não depende de tentar
uma posição extravagante. Basta mover o corpo alguns centímetros.
Fonte:
DW Brasil

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