sábado, 18 de julho de 2026

Cansado de cuidar do diabetes? Psicólogo explica quando isso pode ser burnout

Conviver com diabetes exige muito mais do que aplicar insulina, medir a glicemia ou contar carboidratos. Todos os dias, quem vive com a condição precisa tomar decisões relacionadas ao tratamento. Quando essa rotina passa a gerar sofrimento e esgotamento, pode surgir um quadro conhecido como burnout no diabetes.

O tema foi discutido no novo episódio do DiabetesCast pelo psicólogo Cláudio Cancellieri, que explicou de forma simples como identificar os sinais e quando é hora de buscar ajuda.

Segundo ele, cuidar da saúde mental é parte do tratamento. “O autocuidado só acontece quando estamos bem. Se não estamos bem, não nos cuidamos”, afirmou.

<><> O que é o burnout no diabetes?

Antes de falar sobre burnout, Cláudio explica outro conceito importante: o distresse no diabetes.

Segundo o psicólogo, o distresse é o sofrimento relacionado ao autocuidado. Ele acontece quando as exigências do tratamento passam a ser maiores do que os recursos emocionais da pessoa para lidar com elas.

Em outras palavras, o problema não está apenas na quantidade de tarefas. O impacto depende da forma como cada pessoa consegue enfrentar essa rotina.

“O estresse é uma sobrecarga. Se eu tenho recursos para lidar com qualquer situação, não fico sobrecarregado”, explicou.

Quando esse sofrimento permanece por muito tempo ou se intensifica, ele pode evoluir para o burnout.

Nesse estágio, o sentimento deixa de ser apenas uma sobrecarga e passa a ser um esgotamento. A pessoa sente que não consegue mais continuar cuidando do diabetes da mesma forma.

<><> Por que algumas pessoas sofrem mais do que outras?

Para Cláudio Cancellieri, dois indivíduos podem enfrentar exatamente as mesmas tarefas e viver experiências completamente diferentes.

Quem conta com uma equipe de saúde preparada, apoio da família, informação de qualidade e recursos para enfrentar o tratamento tende a sentir menos sobrecarga.

Por outro lado, quem enfrenta dificuldades em vários aspectos da vida pode perceber o diabetes como um peso maior.

“O diabetes faz parte da vida. Mas a vida não é só o diabetes”, destacou durante o episódio.

Essa percepção também muda conforme a fase da vida. Momentos de trabalho intenso, problemas familiares, dificuldades financeiras ou outras questões pessoais podem reduzir a capacidade de lidar com o autocuidado.

<><> Como identificar os sinais de alerta

O psicólogo afirma que alguns comportamentos podem indicar que o sofrimento relacionado ao diabetes está aumentando.

Entre eles estão:

•        esquecer tarefas relacionadas ao tratamento;

•        reclamar frequentemente do autocuidado;

•        sentir que está cansado de cuidar do diabetes;

•        perder o interesse por outras atividades;

•        perceber que o tratamento passou a ocupar todos os pensamentos.

Segundo Cláudio, esses sinais merecem atenção porque podem indicar que a pessoa já está vivendo um quadro de distresse ou caminhando para o burnout.

<><> Apoio faz parte do tratamento

Uma das mensagens centrais do episódio é que ninguém precisa enfrentar o diabetes sozinho.

Cláudio diferencia suporte e apoio. O suporte vem dos profissionais de saúde, como médico, nutricionista e psicólogo. Já o apoio é formado por familiares, amigos e pessoas próximas.

Esse acolhimento ajuda a reduzir um sentimento comum entre pessoas com diabetes: a sensação de isolamento.

“O apoio diminui a sensação de que você está sozinho nessa jornada”, explicou.

Segundo ele, o acompanhamento em saúde mental também deveria fazer parte do cuidado desde o diagnóstico, ajudando a pessoa a construir uma relação mais saudável com a condição.

<><> Redes sociais também podem aumentar a sobrecarga

Outro ponto discutido foi o impacto das redes sociais.

Para Cláudio, elas podem oferecer informações úteis quando o conteúdo é produzido com responsabilidade. No entanto, também podem aumentar a comparação entre pessoas, favorecer a circulação de informações falsas e ampliar o sentimento de culpa.

Além disso, a busca constante por um tratamento considerado perfeito pode aumentar o sofrimento de quem convive com diabetes.

O psicólogo lembra que cada pessoa vive uma realidade diferente e que o tratamento precisa ser individualizado.

<><> Aceitar não significa desistir

Ao final da conversa, Cláudio propõe três etapas para lidar melhor com o diabetes. A primeira é aceitar a realidade, entendendo que o diagnóstico é um fato.

Depois vem o ajustamento, quando a pessoa aprende a reorganizar sua rotina. Por fim, acontece a adaptação, momento em que o diabetes deixa de definir quem ela é e passa a ser apenas uma das partes da vida.

Segundo o psicólogo, esse processo ajuda a reduzir o peso emocional do tratamento e permite que o autocuidado faça parte da rotina sem ocupar todo o espaço da vida.

 

Fonte: Um Diabético

 

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