Irã
descarta negociações com EUA e fala em responder ‘com total força’
O
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou
nesta quarta-feira (15/07) que Teerã não tem planos de se envolver em
negociações com os Estados Unidos e está focada exclusivamente na defesa do
país. A posição foi dada a repórteres, em meio a violações norte-americanas do
Memorando de Entendimento (MoU) mediado pelo Paquistão.
“Nossos
compromissos permanecem em vigor apenas enquanto o outro lado cumprir suas
promessas”, disse Baghaei, destacando o princípio da reciprocidade na abordagem
iraniana sobre o MoU. “Dissemos desde o início: compromisso em troca de
compromisso. Cumpriremos nossas obrigações enquanto o outro lado cumprir as
dele. Depois que a outra parte violou suas obrigações, também nos
abstivemos de implementar as nossas em qualquer área onde fosse exigido”.
Nos
últimos dias, o Exército norte-americano tem deflagrado várias rodadas de
ataques aéreos contra o sul do Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária
Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou uma retaliação, atingindo dezenas de alvos militares de
Washington estabelecidos em países da região do Oriente Médio, como Kuwait,
Bahrein e Jordânia.
De
acordo com as autoridades iranianas, as agressões norte-americanas mataram ao
menos 30 civis no país, enquanto 260 ficaram feridos. Já o Ministério da Saúde
do país persa informou que, somente neste mês, pelo menos 35 pessoas foram
mortas e 300 ficaram feridas nos ataques conduzidos pelos Estados Unidos. As
províncias que sofreram os maiores danos foram Hormozgan, Sistão e Baluchestão,
e Khuzestan.
Segundo
o porta-voz da chancelaria iraniana, neste momento, o país está “focado apenas
na defesa”.
“Nossos
combatentes responderão com total força às agressões dos Estados Unidos, e em
outras cláusulas do memorando, onde quer que tivéssemos compromissos
recíprocos, não os implementamos”, ressaltou Baghaei. “Não há dúvida sobre
defender o país. Nossas Forças Armadas responderão com toda a sua força (…)
quando eles atingem, eles também são atingidos”.
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Irã está ‘sempre pronto para combate’
Da
mesma forma, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf,
principal negociador das tratativas que estão paralisadas em meio às agressões
norte-americanas, afirmou que se Teerã não se beneficiar do memorando de
entendimento com Washington, não há razão para cumpri-lo.
“O
memorando de entendimento é significativo quando suas cláusulas são válidas e
implementadas. Caso contrário, se a República Islâmica do Irã não se beneficiar
deste texto, também não temos motivo para aderir a ele”, apontou. “Como estamos
testemunhando atualmente, nossas Forças Armadas, como sempre, têm total
liberdade de ação para enfrentar a agressão do inimigo”.
Em
relação à defesa, o presidente do Parlamento endossou as palavras do porta-voz
da chancelaria Esmail Baghaei ao sustentar que a nação iraniana deve “estar
sempre pronta para o combate e defender sua segurança e interesses nacionais
até a morte”.
“Antes
de tudo, devemos saber que estamos em uma guerra essencial e existencial com os
Estados Unidos, cujo objetivo, além de derrubar o sistema sagrado da República
Islâmica do Irã como principal pilar da frente da verdade, é desmembrar nosso
amado país, o Irã. Essa estratégia do inimigo não mudou”, afirmou. “Os Estados
Unidos, sempre que podem, buscam atacar o Irã e promover seus próprios
interesses, e isso não se limita à guerra, negociação ou ao atual presidente
norte-americano”, denunciou.
De
acordo com ele, não existe outra alternativa que não seja confiar nas
capacidades nacionais. Recordou ainda que a união do povo foi capaz de derrubar
“o plano sinistro do inimigo na Guerra dos 40 Dias”, forçando os agressores a
pedir um cessar-fogo. “Os Estados Unidos sempre tiveram uma atitude
arrogante e nunca aceitarão um Irã forte”, alertou Ghalibaf.
“Nunca
admitimos e nunca admitiremos guerra, mas devemos sempre estar preparados para
o combate e defender nossa segurança nacional e interesses até a morte. Além
disso, também devemos usar os instrumentos da diplomacia e da negociação para
materializar e consolidar os interesses nacionais”, concluiu o alto
funcionário.
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Presidente iraniano rechaça ameaças de Trump e diz que
defenderá 'cada centímetro' do país
O
presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (15/07) que
seu país responderá, na prática, às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump,
e que defenderá “cada centímetro” de seu território nacional.
A
declaração surge em meio a escalada das tensões militares, após os recentes
ataques das Forças Armadas norte-americanas contra cidades costeiras do sul do
Irã; e subsequentes contra-ataques defensivos de Teerã com mísseis balísticos e
drones contra bases militares americanas no Golfo Pérsico e na Jordânia.
