sábado, 18 de julho de 2026

Irã descarta negociações com EUA e fala em responder ‘com total força’

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou nesta quarta-feira (15/07) que Teerã não tem planos de se envolver em negociações com os Estados Unidos e está focada exclusivamente na defesa do país. A posição foi dada a repórteres, em meio a violações norte-americanas do Memorando de Entendimento (MoU) mediado pelo Paquistão. 

“Nossos compromissos permanecem em vigor apenas enquanto o outro lado cumprir suas promessas”, disse Baghaei, destacando o princípio da reciprocidade na abordagem iraniana sobre o MoU. “Dissemos desde o início: compromisso em troca de compromisso. Cumpriremos nossas obrigações enquanto o outro lado cumprir as dele. Depois que a outra parte violou suas obrigações, também nos abstivemos de implementar as nossas em qualquer área onde fosse exigido”.

Nos últimos dias, o Exército norte-americano tem deflagrado várias rodadas de ataques aéreos contra o sul do Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou uma retaliação, atingindo dezenas de alvos militares de Washington estabelecidos em países da região do Oriente Médio, como Kuwait, Bahrein e Jordânia. 

De acordo com as autoridades iranianas, as agressões norte-americanas mataram ao menos 30 civis no país, enquanto 260 ficaram feridos. Já o Ministério da Saúde do país persa informou que, somente neste mês, pelo menos 35 pessoas foram mortas e 300 ficaram feridas nos ataques conduzidos pelos Estados Unidos. As províncias que sofreram os maiores danos foram Hormozgan, Sistão e Baluchestão, e Khuzestan.

Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, neste momento, o país está “focado apenas na defesa”.

“Nossos combatentes responderão com total força às agressões dos Estados Unidos, e em outras cláusulas do memorando, onde quer que tivéssemos compromissos recíprocos, não os implementamos”, ressaltou Baghaei. “Não há dúvida sobre defender o país. Nossas Forças Armadas responderão com toda a sua força (…) quando eles atingem, eles também são atingidos”.

<><> Irã está ‘sempre pronto para combate’

Da mesma forma, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador das tratativas que estão paralisadas em meio às agressões norte-americanas, afirmou que se Teerã não se beneficiar do memorando de entendimento com Washington, não há razão para cumpri-lo.

“O memorando de entendimento é significativo quando suas cláusulas são válidas e implementadas. Caso contrário, se a República Islâmica do Irã não se beneficiar deste texto, também não temos motivo para aderir a ele”, apontou. “Como estamos testemunhando atualmente, nossas Forças Armadas, como sempre, têm total liberdade de ação para enfrentar a agressão do inimigo”.

Em relação à defesa, o presidente do Parlamento endossou as palavras do porta-voz da chancelaria Esmail Baghaei ao sustentar que a nação iraniana deve “estar sempre pronta para o combate e defender sua segurança e interesses nacionais até a morte”.

“Antes de tudo, devemos saber que estamos em uma guerra essencial e existencial com os Estados Unidos, cujo objetivo, além de derrubar o sistema sagrado da República Islâmica do Irã como principal pilar da frente da verdade, é desmembrar nosso amado país, o Irã. Essa estratégia do inimigo não mudou”, afirmou. “Os Estados Unidos, sempre que podem, buscam atacar o Irã e promover seus próprios interesses, e isso não se limita à guerra, negociação ou ao atual presidente norte-americano”, denunciou.

De acordo com ele, não existe outra alternativa que não seja confiar nas capacidades nacionais. Recordou ainda que a união do povo foi capaz de derrubar “o plano sinistro do inimigo na Guerra dos 40 Dias”, forçando os agressores a pedir um cessar-fogo.  “Os Estados Unidos sempre tiveram uma atitude arrogante e nunca aceitarão um Irã forte”, alertou Ghalibaf.

“Nunca admitimos e nunca admitiremos guerra, mas devemos sempre estar preparados para o combate e defender nossa segurança nacional e interesses até a morte. Além disso, também devemos usar os instrumentos da diplomacia e da negociação para materializar e consolidar os interesses nacionais”, concluiu o alto funcionário.

¨      Presidente iraniano rechaça ameaças de Trump e diz que defenderá 'cada centímetro' do país

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (15/07) que seu país responderá, na prática, às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que defenderá “cada centímetro” de seu território nacional.

A declaração surge em meio a escalada das tensões militares, após os recentes ataques das Forças Armadas norte-americanas contra cidades costeiras do sul do Irã; e subsequentes contra-ataques defensivos de Teerã com mísseis balísticos e drones contra bases militares americanas no Golfo Pérsico e na Jordânia.

