sábado, 18 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro é um candidato desfigurado

Uma pesquisa qualitativa, dessas bem ao gosto de marqueteiros que reorientariam até o discurso de Jesus Cristo, pode esclarecer como os eleitores enxergam Flávio Bolsonaro como expressão da oposição a Lula. Não para que digam genericamente que representa o antilulismo ou o pai.

Flávio ainda carrega nas costas os sonhos e delírios do eleitor disruptivo? Significa para a Faria Lima a única chance de segurar Lula? Mas que vantagem isso oferece? Flávio continua sendo a aposta do centrão, mas qual centrão?

Tarcísio de Freitas não quer Flávio por perto. Michelle o denunciou como arrogante, machista e politicamente frágil. Bolsonaro fez uma cartinha em que o apresenta como incapaz de caminhar com as próprias pernas.

O mercado financeiro se deu conta de que o preço a ser pago para bancá-lo, até agora sem um Paulo Guedes, é alto demais. Essa gente leva em conta as evidências de que está difícil encontrar um novo Posto Ipiranga entre figuras com reputação e sem vínculos com a Faria Lima do PCC.

Flávio Bolsonaro não terá mais, pela proibição das visitas, a chance de chegar diante do pai e pedir para que seja reprogramado: “o que faço agora, pai? Por que me desamparaste, permitindo que minha madrasta me destrua?”.

Bolsonaro não pode saber que a última pesquisa da Quaest tem um dado que os analistas desprezaram. É pior do que a diferença de oito pontos (45% a 37%) para Lula. Pior do que a revelação de que, na guerra com Michelle, para 42% ela é quem está certa, e para apenas 18% o certo é Flávio.

Também não é o outro dado segundo o qual a aprovação de Lula (48%) finalmente é maior do que a desaprovação (47%). O dado menosprezado é este aqui: Caiado, Zema e Renan Santos são quase tão ‘competitivos’ quanto Flávio num segundo turno.

É uma realidade que se reafirma e se consolida. Lula tem o mesmo índice de 45% contra os outros considerados pangarés, quando Flávio é trocado por um dos três. Caiado teria 36%, só um ponto a menos do que Flávio. Zema ficaria com 35%, e Renan Santos, do Missão, com 33%.

Flávio está em empate técnico como candidato da direita com os outros três. A diferença dele para Renan Santos é de quatro pontos. Com mais um detalhe que Bolsonaro não deve saber: 77% dos eleitores não sabem dizer quem é Renan Santos, 50% não conhecem Zema e 44% não sabem quem possa ser Ronaldo Caiado.

O centrão, parte do bolsonarismo, a Faria Lima, os empresários paulistas, Michelle, Tarcísio, os garimpeiros, os milicianos – ninguém mais sabe direito o que Flávio de fato é e o que ainda resta das suas forças. Nem o pai dele.

E o eleitor não sabe quase nada sobre os que poderiam substituí-lo na luta da direita contra Lula. Mas votaria neles, porque seriam o que resta. Se o candidato fosse o senador Cleitinho, teria índices semelhantes aos de Caiado, Zema e Santos.

Flávio é um nome substituível. Foi desfigurado pela sequência de episódios destruidores da sua candidatura e pela incapacidade de provar que estava preparado para um desafio maior do que cuidar dos negócios da família.

Hoje, só deve considerar como certo o apoio de Deus, que continua sendo citado ao final de cada frase. Mas a Seleção ficou sabendo que só Deus não resolve tudo, por desilusão, por cansaço ou porque no momento todas as suas energias foram sugadas pelos argentinos.

•        Trump, o novo cabo eleitoral de Lula, favorecerá a vitória do PT no primeiro turno. Por Leonardo Attuch

Donald Trump talvez tenha acabado de prestar o maior serviço à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao impor tarifas contra produtos brasileiros sob justificativas frágeis e claramente políticas, o atual presidente dos Estados Unidos transformou uma disputa comercial em um debate sobre soberania nacional. E, em países como o Brasil, a história mostra que poucas bandeiras mobilizam tanto quanto a defesa da independência e da soberania diante de pressões externas.

O primeiro aspecto que salta aos olhos é o caráter político e eleitoral das medidas anunciadas por Washington. Os próprios argumentos utilizados contra o Brasil — que vão do Pix às políticas ambientais e comerciais — revelam um esforço para construir uma narrativa capaz de justificar uma decisão que parece ter motivações muito mais políticas do que econômicas. A impressão transmitida é a de que o tarifaço busca interferir no ambiente político brasileiro, criando dificuldades para o governo Lula em um momento pré-eleitoral.

A segunda constatação é que o governo brasileiro respondeu à altura. Em poucas horas, o vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu ministros, apresentou um plano de proteção às empresas, anunciou apoio aos trabalhadores, reforçou a defesa do Pix, sinalizou a utilização da Lei da Reciprocidade Econômica, confirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio e reafirmou a disposição para negociar sem abrir mão dos interesses nacionais. Foi uma reação rápida, organizada e, sobretudo, soberana.

