Flávio
Bolsonaro é um candidato desfigurado
Uma
pesquisa qualitativa, dessas bem ao gosto de marqueteiros que reorientariam até
o discurso de Jesus Cristo, pode esclarecer como os eleitores enxergam Flávio
Bolsonaro como expressão da oposição a Lula. Não para que digam genericamente
que representa o antilulismo ou o pai.
Flávio
ainda carrega nas costas os sonhos e delírios do eleitor disruptivo? Significa
para a Faria Lima a única chance de segurar Lula? Mas que vantagem isso
oferece? Flávio continua sendo a aposta do centrão, mas qual centrão?
Tarcísio
de Freitas não quer Flávio por perto. Michelle o denunciou como arrogante,
machista e politicamente frágil. Bolsonaro fez uma cartinha em que o apresenta
como incapaz de caminhar com as próprias pernas.
O
mercado financeiro se deu conta de que o preço a ser pago para bancá-lo, até
agora sem um Paulo Guedes, é alto demais. Essa gente leva em conta as
evidências de que está difícil encontrar um novo Posto Ipiranga entre figuras
com reputação e sem vínculos com a Faria Lima do PCC.
Flávio
Bolsonaro não terá mais, pela proibição das visitas, a chance de chegar diante
do pai e pedir para que seja reprogramado: “o que faço agora, pai? Por que me
desamparaste, permitindo que minha madrasta me destrua?”.
Bolsonaro
não pode saber que a última pesquisa da Quaest tem um dado que os analistas
desprezaram. É pior do que a diferença de oito pontos (45% a 37%) para Lula.
Pior do que a revelação de que, na guerra com Michelle, para 42% ela é quem
está certa, e para apenas 18% o certo é Flávio.
Também
não é o outro dado segundo o qual a aprovação de Lula (48%) finalmente é maior
do que a desaprovação (47%). O dado menosprezado é este aqui: Caiado, Zema e
Renan Santos são quase tão ‘competitivos’ quanto Flávio num segundo turno.
É uma
realidade que se reafirma e se consolida. Lula tem o mesmo índice de 45% contra
os outros considerados pangarés, quando Flávio é trocado por um dos três.
Caiado teria 36%, só um ponto a menos do que Flávio. Zema ficaria com 35%, e
Renan Santos, do Missão, com 33%.
Flávio
está em empate técnico como candidato da direita com os outros três. A
diferença dele para Renan Santos é de quatro pontos. Com mais um detalhe que
Bolsonaro não deve saber: 77% dos eleitores não sabem dizer quem é Renan
Santos, 50% não conhecem Zema e 44% não sabem quem possa ser Ronaldo Caiado.
O
centrão, parte do bolsonarismo, a Faria Lima, os empresários paulistas,
Michelle, Tarcísio, os garimpeiros, os milicianos – ninguém mais sabe direito o
que Flávio de fato é e o que ainda resta das suas forças. Nem o pai dele.
E o
eleitor não sabe quase nada sobre os que poderiam substituí-lo na luta da
direita contra Lula. Mas votaria neles, porque seriam o que resta. Se o
candidato fosse o senador Cleitinho, teria índices semelhantes aos de Caiado,
Zema e Santos.
Flávio
é um nome substituível. Foi desfigurado pela sequência de episódios
destruidores da sua candidatura e pela incapacidade de provar que estava
preparado para um desafio maior do que cuidar dos negócios da família.
Hoje,
só deve considerar como certo o apoio de Deus, que continua sendo citado ao
final de cada frase. Mas a Seleção ficou sabendo que só Deus não resolve tudo,
por desilusão, por cansaço ou porque no momento todas as suas energias foram
sugadas pelos argentinos.
• Trump, o novo cabo eleitoral de Lula,
favorecerá a vitória do PT no primeiro turno. Por Leonardo Attuch
Donald
Trump talvez tenha acabado de prestar o maior serviço à campanha de Luiz Inácio
Lula da Silva. Ao impor tarifas contra produtos brasileiros sob justificativas
frágeis e claramente políticas, o atual presidente dos Estados Unidos
transformou uma disputa comercial em um debate sobre soberania nacional. E, em
países como o Brasil, a história mostra que poucas bandeiras mobilizam tanto
quanto a defesa da independência e da soberania diante de pressões externas.
