'TariFlávio
de Trump deu a Lula bandeira da soberania e pode prejudicar Flávio Bolsonaro',
diz especialista
Considerada
pelo governo brasileiro como um ‘marco lastimável’ nas relações
Brasil-Estados Unidos, a decisão do governo Trump de impor uma tarifa adicional
de 25% sobre os produtos brasileiros poderá gerar dividendos para o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e prejudicar o pré-candidato Flávio Bolsonaro.
A
afirmação é do co-diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de
Oklahoma, Fábio de Sá e Silva. Em entrevista a Opera Mundi, ele avalia que
“houve uma clara movimentação política em
torno das tarifas, por parte da atual oposição no Brasil”.
“Frequentemente,
essa oposição invoca ter conexões em Washington e mobilizá-las
para interferir em processos políticos e até decisões judiciais no país”,
acrescentou. Apesar disso, “essas ações geram dividendos políticos para o
governo, pois permitem que Lula mobilize com sucesso o discurso da soberania”.
“As
medidas desagradam o próprio empresariado brasileiro, que precisa gastar
dinheiro e energia para se defender”, afirma Sá e Silva. A menção expressa ao
Pix, por exemplo, “vai apenas aprofundar isso e pode atrapalhar a candidatura
de Flávio Bolsonaro, mais do que ajudar”, acrescenta.
Segundo
o especialista, “os Bolsonaros e outros do seu
entorno tentam reproduzir uma lógica já usada por outras diásporas de construir
influência política nos Estados Unidos e usar isso para influenciar a política
de seus próprios países”.
A
prática, no entanto, “leva décadas e precisa estar ancorada em relações com
todo o sistema político. Os Bolsonaros se
aliaram aos republicanos, isso significa que estão vulneráveis
caso estes saiam do poder em algum momento”, acrescenta.
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Decisão já era esperada
Segundo
o especialista, a taxação já era esperada. “Foi ficando cada vez mais
previsível, dadas as notícias que circulavam pela mídia e as declarações,
inclusive, de ex-membros do Escritório do Representante Comercial dos Estados
Unidos (USTR), de que seriam impostas de toda forma”.
Após o
anúncio de Washington, o governo Lula afirmou que irá aplicar a Lei de
Reciprocidade contra os Estados Unidos e levar a questão à Organização Mundial
de Comércio (OMC). Para o professor, a resposta é condizente com a linha
institucionalista do país em suas relações internacionais e “deve se manter
nesses trilhos”.
Na
prática, as tarifas irão levar “o Brasil, independentemente do governo, a
fortalecer seus laços com outras economias, o que também será ruim para os
Estados Unidos”, avalia.
O
pacote tarifário, que começará a valer na próxima quarta-feira (22/07),
deixou milhares de produtos brasileiros isentos. Sá e
Silva considera que isso evidencia “que os Estados Unidos reconhecem que as
tarifas geram efeitos negativos para seu próprio mercado interno”. Além de
mostrar “o poder de lobbies setoriais, ou seja, eles aplicaram tarifas ‘pero no
mucho’”.
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Ação deliberada
Após a
divulgação das novas taxas contra o Brasil, o Secretário de Estado
norte-americano, Marco Rubio, publicou uma declaração contundente contra o
governo do presidente Lula, afirmando que suas políticas econômicas são ruins
para o país e que o mandatário brasileiro “não agiu de boa-fé” em relação à
Casa Branca.
Ao
comentar a política de Trump para a América Latina, o pesquisador afirma que se
trata de uma posição “baseada numa leitura ideológica de relações
internacionais e da relação dos Estados Unidos com o hemisfério”.
“Não é
algo novo, sempre houve alguma tentativa de influenciar a região. Mudaram a
racionalidade e os instrumentos. No curto prazo, tem garantido governos leais a
Trump, mas ainda precisamos de tempo para avaliar outros resultados e a
durabilidade disso”, complementou.
¨ Governo Lula rejeita
novo tariFlávio de Trump e reitera: 'Pix é patrimônio do povo'
O
governo Lula classificou como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e
Estados Unidos a decisão de Washington, anunciada na noite
desta quarta-feira (15/07), de impor tarifas de 25% sobre os produtos
brasileiros, após o término das investigações comerciais de Washington sobre o
país.
O
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou o
encerramento da investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil,
afirmando que a taxa imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump está
prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira, 22 de julho.
Segundo
o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a decisão busca
proteger os interesses econômicos do país e garantir condições justas de
concorrência para empresas e trabalhadores norte-americanos. Ele afirmou que os
Estados Unidos permanecem abertos a novas negociações com o governo brasileiro.
Washington
alega práticas de favorecimento do Brasil, como o sistema de pagamento
eletrônico Pix e as tarifas relacionadas ao mercado de etanol. Além do
combustível, a lista de produtos atingidos inclui máquinas agrícolas, roupas,
calçados e materiais elétricos.
Estão
isentos da cobrança cerca de 2.100 itens, como café, laranja, suco de laranja e
carne bovina; petróleo bruto e derivados, aeronaves e peças da indústria
aeroespacial, terras raras e minerais estratégicos.