O chefe de Estado iraniano rechaçou as declarações de Trump, classificando-as como ofensivas e que refletem apenas a natureza do orador e não a realidade da nação iraniana. Durante uma coletiva de imprensa, Pezeshkian questionou os resultados da campanha militar e política conduzida pela Casa Branca contra a soberania de seu país.

“Aqueles que buscaram despedaçar o nosso Irã, onde foram parar? […] Sua retórica continua, mas a questão é: eles alcançaram seus objetivos no campo de batalha?”

<><> Escalada militar

A escalada militar prosseguiu com novos ataques aéreos dos Estados Unidos na tarde desta terça-feira (14/07) contra as cidades iranianas de Bandar Abbas, Bushehr e Abadan. Relatos locais indicaram que vários mísseis atingiram a área, embora nenhum detalhe imediato tenha sido fornecido sobre vítimas ou danos.

As operações ocorreram após declarações de Trump, que afirmou que as forças de Washington atacaram o Irã “com muita força” para eliminar “quase toda” sua capacidade militar.

A ofensiva de Washington ocorre apesar do anúncio unilateral de cessar-fogo feito por Trump, em 7 de abril, após um período de agressão conjunta entre Estados Unidos e Israel.

Teerã denuncia as constantes violações territoriais por parte dos Estados Unidos, mesmo após a assinatura, em junho, do memorando de entendimento (MoU) intermediado pelo Paquistão, cujo primeiro ponto exige explicitamente a cessação das hostilidades em todas as frentes.

Recentemente, Trump declarou o término deste memorando e ofendeu os líderes da República Islâmica ao chamá-los de “escória”, “mentirosos” e “doentes”, acrescentando que não deseja negociar e sugerindo que a instalação nuclear subterrânea de Pickaxe Mountain é um alvo militar viável.

<><> Estreito de Ormuz

As tensões marítimas no Estreito de Ormuz permanecem no centro do conflito econômico e militar. Trump propôs a imposição de um pedágio no estreito para que a Casa Branca recebesse um reembolso de 20% sobre a carga transportada, uma posição que ele teve que modificar temporariamente devido à forte oposição dos estados árabes do Golfo Pérsico.

A proposta de pedágio contradiz a posição anterior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que afirmava que nenhuma nação tem o direito de cobrar taxas em vias navegáveis ​​internacionais.

Entretanto, as Forças Armadas do Irã acusaram as tropas norte-americanas de escoltar ilegalmente embarcações intrusas para contornar as rotas de trânsito seguras designadas e protegidas pela Marinha iraniana.

Teerã respondeu militarmente a todas as incursões no Estreito de Ormuz. O comando militar iraniano reafirmou na terça-feira (14/07) que suas forças não recuarão sob nenhuma circunstância e advertiu que a passagem marítima estratégica de Ormuz “jamais será reaberta por meio de guerra, agressão ou ataques dos Estados Unidos”.

Diante da ameaça de agressão externa, Pezeshkian fez um apelo direto à coesão social dentro da República Islâmica. O chefe de Estado advertiu que “qualquer comportamento ou ação que crie divisão na sociedade” afetaria diretamente as capacidades defensivas do país e “enfraqueceria sua força” ante as agressões.

¨      Irã acusa EUA de 'crime de guerra' após ataques próximos a hospital de crianças com câncer

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de cometerem um “crime de guerra” nesta quinta-feira (16/07), após uma série de bombardeios nas proximidades de um hospital pediátrico, especializado no tratamento de câncer, na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país.

Os ataques ocorreram na noite desta quarta-feira (15/07), obrigando a retirada de emergência de 211 pacientes em tratamento quimioterápico, muitos deles crianças em estado grave. A unidade foi totalmente evacuada e está temporariamente fora de funcionamento.

Em mensagem publicada nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai, classificou a ação como um “ataque bárbaro” e comparou a ofensiva às operações militares israelenses contra instalações de saúde na Faixa de Gaza.

“Este ataque bárbaro, que faz lembrar as atrocidades cometidas por Israel contra instalações de saúde, causou grande sofrimento e ansiedade às crianças hospitalizadas e exigiu a retirada de emergência de 211 pacientes em tratamento de quimioterapia. Isto constitui um crime de guerra covarde contra os seres humanos mais inocentes, crianças que lutam bravamente pelas suas vidas”, lamentou Baghai.

Ele acrescentou que “aqueles que pregam incessantemente os direitos humanos, mas fecham deliberadamente os olhos aos ataques contra hospitais e centros de saúde, perderam toda a credibilidade moral”.