O
primeiro aspecto que salta aos olhos é o caráter político e eleitoral das
medidas anunciadas por Washington. Os próprios argumentos utilizados contra o
Brasil — que vão do Pix às políticas ambientais e comerciais — revelam um
esforço para construir uma narrativa capaz de justificar uma decisão que parece
ter motivações muito mais políticas do que econômicas. A impressão transmitida
é a de que o tarifaço busca interferir no ambiente político brasileiro, criando
dificuldades para o governo Lula em um momento pré-eleitoral.
A
segunda constatação é que o governo brasileiro respondeu à altura. Em poucas
horas, o vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu ministros, apresentou um plano
de proteção às empresas, anunciou apoio aos trabalhadores, reforçou a defesa do
Pix, sinalizou a utilização da Lei da Reciprocidade Econômica, confirmou que o
Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio e reafirmou a disposição
para negociar sem abrir mão dos interesses nacionais. Foi uma reação rápida,
organizada e, sobretudo, soberana.
Esse
aspecto talvez seja o mais importante. O povo brasileiro pode divergir sobre
inúmeras questões internas, mas há algo profundamente enraizado em nossa
identidade nacional: o respeito pela soberania do país. O Brasil nunca aceitou
bem imposições externas, sobretudo quando elas parecem desconsiderar sua
autonomia para definir seus próprios caminhos. A ideia de que uma potência
estrangeira possa tentar influenciar os rumos políticos nacionais costuma
produzir o efeito contrário ao desejado.
Nesse
contexto, chama atenção a postura adotada pelo principal adversário de Lula.
Flávio Bolsonaro, que já recebeu o apelido de “Tariflávio” por seus críticos,
acabou associado à defesa das medidas anunciadas pelos Estados Unidos. Em vez
de condenar um ato que atinge empresas brasileiras, trabalhadores e
exportadores nacionais, optou por justificar as ações da Casa Branca. Essa
escolha tende a produzir um custo político elevado, porque coloca em lados
opostos dois conceitos muito claros para o eleitor: de um lado, a defesa do
Brasil; de outro, a tentativa de justificar sanções impostas contra o próprio
país.
A
política, muitas vezes, é feita de símbolos. E poucos símbolos são tão
poderosos quanto o Pix. Criado como infraestrutura pública de pagamentos, o
sistema tornou-se parte da vida cotidiana de praticamente todos os brasileiros.
Quando Gabriel Galípolo comparou as críticas americanas ao Pix à ideia de dizer
que “o saneamento básico prejudicou a receita do caminhão-pipa”, sintetizou de
forma simples o sentimento de que um patrimônio tecnológico nacional estava
sendo injustamente atacado. Defender o Pix passou a significar defender uma
conquista concreta da população.
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Falta pouco para vencer em primeiro turno
Os
números da mais recente pesquisa Genial/Quaest ajudam a entender por que esse
episódio pode alterar a dinâmica eleitoral. Segundo o levantamento, Lula
aparece com 40% das intenções de voto, enquanto a soma de seus principais
adversários alcança 41%. A distância é mínima. Em outras palavras, falta pouco
para que o presidente alcance uma posição capaz de tornar a vitória em primeiro
turno uma possibilidade concreta.
É
justamente aí que o tarifaço pode produzir seu maior efeito político. Ao longo
da campanha, tende a ganhar força uma narrativa simples e facilmente
compreendida pelo eleitor. De um lado, estará Lula, associado à defesa da
soberania nacional, da indústria brasileira, do emprego, do Pix e da capacidade
do país de decidir seu próprio destino. Do outro, estarão candidatos
identificados com a justificativa ou a relativização das medidas impostas pelos
Estados Unidos.
Eleições
costumam ser decididas por temas econômicos, mas também por valores. A
soberania nacional sempre ocupou um lugar especial na memória política
brasileira. Quando o eleitor sentir que seu voto também representa a defesa do
país diante de pressões externas, a disputa poderá deixar de ser apenas entre
projetos econômicos ou ideológicos para assumir uma dimensão patriótica.
