Vinho
aumenta o risco de hipoglicemia em quem tem diabetes? Entenda o que acontece no
organismo
Afinal,
o vinho realmente aumenta a sensibilidade à insulina? Nos dias mais frios, é
comum que muita gente troque a cerveja por uma taça de vinho. E, entre as
pessoas com diabetes, essa é uma dúvida que costuma surgir.
A
resposta é sim, mas não da forma como muitos imaginam.
Embora
o álcool possa aumentar temporariamente a sensibilidade à insulina, este efeito
não significa que a bebida faz bem para o controle da glicemia. Na verdade, ele
acontece porque o organismo passa a concentrar seus esforços em eliminar o
álcool, reduzindo temporariamente a produção de glicose pelo fígado. Como
consequência, aumenta o risco de hipoglicemia, principalmente para quem utiliza
insulina.
O
assunto ganhou destaque após um vídeo publicado pela nutricionista Nathália
Rosa, que compartilha conteúdos sobre diabetes e alimentação no perfil
Diabética Tipo Fit (@diabeticatipofit). Na publicação, a especialista explica
que esse aumento da sensibilidade à insulina costuma ser interpretado de forma
equivocada.
“O
álcool causa sensibilidade à insulina. Mas não pensem que é algo bom. É o
contrário. O álcool é tão tóxico que simplesmente as outras funções do nosso
corpo ficam focadas em eliminar aquele álcool.”
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O álcool realmente aumenta a sensibilidade à insulina?
Antes
de entender esse efeito, é importante saber o que significa sensibilidade à
insulina.
Ela
representa o quanto o organismo responde à ação desse hormônio. Quanto maior
essa sensibilidade, mais facilmente a glicose consegue entrar nas células para
ser utilizada como fonte de energia e, consequentemente, menor tende a ser a
necessidade de insulina para controlar a glicemia.
Quando
esse aumento acontece por causa de hábitos saudáveis, como alimentação
equilibrada, prática regular de atividade física e perda de peso quando
necessária, ele é considerado positivo.
No caso
do álcool, porém, o mecanismo é outro.
Segundo
Nathália Rosa, a mudança acontece porque o fígado deixa de realizar
temporariamente uma de suas principais funções: produzir e liberar glicose para
o sangue.
“O
nosso fígado produz glicose. Só que, nesse momento, quando a gente ingere
álcool, o objetivo dele é só eliminar aquilo. Para de produzir essa glicose.”
Essa
explicação está de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que
destaca que o álcool reduz temporariamente a produção de glicose pelo fígado.
Com isso, a insulina continua agindo, mas há menos glicose disponível na
circulação, aumentando o risco de hipoglicemia, especialmente em pessoas que
fazem uso de insulina ou medicamentos que estimulam sua produção.
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Por que isso acontece?
O
fígado desempenha um papel essencial no controle da glicemia.
Entre
uma refeição e outra, e principalmente durante períodos de jejum, ele libera
glicose armazenada para manter os níveis de açúcar no sangue dentro da
normalidade.
Quando
há consumo de bebida alcoólica, entretanto, essa prioridade muda.
Como o
álcool precisa ser eliminado do organismo, o fígado passa a dedicar grande
parte do seu trabalho a esse processo. Enquanto isso acontece, ele reduz
temporariamente a produção de glicose.
Na
prática, isso significa que a insulina continua agindo normalmente, mas há
menos glicose sendo liberada pelo fígado para equilibrar a glicemia.
É
justamente esse mecanismo que explica o aumento temporário da sensibilidade à
insulina observado após o consumo de bebidas alcoólicas.
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O risco pode aparecer horas depois
Outro
ponto importante é que esse efeito não acontece imediatamente.
De
acordo com Nathália Rosa, a hipoglicemia pode surgir entre quatro e doze horas
após o consumo do álcool.
“A
gente começa a sentir esses efeitos depois de 4, 6, 8, 12 horas do consumo
desse álcool.”