O chefe
de Estado iraniano rechaçou as declarações de Trump, classificando-as como
ofensivas e que refletem apenas a natureza do orador e não a realidade da nação
iraniana. Durante uma coletiva de imprensa, Pezeshkian questionou os resultados da campanha militar e política
conduzida pela Casa Branca contra a soberania de seu país.
“Aqueles
que buscaram despedaçar o nosso Irã, onde foram parar? […] Sua retórica
continua, mas a questão é: eles alcançaram seus objetivos no campo de batalha?”
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Escalada militar
A escalada militar prosseguiu com novos
ataques aéreos
dos Estados Unidos na tarde desta terça-feira (14/07) contra as cidades
iranianas de Bandar Abbas, Bushehr e Abadan. Relatos locais indicaram que
vários mísseis atingiram a área, embora nenhum detalhe imediato tenha sido
fornecido sobre vítimas ou danos.
As
operações ocorreram após declarações de Trump, que afirmou que as forças de
Washington atacaram o Irã “com muita força” para eliminar “quase toda” sua
capacidade militar.
A
ofensiva de Washington ocorre apesar do anúncio unilateral de cessar-fogo feito
por Trump, em 7 de abril, após um período de agressão conjunta entre Estados
Unidos e Israel.
Teerã
denuncia as constantes violações territoriais por parte dos Estados Unidos,
mesmo após a assinatura, em junho, do memorando de entendimento (MoU)
intermediado pelo Paquistão, cujo primeiro ponto exige explicitamente a
cessação das hostilidades em todas as frentes.
Recentemente,
Trump declarou o término deste memorando e ofendeu os líderes da República
Islâmica ao chamá-los de “escória”, “mentirosos” e “doentes”, acrescentando que
não deseja negociar e sugerindo que a instalação nuclear subterrânea de Pickaxe
Mountain é um alvo militar viável.
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Estreito de Ormuz
As tensões marítimas no Estreito de
Ormuz permanecem
no centro do conflito econômico e militar. Trump propôs a imposição de um
pedágio no estreito para que a Casa Branca recebesse um reembolso de 20% sobre
a carga transportada, uma posição que ele teve que modificar temporariamente
devido à forte oposição dos estados árabes do Golfo Pérsico.
A
proposta de pedágio contradiz a posição anterior do Departamento de Estado dos
Estados Unidos, que afirmava que nenhuma nação tem o direito de cobrar taxas em
vias navegáveis internacionais.
Entretanto,
as Forças Armadas do Irã acusaram as tropas norte-americanas de escoltar
ilegalmente embarcações intrusas para contornar as rotas de trânsito seguras
designadas e protegidas pela Marinha iraniana.
Teerã
respondeu militarmente a todas as incursões no Estreito de Ormuz. O comando
militar iraniano reafirmou na terça-feira (14/07) que suas forças não recuarão
sob nenhuma circunstância e advertiu que a passagem marítima estratégica de
Ormuz “jamais será reaberta por meio de guerra, agressão ou ataques dos Estados
Unidos”.
Diante
da ameaça de agressão externa, Pezeshkian fez um apelo direto à coesão social
dentro da República Islâmica. O chefe de Estado advertiu que “qualquer
comportamento ou ação que crie divisão na sociedade” afetaria diretamente as
capacidades defensivas do país e “enfraqueceria sua força” ante as agressões.
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Irã acusa EUA de 'crime de guerra' após ataques próximos
a hospital de crianças com câncer
O governo do Irã acusou os Estados
Unidos de
cometerem um “crime de guerra” nesta quinta-feira (16/07), após uma série de
bombardeios nas proximidades de um hospital pediátrico, especializado no
tratamento de câncer, na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país.
Os
ataques ocorreram na noite desta quarta-feira (15/07), obrigando a retirada de
emergência de 211 pacientes em tratamento quimioterápico, muitos deles crianças
em estado grave. A unidade foi totalmente evacuada e está temporariamente fora
de funcionamento.
Em mensagem publicada nas redes
sociais,
o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai,
classificou a ação como um “ataque bárbaro” e comparou a ofensiva às operações
militares israelenses contra instalações de saúde na Faixa de
Gaza.
“Este
ataque bárbaro, que faz lembrar as atrocidades cometidas por Israel contra
instalações de saúde, causou grande sofrimento e ansiedade às crianças
hospitalizadas e exigiu a retirada de emergência de 211 pacientes em tratamento
de quimioterapia. Isto constitui um crime de guerra covarde contra os seres
humanos mais inocentes, crianças que lutam bravamente pelas suas vidas”,
lamentou Baghai.
Ele
acrescentou que “aqueles que pregam incessantemente os direitos humanos, mas
fecham deliberadamente os olhos aos ataques contra hospitais e centros de
saúde, perderam toda a credibilidade moral”.