Em
postagem nas redes sociais, após a divulgação das tarifas, o Secretário de Estado norte-americano,
Marco Rubio,
afirmou que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados
Unidos de boa-fé” e que as políticas econômicas do Brasil “são ruins para os
norte-americanos e ruins para os brasileiros”.
“No
último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da celebração de um acordo em
benefício do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, declarou.
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Resposta do governo brasileiro
Em nota, a Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República afirmou que a medida é
unilateral, injustificada e contraria as regras do comércio
internacional,
além de anunciar que o país recorrerá à Lei de Reciprocidade e retomará a
disputa no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O
comunicado afirma que o Brasil “repudia a decisão anunciada hoje pelo governo
dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”,
reiterando que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso
país”.
O
governo argumenta que os próprios dados oficiais dos Estados Unidos demonstram
um superávit norte-americano de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e
serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos. A nota destaca que, em
2025, 76% das importações provenientes de
Washington ingressaram
no mercado brasileiro sem pagamento de imposto de importação e que a alíquota
média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
O
Palácio do Planalto reiterou que não reconhece a legitimidade de investigações
conduzidas fora das normas multilaterais de comércio, afirmando que manteve
diálogo permanente com o USTR durante o último ano para tentar encerrar o
processo.
De
acordo com o governo, foram apresentadas evidências que refutam as acusações de
práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil, incluindo críticas ao
sistema de pagamentos PIX, à regulação das plataformas digitais e às políticas
ambientais.
<><>‘Pix
é um patrimônio do nosso povo’
O
governo brasileiro defende que “o PIX é um patrimônio do nosso povo e referência
internacional de infraestrutura pública digital” e afirma: “não vamos abdicar
de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado
de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”.
O texto
também rejeita as acusações relacionadas ao meio ambiente, sustentando que,
desde 2023, o país intensificou o combate aos crimes ambientais e reduziu
significativamente o desmatamento em todos os biomas.
O
comunicado ressalta ainda que, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na
semana passada, 63 das 78 manifestações de representantes do setor privado
brasileiro e norte-americano foram contrárias à imposição das tarifas. Segundo
o governo, esse resultado demonstra que a medida enfrenta resistência também
entre empresas dos dois países.
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Lei de Reciprocidade e OMC
A nota
afirma ainda que o Brasil “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os
instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo
Congresso Nacional”, além de levar novamente a disputa ao mecanismo de solução
de controvérsias da OMC.
O
governo anunciou que continuará buscando novos mercados para as exportações
brasileiras, citando os acordos firmados pelo Mercosul com a União Europeia, a
Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura.
Além
disso, informou que o Plano Brasil Soberano será utilizado para proteger os
setores afetados pelas tarifas e preservar empregos e a capacidade produtiva
nacional.
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‘Falsos patriotas’
Na
parte final do documento, o governo atribui responsabilidade política pela
escalada da crise. Segundo a nota, “é triste constatar que o lamentável
desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído
com a ativa colaboração da família Bolsonaro“.
O texto
acrescenta que se trata de “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam
publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, e
conclui afirmando que “proteger a nossa soberania é uma obrigação que está
acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não
vacilará em seu dever de preservá-la”.
¨ ‘EUA estão
incomodados porque Brasil não se curvou’, afirma Mauro Vieira sobre o
tariFlávio
Em
declaração feita nesta quinta-feira (16/07), o ministro das Relações Exteriores
do Brasil, Mauro Vieira, classificou como “desmedidas” e “irrazoáveis” o tarifaço adicional de 25% anunciado pelo
governo dos Estados Unidos contra uma lista de produtos brasileiros.
“Claramente
o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às
pretensões desmedidas e
às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, afirmou o
chanceler brasileiro, ao comentar a medida anunciada pelo governo
norte-americano nesta quarta-feira (15/07).
Vieira
também criticou a exigência de Washington de que Brasília aceitasse uma
“abertura total, irrestrita e exclusiva” de setores inteiros de sua economia
para empresas dos Estados Unidos, situação que ele resumiu dizendo que “em
outras palavras, exigiam a capitulação”.
Após o
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciar o
encerramento da investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do
Brasil, a Casa Branca informou que o governo norte-americano impôs tarifas
adicionais de 25% sobre os produtos brasileiros.
Ao
justificar a medida, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson
Greer, disse que a decisão busca “proteger os interesses econômicos do país e
garantir condições justas de concorrência para empresas e trabalhadores
norte-americanos”.
Segundo
o governo de Donald Trump, as novas tarifas aos produtos brasileiros entrarão
em vigor a partir da próxima quarta-feira (22/07).
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Rebatendo Rubio
Horas
depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou a decisão
e tentou atribuir a responsabilidade pelo tarifaço ao presidente do Brasil,
Luiz Inácio Lula da Silva.
“O
presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé”,
afirmou Rubio, que completou dizendo que as políticas econômicas do Brasil
seriam supostamente “ruins para os norte-americanos e ruins para os
brasileiros”.
O
chanceler brasileiro Mauro Vieira considerou as declarações do chefe da
diplomacia norte-americana ‘inaceitáveis e ofensivas’.
“Rubio
ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo (dos
Estados Unidos)”, acrescentou Vieira.
Fonte:
Opera Mundi

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