O diretor da unidade, Reza Bazar, afirmou à Al Jazeera que a infraestrutura hospitalar foi afetada pelos ataques norte-americanos, embora não haja relatos de vítimas dentro do prédio. Já o diretor do hospital, Majid Bou’azar, acrescentou que trata-se de “pacientes especiais, incluindo pacientes com câncer, que estão hospitalizados aqui”.

“Infelizmente, a área ao redor foi fortemente bombardeada. Alguns dos pacientes estavam em oxigênio e ventiladores”, afirmou.

<><> Alvos ao norte

Enquanto Teerã denunciava o ataque ao hospital, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou uma nova onda de bombardeios contra instalações militares iranianas, incluindo alvos mais ao norte do país e áreas próximas à capital, Teerã, atingidas pela primeira vez desde o início da atual escalada.

Segundo o CENTCOM, os ataques tiveram como objetivo “degradar ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros inocentes” no Estreito de Ormuz. Os militares norte-americanos também afirmaram ter “desativado” um petroleiro que navegava em direção a um porto iraniano com o uso de mísseis Hellfire.

A imprensa iraniana informou explosões na Ilha de Qeshm, além das cidades portuárias de Bandar Abbas e Chabahar.

<><> Contra-ataques do Irã

O Irã, por sua vez, informou ter realizado ataques retaliatórios contra bases militares dos Estados Unidos no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia. Ao mesmo tempo, as Forças Armadas do Kuwait anunciaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram novos “drones hostis” durante a madrugada.

Nesta quinta-feira (16/07), o porta-voz das Forças Armadas iranianas, Mohammad Akraminia, afirmou que Teerã não pretende confrontar os países vizinhos do Oriente Médio, mas advertiu que a guerra poderá se expandir caso Washington mantenha os ataques.

“O Irã não tem intenção de confrontar seus países vizinhos ou as nações islâmicas da região. Tem enfatizado consistentemente a ampliação da cooperação e o desenvolvimento de relações fraternas com os Estados da região.”

No entanto, acrescentou, “as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para salvaguardar a segurança e os interesses nacionais do país”. Segundo Akraminia, “uma parte significativa das capacidades das forças armadas ainda não foi demonstrada”.

“Caso quaisquer ações hostis contra o país continuem, a resposta do Irã será proporcional às circunstâncias e superará as expectativas do inimigo, abrindo novos campos de confronto”, afirmou o porta-voz iraniano.

<><> Mísseis iranianos esgotam arsenal bilionário dos EUA no Oriente Médio, aponta mídia

Durante a guerra com o Irã, os EUA gastaram quase todos os mísseis de seus sistemas de defesa antiaérea Patriot PAC-3 e THAAD, escreveu um jornal britânico.

O jornal salienta que os mísseis iranianos estão atravessando as defesas dos EUA, apesar dos enormes gastos do Pentágono para impedir esses ataques.

"Os EUA já haviam disparado cerca de metade do seu estoque de Patriot PAC-3, a US$ 4,2 milhões [R$ 21,3 milhões] por tiro, e entre 53% e 80% de seus interceptadores THAAD, a US$ 12,7 milhões [R$ R$ 64,5 milhões] cada — isso significa até US$ 10 bilhões [R$ 50,77 bilhões] em armamento defensivo gasto apenas nesses dois sistemas", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, o avanço dos ataques iranianos tem revelado mísseis e drones cada vez mais sofisticados, capazes de transpor as defesas regionais. Essas armas apresentam maior resistência a contramedidas eletrônicas, forçando os defensores a utilizar interceptadores dispendiosos.

O rápido consumo desses interceptadores está esgotando os estoques dos Estados Unidos e de seus aliados, gerando dificuldades de reposição a longo prazo, observa o material.

Os sistemas de ataque iranianos têm se mostrado repetidamente eficazes. O resultado é um problema estratégico para os EUA, que precisam escolher entre interceptações dispendiosas ou métodos menos confiáveis, conclui a reportagem.

Anteriormente, um relatório analítico do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) informou que os Estados Unidos correm o risco de enfrentar uma escassez crítica de mísseis de alta precisão em futuros confrontos de grande escala devido ao esgotamento de seus arsenais durante o conflito com o Irã.

O CSIS estimou que o uso intensivo de tipos essenciais de mísseis nas últimas semanas levou a uma redução significativa nos estoques, enquanto a restauração da capacidade de produção ao nível necessário pode levar vários anos.

 

Fonte: Opera Mundi

 

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