Se esse
processo de conscientização se consolidar, Donald Trump poderá entrar para a
história política brasileira como um personagem inesperado: o cabo eleitoral
involuntário que ajudou a fortalecer justamente o presidente que pretendia
enfraquecer. E, nesse cenário, uma vitória de Lula ainda no primeiro turno
deixará de parecer uma hipótese distante para se tornar uma possibilidade
bastante concreta.
• Empresários apontam influência eleitoral
no tarifaço de Trump contra o Brasil
Empresários
brasileiros afetados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos
avaliam que a disputa política e eleitoral em torno das relações entre Brasília
e Washington prejudicou as negociações comerciais. Segundo estimativa do
governo federal, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao
mercado norte-americano serão alcançadas pela sobretaxa.
As
informações foram publicadas pela CNN Brasil nesta sexta-feira (17). A medida
foi adotada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após
recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o
USTR.
Entre
os segmentos mais atingidos está o setor de madeira processada, que teme perda
de competitividade, cancelamento de contratos e redução das vendas ao mercado
norte-americano. A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada
Mecanicamente, a Abimci, relacionou o desfecho da negociação à presença de
componentes políticos.
Para a
entidade, a reversão da tarifa precisa ser tratada pelo governo brasileiro como
uma questão urgente e uma prioridade diplomática, diante dos possíveis efeitos
econômicos e sociais sobre as empresas e os trabalhadores do setor.
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Setor madeireiro cobra negociação diplomática
“No
entendimento da associação, diante da relevância econômica e social dessa
pauta, seria necessária uma atuação mais efetiva do governo brasileiro,
dissociada dos componentes políticos e focada na negociação diplomática, para
evitar um resultado que penaliza diretamente a indústria brasileira de madeira
processada”, afirmou a Abimci.
A
declaração evidencia a preocupação do setor com a transformação de uma
negociação comercial em um conflito político. A indústria madeireira brasileira
possui forte presença no mercado norte-americano e está entre as áreas que
poderão sofrer de maneira mais imediata com o aumento das tarifas.
A
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, também atribuiu o
resultado das negociações ao ambiente político. Em nota, a entidade
responsabilizou o governo brasileiro pelo que classificou como “ruídos
diplomáticos desnecessários”.
Segundo
a federação, a medida comercial poderia ter sido evitada por meio de uma
“condução técnica e pragmática” da relação entre os dois países.
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Fiesp critica postura do governo brasileiro
“Em um
momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo
brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas,
discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar
vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”,
afirmou a Fiesp.
O
presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a
Apex Brasil, Laudemir Müller, adotou uma posição mais cautelosa ao ser
questionado sobre a influência das eleições brasileiras nas negociações com os
Estados Unidos.
Müller
afirmou que é possível identificar com clareza os fatores que contribuíram para
a retirada de mais de 600 produtos da lista de mercadorias sujeitas à
sobretaxa. Segundo ele, a mobilização conjunta de empresas brasileiras e
norte-americanas foi determinante para a concessão das isenções.
“O que
ajudou foi esse envolvimento das empresas brasileiras, o trabalho feito pela
Apex Brasil junto às empresas brasileiras e americanas, de mostrar a
importância de cada setor, o quanto os setores dependiam uns dos outros. Tudo
que foi diferente disso, me parece que não ajudou. Alguns dizem que
atrapalhou”, declarou.
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Mais de 600 produtos ficaram isentos
A
atuação empresarial demonstrou às autoridades norte-americanas que determinadas
cadeias produtivas dos dois países possuem elevado grau de integração. Em
muitos casos, empresas dos Estados Unidos dependem de matérias-primas, insumos
e produtos brasileiros para manter suas operações.
Apesar
das isenções obtidas, uma parcela relevante das vendas brasileiras continuará
sujeita à taxa adicional. O percentual estimado de 18% representa uma exposição
significativa para setores dependentes do mercado norte-americano.