Esse aspecto talvez seja o mais importante. O povo brasileiro pode divergir sobre inúmeras questões internas, mas há algo profundamente enraizado em nossa identidade nacional: o respeito pela soberania do país. O Brasil nunca aceitou bem imposições externas, sobretudo quando elas parecem desconsiderar sua autonomia para definir seus próprios caminhos. A ideia de que uma potência estrangeira possa tentar influenciar os rumos políticos nacionais costuma produzir o efeito contrário ao desejado.

Nesse contexto, chama atenção a postura adotada pelo principal adversário de Lula. Flávio Bolsonaro, que já recebeu o apelido de “Tariflávio” por seus críticos, acabou associado à defesa das medidas anunciadas pelos Estados Unidos. Em vez de condenar um ato que atinge empresas brasileiras, trabalhadores e exportadores nacionais, optou por justificar as ações da Casa Branca. Essa escolha tende a produzir um custo político elevado, porque coloca em lados opostos dois conceitos muito claros para o eleitor: de um lado, a defesa do Brasil; de outro, a tentativa de justificar sanções impostas contra o próprio país.

A política, muitas vezes, é feita de símbolos. E poucos símbolos são tão poderosos quanto o Pix. Criado como infraestrutura pública de pagamentos, o sistema tornou-se parte da vida cotidiana de praticamente todos os brasileiros. Quando Gabriel Galípolo comparou as críticas americanas ao Pix à ideia de dizer que “o saneamento básico prejudicou a receita do caminhão-pipa”, sintetizou de forma simples o sentimento de que um patrimônio tecnológico nacional estava sendo injustamente atacado. Defender o Pix passou a significar defender uma conquista concreta da população.

<><> Falta pouco para vencer em primeiro turno

Os números da mais recente pesquisa Genial/Quaest ajudam a entender por que esse episódio pode alterar a dinâmica eleitoral. Segundo o levantamento, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto a soma de seus principais adversários alcança 41%. A distância é mínima. Em outras palavras, falta pouco para que o presidente alcance uma posição capaz de tornar a vitória em primeiro turno uma possibilidade concreta.

É justamente aí que o tarifaço pode produzir seu maior efeito político. Ao longo da campanha, tende a ganhar força uma narrativa simples e facilmente compreendida pelo eleitor. De um lado, estará Lula, associado à defesa da soberania nacional, da indústria brasileira, do emprego, do Pix e da capacidade do país de decidir seu próprio destino. Do outro, estarão candidatos identificados com a justificativa ou a relativização das medidas impostas pelos Estados Unidos.

Eleições costumam ser decididas por temas econômicos, mas também por valores. A soberania nacional sempre ocupou um lugar especial na memória política brasileira. Quando o eleitor sentir que seu voto também representa a defesa do país diante de pressões externas, a disputa poderá deixar de ser apenas entre projetos econômicos ou ideológicos para assumir uma dimensão patriótica.

Se esse processo de conscientização se consolidar, Donald Trump poderá entrar para a história política brasileira como um personagem inesperado: o cabo eleitoral involuntário que ajudou a fortalecer justamente o presidente que pretendia enfraquecer. E, nesse cenário, uma vitória de Lula ainda no primeiro turno deixará de parecer uma hipótese distante para se tornar uma possibilidade bastante concreta.

•        Empresários apontam influência eleitoral no tarifaço de Trump contra o Brasil

Empresários brasileiros afetados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos avaliam que a disputa política e eleitoral em torno das relações entre Brasília e Washington prejudicou as negociações comerciais. Segundo estimativa do governo federal, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano serão alcançadas pela sobretaxa.

As informações foram publicadas pela CNN Brasil nesta sexta-feira (17). A medida foi adotada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

Entre os segmentos mais atingidos está o setor de madeira processada, que teme perda de competitividade, cancelamento de contratos e redução das vendas ao mercado norte-americano. A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, a Abimci, relacionou o desfecho da negociação à presença de componentes políticos.

Para a entidade, a reversão da tarifa precisa ser tratada pelo governo brasileiro como uma questão urgente e uma prioridade diplomática, diante dos possíveis efeitos econômicos e sociais sobre as empresas e os trabalhadores do setor.

<><> Setor madeireiro cobra negociação diplomática

“No entendimento da associação, diante da relevância econômica e social dessa pauta, seria necessária uma atuação mais efetiva do governo brasileiro, dissociada dos componentes políticos e focada na negociação diplomática, para evitar um resultado que penaliza diretamente a indústria brasileira de madeira processada”, afirmou a Abimci.

A declaração evidencia a preocupação do setor com a transformação de uma negociação comercial em um conflito político. A indústria madeireira brasileira possui forte presença no mercado norte-americano e está entre as áreas que poderão sofrer de maneira mais imediata com o aumento das tarifas.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, também atribuiu o resultado das negociações ao ambiente político. Em nota, a entidade responsabilizou o governo brasileiro pelo que classificou como “ruídos diplomáticos desnecessários”.

Segundo a federação, a medida comercial poderia ter sido evitada por meio de uma “condução técnica e pragmática” da relação entre os dois países.

<><> Fiesp critica postura do governo brasileiro

“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, afirmou a Fiesp.