O
diretor da unidade, Reza Bazar, afirmou à Al Jazeera que a
infraestrutura hospitalar foi afetada pelos ataques norte-americanos, embora
não haja relatos de vítimas dentro do prédio. Já o diretor do hospital, Majid
Bou’azar, acrescentou que trata-se de “pacientes especiais, incluindo pacientes
com câncer, que estão hospitalizados aqui”.
“Infelizmente,
a área ao redor foi fortemente bombardeada. Alguns dos pacientes estavam em
oxigênio e ventiladores”, afirmou.
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Alvos ao norte
Enquanto Teerã denunciava o ataque ao hospital, o Comando Central
dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou uma nova onda de bombardeios contra
instalações militares iranianas, incluindo alvos mais ao norte do país e áreas
próximas à capital, Teerã, atingidas pela primeira vez desde o início da atual
escalada.
Segundo
o CENTCOM, os ataques tiveram como objetivo “degradar ainda mais a capacidade
do Irã de ameaçar marinheiros inocentes” no Estreito de Ormuz. Os militares
norte-americanos também afirmaram ter “desativado” um petroleiro que navegava
em direção a um porto iraniano com o uso de mísseis Hellfire.
A
imprensa iraniana informou explosões na Ilha de Qeshm, além das cidades
portuárias de Bandar Abbas e Chabahar.
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Contra-ataques do Irã
O Irã,
por sua vez, informou ter realizado ataques retaliatórios contra bases
militares dos
Estados Unidos no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia. Ao mesmo tempo, as Forças
Armadas do Kuwait anunciaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram
novos “drones hostis” durante a madrugada.
Nesta
quinta-feira (16/07), o porta-voz das Forças Armadas iranianas, Mohammad
Akraminia, afirmou que Teerã não pretende confrontar os países vizinhos do
Oriente Médio, mas advertiu que a guerra poderá se expandir caso Washington
mantenha os ataques.
“O Irã
não tem intenção de confrontar seus países vizinhos ou as nações islâmicas da
região. Tem enfatizado consistentemente a ampliação da cooperação e o
desenvolvimento de relações fraternas com os Estados da região.”
No
entanto, acrescentou, “as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas
para salvaguardar a segurança e os interesses nacionais do país”. Segundo
Akraminia, “uma parte significativa das capacidades das forças armadas ainda
não foi demonstrada”.
“Caso
quaisquer ações hostis contra o país continuem, a resposta do Irã será
proporcional às circunstâncias e superará as expectativas do inimigo, abrindo
novos campos de confronto”, afirmou o porta-voz iraniano.
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Mísseis iranianos esgotam arsenal bilionário dos EUA no Oriente Médio, aponta
mídia
Durante
a guerra com o Irã, os EUA gastaram quase todos os mísseis de seus sistemas de
defesa antiaérea Patriot PAC-3 e THAAD, escreveu um jornal britânico.
O
jornal salienta que os mísseis iranianos estão
atravessando as defesas dos EUA, apesar dos enormes gastos do Pentágono para
impedir esses ataques.
"Os
EUA já haviam disparado cerca de metade do seu estoque de Patriot PAC-3, a US$
4,2 milhões [R$ 21,3 milhões] por tiro, e entre 53% e 80% de seus
interceptadores THAAD, a US$ 12,7 milhões [R$ R$ 64,5 milhões] cada — isso
significa até US$ 10 bilhões [R$ 50,77 bilhões] em armamento defensivo gasto
apenas nesses dois sistemas", ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, o avanço dos ataques iranianos tem revelado mísseis e drones
cada vez mais sofisticados, capazes de transpor as defesas regionais. Essas
armas apresentam maior resistência a contramedidas eletrônicas, forçando os
defensores a utilizar interceptadores dispendiosos.
O
rápido consumo desses interceptadores está esgotando os estoques dos Estados Unidos e de seus
aliados, gerando dificuldades de reposição a longo prazo, observa o
material.
Os
sistemas de ataque iranianos têm se mostrado repetidamente eficazes. O
resultado é um problema estratégico para os EUA, que precisam escolher entre
interceptações dispendiosas ou métodos menos confiáveis, conclui a reportagem.
Anteriormente,
um relatório analítico do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais
(CSIS, na sigla em inglês) informou que os Estados
Unidos correm o risco de enfrentar uma escassez crítica de mísseis de alta
precisão em futuros confrontos de grande escala devido ao esgotamento de
seus arsenais durante o conflito com o Irã.
O CSIS
estimou que o uso intensivo de tipos essenciais de mísseis nas últimas semanas
levou a uma redução significativa nos estoques, enquanto a restauração da
capacidade de produção ao nível necessário pode levar vários anos.
Fonte:
Opera Mundi

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