Isso
explica por que muitas pessoas apresentam episódios de hipoglicemia durante a
madrugada, mesmo quando a glicemia parecia estável logo após consumir a bebida.
O
alerta também é reforçado pela Sociedade Brasileira de Diabetes, que orienta
atenção especial ao consumo de bebidas alcoólicas por pessoas que utilizam
insulina, já que o risco de hipoglicemia pode persistir por várias horas após a
ingestão.
Para
quem vive com diabetes tipo 1 e também para pessoas com diabetes tipo 2
tratadas com insulina, esse cuidado deve ser ainda maior.
Entre
os principais sinais de hipoglicemia estão tremores, suor frio, tontura,
fraqueza, palpitações, sonolência, confusão mental e visão embaçada. Nos casos
mais graves, pode haver perda de consciência.
A
quantidade ingerida também influencia diretamente esse risco.
“Quanto
mais você beber, mais você tem chances de hipoglicemias.”
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Quem tem diabetes pode tomar vinho?
De
forma geral, sim.
Pessoas
com diabetes podem consumir bebidas alcoólicas, desde que não exista
contraindicação médica e que alguns cuidados sejam respeitados.
Do
ponto de vista glicêmico, o vinho tinto seco costuma ser uma opção melhor do
que bebidas alcoólicas com maior quantidade de açúcar, como vinhos suaves,
cervejas e drinques preparados com xaropes ou refrigerantes.
Nathália
Rosa explica que bebidas como vinho seco, gin e vodka provocam menor elevação
imediata da glicemia quando comparadas às bebidas açucaradas.
“É uma
opção melhor que a cerveja, mas não significa que você deve se embebedar.”
Isso
acontece porque essas bebidas possuem menos carboidratos. Ainda assim, o álcool
continua exercendo seu efeito sobre o fígado, mantendo o risco de hipoglicemia
horas depois.
Por
esse motivo, especialistas recomendam que o consumo seja feito sempre junto às
refeições, nunca em jejum, e acompanhado do monitoramento da glicemia antes de
dormir e nas horas seguintes ao consumo, principalmente para quem utiliza
insulina.
As
recomendações internacionais também orientam moderação: até uma taça de
aproximadamente 150 ml por dia para mulheres e até duas taças para homens
adultos, desde que não existam contra indicações individuais.
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E o resveratrol, faz diferença?
Grande
parte da fama do vinho surgiu por causa do resveratrol e de outros polifenóis
presentes principalmente na casca da uva.
Esses
compostos possuem ação antioxidante e vêm sendo estudados por seu possível
papel na melhora de alguns mecanismos relacionados à sensibilidade à insulina e
na redução do estresse oxidativo.
No
entanto, especialistas alertam que esse não é o motivo pelo qual o vinho
aumenta temporariamente a sensibilidade à insulina após o consumo. Esse efeito
está relacionado principalmente à ação do álcool sobre o fígado.
Além
disso, as pesquisas sobre o resveratrol ainda não são suficientes para
recomendar o consumo de vinho como estratégia para prevenir ou tratar o
diabetes. A quantidade da substância presente em uma taça também é muito menor
do que a utilizada em diversos estudos científicos.
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Informação é a melhor aliada
Embora
o vinho tinto seco provoque menor impacto imediato na glicemia do que bebidas
alcoólicas mais açucaradas, isso não significa que ele seja um aliado no
tratamento do diabetes.
O
aumento temporário da sensibilidade à insulina provocado pelo álcool é
consequência da forma como o organismo processa a bebida e pode favorecer
episódios de hipoglicemia horas depois, especialmente em pessoas que utilizam
insulina.
Por
isso, antes de consumir qualquer bebida alcoólica, vale a pena conversar com o
endocrinologista ou com a equipe que acompanha o tratamento. Conhecer como o
álcool interfere na glicemia ajuda a fazer escolhas mais seguras e evita que um
momento de lazer termine em uma emergência por hipoglicemia.
Fonte:
Um Diabético

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