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a Apex Brasil, Laudemir Müller, adotou uma posição mais cautelosa ao ser questionado sobre a influência das eleições brasileiras nas negociações com os Estados Unidos.

Müller afirmou que é possível identificar com clareza os fatores que contribuíram para a retirada de mais de 600 produtos da lista de mercadorias sujeitas à sobretaxa. Segundo ele, a mobilização conjunta de empresas brasileiras e norte-americanas foi determinante para a concessão das isenções.

“O que ajudou foi esse envolvimento das empresas brasileiras, o trabalho feito pela Apex Brasil junto às empresas brasileiras e americanas, de mostrar a importância de cada setor, o quanto os setores dependiam uns dos outros. Tudo que foi diferente disso, me parece que não ajudou. Alguns dizem que atrapalhou”, declarou.

<><> Mais de 600 produtos ficaram isentos

A atuação empresarial demonstrou às autoridades norte-americanas que determinadas cadeias produtivas dos dois países possuem elevado grau de integração. Em muitos casos, empresas dos Estados Unidos dependem de matérias-primas, insumos e produtos brasileiros para manter suas operações.

Apesar das isenções obtidas, uma parcela relevante das vendas brasileiras continuará sujeita à taxa adicional. O percentual estimado de 18% representa uma exposição significativa para setores dependentes do mercado norte-americano.

A crise comercial também passou a ocupar o centro da disputa política brasileira. O Palácio do Planalto responsabiliza a família Bolsonaro pela imposição da tarifa e afirma que integrantes do grupo político colaboraram com iniciativas contrárias aos interesses econômicos nacionais.

Na semana anterior ao anúncio, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro participou de uma audiência pública promovida pelo governo dos Estados Unidos sobre a investigação comercial. Durante a sessão, ele pediu o adiamento da entrada em vigor da sobretaxa.

<><> Planalto acusa família Bolsonaro

“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, afirmou a Casa Civil em nota.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela medida adotada pelo governo Trump. O senador afirmou que tentou impedir a aplicação das tarifas durante sua passagem pelos Estados Unidos.

“Enquanto eu estava nos EUA tentando evitar o tarifaço, Lula preferiu provocar Trump. O Brasil sequer enviou representantes para defender os nossos interesses”, escreveu Flávio Bolsonaro na rede social X.

O episódio ampliou o confronto político entre o governo federal e a oposição em um momento de aproximação da eleição presidencial. Enquanto o Planalto acusa os Bolsonaro de atuarem no exterior contra o Brasil, o senador sustenta que a política externa de Lula deteriorou as relações com Washington.

<><> Trump determina tarifa adicional de 25%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acatou a recomendação do USTR e decidiu impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

A legislação permite ao governo dos Estados Unidos aplicar sanções comerciais contra países cujas práticas sejam consideradas prejudiciais aos interesses econômicos norte-americanos.

De acordo com as regras divulgadas, os produtos embarcados antes de 22 de julho poderão escapar da cobrança adicional, desde que ingressem no território dos Estados Unidos até 29 de julho. A definição de prazos criou uma corrida logística entre exportadores interessados em antecipar seus carregamentos.

Empresas brasileiras agora avaliam os efeitos da nova tarifa sobre contratos já firmados, custos de transporte, margens de lucro e preços finais. Também existe preocupação com o risco de perda de espaço para concorrentes de outros países que não estejam submetidos à mesma tributação.

<><> Marco Rubio ataca Lula

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atribuiu a imposição da sobretaxa à condução das negociações pelo governo brasileiro. Segundo ele, o presidente Lula e seus representantes não teriam negociado de boa-fé com os Estados Unidos.

Rubio afirmou que as políticas econômicas adotadas pelo governo brasileiro “são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”.

“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu o secretário de Estado no X.

A declaração reforçou a dimensão política da medida comercial e aprofundou a tensão entre os dois governos. Ao mesmo tempo, setores empresariais cobram uma saída diplomática que preserve as exportações brasileiras e impeça uma escalada de retaliações.

<><> Empresas temem perdas e cobram solução urgente

A aplicação das tarifas poderá obrigar exportadores brasileiros a reduzir preços, renegociar contratos ou buscar novos mercados para compensar a perda de competitividade nos Estados Unidos. Empresas com maior dependência das vendas ao país deverão enfrentar impactos mais intensos.

Os efeitos também podem alcançar fornecedores, transportadoras e trabalhadores vinculados às cadeias produtivas afetadas. Por essa razão, entidades empresariais defendem que a negociação seja conduzida como prioridade econômica, sem subordinação aos interesses da disputa eleitoral.

O governo brasileiro afirma que continuará atuando para ampliar a lista de exceções e proteger os setores atingidos. A mobilização da Apex Brasil, dos ministérios envolvidos e das próprias empresas deverá prosseguir após a entrada em vigor da cobrança.

O tarifaço de Trump, no entanto, já ultrapassou os limites de uma controvérsia comercial. Transformado em tema central da disputa política brasileira, o episódio deverá permanecer no debate eleitoral enquanto exportadores calculam prejuízos e buscam alternativas para preservar empregos, contratos e mercados.

 

Fonte: Por Moisés Mendes, em Brasil 247

 

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