A crise
comercial também passou a ocupar o centro da disputa política brasileira. O
Palácio do Planalto responsabiliza a família Bolsonaro pela imposição da tarifa
e afirma que integrantes do grupo político colaboraram com iniciativas
contrárias aos interesses econômicos nacionais.
Na
semana anterior ao anúncio, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio
Bolsonaro participou de uma audiência pública promovida pelo governo dos
Estados Unidos sobre a investigação comercial. Durante a sessão, ele pediu o
adiamento da entrada em vigor da sobretaxa.
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Planalto acusa família Bolsonaro
“É
triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção
301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família
Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente
ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, afirmou a Casa
Civil em nota.
Flávio
Bolsonaro, por sua vez, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a
responsabilidade pela medida adotada pelo governo Trump. O senador afirmou que
tentou impedir a aplicação das tarifas durante sua passagem pelos Estados
Unidos.
“Enquanto
eu estava nos EUA tentando evitar o tarifaço, Lula preferiu provocar Trump. O
Brasil sequer enviou representantes para defender os nossos interesses”,
escreveu Flávio Bolsonaro na rede social X.
O
episódio ampliou o confronto político entre o governo federal e a oposição em
um momento de aproximação da eleição presidencial. Enquanto o Planalto acusa os
Bolsonaro de atuarem no exterior contra o Brasil, o senador sustenta que a
política externa de Lula deteriorou as relações com Washington.
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Trump determina tarifa adicional de 25%
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acatou a recomendação do USTR e
decidiu impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos
brasileiros. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação conduzida com
base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
A
legislação permite ao governo dos Estados Unidos aplicar sanções comerciais
contra países cujas práticas sejam consideradas prejudiciais aos interesses
econômicos norte-americanos.
De
acordo com as regras divulgadas, os produtos embarcados antes de 22 de julho
poderão escapar da cobrança adicional, desde que ingressem no território dos
Estados Unidos até 29 de julho. A definição de prazos criou uma corrida
logística entre exportadores interessados em antecipar seus carregamentos.
Empresas
brasileiras agora avaliam os efeitos da nova tarifa sobre contratos já
firmados, custos de transporte, margens de lucro e preços finais. Também existe
preocupação com o risco de perda de espaço para concorrentes de outros países
que não estejam submetidos à mesma tributação.
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Marco Rubio ataca Lula
O
secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atribuiu a imposição da
sobretaxa à condução das negociações pelo governo brasileiro. Segundo ele, o
presidente Lula e seus representantes não teriam negociado de boa-fé com os
Estados Unidos.
Rubio
afirmou que as políticas econômicas adotadas pelo governo brasileiro “são ruins
para os americanos e ruins para os brasileiros”.
“No
último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo
bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu o
secretário de Estado no X.
A
declaração reforçou a dimensão política da medida comercial e aprofundou a
tensão entre os dois governos. Ao mesmo tempo, setores empresariais cobram uma
saída diplomática que preserve as exportações brasileiras e impeça uma escalada
de retaliações.
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Empresas temem perdas e cobram solução urgente
A
aplicação das tarifas poderá obrigar exportadores brasileiros a reduzir preços,
renegociar contratos ou buscar novos mercados para compensar a perda de
competitividade nos Estados Unidos. Empresas com maior dependência das vendas
ao país deverão enfrentar impactos mais intensos.
Os
efeitos também podem alcançar fornecedores, transportadoras e trabalhadores
vinculados às cadeias produtivas afetadas. Por essa razão, entidades
empresariais defendem que a negociação seja conduzida como prioridade
econômica, sem subordinação aos interesses da disputa eleitoral.
O
governo brasileiro afirma que continuará atuando para ampliar a lista de
exceções e proteger os setores atingidos. A mobilização da Apex Brasil, dos
ministérios envolvidos e das próprias empresas deverá prosseguir após a entrada
em vigor da cobrança.
O
tarifaço de Trump, no entanto, já ultrapassou os limites de uma controvérsia
comercial. Transformado em tema central da disputa política brasileira, o
episódio deverá permanecer no debate eleitoral enquanto exportadores calculam
prejuízos e buscam alternativas para preservar empregos, contratos e mercados.
Fonte:
Por Moisés Mendes, em Brasil 247

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